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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Tutu Naná, Polly Noise & The Cracks e Lauiz @ Porta Maldita (17.4)

A próxima edição do Inferninho Trabalho Sujo acontece na véspera da sexta-feira da paixão, quando mais uma vez reúno na Porta Maldita três artistas de sonoridades díspares mas dentro de uma mesma lógica estética e geracional. Lauiz abre os trabalhos começando a despedir-se do disco do ano passado, Perigo Imediato, ao mesmo tempo em que aponta para novos rumos musicais, contando com possíveis participações especiais. A banda sem rosto Polly Noise & The Cracks vem em seguida mostrando sua sonoridade melódica e ruidosa para, no final, recebermos a presença do quarteto Tutu Naná, um dos nomes em ascensão da cena indie brasileira desta década. E entre os shows, toco umas músicas pra mexer com os quadris dos presentes. A Porta Maldita fica no número 400 da rua Luiz Murat, entre os bairros de Pinheiros e Vila Madalena. E comprando ingressos antecipadamente sai mais barato.

Como Smile dos Beach Boys tornou-se um clássico antes de existir

Se a grandeza dos Beatles tem um alicerce jornalístico por trás de sua ascensão a partir dos anos 80 (o biógrafo e pesquisador Mark Lewisohn), o escritor David Leaf é a mão que ajudou os Beach Boys – e especificamente Brian Wilson – a serem reconhecidos como um dos maiores nomes da história do rock. Em suas reportagens que logo tornaram-se textos de encarte de reedições e caixas de discos sobre o grupo californiano, Leaf foi instrumental ao transformar o disco Pet Sounds (1966) – que na época de seu lançamento foi rechaçado pela crítica e pelos fãs como uma tentativa pedante de fugir do histórico pueril dos primeiros hits do grupo – em um dos discos mais importantes da história do rock, especificamente por flagrar a rivalidade irmã mas separada por um oceano e dois dias de nascimento entre Brian Wilson (que nasceu dia 20 de junho de 1942) e Paul McCartney (nascido dois dias antes, no mesmo ano). Leaf não apenas entronizou Pet Sounds no panteão dos anos 60 como, a partir de suas pesquisas, transformou um disco tido como fracassado em um santo graal da história do rock. A competição saudável entre Paul e Brian fez o último inventar Pet Sounds a partir do Rubber Soul dos Beatles, que por sua vez foram influenciados pelo disco de 1966 a se reinventarem com o histórico Sgt. Pepper’s. Este último, por sua vez, foi a faísca para Wilson entrar em uma espiral criativa que, embalada por uma megalomania artística movida a LSD, seria a obra-prima dos Beach Boys. Mas o disco Smile não aconteceu porque Brian surtou no processo e o material que deu pra ser aproveitado transformou-se no ótimo Smiley Smile, que apesar da qualidade das músicas, era apenas uma sombra do que Wilson pretendia fazer. Graças aos textos de Leaf, o interesse pelo trabalho de Brian Wilson e pela obra dos Beach Boys ressuscitaram o disco perdido de 1967 e tornaram possível décadas depois, quando o disco foi finalmente finalizado e lançado em 2004. Essa história é recontada no recém-lançado SMiLE: The Rise, Fall, And Resurrection Of Brian Wilson (Omnibus Press), que, em formato de história oral, Leaf recria não apenas o período entre 1966 e 1967, quando entre 2003 e 2004, culminando com a primeira apresentação ao vivo do disco, que aconteceu no Royal Albert Hall londrino no dia 20 de fevereiro de 2004, mesmo ano que o beach boy veio ao Brasil pela primeira vez. Obrigatório para os fãs de Brian. Veja a capa do livro abaixo:  

Concerto de câmara

Bem bonita a primeira apresentação dos ingleses dos Tindersticks no Brasil, que aconteceu nesta quarta-feira no Auditório Simon Bolívar, no Memorial da América Latina. Um evento sutil e quieto, que prendeu a atenção da plateia calada do início ao fim em mais de duas horas de introspecção, o que deu ênfase ao detalhismo delicado do grupo, reforçado pelo ótimo som do auditório. Banda inglesa de folk formada nos anos 90, o grupo só deu chance à nostalgia no bis, quando pinçou “Tiny Tears”, de seu segundo disco homônimo, lançado há 30 anos – e claramente só fez isso por ser a primeira apresentação do grupo no Brasil. Grande parte do show contou com músicas da última década e meia, quando os fundadores Stuart Staples (violão e voz), David Leonard Boulter (teclados) e Neil Fraser (guitarra) fecharam a formação atual ao lado do baixista Dan McKinna e do baterista Earl Harvin, com ênfase maior em seu disco mais recente, Soft Tissue, lançado no ano passado, cujo repertório foi passado à íntegra. E se o clima de concerto folk de câmara já era incomum quando o grupo surgiu, em 2025 ele parece ainda mais alienígena – e que bom saber que eles ainda têm espaço para este pouso.

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Lorde 2025!

Semana passada Lorde deu a pista, mas agora é oficial; seu primeiro single em quatro anos, “What Was That”, sai em breve, possivelmente abrindo caminho para seu quarto álbum. Ela mesma anunciou em suas redes sociais.

Pé firme no chão

A apresentação que Maurício Tagliari fez nesta terça-feira no Centro da Terra partiu de seu trabalho de pós-graduação, quando o violonista e produtor, orientado pelo percussionista Ari Colares, visitou as células rítmicas da música afrobrasileira. A partir disso, Maurício começou a chamar instrumentistas mulheres para compor canções a partir desta pesquisa, o que começou a materializar-se no espetáculo Na Linha Guia, que mostrou no palco do teatro do Sumaré, ao lado das percussionistas Victoria dos Santos e Xeina Barros. Juntos, os três embarcaram em uma viagem pelas claves básicas que deram origem a desdobramentos específicos da música brasileira, mostrando composições ao mesmo tempo em que explicavam conceitos e davam exemplos, transformando a apresentação numa aula – e vice-versa. Por pouco mais de uma hora, o trio conduziu o grupo a reflexões sobre a natureza do que chamamos de música brasileira intercaladas por causos e canções, sempre os pés do ritmo batendo forte no chão.

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Maurício Tagliari + Victoria dos Santos + Xeina Barros: Na Linha Guia

Quem assume o palco do Centro da Terra nesta terça-feira é o trio formado por Maurício Tagliari ao lado das percussionistas Victoria dos Santos e Xeina Barros, que passeiam por canções criadas a partir de claves da linhagem musical afrobrasileira que foi a pesquisa de pós-graduação de Maurício. O espetáculo Na Linha Guia é o início de um novo trabalho de Maurício ao lado de instrumentistas mulheres, começa pontualmente às 20h e já está com ingressos à venda no site do Centro da Terra.

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Don Letts esculpido na pedra

Patrono da conexão do punk com o reggae, Don Letts transformou-se num busto de pedra pelas mãos do escultor inglês Corin Johnson, que imortalizou o mestre DJ e documentarista em pedra em sua breve exposição Folk Roots, New Routes, realizada na capela Fitzrovia, em Londres, que ficará em cartaz apenas neste mês de abril. Johnson também é conhecido como o artista que fez Nick Cave se interessar por escultura e cerâmica, tendo assinado alguns trabalhos com o bardo australiano. O busto do mestre jamaicano, que discotecava reggae para os punks ingleses no clube Roxy e foi um dos primeiros a registrar em vídeo aquela cena, no hoje clássico The Punk Rock Movie, filmado em super 8 em 1978, foi visitado pelo próprio na abertura da exposição para convidados, antes de sua abertura oficial. A exposição também traz um busto da pioneira da cena folk inglesa, Shirley Collins.

On the run #175: Clairo @ NTS (14.2.2024)

E já que estamos nessa onda da Clairo, vocês ouviram a música inédita que ela lançou num set pra NTS no dia dos namorados no ano passado? No meio de músicas de nomes quase desconhecidos do doo wop, soul dos anos 60 e rhythm’n’blues (como Truetones, Love Potion, Nick Gillette, Blossom Dearie, Toni & The Hearts e Joe Cuba), ela soltou essa pérola deliciosa que se der a tônica do próximo álbum, estamos feitos. Dá pra ouvir a partir do minuto 27, no set abaixo:  

Pós-punk instantâneo

Essa segunda noite da temporada de Paulo Beto no Centro da Terra foi absurda. Reunindo um time sem ressalvas, ele simplesmente deixou o som rolar e a química entre os músicos transformou o palco do teatro num laboratório de improvisos repentinos e composições espontâneas que iam tomando corpo a partir de pequenas doses de ritmo cogitadas por algum dos integrantes da banda Zeroum, sendo seguido ao mesmo tempo pelos outros três numa sintonia finíssima. Na bateria, Edgard Scandurra dava toda a quadratura pós-punk e por vezes kraut que pairava sobre os quatro, temperada pelos synths dessa vez discretos conduzidos por PB, mais presente na guitarra – punk-funk como deveria ser – do que em seu instrumento eletrônico nativo, o baixo de groove cavalar conduzido por Luiz Thunderbird e o vocal caótico e frito de Tatá Aeroplano, tocando seus brinquedos com pedais criando efeitos intuitivamente. Num dado momento, Thunder pegou o microfone e reforçou o caráter instantâneo das composições, reforçando que parte da energia vinha da plateia: “A gente sentiu esse lance Devo vindo de vocês”, reforçou. Uma noite memorável.

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Isso é tão Lana Del Rey… 😍

Lana Del Rey mal lançou o primeiro single de seu novo álbum (a lindíssma “Henry, Come On”) como aproveitou o auê pra postar um longo vídeo no Instagram em que ela, depois de agradecer a todos envolvidos nessa nova fase, menciona que talvez o disco atrase e que talvez ele mude de nome de novo (além de ter avisado que semana que vem tem música nova, chamada “Bluebird”). Não bastasse isso, descobriram que a capa do novo single é um print de tela do celular, com direito inclusive à barra de rolagem relativamente visível no canto direito. Ai ai essa mulher… ❤️

Veja abaixo: