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Lorde 2025: “Você me conheceu numa época estranha da minha vida”

“Você me conheceu numa época estranha da minha vida” – citando uma frase do Clube da Luta numa música que fala sobre a própria masculinidade, Lorde seguiu a construção de seu verão Virgin nesta quinta-feira, ao lançar, com alarde, o segundo single de seu próximo disco, “Man of the Year”, uma música ainda melhor que a ótima “What Was That”, que usou para abrir os trabalhos. Com produção de Jim-E Stack e cello gravado por Dev “Blood Orange” Hynes, ela escreveu o seguinte sobre a música nova em seu site: “Andar de bicicleta. Fumar. Nadar. Força nova em meus ombros. Sentir algo despertando. Primeiro tapar meu peito. Tanto medo de ser ele. A festa da GQ. Deitar no sofá branco com o microfone na mão e deixar rolar. Sol (…) O som do meu renascimento.” Além de lançar o single – junto com um belo clipe minimalista -, ela também revelou a ordem das faixas do novo álbum, que traz músicas com títulos como “Shapeshifter”, “Favourite Daughter”, “Current Affairs”, “GRWM”, “If She Could See Me Now” e “David”, entre outros. Veja o clipe e o nome das músicas abaixo:  

Letrux canta sua geração

E no mesmo fim de semana do C6 e da Virada Cultural, Letrux lançou seu novo show no Sesc Guarilhos. Em 20 Anos Alternativa ela visita artistas contemporâneos em versões bem particulares. Nesse vídeo que ela publicou em seu Insta (com imagens do @sillas.h), ela mostra algumas músicas deste repertório mágico, como “Deixe-se Acreditar” (do Mombojó), “Tempo de Pipa” (do Cícero), “Bubuia” (da Céu), “Homem Velho” (do Cidadão Instigado), “Moon” (do Thiago Pethit), “Telepata” (do +2), “Toda Bêbada Canta” (da Silvia Machete), “Alala” (do Cansei de Ser Sexy), “Cavalo” (do No Porn), além de outras da Karina Buhr, da Ava Rocha, do Metá Metá, da Anelis Assumpção, do Bruno Capinam, do Curumin, do Cérebro Eletrônico, entre outros. Ela segue com o show em turnê neste fim de semana, quando passa por nessa sexta por Curitiba (no Stage Garden), no sábado em Porto Alegre (no Opinião) com mais datas em São Paulo no Sesc Pompeia (dias 20 e 21 de junho) e no Rio no Circo Voador (dia 4 de julho).

Assista abaixo:  

Dua Lipa v češtině

E Dua Lipa passou pelo desafio tcheco ao cantar uma música local como tem feito em sua turnê, ao fazer duas datas na República Tcheca. Mas duas músicas diferentes seria um pouco demais até pra ela, por isso na segunda vez que ela cantou o hit “Na Ostří Nože”, da cantora local Ewa Farma, ela convidou a própria para dividir os vocais nesta noite.

Assista abaixo:  

Dimensão de sonho

Deslumbrante a apresentação Nunca Desi… que Desirée Marantes fez nesta terça-feira no Centro da Terra, quando antecipou seu primeiro disco solo Reparo, tocando-o ao vivo pela primeira vez no palco do teatro. Acompanhada da violoncelista Fer Koppe e da produtora e vocalista Alejandra Luciani, ela nos conduziu com seu violino a um sonho que misturava romantismo clássico com ambient music, disparando samples de piano e efeitos sem intervalos entre as faixas, deixando tudo fluir como uma mesma quase hora de transe musical, cerebral e sentimental, entrelaçando cordas com a voz celestial de Alejandra, tudo tornado ainda mais dramático e íntimo pela luz maravilhosa de Luíza Ventura, que contrapunha penumbras com grandes contrastes à medida que as três desbravavam novas searas sonoras. O disco sai no começo do mês que vem, mas ao ser transformado neste pequeno concerto ele ganha uma dimensão etérea e emotiva. Lindo demais.

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Desirée Marantes: Nunca Desi…

Enorme prazer de receber a grande Desirée Marantes como última atração musical de maio no Centro da Terra, quando comemora dez anos de volta à música no espetáculo Nunca Desi, em que ela antecipa seu próximo álbum, Reparo, uma viagem ambient que lançará em seu site na íntegra no dia 5 de junho, dia mundial do meio ambiente. Nesta terça-feira, ela também mostra um pouco de seu processo criativo, que mistura técnica, experimentação e improviso, tocando piano, violino, sintetizador e efeitos ao lado de Alejandra Luciani, que canta e dispara samplers e efeitos, e de Fer Koppe, que toca violoncelo. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Teenage Fanclub no Circo Voador!

Já que saímos de uma celebração de rock clássico disfarçada de encontro indie que foi o show do Wilco em São Paulo, que tal esse anúncio que o Teenage Fanclub vai tocar no Circo Voador em setembro? Não anunciaram quem vai abrir os shows, mas tem que ser os Cigarrettes (de novo!) e a PELVs, não tem nem conversa. Os ingressos já estão à venda neste link.

O fim da temporada zen-ambient

Barulhista encerrou lindamente sua temporada zen-ambient Com os Pés um Tanto Fora do Chão nesta segunda-feira, com a presença de Juliana Perdigão e Angélica Freitas, que o escoltaram em mais uma viagem rumo ao desconhecido com mediação feita por um timer eletrônico, que dividia as partes da noite arbitrariamente cortando a onda dos improvisos que faziam aos poucos. O dono da noite alternava de instrumentos, seja batucando na MPC ou num caixote de madeira ou puxando melodias ou grooves ao piano, enquanto Perdigão distorcia e soltava loops em seu clarinete e Angélica empolgava-se lendo trechos de seus livros, criando uma tensão que sempre ia crescendo até o último ato, quando viram a luz da noite esmaecer ao som da repetição de uma melodia ao piano enviada por Barulhista por WhatsApp para sua companheira e reproduzida pelo celular a partir da plateia, num pequeno resumo das experimentações destas segundas de maio. Foi demais!

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O indie come-quieto de Belo Horizonte

“Eu acho que BH, por não ser uma cidade tão imensa quanto São Paulo, acaba tendo uma convergência de público sempre em locais e contextos específicos”, explica Fernando Motta, um dos principais nomes da nova cena indie da capital mineira, que nos últimos dez anos tem passado por uma transformação considerável. “É uma cidade que não entra tão frequentemente na rota dos grandes shows, principalmente shows de rock, que obviamente não tem sido foco principal de grandes produtoras. Minha teoria é de que talvez isso ironicamente acabe fortalecendo os rolês independentes. Quem se interessa por rock uma hora ou outra se encontra.”

A teoria de Fernando, literalmente às vésperas de lançar um novo disco, Movimento Algum, nesta terça-feira, faz sentido – e o próprio disco é fruto disso, como prova na faixa “Elegia”, que gravou com outra atração de destaque da nova cena, a dupla Paira, que ele liberou para ser ouvida em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. E continua: “Há alguns anos isso acontecia nos shows n’A Obra, ou no Matriz, mas hoje temos um local surgindo com muita força, que é o Estúdio Central, onde a galera tem se juntado, montado bandas e inclusive gravado suas coisas com uma qualidade muito superior ao que a gente conseguia fazer há uns 10 anos, quando era tudo na raça.”

Da geração rock triste que estabeleceu-se na cidade antes da pandemia – da qual Fernando pertence – ao novo contexto pós-pandêmico que traz novos artistas como os próprios Paira e a artista Clara Bicho, há uma nova sonoridade pairando na cena mineira, que aos poucos reúne um novo público e faz a cena da cidade tornar-se cada vez mais presente, não só em termos locais como nacionais, fazendo valer a velha fama mineira de comer pelas beiradas, como se ninguém estivesse vendo – o famoso come-quieto. Motta conta como conheceu a conterrânea: “Eu já conhecia o Dedeco de rolês pré-pandemia e a gente até fazia parte de um grupo de estudos políticos juntos; enquanto a Clara era amiga de outros amigos e, por termos muita empatia e interesses em comum, acabamos virando grandes amigos depois da pandemia, quando as coisas voltaram a fervilhar com um público bem jovem colando muito nos shows”, continua. “A gente estava sempre juntos, fazendo karaokê, tocando muito Beatles e Clube da Esquina no violão”, ri ao fazer pouco do que é um clichê da sonoridade desta cena. “Clichês que podem trazer muita afinidade e ser de grande serventia, nsse contexto, vi a Paira se formar e começar a fazer as primeiras demos e por admirá-los e saber que eles curtiam muito meu som também, fiz essa música já pensando na participação deles, com a delicadeza da voz da Clara e com os ritmos que o Dedeco poderia somar.”

Ouça abaixo:  

Transe guiado pelo Wilco

Domingo teve mais Tim Fest…, digo, C6Fest, com uma programação que confirma o festival como o melhor realizado em São Paulo, embora algumas considerações devam ser feitas (mais sobre isso mais tarde). Minha programação mais uma vez passou batido pelo genérico Cat Burns, que embora não fosse insuportável como Stephen Sanchez no dia anterior, parecia uma trilha sonora de rádio FM que toca no taxi sendo tocada ao vivo, e fui correndo para a tenda menor para acompanhar o arrebatamento coletivo que foi o show do Last Dinner Party, que reuniu o público mais jovem do festival conduzindo-o para uma catarse ao redor de uma versão feminina de rock progressivo, com Stevie Knicks e Kate Bush como principais referências musicais e estéticas.

Não é a minha praia, mas não é difícil admirar a empolgação das minas do palco, guiadas pelo carisma transcendental e mágico da vocalista Abigail Morris, ela mesma condutora de um ritual de puro delírio e entrega, que teve até cover de Blondie (“Call Me”) e encerrou com o hit “Nothing Matters”. Bom demais!

Depois do Last Dinner Party, o Wilco realizou outro ritual de catarse coletiva, embora para um público mais velho, masculino, roqueiro e essencialmente zona oeste de São Paulo, o que fez mudar bastante o perfil do C6Fest em relação à noite de sábado, em que o público era majoritariamente faria limer. E como nas outras vindas da banda liderada por Jeff Tweedy ao país, o show foi mais uma missa ao redor da obra destes sobreviventes dos anos 90 que mantém sua majestade indie principalmente por conta de shows como o deste domingo, em que comprimiram o show que normalmente ultrapassa as duas horas num compacto de uma hora e meia feito sob medida para os fãs brasileiros. “Por que a gente não mora aqui?”, perguntou Tweedy sempre gente boa com o público daqui, agora velho conhecido. Com ênfase nos discos da virada do milênio (embora apenas uma do meu favorito Summerteeth, a atordoante “Via Chicago”), Yankee Hotel Foxtrot e A Ghost is Born, a apresentação passou por todas as fases da banda, inclusive várias de discos mais recentes. Mas claro que o foco ficam em clássicos que ganham outras dimensões ao vivo, como equilíbrio de sussurro e esporro de “At Least That’s What You Said”, o astral de “Heavy Metal Drummer”, o transe de “Spiders (Kidsmoke)”, o conforto de “Jesus Etc.” e “I’m the Man Who Loves You” e a delicadeza de “I Am Trying to Break Your Heart” – sentimentos todos sintetizados numa unanimidade entre o público e minha música favorita da banda (ainda que por motivos sentimentais tortos), “Impossible Germany”, em que o guitarrista Nels Cline, esse filho bastardo do Neil Young com o Andy Gill, nos presenteia com seu solo clássico de mais de seis minutos, com trecho cantado pelo público (cantando solos feito um show do Iron Maiden!) e a finaleira em que a dinâmica de guitarras à Television do grupo vai para a estratosfera. Que momento! Que show!

Depois da sublimação espiritual via guitarras do Wilco, foi a vez de Nile Rodgers encerrar o C6Fest deste ano em grande estilo, desfilando um rosário invejável de hits que incluem não apenas sucessos de sua banda original (“Le Freak”, “Everybody Dance”, “Dance Dance Dance” e “I Want Your Love”, todas fuziladas na primeira sequência) como que gravou ao lado de Diana Ross, Sister Sledge, Madonna, Duran Duran, Daft Punk, Beyoncé e David Bowie. A nova formação do Chic, que agora chama-se Nile Rodgers & Chic, conta com um time de músicos de cair o queixo, a começar pelas vocalistas Kimberly Davis e Audrey Martells, o impressionante baixista Jerry Barnes e o carismático baterista Ralph Rolle (que cantou “Let’s Dance” da batera!), estrelas de uma big band irrepreensível. No centro do bailão, Rodgers sabe puxar os holofotes para si de uma forma menos egoísta que um tradicional band leader e conta histórias enquanto rege a plateia e humilha na guitarra, mostrando como a munheca mole prima da de Jorge Ben conduz o ritmo funky sem dificuldade, sempre na manha, na maciota. E por mais que tocasse basicamente hits superlativos (quem esperava “Cuff It” seguida de duas do Daft Punk? Ou um minimedley de Madonna antes de “Modern Love”?), atingiu a unanimidade em momentos-chave, como quando tocou “Get Lucky” sem dar tempo do público respirar da música da Beyoncé, quando mostrou que “Lady (Hear Me Tonight)” do Modjo descendia de “Soup for One” do Chic ou quando puxou “Good Times” para encerrar a noite, não sem antes emendar ELE MESMO o vocal de “Rapper’s Delight”, o primeiro rap gravado na história. O telão dava um ar de festa de formatura ou de casamento, ainda mais quando celebrou a vida do eterno parceiro Bernard Edwards ao tocar “Thinking of You”, das Sisters Sledge, em homenagem ao amigo baixista, enquanto um power point de fotos ia passando no telão enorme do Auditório Ibirapuera. Lavou a alma de todos os presentes – e quem foi herói continuou a dançar no absurdo set do Marky, que veio em seguida…

E conversando com várias pessoas após o show do Nile Rodgers e ouvindo Marky – o melhor DJ do Brasil, sem dúvida – fazendo o pau comer numa pista delirando entre Prince e Donna Summer, havia quase um consenso sobre a escolha do festival de fazer sua noite mais dançante num domingo, em vez de aproveitar o groove pra noite de sábado render ainda mais – e deixar o Air pro domingo, pra todo mundo dormir flutuando… São pequenas decisões que acabam por ferir a reputação que o C6Fest vem consolidando como o melhor festival em São Paulo (ainda mais depois que o Primavera Sound não realizou sua edição por aqui no ano passado – será que vai ter esse ano?). Outras incluem a insistência num número exagerado de atrações por dia (algumas completamente insípidas, quando não insuportáveis, deixando artistas brasileiros no sovaco do evento), que faz muitos sacrificar algumas atrações caso queiram ver outras – seja por ser um show muito cedo ou por encavalar atrações umas com as outras desnecessariamente. O tempo que levava para se ir de um palco para o outro (justificável devido à eterna reforma da marquise do Ibirapuera) ou a insistência de deixar árvores no meio da visão das pessoas que foram assistir a um show no palco menor ainda são problemas a serem contornados. Mas o principal defeito do festival é um que tem atacado o estilo de vida em São Paulo como um todo: o preço. Não bastasse ser bancado por um banco, o festival faz questão de esfregar na cara que não é pra qualquer um, seja com preços absurdos mesmo nos primeiros lotes, seja no preço dos itens dentro do lugar, como se usasse a arte e a música – e o velho papo furado do bom gosto – para separar as pessoas em duas castas: as que compram ingressos sem ver o preço e as que penam para juntar dinheiro pra ver seus artistas favoritos, quando conseguem. Algo ainda mais gritante quando o evento coincidiu com a Virada Cultural de São Paulo, com shows gratuitos em espaços públicos. Seria interessante se o festival pudesse ser mais inclusivo para não se tornar apenas um nicho para endinheirados, como parecia ser o público da primeira noite – gente, como de praxe, não está nem aí pra música, nem pra nada, a não ser para dizer que estava lá. Vamos lá C6Fest, não é porque o festival é bom que não pode melhorar…

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Dua Lipa en français

E mais uma vez Dua Lipa passou pela França, desta vez em dois shows em Paris, quando cantou hits franceses no idioma local, como tem feito em todos os shows de sua turnê deste ano. E se nos shows anteriores, que fez perto de Lyon, ela cantou Daft Punk e Indila, desta vez nas duas datas em Paris ela foi ainda mais séria no tema, ao puxar na sexta-feira o hit da diva Alizée “Moi… Lolita” e depois no sábado o hit de outra diva, Vanessa Paradis, “Be My Baby”, que apesar do título em inglês é cantada na língua local. A próxima parada é mais tensa, pois ela fará dois shows… na República Tcheca! Assista às versões em francês abaixo: