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Foi pilha dos amigos, mas deu certo: Simplicio Neto, ex-banda Filme, é um dos últimos representantes da cena indie carioca da década passada a se arriscar num projeto solo. A pilha foi dos amigos Pedro Bonifrate (dos Supercordas) e Sidney Honigzstejn (dos Vibrossensores, que estão voltando, mas isso é outro papo), que se juntaram ao velho Simpla pra formar a banda Simplicio Neto & Os Nefelibatas, que ainda conta com Felipe Rodrigues na bateria e Gabriel Ares nos teclados. A banda dividiu-se em duas encarnações para que Sidney e Pedro pudessem cuidar, cada um, da produção de um EP: Sidney produziu o EP Terror e Vaudeville e Pedro o EP Fuscas & Dirigíveis, que teve uma de suas faixas, “Segunda-feira em Oz”, descolada exclusivamente para o Trabalho Sujo, abaixo (junto com a faixa-título do outro EP, que já circulava online). A nova banda começa os trabalhos no dia 9 de outubro e bati um papo rápido com Simplicio por email sobre essa nova encarnação e como anda a cena indie no lado de lá da Dutra.
Como começou esta nova fase? E a ideia de lançar dois discos ao mesmo tempo?
Do grupo de amigos músicos, poetas e compositores aglutinados desde os tempos de Vibrosensores e Midsummer Madness, eu tinha sido o único a ainda não ter me aventurado ainda em um trabalho solo. Pedro do Supercordas lançou nesses últimos anos o Bonifrate. Augusto Malbouisson, os Acessórios Essenciais. Sandro, o Digital Ameríndio, Lois Lancaster e Sidney Honigztejn o Padaria Sinistra, e por aí vai, configurando uma cena musical modular, de personalidades bem diferentes, porém empenhadas num esforço coletivo comum, um mesmo projeto estético sonoro, tendo sempre como back up band praticamente os mesmos nomes, ex-companheiros das bandas citadas, como o tecladista e arranjador Gabriel Ares que toca em todas elas.
Nas conversas com Pedro essa cobrança pessoal e coletiva e afetiva de termos uma banda minha, só com minhas composições, meio que tidas por todos declaradamente como inspiradoras – talvez por eu ser mais velho, pois
sou tão inspirado nas canções deles quanto eles nas minhas – se consolidou. Assim partimos para aventura dos Nefelibatas. Eu tinha alcançado um destaque na área de cinema com meu filme sobre Bezerra da Silva, o “Onde a Coruja Dorme”, que afinal é um musical que trata do processo de composição e das agruras de compositores independentes. Então tudo se aglutina num desejo maior de expressão, e repercussão, de um novo grupo coeso de compositores de canções brasileiras contemporâneas, embalados pelo folk, a psicodelia, a eletrônica e o noise e etc. Guardadas as devidíssimas proporções, ao sair da Filme eu estava meio como o George Harrison quando ele saiu dos Beatles, com várias composições represadas. Seu número e sua estética encantaram tanto o Pedro quanto o Sidney, e fazendo justiça salomônica e abrindo uma frente ampla atacando por dois flancos, resolvemos encarar esse lançamento duplo, de álbuns com estéticas sonoras um tanto diferentes, mas complementares, conduzidas por dois produtores.
O que dá mais ainda a dimensão de diversidade na unidade, ou unidade na diversidade, própria de nosso grupo. Essas ideias todas tinham sido também amadurecidas quando escrevi esse espécie de manifesto nosso, para o lançamento do EP Toca do Cosmos do Pedro. Que fala meio disso tudo.
Como vai ser o lançamento desses discos? Eles vão ser lançados em formato físico? E como são os shows?
Vamos primeiro lançar um ou dois singles no Soundcloud, algo para os blogs e críticos que nos interessam e também nos guiam como o Trabalho Sujo, e um clip no YouTube, uma fanpage da banda, essas coisas. Chamando o publico em geral e os que já seguem os outros trabalhos dos músicos envolvidos para o show de lançamento no Audio Rebel, no Rio agora 9 de Outubro. Já Dia 7 de Dezembro, teremos um show com Bonifrate e o Juvenil Silva – articulando com a cena de Recife – na Sala Baden Powell no Rio. Em que lançaremos os dois EPs, a princípio na página do Bandcamp, e a posteriori, lutando pela consolidação no vinil, o estado-da-arte pra nós. Sou um coleciador e DJ de vinil
também. Talvez role até K7. E nossa estreia em São Paulo será na Casa do Mancha, sendo nosso grupo também um tanto paulista por conta da super proximidade com o Supercordas e turma da Casa. Alderbaran, musica minha que Pedro sempre toca nos shows do Bonifrate, fala muito de São Paulo e cita suas ruas, um encanto que nasceu desde os shows dos Vibrosensores na cidade, no contato com o rock da cidade.
Como anda a cena carioca hoje? Quem legal você tem acompanhado?
Vimos os lugares em que tocamos nos últimos anos, como o seminal Plano B, a Comuna, o Multifioco, a Sinuca Tico-Taco e enfim o Audio Rebel, ajudarem a renovar e formar uma nova cena underground forte no Rio. Vimos surgirem eventos que firmaram selos como o QuintAvant, que lança artistas como Negro Leo, que estudou, na mesma faculdade que eu e Pedro, o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ e discute com a gente as mesmas coisas sobre o Brasil de hoje e o seu som. Como nosso trabalho e o dele, muita coisa na fronteira do noise, do experimental, com a canção, expandindo os limites dela, está sendo tentada por aqui, com um resultado de público que não víamos há muito tempo. Que só cresceu com as tais Jornadas de Junho. Basta frequentar esses lugares, nas ruas de Lapa e Botafogo, pra checar.

O designer curitibano Butcher Billy deu um tom pop art às três principais campanhas à presidência esse ano – sem pegar leve com nenhuma deles. E clama para que o povo espalhe seus cartazes pelas ruas.






O estúdio norte-americano Muscle Shoals, fundado em 1969 no estado do Alabama, hoje é considerado uma meca para um certo tipo de sonoridade rústica e crua, que tornou-se característica da alma roqueira e caipira dos EUA principalmente por conta de discos ali gravados, como já contou o documentário que leva o mesmo nome do estúdio, lançado no ano passado. Nomes como Lynyrd Skynyrd, Herbie Mann, Canned Heat, Cat Stevens, Paul Simon e Cher (que batizou um disco com o endereço do local) gravaram discos inteiros ali, que também viu gravações clássicas como “I Never Loved a Man (the Way I Love You)” de Aretha Franklin, “I’ll Take You There” das Staples Singers e “When a Man Loves a Woman” de Percy Sledge.
Mas um dos primeiros nomes a dar a aura mística ao lugar não foi norte-americano – aconteceu quando os Rolling Stones começaram o trabalho que daria na obra-prima Sticky Fingers gravando três músicas no estúdio, entre os dias 2 e 4 de dezembro de 1969. O site Dangerous Minds descolou um souvenir e tanto destas sessões que deram origem a “Wild Horses”, “Brown Sugar” e “You Gotta Move”: o recibo do estúdio, que cobrou mil dólares pela gravação de pelo menos dois clássicos imbatíveis da história do rock.
O site ainda achou fotos incríveis das horas em que os ingleses foram o fundo da alma sulista do rock americano, tiradas por um dos fundadores do estúdio, Jimmy Johnson, encontradas no blog The Asheville Oral History Project, do jornalista Clifford Davids:






Outros trinta segundos de Endless River, o disco novo que David Gilmour e Nick Mason vão lançar sob o nome de Pink Floyd, desta vez enfatizando a participação do tecladista Rick Wright, morto em 2008, cujos registros feitos em 1994 foram o motivo para os dois remanescentes comporem um novo álbum:

Mesmo que Inherent Vice seja um livro menor de Thomas Pynchon, a idéia de levá-lo para as telas – e, portanto, para um público maior – de Paul Thomas Anderson talvez não pareça ser a burrada que eu havia imaginado.
O filme estréia neste sábado no New York City Festival e o New York Times nos antecipa que talvez o próprio Pynchon, conhecido por ser o maior escritor recluso norte-americano depois de Salinger, esteja presente no filme fazendo uma ponta. O escritor vem aos poucos saindo da casca: primeiro foi uma participação nos Simpsons em 2003 (numa participação sensacional, em que ele, com a cabeça coberta por um saco de pão, vendia fotos com “o famoso autor recluso”) e em 2009 ele mesmo narrou o trailer do livro que Paul Thomas Anderson transformou em filme.
Por isso não é de se estranhar que participe de um filme inspirado numa obra sua – a dúvida fica apenas sobre como acontecerá esta participação. Pynchon é desses autores norte-americanos da segunda metade do século passado que fundem conhecimento enciclopédico com situações bizarras e inusitadas em longos romances que misturam eventos históricos e mundanos, como Don DeLillo, Robert Anton Wilson, David Foster Wallace e Philip K. Dick. Certamente um filme inspirado em qualquer um de seus livros desperte um novo interesse do público em relação à sua obra. E sempre é bom saber que livros como V, O Leilão do Lote 49 O Arco Íris da Gravidade ou Vineland podem ganhar novos leitores.
Mesmo que pra isso seja preciso mais um filme do Paul Thomas Anderson.

Em novembro estréia o filme novo de Christopher Nolan, Interstellar e você já deve ter visto o trailer…
É mais um passo rumo à popularização da ficção científica, esse gênero que já foi a ovelha negra da literatura e hoje se firma como um dos principais pilares da produção cultural moderna. Nolan não é nenhum novato no gênero (e, em última instância, filmes de super-herói são histórias de ficção científica), mas é a primeira vez que ele leva sua narrativa para o espaço. O tom do trailer dá a entender que é mais uma ópera épica envolvendo sobrevivência, sentimentos e o universo, como Gravidade, de Alfonso Cuarón, foi no ano passado. Só o fato do Ramon (que vem acompanhando as notícias sobre a produção do filme de perto, vale acompanhar) resumir o filme na equação “Wall-E + A Árvore da Vida + Contato” dá a medida de como a temática existencial na ficção científica tem se tornado uma constante cada vez mais frequente em nosso zeitgeist. O que nos faz pensar…
Mas tenho uma leve impressão que o filme vai muito além do que assistimos nesse trailer (sem contar as estrepolias técnicas de Nolan, que filmou cenas para iMax em película 70mm).

O disco novo da melhor banda de rock experimental do Brasil, a curitibana Ruído/mm, já está pra download no site da gravadora Sinewave. Forte candidato a melhor disco brasileiro de 2014, mas não precisa acreditar em mim – ouça você mesmo.