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Todo o show: Lauryn Hill traz Doechii para o palco do Jazz In The Gardens Festival, em Miami (8.3.2025)

Como se só o show de Lauryn Hill não fosse suficiente, imagine na hora em que ela canta um de seus maiores hits (“Doo Wop (That Thing)”, claro) a diva chamasse ninguém menos que a novata sensação da vez, a gigantesca Doechii. Pois foi o que aconteceu neste sábado, no encerramento da primeira noite do festival Jazz In The Gardens Festival, em Miami, nos EUA, quando ela apresentou a sensação ao palco. E por mais que ela segurasse a onda como era de se esperar, a cantora estava em frangalhos com a realização daquele sonho e tuitou logo em seguida que “Nunca fiquei tão nervosa em toda a minha vida 😭 ela é uma RAINHA”. O show ainda teve participações de Wyclef Jean, Busta Rhymes, Yg Marley, Zion Marley, Samara Cyn, entre outros. Assista à integra do show abaixo (a participação de Doechii começa em 1h31):  

Olha o R.E.M. aí de novo…

Desta vez nem demorou tanto. Logo depois de subir no palco com seus ex-compadres de banda Peter Buck, Mike Mills e Bill Berry, Michael Stipe mais uma vez entra no show que Michael Shannon e Jason Narducy estão fazendo para celebrar o aniversário de 40 anos do disco Fables Of The Reconstruction para cantar a mesma “Pretty Persuasion” que cantou no mês passado. Só que dessa vez não foi num pequeno clube em sua cidade-natal e sim no Brooklyn Steel, em Nova York. Eu não quero falar nada, mas e se o R.E.M. voltasse só pra mais alguns shows, hein? O vídeo é da @nicoletishaa, assista abaixo:  

Doutores Racionais

“Racionais MCs, vocês são um movimento negro educador.” Assim a professora doutora Nilma Lino Gomes encerrou seu discurso, nesta quinta-feira, que introduziu a entrega do título de doutor honoris causa ao grupo formado por Mano Brown, Ice Blue, Ed Rock e KL Jay, no centro de convenções da Unicamp, concebido pelo imenso Instituto de Filosofia e Ciências Humanas daquela universidade. Que momento! Os quatro falaram durante a cerimônia, assista à íntegra da cerimônia no vídeo abaixo:  

Brian James (1955-2025)

Fundador do The Damned, uma das primeiras bandas punk inglesas, o guitarrista Rick James morreu nesta quinta-feira, como anunciou sua página no Facebook, embora não se saiba a causa de sua morte. O Damned surgiu na mesma primeiríssima hora que produziu a primeira safra do punk inglês – puxado obviamente pelos Sex Pistols e pelo Clash – como parte da cena jovem inglesa descontente com a crise econômico e o desemprego que assolava o país nos anos 70 que também originou o heavy metal e James foi um personagem fundamental na ascensão da banda, compondo basicamente todos os dois primeiros discos (Damned Damned Damned e Music for Pleasure, ambos lançados no emblemático 1977) de um grupo que era uma espécie de versão inglesa dos Ramones, com músicos rebatizados como Rat Scabies e Captain Sensible, e que foi o primeiro grupo punk inglês a lançar um single (“New Rose”) e um disco, antes mesmo que os Pistols e o Clash. Rick saiu da banda após o segundo disco mas continuou sua trajetória de pioneiro punk como um bardo da cena inglesa, tocando em bandas como Tanz Der Youth e The Lords of the New Church, além de manter uma bissexta carreira solo.

Ainda Estou Aqui recupera o corpo de Rubens Paiva

“Esse filme é o corpo do Rubens (Paiva), que nunca voltou”, diz Selton Mello em entrevista após a premiação do Oscar segunda passada. Em seguida, deixo um áudio recuperado pela Empresa Brasileira de Comunicação e que mostra o então deputado reagindo em cadeia nacional ao golpe de 1964. Ainda Estou Aqui pode ser mais importante do que a gente pensa… Veja abaixo:  

Ser canadense

E o primeiro ministro canadense Justin Trudeau resolveu mesmo engrossar o tom contra os Estados Unidos ao postar em sua conta no Twitter uma nova versão de um velho comercial em seu país que falava do orgulho de ser daquele país e dos elementos de sua identidade cultural, só que com um texto adequado para este momento Trump 2 da história. “Bom te ver de volta”, escreveu o líder daquele país ao receber o novo discurso, mais uma vez lido pelo ator Jeff Douglas. Veja as duas versões abaixo:  

E a Rayssa Leal que entrou no novo jogo do Tony Hawk?

Ninguém segura a pequena skatista brasileira, que agora foi anunciada como parte da novo videogame da franquia do mestre Tony Hawk. A nova versão, chamada de Tony Hawk’s Pro Skater 3+4, foi anunciada na terça passada. Com duas medalhas olímpicas, duas medalhas de ouro nos X Games, duas medalhas de ouro no World Skate, outro ouro nos Jogos Pan-Americanos em 2023 e tricampeã do maior campeonato do mundo, o Street League, Rayssa Leal não precisa provar mais nada para ninguém e já é, mesmo aos 17 anos, um dos maiores nomes desse esporte. Aparecer no game mais conhecido do mundo nesta área (e na mesma semana em que Ainda Estou Aqui ganha o Oscar de melhor filme estrangeiro) é só mais um trunfo da jovem atleta, que ainda colocou o Brasil como um dos cenários do jogo. Nada mal.

Assista ao trailer abaixo:  

Amanda Seyfried tocando Joni Mitchell

Já viu o filme sobre o Dylan? Um Completo Desconhecido ainda vai ecoar por algum tempo, mas talvez já estejamos na hora de falar de um filme sobre a Joni Mitchell? Porque olha aí embaixo essa Amanda Seyfried tocando dulcimer no programa do Jimmy Fallon…  

2025 começou!

Inescapável a ideia de assistir a um showzinho uma vez em Brasília, mas quis o destino que a primeira quinta-feira do ano me brindasse com um evento candango de proporções épicas – como de praxe – ao saber que veria uma apresentação do quinteto Satanique Samba Trio, um dos grupos musicais mais importantes da história da minha cidade-natal e uma avis rara no mapa musical da história do Brasil, que abriria a noite na Infinu, principal casa de shows de médio porte da cidade. É muito fácil colocá-los no guarda-chuva pós-punk que mistura grupos como Pére Ubu, Swell Maps, Gun Club, Half Japanese, Arrigo Barnabé, Primus, Minutemen e Premeditando o Breque, mas suas referências vão muito além disso – e mesmo se ampliássemos o leque para incluir Captain Beefheart, Frank Zappa e todo o povo do krautrock ainda seria limitá-los demais. Subindo ao palco todos com o mesmo uniforme – ecoando outras referências óbvias, como Residents e Devo -, o grupo liderado pelo lendário Munha da 7 é uma espécime raríssima por criar suas canções tortas a partir de células rítmicas essencialmente brasileiras (daí o nome do grupo), misturando lambada, choro, samba, xote e frevo às suas desventuras polifônicas, que viajam pelos cavalos de pau dados pela música erudita contemporânea e pelo jazz atonal, misturando levadas quebradas e mudanças bruscas de ritmo e tempo ao mesmo tempo em que… fazem dançar (!?). O grupo também sobressai-se pela guitarra ficar em segundo plano, transformando-se num instrumento bissexto que perde o protagonismo quando o cavaco de Jota Ferreira, o sax e a flauta de Chico Oswald, o clarinete e os teclados do DJ Beep Dee, a bateria de Lupa Marques (que num dado momento vem pra frente da banda tocar caixa de fósforos) e, óbvio, o baixo de Munha se atropelam num acontecimento único na história do Brasil. O Satanique poderia estar fazendo shows em conjunto com Hermeto Pascoal e Tom Zé que se sentiriam tão à vontade quando tocando este último show antes da turnê europeia que encaram ainda este mês. Podiam rodar mais o Brasil pra deixar todo mundo de cabelos em pé e quadris rebolando em compassos ímpares. Que privilégio.

Depois do Satanique Samba Trio foi a vez da dupla belga Lander & Adriaan, que montou seu set no meio da Infinu, fazendo o público circular ao redor como se estivessem ao redor de um DJ no Boiler Room. E não era de se estranhar, porque por mais que o baterista Lander Gyselinck e o tecladista Adriaan Van de Velde tenham uma formação jazzística, eles trabalham no território da música eletrônica, levantando a bandeira de um estranho rótulo chamado rave jazz. Estranho, mas que, ao vivo, faz todo o sentido: ecoando house, techno e drum’n’bass a dupla hipnotizou o público que já estava chapado depois do show do Satanique e só não foi além porque era uma quinta-feira – se fosse uma sexta o sábado, teriam levado o público aos píncaros da chapação frita. Impressionante – agora dá pra dizer que 2025 começou!

#sataniquesambatrio #landerenadriaan #infinu #infinubsb #trabalhosujo2025shows 033 e 034

Mais uma Trabalho Sujo DJs em Brasília

A primeira foi um sucesso e estou voltando pra Brasília (“neste país lugar melhor não há…”) para fazer mais uma Trabalho Sujo DJs de novo no Culto Rock Bar (CLN 312 bloco A loja 30) no dia 7 de março, na próxima sexta-feira, quando me reúno novamente com o compadre Ivan Bicudo e trago a novata Isa Lugosi para nos acompanhar numa noite que não vai deixar pedra sobre pedra… Por isso, se você estiver em Brasília na próxima semana, guarde energia porque essa noite promete ser épica! Quem foi na primeira sabe bem… A festa começa às 21h e vai até altas na madrugada!