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Galileu – Fevereiro de 2013

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Eis a segunda edição da Galileu comigo no comando. A matéria de capa, pauta sobre medicina integrativa conduzida pelo editor Diogo Sponchiato já vem causando polêmica da parte daqueles que sempre trataram terapias alternativas como acupuntura, fitoterapia, homeopatia e musicoterapia como charlatanismo, cobrando rigor científico – e é justamente este o assunto da capa, como a medicina vem reconhecendo este tipo de tratamento através de comprovações científicas. Além da capa, a edição de fevereiro ainda traz reportagens sobre o mistério da ressaca, a falta de criatividade em Hollywood, o primeiro livro de Julian Assange, a solução dos telhados verdes para as grandes cidades, um zoológico de clones de animais extintos no Brasil, um cemitério de aviões, o RPG de South Park, a morte de Aaron Swartz, pessoas que monitoram o próprio corpo para detectar doenças, como o sedentarismo é pior que o cigarro, hotéis feito para hospedar astrônomos amadores, uma bicicleta elétrica que pode tirar os carroceiros do trânsito, como as palavras podem provocar dores físicas, o mapa da corrupção no mundo, um biólogo de games, a primeira impressora 3D comercial do Brasil, dicas para economizar na conta de luz e uma entrevista que fiz com Cory Doctorow. E além da pauta, essa edição marca também um início de mudança no site do título, que ganha um reajuste de layout, como sua presença para além das bancas de revista e da internet – e a equipe Galileu estará não só cobrindo mas também participando de cinco mesas durante a Campus Party, que começa essa semana. Falo mais disso no meu editorial desta edição, reproduzido abaixo.

Mudando devagar

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À medida em que vamos fechando as páginas de GALILEU, este quadro, no meio da redação, vai sendo atualizado

Ainda não me acostumei com o ritmo de publicação de uma revista. Vim de jornal, onde o pique é acelerado e a pressa é companheira do fechamento, por isso sempre pergunto a alguém da redação se um determinado assunto cabe ou não na edição, se vale a pena cortarmos uma matéria que já está pronta e na página para a substituirmos por outra sobre algum assunto que acabou de acontecer. Conto sempre com a opinião do redator-chefe Tiago Mali para saber se vale investir nessa ou naquela pauta que acabaram de pintar.

Quase sempre repasso essas pautas para a Débora Nogueira, editora do site Galileu. A Paula Perim, diretora do núcleo que abrange GALILEU, fala que este jet lag entre os fusos horários dos fechamentos de jornal para a revista normalmente se estabiliza após três meses de casa. Tomara. Mas quando ficamos sabendo do suicídio de uma das mentes mais brilhantes do universo digital, Aaron Swartz, a pressa do jornalismo diário falou mais alto e invadiu o fechamento mensal, dedicando duas páginas da edição para celebrarmos sua importância.

Essas mudanças estão aos poucos entrando no dia a dia da redação. Nesta edição, dá para perceber outros pequenos detalhes que fizemos no percurso do fechamento. São mudanças discretas, mas que aos poucos mostram que 2013 será um ano bem agitado para o título.

Para começar, ao virar a página, você perceberá que a seção Online, antes dedicada às novidades do site da revista, mudou de nome. Agora ela chama-se Ecossistema Galileu, pois tratará da revista para além de sua edição impressa.

É claro que também estamos falando do site — mas não só. A nova seção mostra, por exemplo, que o título estará presente na próxima Campus Party, que acontece em São Paulo a partir do dia 28 de janeiro até o dia 3 de fevereiro, no Anhembi. Além de cobrirmos o evento, Galileu também estará presente com dois debates propostos pela revista: um sobre a influência do mundo digital no trânsito, idealizado e mediado pela editora Priscilla Santos, e outro sobre o mercado editorial brasileiro na época do e-book, que fica sob a batuta do editor Diogo Sponchiato. Nas próximas edições, você verá que a marca irá aparecer em outros lugares — e nossa equipe estará cada vez mais presente.

Outra mudança também anunciada nesta nova seção é a nova cara do site Galileu, que entra no ar a partir de fevereiro. É só a primeira das novidades que apresentaremos na área digital. Nos próximos meses, traremos ainda mais.

O ano de 2013 está só começando — e Galileu vai longe. É só acompanhar. Vamos lá!

matias-por-luis-douradoAlexandre Matias
Diretor de Redação
matias@edglobo.com.br

Flaming Lips 2013

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Sem lançar disco desde 2009, o Flaming Lips anunciou que seu próximo álbum se chamará The Terror – um disco “sombrio e perturbador” segundo o líder da banda, Wayne Coyne – e será lançado no início de abril. Antes disso, o grupo lança uma nova faixa, que não entrará no novo lançamento, chamada “The Sun Blows Up Today”, uma brincadeira bubblegum que em vez de psicodélica torna-se apenas repetitiva. Reflexo do que vem acontecendo com o grupo há uns cinco anos, pelo menos.

Vi no Pitchfork e o vídeo na Rolling Stone.

Tame Impala: “Feels like my life is ready to blow”

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E em seu novo clipe, o Tame Impala nos leva da sala de aula para uma viagem psicodélica sobre o amor consumado – que pode ser considerado pornô dependendo de onde você estiver assistindo, por isso tome cuidado.

A memória de Jean-Yves de Neufville

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Outros colegas de trabalho lembram da convivência com o crítico Jean-Yves Neufville, que morreu no início da semana. Relembra o Camilo (de onde surrupiei a capa do especial Bizz que ilustra esse post:

Jean-Yves trabalhava na Folha Ilustrada (e freelava para a Bizz). Estava perto do segundo Rock In Rio e um dos escalados era o Happy Mondays. A banda estava no auge, representante maior de uma onda Manchester-acid house-freak. Jean-Yves entrevistou Shaun Ryder para o jornal e conseguiu uma declaração bombástica. Dia seguinte, primeira página, a manchete trazia algo como “Vocalista do Happy Mondays quer trazer 1000 ecstasies para o Brasil”

Semanas depois, estamos eu e Jean-Yves numa sala de um hotel de luxo no Rio nos preparando para entrevistar Ryder em carne e osso. Já era a semana do festival. Não tinha dado meio-dia, mas Ryder já entornava vodca e cerveja, intercalando os drinks com uma bomba de tabaco com haxixe.

Fomos entrevistando ele em dupla. Eu pergunto dos 1.000 ecstasies e Ryder se exalta. Diz que foi sacaneado, que nunca ia ser trouxa de falar algo assim para um jornalista. Jean-Yves conta que era ele o entrevistador e o contesta. Ryder fica puto, continua negando e fecha a cara. A entrevista, entre resmungos em forte sotaque nortista inglês, tragos e chapação, fica ainda mais incompreensível.

Vinícius, ex-Jazz+, também lembra da convivência com o jornalista:

Duas décadas depois, precisamente em 2003, conheci o Jean pessoalmente quando criei a revista Jazz+. Para a minha surpresa, o Jean roqueiro era um apaixonado pelo jazz. Logo que descobriu a primeira edição nas bancas tratou de me procurar para oferecer seus serviços. Aceitei sem pestanejar.

Quando debatíamos as pautas pelo telefone era possível escutar, ao fundo, bem baixinho, a trilha sonora de nosso bate papo. O tocador de músicas de sua casa (CD, vitrola, iPod?) produzia sons de Chet Baker, Bill Evans e outros notáveis do jazz. Nunca atendi a um telefonema do Jean cuja música de fundo não fosse jazz.

Quando a Jazz+ deixou as bancas definitivamente, em 2008, nosso contato enfraqueceu. Mas entre todas as matérias publicadas pelas 18 edições da revista, considero a reportagem sobre a vida do saxofonista Charlie Parker, escrita por Jean, a melhor de todas.

Jotabê lembra do estilo do crítico:

Cortês e elegante, não costumava cultivar a polêmica fácil e ficou conhecido no meio musical por sua doçura e resistência ao debate hostil. Recentemente, Neufville buscava voltar à atividade de crítico, que tinha abandonado desde que assumiu a de tradutor. Considerava que a música vivia um momento de impasse, sem criatividade, e ocupando-se mais de combinações de coisas pré-existentes do que da busca do novo.

Forastieri também:

Jean-Yves era especializado, desesperado por música. Se preparava cuidadosamente para entrevistar os artistas. Ouvia álbuns repetidamente para preparar as resenhas. Aporrinhava editores com questiúnculas para ele da maior relevância, sempre com português preciso e aquele sotaque frrancês, Andrrê, Forrasta etc. Ouvia rock e jazz e MPB e música clássica com idêntica ausência de preconceitos. Eu, fundamentalista dos três minutos, não conseguia entender. Discutíamos música sem fim, traçando x-saladas e rabadas ao molho ferrugem nos botecos dos Campos Elíseos.

Parir uma crítica era trabalho de ourivesaria. Sofria, suava, levava século e meio. Uma vez, fechamento da Ilustrada atrasado, só faltava seu artigo. O secretário de redação veio cobrar aos gritos: desce como tá, vamos fechar já! Corta pelo pé (é como jornalista chama o fim da matéria, o pedaço mais dispensável). Jean-Yves deu o contra: é melhor cortar aqui – e começou a aparar as primeiras linhas do texto, onde, na teoria, deveria estar o mais importante… e a gente ao lado passando mal com a cena.

Uma vez veio pedir, todo educado: você já escreveu este ano sobre os novos discos da Legião Urbana e Titãs, não se incomoda se eu fizer os Paralamas? São as três bandas mais importantes do Brasil. Respondi que sim, lógico, besta com delicadeza do colega experiente, quase dez anos mais velho.

Vendi para ele meu primeiro computador, primeiro dele também, com impressora e uma mesa metálica trambolhenta pra acomodar tudo. Eu tinha dito que era um 386, me confundi, ignorante. Levei na casa dele, instalei, a máquina liga, é um 286. Ele tudo bem, sem problemas, vou usar é para escrever mesmo. E aí abriu uma cerveja, e passei horas explorando sua enciclopédica coleção de discos. Me apresentou sua mulher, Valéria, linda e inteligente. Pensei: Jean é um homem de sorte.

Mas ainda me impressiona que não haja nada da obra do crítico franco-paulistano online. Alguém consegue sacar alguns de seus textos clássicos de alguma cartola? Quem achar pode copiar nos comentários.

A conexão Strokes + Tecnobrega

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A música nova dos Strokes foi recebida com estranhamento na sexta-feira, especialmente no Brasil: enquanto os fãs da banda lamentaram a sonoridade oitentista (bem mais próxima do disco solo de Julian Casablancas do que qualquer outro disco dos Strokes), os fãs de tecnobrega saudaram a nova sonoridade do grupo – até mesmo seus principais protagonistas (Gaby Amarantos e a Gang do Eletro) comemoraram o parentesco sonoro em suas contas do Twitter:

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E logo vem a internet, implacável, e lança suas paródias, como esse “clipe oficial” inspirado no mashup que o Tiago Lyra fez do Trenzinho Carreta Furacão com “Lisztomania”, do Phoenix:

E o DJ Jak empilhou as referências mais citadas (“Xirley” de Gaby Amarantos, “Take on Me” do A-ha e a própria “Lisztomania”) num mesmo remix esquizofrênico.

A citação a “Take on Me” vem do fato do riff da nova dos Strokes ter certo parentesco com o maior hit pop da história da Noruega – e é inevitável lembrar do remix do mítico DJ Cremoso – criação anônima recifense inventada para satirizar o tecnobrega – para a canção do A-ha:

Esta citação é a chave para essa conexão Strokes com o tecnobrega, pois as duas partes tiveram a base de sua sonoridade fundada durante uns anos 80 sintetizados. Repare nesse clássico do Jean-Michel Jarre de 1981 e veja se não tem a ver tanto com a música nova dos Strokes, o solo de Casablancas e a batida do tecnobrega):

Mas alguém apontou a semelhança da melodia de “One Way Trigger” com essa música do Maná (?!):

O pior é que tem a ver… E a música nova dos Strokes pode ser baixada no site deles.

WTF do dia: Strokes 2013

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Isso é sério? DJ Cremoso e tecnobrega influenciando os Strokes? Cuma?

E por falar em Strokes, tem uma promoção de vinil deles em um dos melhores segredos (e melhores idéias nos últimos tempos) da indústria fonográfica, o Popmarket. Os quatro discos deles em vinil tão saindo por pouco mais de cem dólares, sem frete, pro mundo todo. Vai lá.

Noites Trabalho Sujo apresenta Tiago Lyra e Bruno Correia

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Resolvi comemorar o aniversário de São Paulo chamando dois cariocas pra fazer a Noite Trabalho Sujo chacoalhar: Bruno Correia – também conhecido com o Cavalo Correia – pertencia ao coletivo carioca Hang the DJ e volta às pistas com toda seu dandimalandrismo típico. Já Tiago, o homem que transformou o Trenzinho Carreta Furacão em hit da internet graças a um mashup com uma música do Phoenix, é bissexto nos CDJs, mas irá nos brindar com seu bom gosto de baixo calão. E eu medio essa conversa de malucos numa daquelas noites que prometem pegar fogo – afinal, também é dia de comemorar a sexta vez consecutiva em que o Trabalho Sujo é eleito o melhor blog do Brasil! Para quem ainda não sabe como é o esquema da festa, tá tudo detalhado na página do evento no Facebook ou no site do Alberta – e dá pra mandar nomes pra lista de desconto para o email noitestrabalhosujo@gmail.com até às 20h. E como hoje é feriado, o Alberta só abre às 22h. Nos vemos lá!