Hot Chip: “Let’s sway, let’s sway, let’s sway, let’s sway…”
Depois de eu ter anunciado as novas do Hot Chip, eis que o Bracin puxa o clipe novo deles…
Depois de eu ter anunciado as novas do Hot Chip, eis que o Bracin puxa o clipe novo deles…
Ana me ajudou a destruir a pistinha da sexta passada no Alberta com estilo – como podem ver nas fotos que a querida Bárbara, de volta às lentes da festa, tirou durante a noite. E a próxima sexta-feira é com a Babee! Prepare-se!
Aquele documentário sobre um dos melhores discos solos de um beatle (no caso, Ram, do Paul McCartney) que eu postei aqui outro dia faz parte do lançamento de mais uma versão de luxe dos discos do Paul, desta vez um box set com quatro CDs e um DVD, facsímiles das letras escritas pelo punho do próprio Paul, um livro, fotos inéditas e, na versão completa, uma camiseta e uma litografia, que já está à venda pela internet.
E o Bracin disse pra sacar as versões remasterizadas para “Too Many People” e “Uncle Albert / Admiral Halsey“, que o Paul colocou no Soundcloud dele.
Bem que alguém podia trazer pro Brasil, hein…
Na Piauí:
“Vivemos numa geração meio mariquinha, todo mundo diz: “Vamos lidar psicologicamente com isso?” Naquela época, você simplesmente sentava o pau e resolvia na porrada. Mesmo que o cara fosse mais velho e fortão, pelo menos você era respeitado por encarar a briga, e te deixavam em paz.
Não sei se dá para dizer exatamente quando começou essa geração mariquinha. Talvez tenha sido quando as pessoas começaram a se perguntar sobre o sentido da vida.”
Nessa edição do Link, a autora do livro Alone Together, Sherry Turkle escreve sobre como os meios digitais estão fracionando nossos relacionamentos:
No ambiente de trabalho contemporâneo, jovens que cresceram com medo de conversar chegam para trabalhar usando fones de ouvido. Ao passear pela biblioteca de uma universidade ou pelo escritório de uma empresa de tecnologia, vemos a mesma cena: estamos juntos, mas cada um ocupa sua bolha, digitando furiosamente em teclados e telas sensíveis.
Um sócio sênior de um escritório de advocacia de Boston (EUA) descreve a situação no seu trabalho. Jovens advogados depositam seu arsenal tecnológico sobre a mesa: laptops, iPods e numerosos celulares. E então eles põem os fones nos ouvidos. “Fones imensos, como os de pilotos. Eles transformam suas mesas em cabines de avião.” Assim, o escritório fica em silêncio, uma calma que não é quebrada.
No silêncio da conexão, as pessoas se confortam com a ideia de estar em contato com um grande número de pessoas – cuidadosamente mantidas à distância. Mas não é possível ter uma relação boa se usarmos a tecnologia para nos manter separados por distâncias controladas: nem perto demais, nem longe demais, no ponto certo.
Mensagens de texto, e-mails e atualizações de status permitem que mostremos o “eu” que desejamos ser. Isto significa que podemos editar. E, se quisermos, podemos deletar. Ou retocar: a voz, a carne, o rosto, o corpo. Nem muito, nem pouco – na medida certa.
Os relacionamentos humanos são ricos, caóticos e exigem muito de nós. Com a tecnologia, adquirimos o hábito de organizá-los melhor. E a mudança da conversa para a simples conexão faz parte deste fenômeno. Mas, neste processo, estamos nos enganando. Pior ainda, parece que, com o tempo, paramos de nos importar, esquecendo que há uma diferença entre as duas formas de relacionamento.
E a matéria de capa do Link desta semana é a entrevista que fiz com o fundador do Tumblr, David Karp, que vem ao Brasil começar a internacionalização de sua plataforma – e nesta mesma semana inauguramos o Tumblr do Link.
A orkutização do Tumblr
O criador do Tumblr chega ao Brasil para promover a expansão internacional do site e fala, com exclusividade ao Link, sobre o rumo da plataforma que está substituindo os blogs
David Karp, criador do Tumblr, chegou ao Brasil no fim de semana para uma série de eventos que marcam o início da internacionalização do site criado por ele há cinco anos. O primeiro aconteceu em Curitiba, no domingo, e os próximos têm data marcada para esta semana: dia 25 há uma festa no Rio de Janeiro (no Espaço Sacadura) e dia 26 em São Paulo (no antigo Masp, no centro).
Uma plataforma de autopublicação simplificada, o Tumblr é uma das principais redes sociais do mundo, e Karp diz ao Link que escolheu o Brasil para começar sua expansão internacional por achar que nosso comportamento online reflete bem a natureza de seu site, que, como ele diz, quer que funcione como um ponto de convergência para criadores online. Conversei com ele na semana passada pelo telefone sobre a relação de seu site com a nossa cultura digital.
Por que começar a expansão pelo Brasil?
O Brasil é uma comunidade incrível. Não só pelo fato de crescer e usar a internet de forma ágil, mas também pela sensibilidade criativa. E não é algo que esteja restrito a uma comunidade de early adopters ou às pessoas fascinadas por tecnologia ou a uma região específica – é o país inteiro. Acho que o Tumblr toca num nervo que mexe com a noção de cultura daí, uma sintonia que não atingimos nem nos EUA. A impressão que tenho é que o seu país é um caldeirão para novas formas de produzir artes e uma nova cultura. É claro, para mim, que a cultura brasileira celebra a criatividade mais consistentemente do que os EUA hoje em dia.
