Uma criança e um cachorro lutando com sabres de luz
Sim, internet.
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Dois shows incríveis na noite deste sábado consagraram aquela que pode ter sido a melhor apresentação da Mostra Prata da Casa do ano. Abrindo os trabalhos, Rodrigo Caçapa visitou gêneros ancestrais com violas e percussão, apontando para um futuro moderno e nada deslumbrado. Depois foi a vez da incendiária Dona Cila do Coco transformar ao choperia do Sesc num imenso bailão, que culminou com a presença de Caçapa e Alessandra Leão ajudando a diva de 85 anos a fechar seu show – veja os vídeos abaixo. E domingo é dia de hip hop na Mostra.

Hoje é o último dia da Mostra Prata da Casa do Sesc Pompéia reunindo as melhores apresentações do projeto do Sesc Pompéia no ano passado, quando fui o curador do evento. A última noite reúne dois jovens mestres do novo hip hop paulistano: Ogi e Elo da Corrente representam a partir das 19h (mais cedo porque é domingo, afinal), com ingressos a R$ 8,00. Abaixo, o texto que escrevi sobre os dois artistas de hoje para o catálogo da mostra:
A maturidade do rap paulistano
Os shows de hip hop do Prata da Casa em 2012 foram marcados por duas características: a superlotação e as participações especiais. Como é sintomático do rap paulistano, nenhuma apresentação teve menos do que a metade da lotação da casa e as duas principais noites de rap durante o ano no Sesc Pompéia contaram com a presença massiva do público. Ogi foi o primeiro a apresentar-se na edição 2012 do projeto, em fevereiro, mostrando seu festejado CD Crônicas da Cidade Cinza, lançado no fim do ano anterior, e chamou os comparsas Henrick Fuentes, James Ventura e Rodrigo Brandão para ajudar a descrever as diferentes facetas dos coadjuvantes, protagonistas e figurantes da cidade de São Paulo, tema de seu novo disco. Já o trio Elo da Corrente, formado pelos MCs Caio, Pitzan e pelo DJ PG, recebeu o mano Doncezão para ajudá-los a rimar sobre bases e versos criados a partir de pesquisas musicais na história da música popular brasileira, no início de junho do ano passado, numa noite que, mesmo com forte chuva, não foi o suficiente para impedir que o público viesse em peso. Em ambas as noites, longas conversas e bases precisas tornavam o diálogo entre o palco e a platéia quase uníssono e a função dos artistas estava mais para dominar o delírio rítmico imposto à casa do que propriamente liderar ou chamar atenção. Público, DJs e MCs em plena sintonia, as duas apresentações mostraram que o rap paulistano não só já chegou à sua maturidade como só atingiu este nível graças ao amadurecimento também de seu público.
Hoje é dia de Oscar e o designer prodígio Olly Moss recebeu um frila da própria Academia de Artes e Ciências Cinematográficas para reunir todos os 85 filmes que ganharam o principal prêmio em um mesmo cartaz. Olha o resultado abaixo, que fera.

Se você clicar na imagem, dá pra ver o pôster ampliado. E se você não lembra quais são os tais 85 filmes, veja no vídeo abaixo:

Música como assunto na capa da Galileu é mais uma das mudanças que estamos engrenando na publicação. Entre as outras novidades do mês, vale ressaltar a parceria com o evento Fronteiras do Pensamento, a estreia do boletim do título na rádio CBN (no primeiro domingo de março, dentro do Revista CBN), o lançamento das colunas de toda a redação e um novo funcionamento das redes sociais. A revista de capa amarela que chega às bancas neste fim de semana, além do tema música livre em uma matéria escrita pelo Ronaldo, traz o Dossiê sobre o cenário das startups brasileiras, a força da indústria do álcool frente aos governos do mundo todo, guloseimas criadas em laboratório, um salmão transgênico, a geração de filhos únicos na China, como muda o museu com o século 21 e um ranking de celebridades brasileiras medido por aparições publicitárias na TV. Abaixo, a carta ao leitor que abre a revista, em que conto um pouco dos bastidores do fechamento desta edição.

NA CASA DA TULIPA: O diretor de arte Fábio Dias aproveitou a sessão que a fotógrafa Camila Fontana fez com a cantora para tirar a foto acima
Antes do Carnaval, reunimos toda a equipe GALILEU para uma foto. Ao lado da fotógrafa Camila Fontana, o diretor de arte Fábio Dias fazia as vezes de diretor de cena, reposicionando um, ajeitando a roupa de outro, pedindo para alguém levantar ou abaixar o rosto. Era a foto que ilustra as novidades desta edição. Mas para Fábio e Camila era só o finzinho do trabalho para nossa capa do mês.
Durante uma semana, eles foram aos quartéis-generais dos principais personagens de uma matéria que, embora seja protagonizada por artistas, fala de tecnologia e economia — e não apenas de cultura. Visitaram alguns dos nomes mais importantes desta nova cartografia musical brasileira, que vem reinventando o diálogo entre ídolo e fã, mercado e consumidores, gravadoras e ouvintes. E, no percurso, Fábio começou a pegar o espírito da pauta. Não só para saber como ficariam as fotos na matéria, mas para imaginar o conjunto das páginas e, inevitavelmente, a imagem da capa.
Eu havia pensado em pôr os artistas na própria capa — havia inclusive cogitado a possibilidade de juntarmos todos para tentarmos uma homenagem ao quadro Operários, de Tarsila do Amaral, pelo fato de esta ser uma geração que põe a mão na massa. Testamos algumas opções, mas o repórter Ronaldo Evangelista, autor da matéria, me mandou o recém-lançado clipe da banda mineira Graveola e o Lixo Polifônico, que recria o quadro de 1933 como um Sgt. Pepper’s, o clássico disco dos Beatles, à brasileira.
Partimos para uma nova opção e começamos a pensar em um objeto para ilustrar o tema — um rádio, um disco, um instrumento… E ao chegarmos ao fone de ouvido, Fábio veio com um trocadilho visual, usando o arco do assessório como a haste curva de um cadeado, mostrando que a música agora está livre — de suportes, de um modelo único, de formatos preestabelecidos. A princípio a imagem era um ícone, essencialmente gráfico, que acabou evoluindo para a ilustração de Marcus Penna, o Japs, que está nesta capa.
Corta para o sétimo andar do prédio da editora, onde nos reunimos para a foto da equipe, e vendo Fábio dirigir a fotografia, posto uma foto desta cena online. Seus amigos aos poucos comentam a imagem, usando frases típicas do gaúcho: “Tchê, sei não…”, “Não sei se gosto…”, “Que tu acha?”. Frases que traduzem sua já clássica inquietação em relação à qualidade visual da revista — que vai da ilustração às fotos e ao design das páginas —, rumo à tal mudança em câmera lenta que estamos empreendendo neste 2013. Ela está por toda a revista, mas detalhamos algumas delas mais pontualmente em nosso Ecossistema (págs. 10 e 11). Vamos lá!
Alexandre Matias
Diretor de Redação
matias@edglobo.com.br

Silva e Madrid fizeram dois shows bem bonitos na noite dessa sexta-feira, sempre com apenas duas pessoas no palco, como dá pra ver pelos vídeos que fiz abaixo. E a noite do sábado é reservada pra uma festa pernambucana, com a octagenária Dona Cila do Coco e o jovem mestre Rodrigo Caçapa. Quem vai?

A penúltima noite da Mostra Prata da Casa reúne duas forças da cena pernambucana – uma ancestral, com a magnética Dona Cila do Coco transformando tudo numa grande ciranda, e a outra mordeníssima, com o sereno Rodrigo Caçapa reinventando a viola. Os shows começam às 21h deste sábado, no Sesc Pompéia, e os ingressos custam R$ 8. Abaixo, o texto que escrevi sobre esta noite para o catálogo da Mostra.
Todo o Pernambuco
Depois do Rio, de São Paulo e de Salvador, talvez Recife já possa ser considerada a quarta força artística do Brasil, principalmente após o big bang chamado mangue beat que Chico Science detonou no início da década de 1990. Há vinte anos, a vida cultural da capital pernambucana era restrita a arremedos e cópias do que era produzido no resto do país e a auto-estima do estado praticamente não existia. Foi preciso que uma turma de amigos resolvesse conectar a cidade ao resto do mundo através da eletricidade, do hip hop e do rock, usando como base a vasta tradição secular de uma das regiões mais antigas do Brasil. Foi o choque entre o moderno e o arcaico, lição aprendida com o tropicalismo, que colocou Nação Zumbi, Mundo Livre S/A e o Pernambuco de volta ao mapa da música brasileira e, principalmente, recuperou o amor próprio do estado que, aos poucos, contagiou todo o nordeste e chegou até Belém. Dos nomes que surgiram após este primeiro grande evento, dois são contemporâneos dos anos 90 embora só tenham lançado seus discos no século atual. Dona Cila do Coco foi uma das primeiras artistas de raiz resgatas por Chico Science e incendiou o público da choperia com sua cantiga apaixonante cercada de uma banda que era puro ritmo, fazendo desabrochar rodas de dança pela platéia. Já Rodrigo Caçapa, saiu da mesa de produção para lançar seu ótimo primeiro álbum solo (Elefantes na Rua Nova) no ano passado, em que mergulha no universo das violas e percussão para, no palco do Prata da Casa, modernizar toda uma tradição sem precisar de música eletrônica, letras em inglês ou misturar gêneros musicais. Com quatro violeiros e três percussionistas, recriou um Pernambuco tradicional bem parecido com o cantado por Dona Cila e os dois juntem unem quase um século de história pernambucana e shows acústicos poderossímos.