…e cantando “Blue Velvet” num comercial para a H&M cheio de elementos oníricos freaks e desconexos, típicos ao diretor: anos 50, máquina de escrever, hipnose, bem-me-quer-malmequer, vinil, risinhos pelos cantos, anão, marinheiro, margarida, o que é real e o que é mentira. Lana Del Rey está em casa.
Updeite-se a meu lado: O lance é que o vídeo não é do David Lynch, só o imaginário. O diretor é o Johan Renck, que já dirigiu inclusive episódios do Breaking Bad. o “Hung Up” da Madonna e “Daniel”, da Bat for Lashes.
Muitos disseram que o vídeo feito por um fã que mashupou “Elephant” do Tame Impala com a parte psicodélica de Dumbo deveria ser declarado o clipe oficial da música. Aí vem o Tame Impala e lança a sua própria versão oficial.
Qual dumbo?
OEsquema em dose dupla nessa terça-feira. No Rio, eu e o Bruno estaremos nos bastidores do Prêmio Multishow desse ano que ajudamos a redesenhar – os shows começam às 21h45 pela emissora fechada, mas nós iremos acompanhar de perto a discussão do Super Júri (formado por André “Cardoso” Czarnobai, André Forastieri, André Midani, Katia Lessa, Marcelo Castello Branco, Miranda, Pablo Miyazawa, Pedro Seiller, Ricardo Alexandre, Roberta Martinelli e Sarah Oliveira), que será transmitida integralmente pela internet.
Já em São Paulo, o bom e velho Camilo Rocha representa OEsquema na inauguração de mais um novo blog da casa – o Pense Livre, uma rede de discussão sobre a política em relação às drogas estréia seu canal de contato com o grande público a partir de um evento que acontece agora à noite, no Itaú Cultural, em São Paulo. Camilo já fazia parte do grupo antes mesmo de entrar para OEsquema, no ano passado, e foi ele quem fez a ponto entre nosso site a rede em si, cujo blog trará novidades do mundo todo sobre como diferentes países tratam a questão da legislação em relação às drogas. O evento também será transmitido online a partir das 19h30 pelo próprio site do Pense Livre nOEsquema.
Aparentemente, os dois eventos não têm muita relação – como se o parentesco com OEsquema fosse apenas genético pois alguns integrantes publicam no site. Mas, juntos, começamos a mostrar que, mais do que falar de programas de TV, modinhas de internet, bandas semidesconhecidas e links legais, estamos, todos (blogueiros e leitores, vocês também têm sua parcela de culpa) ampliando o horizonte do público brasileiro, trazendo novos assuntos, temas e pontos de vista e subindo o nível da discussão numa hora crucial para o país.
Calorão, hein!
VHS or Beta – “I Found a Reason”
Beck + Charlotte Gainsbourg – “Paradisco”
Van She – Idea of Happiness (SebastiAn Remix)
Ladyhawke – “Sunday Drive (Gigamesh Remix)”
Breakbot – “One Out of Two”
Mahmundi – “Corre-Corre”
Roxy Music – “Love is the Drug (Todd Terje Remix)”
Kavinsky – “NightCall (Kids With Weapons Remix)”
Azealia Banks + Shystie – “Neptune”
TLC – “No Scrubs”
De La Soul – “(A Rollerskating Jam Named) Saturday”
Us3 – “Cantaloup”
Missy Elliot + Timbaland – “9th Inning”
Não vou no Prata da Casa de hoje porque vou ao Rio acompanhar o Prêmio Multishow – mas com muita pena de não poder assistir ao show do Café Preto, projeto dub do grande Bruno Pedrosa e do Canibal dos Devotos do Ódio. Você já sabe o esquema do Prata, no Sesc Pompéia, né? A partir das 20h os ingressos, gratuitos, começam a ser distribuídos e o show começa pontualmente às 21h. Abaixo, o texto que escrevi sobre o Café Preto para o programa.
O que acontece quando um dos DJs mais promissores de Recife encontra-se com uma lenda do hardcore pernambucano? A banda Café Preto é fruto dos primeiros experimentos que o DJ e produtor Bruno Pedrosa começou a realizar no meio da década passada, quando se dedicou a levar a música de nomes da nova cena pop do Recife para o mundos dos remixes. Em 2006, lançou Transformer, disco que retrabalhava a obra de nomes familiares dos amantes da nova música pernambucana (Silvério Pessoa, Bonsucesso Samba Club, Eddie, Mombojó, Mundo Livre S/A, DJ Dolores, Erasto Vasconcellos). Foi quando encontrou Cannibal, vocalista e fundador do Devotos do Ódio, a principal banda de hardcore do estado e um dos principais nomes da cena punk brasileira desde os anos 90. Ele já vinha pensando em expandir seus horizontes para o lado da música jamaicana e em conversas com Bruno criou o Café Preto, dedicado inteiramente à vertente mais psicodélica da ilha de Bob Marley, o dub. O grupo ainda conta com a presença do produtor e músico Pi-R, que fazia parte da banda experimental eletrônica Chambaril, entre outros instrumentistas, e teve o primeiro disco mixado por Victor Rice, talvez o principal produtor do gênero no Brasil. O primeiro disco, já disponível para download no site da banda, conta com participações especiais e a capa assinada por Jorge du Peixe, da Nação Zumbi, e H.D. Mabuse, o “ministro da tecnologia do mangue beat”.
O que o Boards of Canada tem de importante para a música eletrônica, também tem de misterioso e desconhecido. A ponto de terem uma única música não-lançada recriada por um fã ensandecido, o produtor norte-americano Travis Stewart, que assina como Machinedrum. E, ao baixar o áudio de um pirata de um dos raríssimos shows da dupla – quando tocaram no aniversário de 10 anos da gravadora Warp, em 1999 -, ele ficou impressionado com a última faixa, uma composição sem nenhum registro além daquela apresentação. Ele escreveu ao tentar recriá-la em laboratório:
“A faixa de encerramento nesse show sempre foi um mistério pra mim. Até onde eu sei, ela não tem título e nunca foi lançada. É muito provável que seja uma das minhas coisas favoritas das feitas por eles e realmente é uma pena que nunca tenha sido lançada. Dá pra ouvir a gravação pirata original – com qualidade bem ruim – aqui:
“Avançamos até o meio de 2012…”, continua. “E já que sou um nerdaço, decidi reproduzir a gravação desse pirata só pela diversão. Usando a gravação original, eu sobrepus novas batidas sobre os padrões de bateria que já existiam – quase 100% fiel ao original -, toquei algumas partes de sintetizador e a linha de baixo. A única parte que não tentei recriar foram as partes originais ao vocoder e alguns samples aleatórios, por isso deixei a gravação do pirata. Fiquei tentado em produzir uma versão mais curta, de 4 ou 5 minutos, mas percebi que deveria deixar a obra em sua duração original – apesar de que, pela duração, é mais provável que tenha sido um improviso ao vivo”.
Eis então a música desconhecida do Boards of Canada recriada pelo Machinedrum: