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Impressão digital #114: Chip no cérebro

Na edição de segunda do Link, falei da relação entre os óculos do Google e a nova série de Bryan Singer, H+

O dia em que iremos usar chips implantados no cérebro
Do Google Glasses à nova série de Bryan Singer

Há três semanas, o Google mostrou que tem anos de vida pela frente ao desvendar, entre suas novidades, sua linha de hardware. O tablet Nexus 7 já era especulado. E a central de mídia Nexus Q, por mais diferente que fosse seu design esférico, é um hub digital como muitos que já existem no mercado.

O Google Glass apareceu na cara de Sergey Brin e o cofundador do Google explicou que abriria a geringonça para os desenvolvedores que quisessem criar ferramentas para aprimorar seu uso. De fora, os óculos parecem diferentões – fazem as vezes de câmera, computador e monitor. Dá para filmar sem usar as mãos, além de obter informações, na própria “lente”, sobre o que se vê através dos óculos. No futuro, usando o Google Glass, você olharia para uma rua qualquer e, pela parte de dentro das “lentes”, seria possível identificar os estabelecimentos sem sequer ler as suas fachadas.

Imagine este futuro próximo cheio de pessoas usando óculos que permitem que elas se comuniquem sem falar ou usar as mãos; que façam buscas online só com o olhar; que filmem e tirem fotos sem que se mexam. Quem reclama da onipresença e do vício de duas ou mais gerações de telefones celulares tem motivos de sobra para se preocupar com esse futuro. Que, inevitavelmente, nos leva à assustadora profecia em que chips serão instalados nas pessoas.

Profecia literalmente apocalíptica: “E fez que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas / Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome”, é o que diz o Apocalipse de São João, no capítulo 13, versículos 16 e 17.

O detalhe que não foi lembrado na apresentação do Google Glass é que tanto Brin quanto o outro fundador da empresa, Larry Page, já haviam cogitado uma versão ainda mais sinistra destes óculos ao jornalista Steven Levy, que escreveu um dos livros-chave sobre a ascensão do Google, In the Plex, que ainda não foi lançado no Brasil.

“Isto será colocado dentro do cérebro das pessoas”, disse Page. “Quando você pensar em algo e não souber muito sobre aquilo, você receberá mais informações automaticamente.” “É verdade”, continuou Brin, “no final, vejo o Google como uma forma de acrescentar o conhecimento do mundo ao seu cérebro. Hoje você liga o computador e digita uma frase, mas dá para imaginar como isso será mais fácil de fazer no futuro quando tivermos dispositivos acionados pela voz ou computadores que prestam atenção no que acontece ao redor deles.” Page completa. “No fim, teremos um implante em que basta você pensar em algo para que ele lhe traga a resposta.”

Assustador é pouco. (Mas pode ser que haja um certo medo reacionário em relação ao novo, ativado por nosso cérebro reptiliano, que só pensa em atacar ou fugir.) Ao mesmo tempo, parece encantadora a ideia de não precisar de um smartphone para consultar os horários do cinema mais próximo ou ligar o computador para checar a grafia de um sobrenome estrangeiro. O problema não está na nossa aparentemente inevitável evolução ciborgue, mas no fato de que esta tecnologia, maravilhosa na teoria, pode dar errado na prática.

É a premissa do seriado H+, do diretor Bryan Singer (o mesmo de Os Suspeitos e dos primeiros X-Men). Um futuro próximo em que as pessoas implantam um chip na nuca que as permitem viajar por mundos virtuais sem que isso seja percebido como uma não-realidade. Na série, que estreia em agosto e apenas na web, um vírus infecta a rede e as pessoas que possuem o chip implantado simplesmente morrem.

Mas há outra opção: a de nos atermos tanto aos mundos virtuais que nem sequer fazemos mais distinção entre o que é realidade e o que não é.

Parece radical? Sim. Mas não é preciso esperar os chips chegarem. Afinal, muitos já usam a internet como uma forma de se descolar da realidade. O problema, como sempre, não é a tecnologia, mas o que fazemos com ela.

Jon Lord (1941-2012)

Mais um que se vai.

O tecladista mais importante da história do heavy metal – e pai de uma das bandas mais importantes pra história do rock:

Robert Smith acústico

O Cure ia começar seu já tradicional (e aguardado no Brasil) show de quase três horas em um festival em Bilbao, na Espanha, quando o equipamento do tecladista Roger O’Donnell deu pau. E quando a parte técnica estava sendo resolvida, nosso amigo Bob Smith pegou um violão, foi ao microfone e disse “enquanto consertam, vou tocar algo pra vocês” antes de começar a tocar “Three Imaginary Boys”, “Fire In Cairo” e “Boys Don’t Cry” em versões acústicas. Olha só:

De chorar. Depois rolou o show inteiro, normalmente, e o setlist ficou assim:

“Three Imaginary Boys”
“Fire In Cairo”
“Boys Don’t Cry”
“Open”
“High”
“The End of the World”
“Lovesong”
“Sleep When I’m Dead”
“Push”
“In Between Days”
“Just Like Heaven”
“From the Edge of the Deep Green Sea”
“Want”
“Pictures of You”
“Lullaby”
“The Caterpillar”
“The Walk”
“Play For Today”
“A Forest”
“Primary”
“Bananafishbones”
“Shake Dog Shake”
“The Hungry Ghost”
“Wrong Number”
“One Hundred Years”
“End”
“The Same Deep Water As You”
“Dressing Up”
“The Lovecats”
“The Blood”
“Just One Kiss”
“Let’s Go To Bed”
“Friday I’m in Love”
“Doing the Unstuck”
“Close To Me”
“Why Can’t I Be You?”
“Boys Don’t Cry”

Assisti ao Cure ao vivo em Nova York, no ano passado, num dos melhores fins de semana da minha vida, e fiz um monte de vídeos, dá uma sacada. Quem vai trazer pro Brasil?

Noites Trabalho Sujo apresenta Arnaldo Branco

E nessa sexta-feira, quem dá o ar de sua graça nas Noites Trabalho Sujo é o meu compadre Arnaldo Branco, lançando seu livro em São Paulo a partir das 20h. E além de vender e autografar o livro, Arnaldo também exibirá seu bom gosto musical (ele teve uma banda de power metal na adolescência, hein) dividindo os CDJs comigo. E pra comemorar o lançamento, tem double caipirinha ou caipivodka até a meia-noite – paga um, ganha o outro. E depois é aquele esbórnia saudável que você bem conhece… Sabe como ir, né? Se não, veja no site do Alberta ou na página do evento no Facebook. E para colocar o nome na lista, é só mandar para o email noitestrabalhosujo@gmail.com, até às 20h. A noite promete!

E não me venha com esse papinho de “dia do rock”

Deve haver uma data mais tosca que essa, com certeza, mas o “dia mundial do rock” tá entre as piores, fácil. Faço minhas as palavras do Marcelo:

Fora que rock hoje em dia é algo quase reacionário. Não é que não goste de rock, não me entenda mal, mas essa celebração da rebeldia, da inconsequência e do foda-se tudo já teve sua importância há uns 40 anos, antes de começar a vender iogurte e a infantilizar adultos.

E aí vem o João e me linka esse vídeo:

E eu aproveito pra linkar pro Radio Dept:

O problema não é com a celebração em si, é que rock limita tanto – quando deveria expandir… O conceito de classic rock aniquilou as lições da psicodelia e do punk rock.