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A avalanche Tietê

E a avalanche Tietê desabou nesta terça-feira no Centro da Terra, mas ao contrário de seus costumeiros shows – em que colocam todo mundo, que normalmente fica em pé, pra dançar – hipnotizaram os presentes ao fazê-los entrar em seu transe sem precisar levantar-se das cadeiras. O septeto paulistano começou o ataque aos sentidos ao recepcionar o público ainda na escada do teatro, encontrando-se com o naipe de metais da banda e aos poucos entrando na vibração da noite. Essa inevitavelmente era baseada no groove, uma das principais fundações do grupo, mas conduziram o público ao estado de choque com os truques que sempre usam no palco (trocando instrumentos, trocando vocalistas e às vezes sem pausa entre uma música e outra) aliados a uma iluminação que pulsava de acordo com o som, à cenografia e figurinos que reforçavam a ideia de viagem daquela noite e trechos narrados que lembravam o público onde ele estava. Desfilaram as músicas de seu próximo álbum entre viagens instrumentais psicodélicas, cocos e reggaes que sambavam juntos, metais encantados, base rítmica à flor da pele e elementos harmônicos que se entrelaçavam entre as músicas, num ótima aperitivo do que será a nova fase da banda. Voa Tietê!

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Tietê: Tâmisa

A big band Tietê faz sua primeira apresentação no Centro da Terra nesta terça-feira, quando mostram o espetáculo Tâmisa, em que adiantam seu segundo disco, gravado nos lendários estúdios Abbey Road, na Inglaterraa, que está programado para sair neste semestre. Formada por Dodó Stroeter (voz e sax), Fela Zocchio (percussão), Leo Montagner (teclados), Pedro Carboni (trombone, voz e guitarra), Rubi Assumpção (voz e bateria), Théo Cardoso (sax e percussão) e Victor Forti (baixo), a banda mistura diferentes gêneros musicais e faz com que a inquietante mistura de ritmos tradicionais brasileiros, jazz, MPB, rock e reggae ganhe uma personalidade própria, que ainda inclui referências de artes cênicas, circo, moda e dança. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão sendo vendidos pelo site do Centro da Terra.

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Paul para poucos

Look what you’re doing: Paul fez de novo! Anunciou um show surpresa no pequeno Bowery em Nova York nessa terça-feira e os ingressos, de papel, só podiam ser comprados pessoalmente e cada comprador só podia levar um. Obviamente esgotou em minutos e dezenas de felizardos terão um show e tanto pra ficar na memória. Essa moda (shows pequenos de artistas estabelecidos, ingressos limitados e anúncio em cima da hora) podia pegar, né?

A vida de Ney Matogrosso chega aos cinemas

E o trailer do filme que o Esmir Filho fez sobre o Ney Matogrosso? Homem com H parece ótimo e pelo visto seu protagonista, Jesuíta Barbosa, é a arma secreta da produção, prevista para estrear nos cinemas em maio.

Assista abaixo:  

Patti Smith tocando o Horses na íntegra?

Vocês viram que a Patti Smith vai fazer uma turnê tocando a íntegra de seu Horses, que completa 50 anos em 2025 (grande ano, 1975!)? Com passagens pelo L’Olympia de Paris, o Beacon Theatre em Nova York, o Teatro Real em Madri e o Palladium em Londres, é daqueles shows pra comprar ingressos pra assistir fora do Brasil. Mas como dona Patti Smith está nos devendo uma, não seria nada mal se a turnê desse uma esticada pra cá, né? Imagina Horses no Municipal…

Veja as datas da turnê abaixo:  

Intensidade solar

Pouco antes de começar a segunda noite de sua temporada no Centro da Terra, passei no camarim do teatro para desejar mais uma boa apresentação para Lenna Bahule e ela comentou que a que iria fazer nesta segunda era mais solar, diferente da primeira. “Que foi intensa”, emendei, para ouvi-la repetir com um sorriso que “intensa é a palavra, a de hoje vai ser mais solar”, no que reforcei que poderia a apresentação poderia ser solar E intensa ao mesmo tempo – e foi exatamente o que ela fez. Como na semana anterior, começou sozinha no palco, desta vez sem tocar nenhum instrumento senão sua voz, para logo depois ser acompanhada de seus dois comparsas desta temporada, o baixista Kiko Woiski e o guitarrista Ed Woiski, ambos imersos em um groove hipnótico e cheio de detalhes sutis, que só cresceu com a entrada dos convidados da noite, a maravilhosa e forte voz da angolana Jessica Areias (que, ao dançar junto com Lenna no meio do palco, era pura energia) e a força no couro dos mestres Maurício Badé (na percussão) e Jota Erre (em uma minibateria), explorando o jogo de vozes que envolvia todos no palco, palmas e a participação do público numa noite, sim, solar e intensa.

