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Link – 9 de abril de 2012

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Azealia Banks x Diplo

A metralhadora verbal da nova-iorquina da vez encontra-se com a percussão reta da produção recente de Diplo. O resultado não deixa ninguém parado.

Tipografia cinematográfica

Uma breve história da evolução dos créditos de abertura no cinema.

Consegue identificar todos os filmes?

Impressão digital #0100: A “Orkutização” do Instagram

E na minha coluna na edição de segunda do Link, falo sobre a “maldita inclusão digital” de que tantos gostam de reclamar.

A ‘orkutização’ do Instagram e a natureza gregária da internet
O Instagram criou uma bolha de falso glamour

Iphoneiros em polvorosa: “Vão poluir minha timeline!”, reclamavam usuários do celular da Apple tanto no Brasil quanto no exterior. Eles haviam recebido a notícia de que o aplicativo Instagram havia ganhado, na semana passada, uma versão para Android, o sistema operacional rival do iOS, do iPhone. Por aqui, a indignação veio no inevitável tom de piada característico da nossa vida digital tropical, com a criação de tumblrs como o androidnoinstagram.tumblr.com ou orkutgram.tumblr.com, entre outros. O teor dos tumblrs – e das piadas – era sempre o mesmo: agora o Instagram perderia o seu status, pois uma tal “horda de pobres” começaria a usar o aplicativo.

Para quem não conhece, o Instagram é mais do que um software para celular que permite tirar fotos com filtros vintage. Criado pelo brasileiro Mike Krieger, o aplicativo também funciona como uma rede social – em que é possível assinalar contatos e personalizar perfis como em qualquer site deste tipo, com duas diferenças cruciais. A primeira: é uma rede social feita para o celular. Ela se replica, ao gosto do freguês, pelo Twitter e Facebook, mas seu ambiente nativo é a internet móvel. A segunda é o fato de não existir perfil público. Quem quiser ver a página de alguém no Instagram, ao contrário da maioria das redes sociais, precisa criar uma conta lá.

Eis o motivo da chiadeira. Enquanto era uma rede fechada para usuários de iPhone, o Instagram criou uma bolha de falso glamour que fazia qualquer fotinha vagabunda parecer cool só porque vinha com um tom sépia, com um amareladinho com cara de foto tirada nos anos 70. A reclamação dos antigos usuários levantou a velha falácia repercutida sempre que qualquer serviço online deixava de ser exclusivo de uns poucos early-adopters – a tal “orkutização”.

O termo surgiu, claro, depois que o Orkut começou a se popularizar no País. Antes restrita a quem trabalhava com comunicação ou tecnologia, a rede social aos poucos foi compreendida por pessoas que não passam o dia inteiro na frente do computador. Mais do que isso: à medida em que os anos 2000 foram passando, mais gente pôde comprar um computador e, com isso, a rede social perdeu o ar de ser exclusividade de grupos pequenos. E aos poucos começariam a aparecer perfis de pessoas que não eram descoladas e modernas, mas apenas… normais.

E riam “kkkkkk” ou tiravam fotos em quaisquer situações (parte delas indo parar em sites como perolas.com ou tolicesdoorkut.com) ou não se preocupavam com o português correto ou com “about me” espertinhos. A orkutização vinha acompanhada de uma reclamação obtusa, que resmungava sobre a “maldita inclusão digital” num tempo em que nem todo mundo tinha acesso à internet.

Em menos de dez anos, este quadro mudou – radicalmente. Não só ficou mais fácil comprar computador como a internet móvel trouxe uma imensa leva de pessoas para o dia a dia eletrônico das redes sociais. E cada novidade descoberta pelos primeirões era, em pouco tempo, “orkutizada”. Foi assim com o Twitter, com o Facebook e agora aconteceu com o Instagram.

“Em vez de crème brûlée vamos ver fotos do Habib’s”, alguém twittou, como se os usuários do Instagram não tirassem foto de qualquer PF com um filtro para parecer que não estavam comendo em um restaurante self-service. Ou como se os celulares que rodam o sistema operacional Android não custassem, em alguns casos, até mais do que o preço de um iPhone 4S.

A “orkutização” ou a “maldita inclusão digital” fazem parte da natureza da internet. A rede não é um clubinho exclusivo para uns poucos e bons. Até o fim desta década, todos estaremos conectados a ponto de nem percebermos a separação entre o online e o offline.

Reclamar que mais gente está desfrutando de serviços e produtos que, até determinada época, eram exclusivos de um número pequeno não é apenas reacionarismo barato – é não entender que a natureza digital agrega em vez de separar. Se você tem vergonha de estar na mesma rede social que pessoas que considera “menores”, não tenha dúvida: o problema é seu.

Música de internet

OK Go às avessas: em vez de canções que viraram virais, o 9Gag Quintet apresenta canções saída de virais.

A pirataria oficial dos Rolling Stones

Os Rolling Stones estão em pleno processo de oficializar a própria pirataria, faturando em cima de clássicos alternativos que, por muito tempo, circularam apenas por baixo dos panos do rock’n’roll, numa época em que o acesso à música (hoje tão banal) era dificílimo. E se hoje qualquer um vê qualquer show a hora em que quiser em streaming HD da poltrona de sua TV conectada com a internet, nos anos 70, qualquer resquício de registro que pudesse capturar alguma novidade de qualquer artista que não fosse lançado em vinil nas lojas era tratado como material raro e de crucial interesse para os fãs. Foi assim que a indústria do disco pirata começou, muito antes da internet e do MP3, lançando trabalhos que os artistas muitas vezes nem sabiam que estavam sendo gravados.

Essa história paralela da música pop oficial pode ser considerada em pleno ocaso de sua existência, mas vem sendo responsável pela sobrevida de artistas que hoje que já tem pelo menos mais de três décadas na ativa. E os Stones finalmente começam a se dedicar a faturar em cima desse material, com o lançamento do site Stones Archives, que vende memorabilia da banda em geral. O grupo optou pela alternativa Frank Zappa em vez da lógica dos Beatles em seu Anthology ou de Bob Dylan em sua Bootleg Series. Ao contrário destes, os Stones não reinventaram uma forma de reempacotar material que já havia se tornado clássico em formatos alternativos. Como Zappa, que em sua série Beat the Boots relançava o material que os piratas faziam de seus shows exatamente como eles haviam sido pirateados (para, justamente, “quebrar os piratas”, como dizia o título da série), os Stones fuçam no próprio passado e reencontrando capas, gravações e títulos que já são tidos como clássicos pelos fãs mais ávidos, embora nunca tenham ganham um centavo diretamente destas vendas (já sua reputação…). O site, portanto, dispõe estes piratas à venda, cujo exemplar mais recente é a edição do disco L.A. Friday ’75, em show que marcava a entrada de Ron Wood para a banda e a participação de Billy Preston nos teclados. Olha o setlist…

“Honky Tonk Women”
“All Down The Line”
“If You Can’t Rock Me” / “Get Off Of My Cloud”
“Star Star”
“Gimme Shelter”
“Ain’t Too Proud To Beg”
“You Gotta Move”
“You Can’t Always Get What You Want”
“Happy”
“Tumbling Dice”
“It’s Only Rock N Roll”
“Heartbreaker”
“Fingerprint File”
“Angie”
“Wild Horses”
“That’s Life”
“Outta Space”
“Brown Sugar”
“Midnight Rambler”
“Rip This Joint”
“Street Fighting Man”
“Jumping Jack Flash”
“Sympathy For The Devil”

Dá pra escutar trechos aqui:

E no vídeo abaixo, Mick e Keith lembram dessa fase da banda:

Não que seja difícil encontrar esses discos gratuitamente pra download. Mas saber que a própria banda está os colocando à venda material que antes só os fãs mais ardorosos tinham acesso (a um preço que até é OK – US$ 7 pelo disco em MP3 -, mas poderia ser ainda mais barato), é louvável.