Como o Tumblr se encaixa num cenário que já tem Twitter, Facebook e Google? A impressão que tenho é que vocês lidam com nichos em vez de lidar com a massa…
O motivo pelo qual várias comunidades diferentes são atraídas pelo Tumblr é a diversidade. Apesar de parecer que o Tumblr é uma plataforma para fotos e vídeos, eu o considero um lugar para mídias em geral. Pode ser mais uma vontade minha do que a realidade, mas acho que ele tem mais a ver com diversidade e liberdade de expressão do que com algum tipo específico de mídia ou de conteúdo. Por exemplo, o Twitter é ótimo para quem usa o celular se expressar e é bom para frases de efeito ou piadas de comediantes. Já o Instagram e o Flickr são ótimos para fotografia, e o YouTube tornou-se um padrão para vídeos. Mas vejo o Tumblr como algo atraente e excitante para criadores em geral, e queria que ele se tornasse um ponto de convergência para comunidades criativas.
Quando o Tumblr começou, há cinco anos, a internet no celular ainda era rudimentar, não havia a economia de aplicativos e redes sociais não eram algo tão presente. Como continuar relevante nos próximos cinco anos?
Começamos como uma plataforma de publicação e era o que queríamos: ser uma plataforma simples e fácil de usar. Acontece que surgiu uma rede de mídia diferente desde que criamos o Tumblr. Assim, funcionamos como vitrine para esta nova rede. A tecnologia muda de forma muito rápida e os criadores acompanham a velocidade dessas mudanças. Sobre internet móvel, acho que estamos ainda arranhando a superfície de algo completamente novo, por isso não acho que estamos defasados em relação ao que virá. E há tantas coisas sendo criadas agora – linguagens de programação, hardwares, novas tecnologias – e eu não vejo nenhuma grande empresa de tecnologia lidando com isso hoje. No máximo o YouTube, mas acho que eles têm uma abordagem bem diferente da nossa.
Qual é a sua abordagem para estas mudanças de formatos e plataformas?
O telefone celular, sem brincadeira, é a máquina de produção de mídia mais sofisticada que já existiu. Antes você precisava de uma filmadora, ligava-a ao computador, esperava o vídeo ser transferido, para aí sim editá-lo muito lentamente. Agora, você faz tudo isso em um só aparelho de 100 dólares. É incrível. O que nos deixa muito animados com essa mudança para dispositivos móveis é que ela torna muito mais fácil produzir qualquer coisa que, se não fossem os celulares, as pessoas não produziriam – e talvez não se descobrissem como criadores. Os aplicativos que já foram criados para esta máquina – o Instagram, o Cinemagram… – não estão nem no começo da história.
Ao mesmo tempo, você tem uma nova plataforma que também é um aparelho – o tablet. Para mim, a maior qualidade dele é trabalhar com a exploração e descoberta na navegação, o que é parecido com a natureza do Tumblr. Meu blog, por exemplo, tem posts de todos os assuntos, em todos os tipos de mídia. Algumas coisas eu criei, outras eu repostei de outros. E quando eu vejo os blogs desses outros criadores, também vejo que eles também têm suas coleções de tópicos e mídias.
É uma rede muito complicada de se explorar (ri). Há tantos pontos de conexão que você pode navegar por horas, dias na rede de uma única pessoa! Isso é muito difícil de se fazer em um browser! É um ambiente que você só pode subir e descer, que você tem de abrir abas, e muitas abas abertas são um pé no saco… Não são bons para isso. Se você tenta abrir doze abas do YouTube em um browser, vira uma bagunça. Browsers não são a melhor forma de navegar. Tablets, por outro lado, tornam a navegação mais divertida. Permitem que você explore a rede de uma forma não linear.
Em suas pesquisas sobre o Brasil você deve ter ouvido falar na expressão “orkutização”, que significa se tornar popular, com tom pejorativo. É algo que você teme ou quer para o Tumblr?
Conheço o termo. Um de nossos primeiros investidores é um dos CEOs do Fotolog (John Borthwick), e sempre conversamos sobre o papel do Fotolog e do Orkut na difusão da internet no Brasil. Mas há algo de interessante no fato de o Orkut ter sido uma empresa dentro de outra maior ainda, que era o Google. Foi por isso que ela não ganhou a atenção que deveria, mesmo sendo uma das maiores redes sociais do planeta. Na indústria de tecnologia comenta-se à boca pequena como o Orkut foi negligenciado pelo Google, como o Google esqueceu que tinha o Orkut. Se for verdade, precisamos entender como uma rede tão cheia de gente pode se tornar uma comunidade tão sem inspiração a ponto de ser mal vista.
Não acho que tenha a ver com alguma faixa de renda ou etária. Acredito que a tendência de crescimento, da inclusão de cada vez mais gente, é a regra desse tipo de mercado, por isso você tem de aprender a lidar com as massas e, principalmente, se preparar para isso. Por isso, se falar em “orkutização” parece que nos referimos a uma favela online é porque as pessoas que gerenciavam aquela rede foram descuidadas com a infraestrutura do design. É o tipo de decisão que pode erodir qualquer tipo de comunidade virtual. Nos preocupamos bastante com isso: com a possibilidade de a comunidade Tumblr ser arruinada pela negatividade, pela falta de inspiração, por qualidades genéricas que podem transformar a rede social em um lugar em que não queremos estar.