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Só Buhr


(Foto: Priscilla Buhr)

Ou apenas “Bu”, como já lhe chamam. Um dos grandes nomes da música contemporânea brasileira abandona o prenome Karina para tornar-se apenas seu sobrenome e aproveita um show em comemoração aos dez anos de seu Selvática, que acontece no Sesc Pompeia, no dia 22 de agosto (os ingressos começam a ser vendidos nesta terça, às 17h neste link), para marcar essa transição. “Eu já queria fazer isso há um tempo e no meu mergulho no universo do Selvática, de meu lugar hoje dentro dos feminismos, entra minha vontade de falar na rua que sou uma pessoa não-binária e, no meu caso, isso mexe com meu nome também”, me explica por email. “Não é uma coisa nova pra mim eu não me definir como mulher e questionar gênero e suas atribuições, mas antes eu não tinha algumas palavras na prateleira, depois fui encontrando palavras com as quais eu me identificava fortemente – como pessoa não-binária, agênero… -, mas entendia que não precisava falar disso publicamente, que era uma coisa pessoal, até que entendi que sim, preciso e quero falar sobre isso, que é também coletivo, mostrar que falo desse ponto de vista onde me encontro.” Ela cita “Eu Sou Um Monstro”, do disco de 2015, como um dos indícios de que isso já estava sendo dito anteriormente. “Quis reler as músicas e letras da minha perspectiva hoje, daqui, de 2025”, continua. “Pensar, cantando e falando, dentro dos feminismos onde me encontro agora, e relembrar, por exemplo, nas entrelinhas que sempre falei que na capa do disco, censurada até hoje pelo instagram e companhia, era um personagem sem camisa e não uma mulher ‘exibindo os seios’, frase bem cafona, aliás, que circulou bastante na época do lançamento.” Sobre o novo nome, como a atual condição de gênero, não é propriamente uma novidade: “Muita gente já me chama assim, desde criança, pronunciando ‘Bu’ mesmo, inclusive assino assim meus desenhos há bastante tempo e me sinto mais representada sonoramente, e visualmente”, completa. “Talvez venham outras mudanças, mas, por enquanto, tá de bom tamanho. Sempre tive um incômodo com o nome Karina e um dia eu entendi por quê.”

Entre o ocultismo e a psicanálise

“Quanto mais escura a noite, mais claro fica o que tem por dentro.” Rita Oliva atravessou a metade de sua temporada Em Brisas nesta segunda-feira no Centro da Terra, quando pela primeira vez deixou sua persona Papisa ser levada para o território do texto falado, entregando-se à poesia guiada pelo poeta Bobby Baq, único convidado desta noite. Além do texto – que incluía com poemas de Marina Colasanti, Clarice Lispector, Yoko Ono e obras dos dois -, Papisa ainda tocou guitarra, teclados e disparou samples, citando Lulu Santos, Sidney Magal e Radiohead e suas próprias canções, entre inéditas e desenterradas, dividindo a apresentação, que usava a água como fio condutor, em quatro partes e conversando com o público entre essas partes – abrindo, inclusive uma roda de sonho em pleno teatro. Foi sua noite mais experimental, em que o encontro da música com a poesia abriu portas para o ocultismo e a psicanálise.

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A estreia do Los Otros


(Foto: Taline Caetano e Gabriel Mendes/Divulgação)

Acompanho o trio Los Otros desde que despontaram no meu horizonte, quando comecei a fazer a festa Inferninho Trabalho Sujo. Formado pelo argentino Tom Motta, a rondonense Isabella Menin e o paraense Vinicius Czaplinski, a banda começou quando os três se encontraram em São Paulo e se mudaram para o mesmo endereço, fazendo shows o tempo todo em todos os lugares que lhe chamam – assim passaram duas vezes pelo Inferninho fazendo ótimos shows. Suas referências vão às bases do rock, cru e direto, mas também melódico e grudento, bebendo de fontes diferentes da história do rock (de White Stripes a Kinks, passando por Talking Heads e Charly Garcia, com direito a versões que fazem ao vivo para músicas de Rita Lee e Elvis Costello). O trio estreia fonograficamente nessa terça-feira, mas antecipou seu primeiro single em primeira mão para o Trabalho Sujo, quando mostram uma música que acaba resumindo as intenções do grupo, chamada “Rotina”. “Ela é a nossa primeira composição original e marcou o ponto de partida da identidade sonora da banda, no início dos ensaios e nos primeiros shows”, explica Isa, emendada por Vini: “Ela geralmente é a música que encerra os nossos shows e acabou se tornando uma das faixas mais marcantes ao vivo, já que chamamos o público pra cantar com a gente”. O vocalista e guitarrista Tom antecipa que ainda terão um clipe para este primeiro single no mês que vem e começam a mirar shows fora de São Paulo, o que já começaram a fazer este ano. “Queremos fazer muitos shows, é a nossa parte favorita disso tudo, e lançar mais um single ainda em 2025, pra depois lançar o nosso primeiro álbum em 2026”, conclui o guitarrista.

Ouça “Rotina” abaixo:  

Dylan segue desafiando os mestres da guerra

Bob Dylan segue usando seu repertório para comentar os acontecimentos recentes como tem feito em seus shows deste ano – e não foi diferente neste fim de semana, quando abriu os três shows de sua Outlaw Tour, que vem fazendo ao lado de de seu compadre veterano Willie Nelson, entre outros artistas, com a desafiadora “Masters of War”, tocando-a pela primeira vez ao vivo desde 2016. A faixa foi composta nos anos 60, quando a crise dos mísseis em Cuba e a guerra do Vietnã atormentavam os cidadãos estadunidenses, e segue atual mais de 60 anos depois, à luz das ameaças que o presidente de seu país vem fazendo a outras naçoes, da guerra na Ucrânia e da situação cada vez mais trágica em Gaza.

Assista abaixo:  

Bob Dylan volta ao estúdio – pela primeira vez depois dos 80 anos!

Por falar em Bob Dylan, o mestre esteve num estúdio de gravação pela primeira vez desde a pandemia — ainda mais, pela primeira vez desde que ultrapassou os 80 anos, há quatro anos — quando passou dois dias no estúdio White Lake, perto de Nova York. Ainda não há nenhuma informação sobre o que ele gravou nos dois dias que esteve lá, mas o estúdio fez questão de soltar um comunicado marcando a passagem (veja abaixo). Seria o primeiro disco de estúdio de Dylan desde o maravilhoso Rough and Rowdy Ways, que ele gravou nos dois primeiros meses de 2020 e lançou ainda no primeiro semestre daquele ano nefasto. Chega mais, Bob!  

O instante certo para No Céu da Pátria Nesse Instante

Esse novo documentário da Sandra Kogut, No Céu da Pátria Nesse Instante, que estreia no próximo dia 14, promete — e promete chegar em boa hora – pois o julgamento do pior presidente da história começa no dia anterior.

Assista ao trailer abaixo.  

Boogarins ♥ Duda Beat

Ouviram a versão que a Duda Beat fez pra “Foimal” dos Boogarins? Ela soa meio alienígena dentro do (bom) EP Esse Delírio – Volume 1 que ela lançou nesta quinta-feira, mas – tirando a voz – é completamente familiar para o público da banda goiana, uma vez que ela basicamente substituiu a voz do Dinho pela sua, praticamente assumindo um karaokê indie pessoal no meio de um disco dance bem interessante. É quase o movimento inverso que Kevin Parker fez com seu Tame Impala há dez anos, quando gravou uma versão idêntica à última faixa do disco mais recente de Rihanna, transformando “Same Ol’ Mistakes” em “New Person, Same Old Mistakes” mudando apenas o timbre vocal da canção.

Ouça abaixo:  

Massive Attack mais perto do Brasil…

O festival argentino Music Wins acabou de anunciar seu elenco este ano, quando, num único dia (2 de novembro) reúnem, no Mandarine Park de Buenos Aires, artistas como Yo La Tengo, Primal Scream, Whitest Boy Alive, a australiana Tash Sultana e a banda francesa L’Impératrice, entre outros nomes menores. Todos citados já têm seus shows marcados no Brasil: o Yo La Tengo toca no Balaclava Fest no dia 9 no Tokio Marine Hall, o Primal Scream vem no dia 11, o Whitest Boy Alive no dia 30 de outubro, L’Imperatrice no dia 4 e a Tash no dia 5, todos estes últimos na Áudio. Só um nome ainda não anunciou sua vinda para o Brasil, justamente o principal nome deste evento – o Massive Attack. Ainda – pois tudo indica que eles estão mais próximos de falar sobre a vinda pra nossa área. Imagina…