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As 75 melhores músicas de 2012: 19) Divine Fits – “Would That Not Be Nice”

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A palavra “supergrupo” quase sempre vem acoplada a textos sobre o Divine Fits pois seus integrantes vieram de bandas já estabelecidas – Britt Daniel é do Spoon, Dan Boeckner, do Wolf Parade e dos Handsome Furs e Sam Brown do New Bomb Turks. Mas o termo não é apropriado, pois nem suas bandas originais são grandes o suficiente para tachar o encontro de super nem propriamente eles reinventam seu som no novo conjunto – o Divine Fits soa mais como uma intersecção de projetos pessoais do que uma nova banda de fato. Isso não diminui o impacto de seu primeiro disco, que apresenta-se com a sonoridade mais cool no atual indie rock americano.

As 75 melhores músicas de 2012: 20) Chromatics – “Kill for Love”

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“Todo mundo tem um segredo” – e o de 2012 foi a ascensão dos Chromatics e da obra de Johnny Jewel, que ganhou proeminência à medida em que o ano foi passando. Primeiro veio a trilha sonora do filme Drive, seguida de perto por um misterioso segundo disco da banda, uma série de mixtapes, remixes e versões, a trilha do desfile da Chanel e o anúncio do volume 2 da coletânea que deu origem à cena, After Dark. Inevitavelmente, a obra central deste movimento é o álbum Kill for Love, que, apesar do tom soturno que apresenta logo de cara (uma versão shoegaze para “Into the Black”, de Neil Young), mostra suas garras na faixa-título: hipnótica, etérea, barulhenta, doce – um encontro às cegas entre o Cocteau Twins e o Jesus & Mary Chain dando estranhamente certo.

As 75 melhores músicas de 2012: 21) Poolside – “Just Fall in Love”

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O verão do século 20 era festeiro e libertador, já o do século 21 está mais para um alívio, um longo fim de semana em que a única coisa que importa é deitar-se ao sol – e, eventualmente, apaixonar-se. Sem festas, sem agito, sem pressa – deite-se e mova-se na velocidade do calor, a câmera lenta. Eis o paraíso ao ar livre proposto pela dupla de Los Angeles Poolside, uma das melhores surpresas de 2012, e seu conceito de disco music diurna está concentrado principalmente na preguiçosa “Just Fall in Love”, que cogita a paixão de verão como se pede um drink ou para que se passe o protetor solar… Relax…

As 75 melhores músicas de 2012: 22) Lucas Santtana – “Jogos Madrugais”

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E logo no início de seu grandioso O Deus Que Devasta Mas Também Cura, Lucas Santtana deixou uma armadilha em forma de canção, pois ao ser ouvida na ordem do disco – é a terceira faixa -, “Jogos Madrugais” parece pedestre e mundana. Mas quando na medida em que entramos no loop de consciência por ela proposto – uma ode à perdição noturna, onde enfiar o pé na jaca é apenas o início da jornada -, percebemos todas as sutilezas e a ambição completa do disco inteiro, que casa os experimentos eletrônicos e dançantes dos dois primeiros discos de Lucas com a exploração das texturas e instrumentos dos dois discos posteriores. E sublinha que Lucas, finalmente, atingiu o equilíbrio entre pop e erudito, intelectual e rasteiro, épico e íntimo que tanto buscava.

As 75 melhores músicas de 2012: 23) Metá Metá – “Oya”

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Principais protagonistas na conexão África-São Paulo que vem se concretizando nos últimos anos (da Bahia Fantástica de Rodrigo Campos ao Bixiga 70, sem esquecer o disco do Criolo), o trio Juçara Marçal, Kiko Dinucci e Thiago França começou como uma espécie de projeto paralelo mas aos poucos ganhou força e voz própria, a ponto de pegar a todos de surpresa com um segundo álbum. E Metal Metal, o novo disco do Metá Metá, tornou-se público a partir da força de “Oya”, que começa quieta e sorrateira e aos poucos vai esquentando, esquentando, esquentando até entrar em ponto de ebulição e derreter tudo ao redor com um amálgama de ritmo e harmonia que não parece vir nem da África nem de São Paulo, mas do fundo da Terra. Sísmica, arrebatadora e implacável ela ultrapassa a estratosfera e segue em direção ao espaço de Sun Ra, em seus últimos minutos. É outro nível de discussão.

As 75 melhores músicas de 2012: 24) Nicki Minaj – “Starships”

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Que música é essa? Como assim, que espécie de dance music estamos ouvindo? Afrika Bambaataa ergueu a primeira ponte entre a música eletrônica quando sampleou o Kraftwerk em “Planet Rock”, mas essa conexão seguiu firme e forte e desde o início do século ganhou bases sólidas e amplo financiamento da indústrias – o casamento do Daft Punk com Kanye West ou as inúmeras participações especiais nos hits de David Guetta mostram o vulto que esta conexão atingiu nos últimos anos. Aí vem Nicki Minaj, sobrevoa esta ponte sobre uma espaçonave (“mais chapada que uma feladaputa”), abduz todos os formatos que podem ser utilizados nesta conexão – eurodance, trance, hip hop, italo house, electropop – e os empilha numa canção caricata e exagerada, que canta sobre como se acabar numa pista de dança. Se fosse necessário inventar um gênero para “Starships” poderia ser algo próximo a WTF music (isso sem precisar ver o clipe, que é ainda mais retardado). Feizmente não é preciso, resta apenas deixar o cérebro derreter sobre os quadris.

As 75 melhores músicas de 2012: 25) Bobby Womack + Lana Del Rey – “Dayglo Reflection”

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A inesperada volta de Bobby Womack trouxe a ainda mais inusitada parceria com Lana Del Rey, em “Dayglo Reflection”. E o blue beat que transforma a canção num híbrido de soul elemental com balada dubstep funciona como cenário tanto para a introspecção gospel do vocal emotivo do velho Bobby como para o tom gélido e fatal do timbre da jovem Lana. O resultado, que soa indigesto à primeira vista, torna-se um envolvente lamento que transcende idade, gênero, raça.

(E com o Damon Albarn acompanhando então… A música entra a partir dos quatro minutos no vídeo abaixo.)

As 75 melhores músicas de 2012: 26) Twin Shadow – “Five Seconds”

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Quando o Prince apareceu, no final dos anos 70, proporcionou uma colisão entre new wave e black music que inevitavelmente o conduziu a criar seu próprio gênero musical, com forte ênfase no rock e o olho firme no incipiente hip hop. Mas o que aconteceria se aquele momento desse origem não a uma assinatura musical, mas a um cânone aberto a novas colaborações? George Lewis Jr. responde a essa pergunta com um álbum andrógino e sintético, quase uma resposta fria e classuda ao groove electro do Chromeo, mas com um charme e estilo bem particulares. “Five Seconds” poderia estar na trilha sonora de Top Gun, numa coletânea do Blondie ou num comercial de cigarros Hollywood – mas resolveu dar as caras no apocalíptico 2012, hino antídoto à ironia, resgatando um oitentismo vintage.

As 75 melhores músicas de 2012: 27) JJ – “10”

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No meio do ano, a impenetrável dupla sueca JJ lançou um EP de verão – High Summer – e logo no início, o reggae pálido e esquivo “10” colocava em xeque relações artificiais, revoluções televisionadas, remixes feitos por amigos e conversas sem sentido – numa crítica hippie e triste não propriamente ao novo século digital, mas como suas qualidades são distorcidas pela maioria das pessoas.

As 75 melhores músicas de 2012: 28) Céu – “Chegar em Mim”

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Uma música de Jorge du Peixe liberta de vez Céu ao final de seu terceiro disco, mostrando que a viagem andarilha pelo deserto que se dispôs em seu Caravana Sereia Bloom tem um inevitável lado pernambucano – que, em vez de bater os tambores do mangue beat, prefere deslizar pelo calor da paquera.