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Fotos do último show do Velvet Underground que apareceram em Juiz de Fora

Demais essa história das fotos do último show do Velvet Underground com Lou Reed que foram encontradas em Juiz de Fora que a Carime Elmor contou na revista Zum. Os registros feitos por Leee Black Childers, fotógrafo da turma de Andy Warhol que assistiu à transformação de Nova York provocada pelo Velvet em tempo real, marcam o final da temporada que o grupo fez no Max’s Kansas City no verão nova-iorquino de 1970 e são do mesmo dia (23 de agosto daquele ano) em que outra habitué da turma do Velvet, a modelo Brigid Polk, gravou a íntegra da apresentação em seu gravador portátil, sendo abordada logo em seguida pelo agitador Danny Fields para ver se conseguia lançar aquele registro comercialmente, e fazendo Live at Max’s Kansas City, lançado em 1972, “o primeiro álbum pirata da história a ser editado e lançado oficialmente”, como reforça Carime em sua reportagem. As imagens mostram um Lou Reed genuinamente feliz numa apresentação em que estava acompanhado do compadre Sterling Morrison, de Doug Yule no baixo (que entrou no grupo depois da saída de John Cale e canta algumas das principais músicas da banda no dois últimos discos) e o irmão de Doug, Billy Yule, na bateria, substituindo a baterista original Moe Tucker que estava grávida de sua primeira filha. Além das fotos desse dia, a matéria ainda traz outras fotos, de John Cale e Nico tocando em 1972 no Le Bataclan parisiense (apresentação que também contou com Lou Reed, que não aparece nestas fotos) e outras do grupo no campus de uma universidade em 1969. Dá uma sacada lá na Zum.

Veja algumas abaixo:  

E Buzzcocks no Brasil também!

Quem também acaba de anunciar sua vinda ao país é a banda inglesa Buzzcocks, um dos principais nomes da cena punk daquele país, que além de tocar em São Paulo (no dia 24 de maio, no Carioca Club) e em Curitiba (dia 25, no Basement), passa também pelo México (dia 18), Colômbia (20), Chile (22) e Argentina (23). A morte de seu líder Pete Shelley em 2018 fez a banda suspender as atividades por um tempo, abrindo uma exceção apenas em 2019, quando celebraram o fundador da banda em um show tributo ao grupo no Royal Albert Hall, com convidados como Captain Sensible e Dave Vanian (ambos do Damned), Pauline Murray (dos Penetrations), Peter Perrett (dos Only Ones), Tim BUrguess (dos Charlatans) e Thurston Moore (do Sonic Youth), entre outros. O grupo foi ressuscitado em 2022 pelo outro fundador da banda, o também guitarrista Steve Diggle, que reuniu o baixista Chris Remington (que tocava com a banda desde 2008) e o baterista Danny Farrant (um buzzcock desde 2006) para retomar a formação que agora vem à América Latina. Os ingressos para o show de São Paulo estão à venda neste link e os do show em Curitiba neste link.

Fuzztones no Brasil!

Quem desembarca em breve no Brasil é o clássico grupo de garage rock dos anos 80 Fuzztones, que toca pela primeira vez no país no dia 17 de abril, no Cine Joia. Heróis do rock cru e garageiro que saiu de moda depois que o punk redesenhou o underground no final dos anos 70, a banda nova-iorquina liderada pelo mitológico Rudi Protrudi mudou-se para Los Angeles no meio daquela década, onde estabeleceu-se até hoje, tornando-se o único integrante fundador a tocar o grupo em frente. Os Fuzztones vêm à América do Sul com a formação iniciada no meio da década passada e passam por São Paulo depois de tocar na Argentina e no Uruguai. A noite brasileira ainda conta com a abertura de duas bandas igualmente históricas no que diz respeito ao rock de garagem no Brasil: os Autoramas e os Gasolines. Os ingressos já estão à venda neste link.

Mais Sly!

Parece que Questlove conseguiu mais uma vez: lançou o trailer final de seu documentário sobre Sly Stone – o mitológico líder de um dos grupos mais importantes dos anos 60, Sly & The Family Stone – pouco antes da primeira exibição pública do filme, que aconteceu na semana passada no festival Sundance, arrancando excelentes elogios. Sly Lives! (aka The Burden of Black Genius) é o segundo documentário dirigido pelo baterista dos Roots, depois do deslumbrante Summer of Soul, que lhe garantiu seu primeiro Oscar. O novo filme, que estreia nos EUA No canal de streaming Hulu no próximo dia 13 e não tem previsão de lançamento no Brasil, conta com depoimentos de integrantes de sua banda e de discípulos do homem, como Andre 3000, D’Angelo, Chaka Khan, Q-Tip, Nile Rogers e George Clinton, que se aprofundam no legado e no mistério ao redor deste monstro sagrado e, como seu subtítulo em inglês detalha, o fardo de ser um gênio negro nos EUA.

Assista ao trailer abaixo:  

Entre luz e sombras

Apresentando-se pela primeira vez no Centro da Terra, o quinteto paulistano Naimaculada mostrou que está mais do que pronto para começar sua nova fase, que começa oficialmente no dia 28 de março deste ano, quando oficializaram o lançamento de seu disco de estreia A Cor Mais Próxima do Cinza. O jazz rock com toques de rock progressivo e heavy metal do grupo subiu o próprio patamar ao fazer um show com som surround, projeções, iluminação e participações especiais tocando pela primeira vez todos de branco – ao contrário do que vinham fazendo até então, quando tocavam todos de preto. A apresentação começou com gravações do som ambiente de São Paulo (especialmente do trânsito, ônibus e metrô) e depoimentos de pessoas aleatórias falando sobre a influência da cidade grande em suas vidas, temática subliminar da banda e central neste primeiro disco. Aquele registro, aliado à cenografia toda em preto e branco do palco, criou o clima perfeito para conduzir o público ao seu inferno urbano, cantando com dor e paixão no encontro musical do vocal soul de Ricardo Paes, a guitarra de rock clássico de Samuel Xavier, o baixo funky e pós-punk de Luiz Viegas, o sax de Gabriel Gadelha, entre o jazz e o pop, e a bateria de Pietro Benedan, que equilibra o peso do metal e do hardcore com as dinâmicas do funk e do jazz. O encontro desta noite foi enriquecido com participações, especificamente a presença de Lukas Pessoa, tecladista prog do grupo Monstro Amigo, que deu um novo molho ao ser incluído integralmente à formação, do MC CGA e da vocalista Sol Dias, que ajudaram a criar novas camadas na apresentação ao vivo da banda, bem como as projeções de Olívia Albergaria e a luz monocromática de Dara Duarte. Provocaram o público tocando o disco na íntegra e terminando com uma inédita, conduzindo noite entre luz e sombras, entre o silêncio e o ruído, entre a paz e a paranoia e impetuosamente abrindo terreno para um novo momento vivido pela jovem nova música de São Paulo, que começa a se consolidar neste meio de década.

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Naimaculada: Acromatopsia

O quinteto Naimaculada é a segunda atração de 2025 no Centro da Terra e antecipa seu disco de estreia, que será lançado ainda este semestre, no espetáculo Acromatopsia, em que amplia no palco o conceito do álbum Cor Mais Próxima do Cinza. O título a apresentação refere-se a uma condição ocular em que o indivíduo não consegue perceber cores vê tudo em tons de cinza, o que conversa com a perspectiva da banda de jazz rock sobre a vida urbana e a complexidade e monotonia que coexistem nas grandes cidades. O show contará com intervenções sonoras entre as canções e outras visuais e sonoras para deixar o espetáculo ainda mais intenso. A apresentação, como sempre, começa às 20h e os ingressos estão à venda pelo site do Centro da Terra.

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Sophia Chablau, Felipe Vaqueiro e o começo de uma nova era

Eis a capa do primeiro trabalho solo de dois vocalistas de duas das novas bandas mais importantes desta década, em primeira mão para o Trabalho Sujo. O compacto que reúne as faixas “Nova Era” e “Ohayo Saravá” lança as carreiras solo de Sophia Chablau e Felipe Vaqueiro transformando-os em uma dupla, que está junta desde a turnê que fizeram juntos com suas respectivas bandas, Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo e Tangolo Mangos. “Eu gosto muito das composições dele e sempre quis fazer alguma coisa junto”, me explica Sophia por áudio de WhatsApp, comemorando o lançamento o compacto, que será lançado na próxima quinta, numa parceria do selo Risco com o selo português Cuca Monga. “Foi muito gratificante porque além de eu ser muito fã das composições dele, fiquei muito fissurada no jeito que ele toca violão”. Os dois já vinham tocando as duas músicas nos shows que fizeram juntos no ano passado ou separadamente – Sophia tocando “Nova Era” em seus shows solo e Vaqueiro tocando “Ohayo Saravá” com sua banda, mas o resultado em disco fica longe das versões ao vivo, por conta da produção e dos músicos que entraram na dança. Os dois produziram o single ao lado do capo do selo Risco Gui Jesus e contaram apenas com Marcelo Cabral e Biel Basile tocando baixo e bateria, em ambos casos abrindo novas dimensões para as duas canções – “Ohayo” especificamente deixou de ser um rock frenético para assumir um instigante e improvável ar jazz. E a brincadeira não para nessa música, como Sophia reforça: “Esse é o começo de um novo projeto, de uma nova organização, de se pensar música e fazer música”.

Da selva ao oceano

Eram dois solos, mas eles fundiram-se em uma só apresentação. Assim foi a primeira apresentação de 2025 no Centro da Terra, quando Maurício Takara e Carla Boregas juntaram dois projetos em que tocam todos os instrumentos em um único espetáculo, causando uma transição estranha mas familiar entre seus dois trabalhos. Cada um montou seu set em um lado do palco e Takara começou desconstruindo a bateria a partir do free jazz, mas logo foi entrando em territórios ainda mais densos e delicados, primeiro ao acrescentar pitadas de eletrônica invertendo os beats acústicos para depois passar por instrumentos de sopro (como flautas e apitos) e instrumentos de percussão tocados à parte da bateria, devidamente sampleados com gritos e aos poucos transformando a ambiência jazzística em uma imersão à natureza, rasgando pelo coração selvagem de uma floresta impenetrável. Quando Carla começou a tocar seus sintetizadores ainda com a presença de Maurício em sua bateria, o som começa a ganhar uma aura de ruído branco que vai se destacando devagar até o baterista sair o palco, deixando Boregas em sua paisagem etérea que por vezes soa oceânica, polar ou boreal, dependendo das frequências que vai acionando, colorindo a noite com cores frias e timbres implacáveis, mas esparsos, como se estivéssemos sendo observados por entidades multidimensionais. O ritmo e os loops eletrônicos vão surgindo quase discretamente, enquanto ela hipnotizava os presentes como se cantasse um mantra astral sem precisar mexer as cordas vocais. A forma como as duas apresentações – que funcionam sozinhas – se misturaram e se complementaram é só uma prova da sinergia dos dois, que conseguem interferir no trabalho do outro sem necessariamente descaracterizá-los. Um começo de ano inacreditável.

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M. Takara + Carla Boregas: 2 Solos

Maior satisfação em começar mais um ano da curadoria de música no Centro da Terra com a presença destes dois autores que, desta vez, optaram por tocarem separados em vez de fazer uma apresentação conjunta, como na última vez. Maurício Takara e Carla Boregas são nomes conhecidos da cena underground paulistana e estão morando há anos na Alemanha, voltando para o país esporadicamente para apresentações pontuais, como é o caso destes 2 Solos, que trazem para o palco do Centro da Terra nesta segunda. Takara mostra Reminiscências, em que combina manipulação eletrônica e percussão em uma profundidade rítmica baseado em temas e improvisos, enquanto Carla mostra uma versão individual de seu disco Pena ao Mar, com composições que integram sintetizadores, gravações de campo e elementos melódicos. Os dois não planejaram, mas vai que existe a possibilidade de tocarem juntos? O espetáculo, como de praxe, começa às 20h e os ingressos estão à venda pelo site do Centro da Terra.

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Schlop e Os Fadas

Que tal um Inferninho num domingo? É isso que vai acontecer nesta semana, quando mais uma vez invado o Redoma para mostrar as novas bandas que estão surgindo nesta década, reunindo dois reincidentes da festa que vagam entre o rock clássico e o indie rock com boas doses de referências brasileiras. Quem abre a noite é o quarteto Os Fadas, banda formada por Anna Bogaciovas (vocal e guitarra), Augusto Coaracy (bateria e voz), Gabriel Magazza (vocal e guitarra) e Rafael Xuoz (vocal e baixo), que tocam entre a melodia e o ruído, trazendo canções de seu EP Sono Ruim, lançado em 2023, e outras inéditas. Em seguida entra o Schlop, projeto musical da multiartista Isabella Pontes, que leva suas antigas gravações caseiras ao lado de Lúcia Esteves (guitarra), Alexandre Lopes (baixo) e Antonio Valoto (bateria), mostrando as composições irônicas e afiadas dos discos Canções de Amor para o Fim do Mundo (2023) e Senhoras e Senhores, Cachorros e Madames (2024). Discoteco antes, durante e depois dos shows, que tem ingressos mais baratos para quem comprar com antecedência neste link. O Redoma fica na Rua Treze de Maio, 825A, no Bixiga. Vamos?