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O afeto radical de Flaira Ferro por Lenine

“O encontro com Lenine aconteceu de forma mais direta no carnaval recifense do ano passado, quando ele assistiu ao meu show no Polo da Várzea”, explica a sagaz pernambucana Flaira Ferro sobre o encontro com seu ídolo e mestre, com quem acaba de gravar um single,”Afeto Radical”, que será lançado nesta terça mas já pode ser ouvido em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. “Para quem não sabe, o carnaval do Recife é bem espalhado, com palcos em vários pontos da cidade e o da Várzea é um deles. Toquei antes dele e, sem saber, ele foi para a coxia do palco e ficou assistindo de lá. Segundo a galera que estava vendo, ele tava pirando, dançando, curtindo o show. Quando terminei minha apresentação, ele me chamou para ir ao camarim.”

Flaira continua explicando como foi o encontro: “Lá, ele falou um monte de coisas lindas sobre o show, disse que já estava há tempos esperando para ver ao vivo, que já conhecia o meu trabalho, mas nunca tinha me visto no palco. Ele me contou também que a família dele, em especial a irmã que faleceu há alguns anos, falava muito dos meus shows e que ela ia direto. Nesse momento, rolou uma sinergia, uma troca de carinho real. Foi algo genuíno, sabe? Uma conexão muito forte. Eu sou muito fã dele, ele é uma força inspiradora para mim há mais de 15 anos. Escuto suas músicas como um norte, uma referência, desde antes de eu começar a trabalhar com música.”

“Quando nos reencontramos naquele carnaval, senti uma intimidade se construindo, e eu sabia que, em algum momento, seria possível fazer algo juntos. Era um sonho meu conseguir registrar algo com uma figura que eu admiro tanto. Para mim, a ideia de feat e singles vai além do aspecto mercadológico, que muitas vezes se resume a juntar públicos diferentes. Para mim, esses encontros precisam ter um propósito verdadeiro, algo que venha do coração, da essência de cada artista. E o Lenine é essa figura que me inspira profundamente, com suas canções que falam de sabedoria existencial e força motora.”

“Então, em 2024, no primeiro semestre, eu o convidei para colaborar, por mensagem. Ele respondeu na hora: ‘Você pode contar comigo sim! Adoraria dividir uma de suas canções’ E foi tudo muito rápido, muito fluido, fácil. Eu mandei a música para ele e, pouco tempo depois, ele já estava gravando no estúdio O Quarto, no Rio de Janeiro, com Bruno Giorgi, seu filho, que também é produtor. Eles me mandaram as vozes, e a gente pirou. Foi tudo muito tranquilo, rápido, e isso só tornou a experiência ainda mais especial.”

“O single ‘Afeto Radical’ que nasceu dessa colaboração tem muito a ver com a proposta do Lenine”, continua Flaira. “A sonoridade e a mensagem dela têm tudo a ver com o que ele transmite nas suas canções. Foi um encontro de essências, e é por isso que essa música é tão importante para mim. Quando avisei para ele que o nosso single sai agora dia 11, ele respondeu: “Flaira querida, Que bom que o novo rebento tá chegando! Adorei estar junto contigo…, te curto faz tanto… Sim, nos veremos no reinado de momo e brindaremos nosso encontro! Xêro gigante”.

Ouça abaixo:  

Fiona Apple, Sharon Van Etten, Courtney Barnett e vários outros artistas celebram as canções de Neil Young

Courtney Barnett abriu os trabalhos do disco em homenagem a Neil Young que será lançado no próximo mês de abril, trazendo uma versão maravilhosa para “Lotta Love”. O disco, chamado de Heart Of Gold: The Songs Of Neil Young Volume I (e um volume II já foi anunciado) será lançado no dia 25 de abril e ainda trará versões para músicas do gênio canadense cantadas por Fiona Apple (“Heart of Gold”), Sharon Van Etten (“Here We Are In The Years”), Doobie Brothers com Allison Russell (“Comes A Time”), Steve Earle (“Long May You Run”), Mumford & Sons (“Harvest”), Eddie Vedder (“Needle and The Damage Done”), entre outros. “‘Lotta Love’ é uma das minhas músicas favoritas de Neil Young e sua letra me parece especialmente relevante neste momento da história”, disse Courtneyzinha ao mostrar sua versão. Os fundos arrecadados com as vendas do disco (que já está em pré-venda) irão para a escola norte-americana The Bridge School (organização não-governamental fundada em 1987 pela ex-esposa de Neil, Pegi Young, que morreu em 2019). Além da versão de Barnett, outra versão, de “Southern Man” que tornou-se um soul rasgado na voz de Chris Pierce, também foi revelada esta semana. Ouça as duas abaixo, além de ver a lista com todos os artistas convidados para o disco e suas respectivas versões.  

O outro lado da Amélia

A vocalista da banda mineira Varanda Amélia do Carmo lançou um curto disco de fininho em que colabora com seu conterrâneo, o produtor eletrônico Yo Mati. Apesar de baseada em Juiz de Fora, Amélia vem da pequena Caratinga (terra-natal do Ziraldo), onde conheceu Mati. Ele começa contando a história desse primeiro disco da dupla, que bate tanto num trip hop lo-fi quanto em melancólicas canções adolescentes com forte carga dramática: “Melondreams nasceu despretensioso em 2020 com algumas faixas instrumentais feitas no meu quarto”, explica o produtor. “Em 2021, juntei essas músicas num EP e chamei Amélia pra fazer a capa. Eu sempre gostei muito da estética das artes e pinturas dela. No meio desse processo, ela me disse que interessou por uma das músicas, gravou vozes por cima, e eu fiquei surpreso com o resultado – até então, o que eu fazia só circulava entre meus amigos.”

“Quando eu ouvi nesse EP, que faria só a capa, o instrumental de “Goodbye”, ouvi também uma voz ali, num dia só escrevi a letra, gravei sem permissão e sem click, mandei pra ele como um exercício mesmo”, lembra a cantora. “A gente pilhou tanto no som e nessa onda de sonhos febris que fizemos logo mais três nesse mesmo estilo, no caso de “Sim” e “Marble Eyes”, eu gravei a letra cantada e ele fez o instrumental em cima, desse mesmo jeito improvisado e online que inventamos”

Os dois citam as referências nestas primeiras canções. “Eu estava fissurado em Boards of Canada, Windows96 e outras drogas mais pesadas – apesar dos meus amigos sempre mencionarem a influência daquela live infinita ‘lofi hip hop radio beats to relax/study to’ em tudo que faço”, explica Mati. “Pra compor e performar eu mirei totalmente nas jovens criações de Lana del Rey e seu dreampop lo-fi, e é engraçado ouvir sabendo que faria tudo diferente hoje em dia, mas gosto que se mantenha assim, essa coisa meio outra personalidade”, completa a vocalista. Os dois continuaram colaborando sem se encontrar pessoalmente, pois Amélia já estava em Juiz de Fora.

“Em algum momento, entrei em um quadro depressivo e abandonei o projeto”, lembra o produtor. “Esse gap de tempo me ajudou a dar uma reciclada nas ideias daquela época e quatro anos depois, reabri as faixas, mandei um “we are very back!” pra Amélia e com uma semana de total hiperfoco, eu só pensei em finalizar o que faltava.” “Foi um bom exercício de desprendimento com uma criação do passado também, soltar esse EP finalmente foi legal também pelo exercício de fazer uma coisa e deixar ela existir sem tantas pretensões, sei lá, vai que alguém gosta”, completa Amélia, que fala que nem pensou sobre a possibilidade de fazer algo ao vivo com esse trabalho. “Não estávamos pensando nem se alguém iria querer ouvir… mas quem sabe né… Mistério”, se faz. “Enfim dropamos, sem aviso e sem expectativa, só porque precisava existir”, conclui Mati. Ouça abaixo: