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Transcendência sonora

A simples reunião de Maurício Takara, Carla Boregas, Marcelo Cabral, Juliana Perdigão e Philip Somervell num mesmo palco já basta por si. Cinco dos principais improvisadores instrumentais da cena contemporânea paulistana, cujo amplo espectro de atuação sonora só é comparável aos saltos no escuro dados por eles mesmos em inúmeras situações ao vivo nos últimos anos, os cinco estiveram reunidos nesta terça-feira em mais uma das já tradicionais apresentações anuais da dupla Takara e Boregas no Centro da Terra, quando convidaram o contrabaixista, a clarinetista e o pianista para um transe de temas inéditos. Fora a primeira parte da noite, quando os dois anfitriões deram início à apresentação sozinhos, todo o resto do espetáculo Par Expandido foi sobre novos temas compostos pela dupla e experimentados pela primeira vez ao vivo ao lado dos três convidados. O êxtase estático que os cinco conduziam as atenções compenetradas do público até tiveram intervalos que suscitaram aplaudos entre determinadas passagens, mas por quase uma hora, o quinteto improvisado esticou o tempo em vastas paisagens de transcendência sonora, por vezes interrompidas por impulsos rítmicos ou circulando em sequências hipnóticas, numa noite à altura da reputação dos cinco. Magistral.

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M. Takara + Carla Boregas: Par Expandido

Nesta terça-feira recebemos mais uma vez no palco do Centro da Terra a dupla M. Takara e Carla Boregas, que tocam juntos desde 2018 e retornam ao teatro do Sumaré ampliando sua formação com participações especialíssimas. No espetáculo Par Expandido, os dois ampliam seu instrumental para além de eletrônicos e percussão, recebendo o contrabaixo de Marcelo Cabral, o clarinete e clarone de Juliana Perdigão e o piano de Philip Somervell para uma noite que vai do improviso à ambiência, percorrendo diferentes fronteiras da música e do ruído. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda pelo site do Centro da Terra.

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Emicida Racional ao vivo!

Emicida segue tornando ainda mais forte a energia que lançou no final do ano passado, quando transformou uma profunda reflexão sobre sua vida em uma série de dois discos que conectava sua história à sua admiração pelos Racionais MCs. Os dois primeiros volumes da trilogia Emicida Racional (lançada em contagem regressiva a partir do volume 3) encerraram 2025 mostrando que o rapper surgia ainda mais forte depois da série de turbulências que atravessaram sua vida, do fim do relacionamento profissional com o irmão Evandro Fióti à morte de sua mãe, Dona Jacira. Agora ele começa o ano novo anunciando uma turnê para reforçar essa nova fase. Batizada MCMV a partir das iniciais do subtítulo do volume 2 (Mesmas Cores & Mesmos Valores), ele transforma a leitura da sigla no ano escrito em algarismos romanos, conecta-se com Einstein para sublinhar a conexão entre seu próprio nome de guerra e a equação-símbolo da teoria da relatividade do físico alemão. A turnê começa em abril em São Paulo (dia 30, no Espaço Unimed), passa pelo Rio em maio (dia 16, no Vivo Rio), por Curitiba em junho (dia 27, no Igloo), por Recife em agosto (dia 22, no Classic Hall) e em setembro por Belo Horizonte (dia 5, no BeFly Hall). Os ingressos começam a ser vendidos nesta quarta-feira para clientes do Itaú, que patrocina a turnê, e para o público em geral a partir do meio-dia do dia 6 de fevereiro, pelo site da Eventim. E pode ficar tranquilo que vamos ver, durante todo o ano e em cada um desses shows, pistas que vão nos conduzir para o volume 1 dessa trilogia – e nada me tira da cabeça que é um álbum feito em conjunto com os próprios Racionais. Vamos ver.

Tom Morello against the Machine

“Nessa mesma casa de shows, Prince começou sua Revolution, agora é a nossa vez”, disse o guitarrista Tom Morello na sexta–feira passada, ao começar seu show dentro do festival Defend Minnesota ,que foi realizado no First Avenue, em Mineápolis, nos EUA, quando anunciou que iria cantar um velho hino de guerra, pedindo para o público cantar junto antes de cair no maior hit de sua antiga banda, o Rage Against the Machine. Que momento!

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Tim Maia no Grammy?

E vocês viram que teve Tim Maia no Grammy? Não, o síndico não ganhou nenhum troféu na cerimônia que aconteceu domingo passados em Los Angeles, mas repara na música que toca quando é anunciado o vencedor do prêmio de melhor trilha sonora? É isso aí, “Descobridor dos Sete Mares”, top 1 em qualquer festa de ~brasilidades~ por aqui marcou sua presença na premiação da indústria fotográfica dos EUA. Demorou pra descobrirem o Síndico, né?

Assista abaixo:  

Netflix ♥ BTS

Seguindo seu plano de dominação mundial de 2026, o grupo coreano BTS acaba de anunciar que lançará sua turnê deste ano – a primeira do grupo desde 2022 – ao transmitir, via Netflix, uma apresentação a partir de Gwanghwamun, o portão sul do antigo palácio real de Gyeongbokgung, em Seul, na Coreia do Sul. A transmissão acontecerá no dia 21 de março, no dia seguinte ao lançamento de seu novo disco, Arirang, cujo título é tirado de uma antiga canção folclórica coreana. Com essa mudança, o grupo inverte a lógica da relação entre apresentações ao vivo e registros audiovisuais, usando este como ponto de partida para os shows, ampliando a máquina de divulgação dos shows para além da mídia tradicionais e das redes sociais. A plataforma também vai exibir o documentário BTS: O Reencontro a partir do dia 27 do mesmo mês, mostrando os bastidores do novo álbum e da nova turnê, que começa pela própria Coreia do Sul a partir do dia 9 de abril.

Tudo em família

Começamos o ano tranquilos no Centro da Terra tocados com o belo espetáculo familiar que os irmãos Ná e Marco Ozzetti puderam nos proporcionar nesta primeira segunda-feira de fevereiro. Antecipando Música na Poesia, disco que lançarão no final deste mês que partiu da intenção de Marco em musicar a poesia da baiana Simone Bacelar que foi abraçada pela irmã Ná. Foi ela que montou a banda formada pela sobrinha Thata Ozzetti, filha de outro irmão, Dante, que também estava na plateia, na percussão e pelo baixista Xantilee Jesus, que a própria Ná se referiu como família devido ao tempo que trabalham juntos – citando o contrabaixo de “Nós”, segunda música de seu primeiro disco solo, lançado em 1988. Juntos passearam por um repertório em que a voz de Ná e o violão de Marco ecovam a musicalidade brasileira de um século atrás, quando nossa música começou a se movimentar pelas ondas do rádio. A apresentação ainda contou com mais familiares no percurso, quando a cantora Mariana Furquim e a percussionista Luana Ozzetti, que tocou lindamente cuíca em uma música, as duas filhas de Marco, deixando o clima desta primeira apresentação do ano ainda mais confortável e aconchegante.

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Ná Ozzetti + Marco Ozzetti: Música na Poesia

Nesta primeira segunda de fevereiro damos início ao oitavo ano da curadoria de música no Centro da Terra e Ná Ozzetti foi a convidada para abrir essa nova série de apresentações, quando vem ao lado de seu irmão Marco Ozzetti celebrar a poesia de Simone Bacelar em canções que estarão no primeiro disco que lançarão juntos, ainda este ano, chamado de Música na Poesia. O espetáculo ainda conta com as participações de Thata Ozzetti na percussão e Xantilee no contrabaixo ,mantendo a mesma formação que registrou o futuro disco. A apresentação começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados pelo site do Centro da Terra.

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Billy Bass Nelson (1951-2026)

No Parliament desde os tempos em que o grupo chamava-se Parliaments e todos seus integrantes eram vocalistas, Billy Bass Nelson, que morreu nesta semana, foi uma figura crucial na evolução do grupo liderado por George Clinton. Foi ele quem sugeriu que o grupo, originalmente um quarteto vocal de doo-wop, começasse a tocar seus próprios instrumentos para não depender dos músicos das casas em que iam tocar. E foi ele quem chamou Eddie Hazel, monstro da guitarra que seria parte essencial do som do grupo nos anos 70, para tocar o instrumento na nova formação da banda, deixando de lado seu próprio instrumento para aprender a tocar baixo durante os shows! Nelson também sugeriu que Clinton tirasse o “s” do Parliaments para mostrar como seria a nova banda e inventou o termo “funkadelic”, que George usou para batizar a versão mais pesada da banda que se apresentaria com nomes diferentes em situações diferentes. Engrenagem crucial na história deste P-Funk, Billy Nelson tocou baixo no disco de estreia do Parliament e guitarra em seu segundo álbum, além de tocar seu novo instrumento nos três primeiros discos do Funkadelic. Foi o primeiro dos inúmeros integrantes do grupo a brigar com Clinton por dinheiro, deixando a banda e começando a tocar com outros nomes, como os Commodores, Fishbone, Jermaine Jackson, Lionel Richie, Smokey Robinson, além de ter tocado em discos solo de integrantes da banda de Clinton, como Eddie Hazel, Ruth Copeland e Bernie Worrell. Ele chegou inclusive a voltar a tocar com os velhos companheiros, embora esporadicamente, a partir de 1994.

Pulp ♥ Abba

Quem gosta de Abba e de Pulp já deve ter percebido que o trabalho das duas bandas, apesar de não parecer, pertencem a um mesmo universo musical. Então imagine a possibilidade de ver o Pulp tocando Abba à frente de uma orquestra? Foi isso que a BBC pensou ao chamar a banda liderada por Jarvis Cocker para tocar em seu clássico estúdio Maida Vale, acompanhados pela orquestra da própria emissora inglesa. O melhor foi que Jarvis preferiu uma música pouco manjada do quarteto sueco para a apresentação, “The Day Before You Came”, de 1982. Olha isso…

Assista abaixo: