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Noites Trabalho Sujo apresenta Luiz Pattoli x Victor Mancini

Poizé, a partir dessa sexta até pelo menos outubro, tiro meu time de campo das discotecagens das Noites Trabalho Sujo por motivos médicos. Mas a melhor sexta de São Paulo não para – e pra isso, convidei alguns chapas para coordenar as próximas edições. Nesta primeira sexta sem mim, quem toma conta das atividades é o grande Pattoli, do Churrasco Grego, que convocou o Victor Mancini para um duelo de sucessos de todos os gêneros e todas as épocas. As coordenadas são as mesmas que você já conhece – mas caso não sabia, basta ver no site do Alberta ou na página do evento no Facebook. E para mandar os nomes para a lista de desconto, é só enviar para o email noitestrabalhosujo@gmail.com até às oito da sexta-feira. Divirtam-se por mim!

ANALÓGICODIGITAL apresenta CINCO ANOS DE VENENO

Você sabe como são essas festas do VENENO com o TRABALHO SUJO na TRACKERS: quando você menos espera, pinta um sábado memorável do nada! E a festa de agosto promete ser épica como sempre – pra começar, o trio VENENO SOUNDYSTEM aproveita a oportunidade para festejar seus cinco anos de grooves analógicos sem fronteiras – sejam geográficas, históricas ou galáticas. E o convidado do PEBA TROPIKAL, RONALDO EVANGELISTA e MAURICIO FLEURY é o mestre DJ PAULÃO, com sua coleção impecável de pérolas negras em forma de LP. Na pista digital, o incansável ALEXANDRE MATIAS não comparece pessoalmente pois encontra-se em recuperação – mas suas vibrações se materializam em uma pista que começa com a dupla TAÍS TOTI e ANDRÉ PALUGAN desfilando hits modernos e clássicos dos anos 90, passa pela incendiária volta das AWE MARIAH (HELÔ LUPINACCI + MARI GOUVEIA + LOU FEDERMAN tocam sem a presença de SANTAROSA BARRETO, em temporada nova-iorquina) comandando uma micareta sexy iemanjá e termina com a dupla RAFA SPOLADORE + DANILO CABRAL, entre riffs de guitarra e baixos da pesada. Alguma dúvida de que vá ser histórico? Nenhuma!

VENENO 5 anos + TRABALHO SUJO
No som os DJs: Maurício Fleury, Ronaldo Evangelista, Peba Tropikal, Paulão, Helô Lupinacci, Mari Gouveia, Lou Federman, Rafa Spoladore, Danilo Cabral, Taís Toti e André Palugan. projeções: Várzea Ilustrada.

Trackertower
Rua Dom José de Barros 337, esquina com av. São João
$25 (só entra com nome na lista! baile@venenosoundsystem.com)

Trabalho Sujo devagar

Poizé, duas festaças no fim de semana e eu não posso nem dar o ar da minha graça. Pior: com dor no coração vou interromper a sequência magistral de sextas-feiras memoráveis que venho conduzindo nas Noites Trabalho Sujo desde o fim do ano passado. Mas é por um motivo justo e nobre: finalmente vou resolver a pendência médica master na minha vida e isso significa uma redução de ritmo considerável e drástica, que já vinha sendo antecipado nas semanas anteriores. Na prática, saio de licença médica do jornal, embora continue escrevendo as colunas e palpitando nas edições do Link (que segue sob o comando do Filipe), continuo indo ao Prata da Casa mas nem sempre filmando tudo, passo as Noites Trabalho Sujo para as mãos de amigos que manjam do riscado (diversão + bom gosto, sempre) e tento ir fazendo os Vidas Fodonas. Esses itens devem seguir regulares (Link na segunda, Prata na terça, NTS na sexta, VF a qualquer minuto), outros posts vão depender da minha recuperação. Ao mesmo tempo vou começar a reduzir os posts na minha conta pessoal do Facebook e destiná-los mais para a página do Trabalho Sujo por lá. E sigo com meu brinquedo portátil favorito atualmente, o Instagram (@trabalhosujo), que deve ser onde manterei mais atualizações.

Deixo um Vida Fodona antes de suspender as atividades até a segunda-feira e me desejem boa sorte. Porque se as coisas já eram boas com um braço bichado, imagina quando estiver 100%… Mas até lá, esse vai ser o ritmo:

Como foi a Noite Trabalho Sujo com a Manu Barem

E a sexta passada com a Manu Barem foi uma ótima despedida para esse período que vou ficar nesse outro ritmo. As fotos da Bárbara, logo abaixo, dão a medida da paixão. E sexta que vem começa o período que me afasto da pilha dessa rotina pelo menos até outubro com uma fase em que não estarei presente nas Noites Trabalho Sujo – mas deixo-a nas mãos de compadres e queridas que já incendiaram algumas das noites mais clássicas da temporada. Quem conduz a festa na próxima sexta é o Pattoli, aí já viu, né…

 

Hoje no Prata da Casa: Afroeletro

E hoje no Prata da Casa tem o Afroeletro, que, apesar do nome, bebe mais na música nordestina do que no eletro em si – como descrevo no texto que escrevi sobre a banda para o projeto do Sesc. Para ir no show, às 21h, basta chegar no Sesc Pompéia com até uma hora de antecendência para retirar o ingresso (o show é de graça). Vamo aê?

O quinteto paulistano é mais um dos representantes da redescoberta da música africana que vem acontecendo no início desta nova década – e pode enganar a começar pelo próprio nome, já que o sufixo “electro” remete ao batidão pós-hip hop dos anos 80 que serviu de combustível para uma cena dance music – quase sempre com vocalistas geladas – na década passada. Mas em vez de uma incursão pelas sonoridades eletrônicas modernas, a viagem proposta pelo grupo liga o continente africano ao nordeste brasileiro, quando o groove de guitarras secas, baixo no contratempo e percussão polirrítmica se encontram com o tambor de crioula do Maranhão, pontos de candomblé, cantos de capoeira, versos de cavalo-marinho do Pernambuco e até rimas de rap tipicamente paulistano. Seu primeiro disco foi lançado no início do ano e reúne integrantes do Bixiga 70, a guitarra afromacarrônica do paulistano Kiko Dinucci e a presença do pernambucano Siba, num caldeirão de ritmos e melodias que ampliam ainda mais a presença da música africana no Brasil do século 21.

Vida Fodona #341: Prenúncio de uma reduzida de ritmo

Poizé… Agosto e setembro serão devagar.

Lô Borges – “O Caçador”
Paulinho da Viola – “Falso Moralista”
Sambanzo – “Capadócia”
JJ – “Ecstasy”
Superhuman Happiness + Cults – “Um Canto de Afoxé para o Bloco do Ilê”
Blur – “The Puritan”
Karina Buhr – “Cara Palavra”
LCD Soundsystem – “One Touch”
Killer on the Dancefloor + Thiago Pethit – “Come Debbie”
Hall & Oates – “I Can’t Go For That (No Can Do)”
Daft Punk – “Digital Love”
Led Zeppelin – “Trampled Underfoot”
Smashing Pumpkins – “Cherub Rock”
Fall – “Mr. Pharmacist”
Tim Maia – “A Festa”
Arcade Fire – “The Suburbs”
Sebadoh – “2 Years 2 Days”
Pavement – “Black Out”

Vamo?

Impressão digital #0118: Consumidor x Cidadão

Na edição desta segunda do Link, falei sobre um dos principais dilemas do século digital.

A internet e a encruzilhada entre o consumidor e o cidadão
O mercado nos distrai de interesses reais

Duas matérias nesta edição do Link abordam assuntos aparentemente distintos: a matéria de capa, assinada por Tatiana de Mello Dias e Murilo Roncolato, fala dos problemas que usuários da telefonia móvel no Brasil têm com a péssima qualidade dos serviços das operadoras no País – que a revista inglesa Economist cogitou ser o equivalente do governo Dilma ao apagão elétrico do governo Fernando Henrique Cardoso. Outra matéria, do repórter norte-americano Farhad Manjoo, conta a assustadora história de como o repórter da revista Wired Mat Hanon, em quinze minutos, perdeu o controle sobre todas as suas contas digitais graças ao ataque de um hacker amador.

As duas situações parecem apenas descrições de problemas modernos, que não existiam há quinze anos. Mas, na verdade, são desdobramentos ágeis de uma tendência que atravessou todo o século 20 e foi reforçada nas últimas décadas até ganhar força e velocidade graças aos meios digitais: a lenta transformação do cidadão – e de seus direitos – em mero consumidor.

Isso é bem preocupante. Afinal, todos os direitos do cidadão, uma das principais provas da evolução da humanidade, são substituídos pelos direitos de quem tem dinheiro para pagar pelas coisas. Esta mercantilização da cidadania foi acelerada com o movimento que aconteceu logo depois da criação da World Wide Web, que completou 21 anos há uma semana. O engenheiro inglês Tim Berners-Lee criou o padrão que permitia acessar à internet (que existe desde os anos 60) sem a necessidade de digitar comandos ou de conhecer sites específicos, o que abriu espaço para o surgimento dos programas da navegação gráficos, primeiro com o Netscape e depois com o Internet Explorer. Foi a partir daí que a internet deixou de ser uma rede de contatos entre acadêmicos e entusiastas da tecnologia para ganhar o mundo.

E na metade dos anos 90, houve o primeiro salto de popularidade da rede, quando a maioria das pessoas descobriu que existia “um negócio chamado internet”. E, neste mesmo momento, empresas entraram online, ajudando a batizar essa primeira safra de “o início da internet comercial”.

A partir disso, a popularização da rede quase sempre esteve associada à criação de novas empresas ou como empresas que existiam antes deste momento souberam aproveitar-se desta nova realidade. E, como empresas fazem, entraram nessa para ganhar dinheiro. Até mesmo empresas que não cobram pela utilização de seus recursos – como o Google e o Facebook, por exemplo –, acabam cobrando outro tipo de moeda de seus consumidores: seus próprios dados pessoais. Ecoa na rede um novo ditado que é muito preciso: “Quando você não paga por nenhuma mercadoria, a mercadoria é você”.

Governos e instituições não-comerciais levaram mais tempo para entender a nova realidade e alguns ainda tateiam no escuro. Mas, como as empresas e a lógica comercial dominaram a internet nos seus primeiros dias de maior popularidade, questões de cidadania ficam em segundo plano em relação a questões de mercado.

(E antes que algum neoludita venha reclamar que isso “só poderia acontecer por causa dos computadores e da internet”, lembre-se que o sistema financeiro sabe muito mais sobre cada um de nós – e bancos estão aí há muito mais tempo.)

Por isso a atenção que damos, no Link, a temas como privacidade, à criação de novas leis, à forma como governos e empresas lidam com a inevitável inclusão digital, o futuro dos direitos autorais. Questões políticas que podem parecer tediosas e complicadas, ainda mais se comparadas a tweets engraçadinhos, computadores elegantes, smartphones encantadores, serviços online práticos e úteis.

Temas que podem não ter o apelo sedutor da internet comercial, mas que devem ser acompanhadas de perto, para que a política – e a noção de cidadania – não caia por terra de vez como já acontece na vida offline. Ninguém disse que iria ser fácil…

Link – 13 de agosto de 2012

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