
A melhor nova banda psicodélica brasileira faz seu primeiro show em São Paulo esta noite, no Beco 203, e eu discotecarei antes e depois do show. Na mesma noite tem o Jair Naves. Vamo aê? Se liga que o Boogarins é o mais próximo de um Tame Impala que há no Brasil hoje (não à toa discotecaram antes do show de ontem) – e os shows serão pontuais: Boogarins às 21h30, Jair Naves às 22h30. Maiores informações na página do evento no Facebook.

Cheguei em cima da hora, peguei uma fila gigantesca (dava até a 23), entrei e o show já tinha começado, nem cogitei ficar embaixo e subi para o mezanino do Jóia. O som tava baixo, mas aumentou logo em seguida e a partir daí… Kevin Parker nos conduziu a um delírio sônico em technicolor que, ao mesmo tempo que apontava para o cânone clássico da psicodelia dos anos 60, abria novos horizontes para a lisergia sonora que conduzia a partir de sua guitarra.
Descalço e muito mais seguro de si do que quando apresentou-se no Brasil há um ano (quando Lonerism ainda nem havia sido lançado e só duas músicas do disco haviam aparecido online, “Apocalypse Dreams” e “Elephant”), Parker tem plena certeza dos rumos que quer levar e conta com músicos tinindo pra isso. Jay “Gumby” Watson (que tocava bateria e foi pra guitarra e sintetizadores) e Dominic Simper (baixista no início da banda e hoje nas guitarras e teclados) funcionam como sombras de Kevin, ecoando solos, riffs e texturas sonoras que o líder da banda joga no ar. Os dois novatos da cozinha, o baixista Cam Avery, que entrou no semestre passado, e o baterista Julien Barbagallo, que entrou no ano passado, fazem tudo funcionar com esmero, forçando os limites de seus instrumentos sem precisar apelar pro virtuosismo – Cam passeia pelas belas linhas de baixo compostas por Parker com tranquilidade enquanto Julien equilibra-se nas viradas lentas como um Ian Paice ou um Ginger Baker.
Mas todos trabalham por Kevin, que mesmo tento espasmos de deus do rock – erguendo a guitarra bem no alto, rodopiando, fazendo poses com o instrumentos – é um moleque que passeia feliz pelo céu de diamantes que resolveu habitar. Sem surpresas no repertório, ele esticou músicas em jam sessions memoráveis, intercalou fraseados com espasmos sonoros que fizeram o público no Jóia ficar de queixo caído. Ele adorou a audiência (que cantarolou riffs e solos), além de elogiar o fato da platéia saber a letra de todas as músicas. Um show memorável, mas que parece ser apenas o começo de uma carreira brilhante.
Fiz uns vídeos abaixo, saca só.

E Criolo, como quem não quer nada, lançou duas músicas numa mesma tacada. “Cóccix-ência” (abaixo) já era conhecida dos shows, mas “Duas de Cinco”, com suas superposições pós-tropicalistas (“Um governo que quer acabar com o crack / Mas não tem moral para vetar comercial de cerveja / Alô, Foucault / Cê quer saber o que é loucura? / É ver Hobsbawm na mão dos boy / Maquiavel nessa leitura”) e seu belo sample de Rodrigo Campos, aponta para um segundo disco mais tenso e menos manhoso. Um bom recado sobre o que pode vir adiante:
Resta saber se esperamos ainda pra 2013 ou se já ficou pra 2014.

É evidente a influência do cinema noir em Blade Runner, mas o usuário do YouTube Chet Desmond levou essas referências ao extremo, ao recriar o trailer do filme de Ridley Scott como se ele fosse feito nos anos 40. Saca só:

Pingo van der Brinkloev fez esses pequenos loops de cenas cotidianas animadas por computador – “nenhuma árvore foi machucada para a realização deste filme”, ele brinca no vídeo, pois tudo que você vê em seu curta It’s Paper foi feito digitalmente:


A banda paulistana Labirinto se apresentou em Ljubljana, Eslovênia e o vídeo abaixo, produzido pelo coletivo local Channel Zero, pega o finzinho da apresentação deles no primeiro semestre desse ano.
Coisa fina. Se você não sabe o que é pós-rock mas curte rock progressivo, vai na fé.

O fotógrafo russo Alexandr Kravtsov reuniu 24 mil fotos em um time lapse de Barcelona que nos lembra rapidamente porque a cidade catalã é tão encantadora.