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A trilha sonora da história de origem de Bob Dylan

Mais uma vez Bob Dylan mergulha em seu passado e sincroniza um volume de sua extensa Bootleg Series – em que oficializa gravações piratas em coletâneas com vários discos – com um filme lançado sobre um período de sua carreira. A primeira vez foi há dez anos, quando transformou o sétimo volume da série na trilha sonora do documentário que Scorsese dirigiu sobre sua fase elétrica, No Direction Home. Agora ele aproveita o sucesso do cinebiografia Um Completo Desconhecido para lançar a coletânea que mais volta no tempo em sua própria história, ao anunciar a caixa Bootleg Series Volume 18: Through The Open Window, 1956-1963, que reúne gravações do tempo em que ainda era um adolescente roqueiro em Minnesota até se tornar o farol da cena folk de Nova York no início dos anos 60. A nova seleção chega para público no mês que vem (já em pré-venda, claro) e reúne 139 faixas, sendo que 48 delas nunca foram lançadas, incluindo a íntegra da apresentação que Dylan fez no Carnegie Hall nova-iorquino no dia 26 de outubro de 1963. Dividida em três versões – uma com oito CDs e duas com os melhores momentos da caixa principal, que vem ou como CD duplo ou caixa com quatro LPs -, a nova compilação traz gravações caseiras, apresentações em pequenas casas de shows, jam sessions e versões prematuras de alguns de seus maiores clássicos, além de um livro com 125 páginas que traz um ensaio escrito pelo historiador e crítico Sean Wilentz e fotos raras. Para anunciar o novo lançamento, ele antecipa a música “Rocks And Gravel (Solid Road)”, que ficou de fora de seu segundo disco, Freewheelin’ Bob Dylan. Abaixo você confere como ficaram as duas caixas, todas as músicas escolhidas e a íntegra da nova canção:  

Olha o Xx no aquecimento….

A primeira notícia oficial sobre a volta do Xx marcou sua volta aos palcos para o festival de Coachella do ano que vem, mas o grupo postou há pouco trechos em vídeo mostrando seus três integrantes no estúdio, avisando que estão voltando a pegar seus instrumentos e perguntando quem irá vê-los no deserto – californiano, no caso. Mas isso não quer dizer que sua volta oficial acontecerá apenas em abril do ano que vem, muito menos o quarto disco que vêm atiçando desde 2024… Será que sai em breve?

Assista abaixo:  

Dos tempos da pandemia

Se tecnicamente ainda não saímos do período pandêmico, que dizer mentalmente? A arte mais uma vez mostra que não estamos 100% resolvidos em relação a esse período nefasto que atravessamos e cada vez mais obras vêm rever essa fase com uma certa distância no olhar. Uma delas é o EP que Thiago França lança nesta quinta-feira ao lado de Marcelo Cabral. Samples & Naipes, como seu título entrega, é composto de partes de músicas que Thiago gravou durante a quarentena interminável e decidiu compartilhar com o compadre baixista, que usou seu viés produtor para picotar as músicas e recriá-las incluindo até gravações do saxofonista em outros contextos. “Durante a pandemia, quando eu me dei conta de que a coisa ia longe eu me dediquei a ficar gravando coisas em casa, como exercício, pra não ficar parado sem criar nada”, França começa a lembrar, “e uma das empreitadas foi esse EP, que eu comecei regravando músicas minhas, já que tava sem idéia pra compor, entreguei pro Cabral e dei carta branca pra ele, já mirando nas coisas que ele fez no Naunym, disco eletrônico dele.” “Quando ele me convidou comemorei porque podia voltar a criar, que é a coisa que a gente mais sentia falta e comecei a picotar sax, respiração, o som dos dedos batucando nas chaves, com o ouvido atento à cada coisa, não só ao tema, mas quebrando a cabeça pra onde poderia ir, sem precisar respeitar nada, métrica, sampleei coisas dos outros discos dele, tem um monte de Thiago aí”, continua Cabral, falando que jogou muitas coisas da máquina de sampler, inclusive coisas do Marginals, grupo de free jazz que ele tinha com o Thiago. “Eu e o Cabral tocamos junto há muito tempo, então mesmo remotamente tem muito entrosamento e muita confiança um no outro também, e por mais que eu desejasse essa estética mais eletrônica, super produzida, não queria perder orgânico, o ‘tocado’, e eu sabia que ele ia entender isso sem precisar explicar.” Entre as faixas do EP estão a faixa título do disco RAN da Space Charanga, “Nostalgia Perus” do disco que Thiago fez em homenagem ao clássico livro Malagueta, Perus e Bacanaço de João Antonio, “Pedra do Rei” que ele gravou com sua Espetacular Charanga do França e a clássica “Angolana”, do Metá Metá, que ele antecipou em primeira mão para o Trabalho Sujo. Ouça abaixo:  

Luiza Brina no Tiny Desk!

Olha a Luiza Brina no Tiny Desk! Mas não confunda com o Tiny Desk Brasil, que ainda não anunciou sua data de estreia, embora já esteja gravando sua primeira temporada por aqui. A aparição da cantora mineira na versão original do programa da NPR foi gravada no fim do primeiro semestre deste ano, quando ela fez uma pequena turnê pelos EUA, e a exibição de desta participação coincidiu em ser após o anúncio da versão brasileira do Tiny Desk no país. Brina foca sua apresentação em seu disco do ano passado, Prece, quando apresenta cinco de suas orações acompanhada da mesma banda que faz seu show: Lucas Ferrari (teclados), Kastrup (bateria e percussão), Patrícia Garcia (oboé) e Ester Muniz (fagote). Lembro quando ela ainda estava finalizando o disco, gravado com orquestra, na época da temporada que fez em março do ano passado no Centro da Terra, tocando estas músicas ao vivo pela primeira vez, e é tão bom vê-la alçando voos ainda mais altos com estas mesmas canções – e estendendo a bandeira de Minas Gerais pra todos verem. Voa Luíza!

Assista aqui:  

Coachella 2023 reflete a crise política atual dos EUA

O Coachella anunciou sua escalação para a edição do ano que vem e o que foi apresentado é um bom retrato do estado do pop atual equilibrado com a expectativa de que os Estados Unidos se tornem uma autocracia em pouco tempo. Ao mesmo tempo em que traz nomes instigantes e relevantes como Wet Leg, Ethel Cain, Turnstile, Oklou, Addison Rae, Pink Pantheress e o inusitado encontro inédito do Nine Inch Nails com o Boys Noize, batizado de Nine Inch Noize, o evento prefere jogar no seguro, trazendo as três principais atrações vindo direto da música pop mais comercial feita hoje – Sabrina Carpenter, Justin Bieber e Karol G -, nomes estabelecidos do rock alternativo (desde as voltas do Xx e do Rapture, passando pelos Strokes, Devo, David Byrne, Foster the People e outros), um monte de DJs, bandas de hardcore, nada de country e pouco de rap. Mas um bom termômetro para a escalação do ano que vem é a tentativa de mostrar que é possível ser multilateralista na Trumplândia, mas só pela escolha brasileira – tanto nome do Brasil pra levar e eles vão de Luísa Sonza? – fica a impressão de nomes colocados mais pra fazer número do que por sua importância artística. Fora essa estreia no bunker (seja lá o que isso queira dizer) do Kid A Mnesia do Radiohead. Será um show da banda dedicado aos dois discos ou uma espécie de instalação ou performance? Acho mais provável a segunda opção, mas vamos ver…

Dua Lipa ♥ Donna Summer, Outkast e TLC

Tão acompanhando a turnê da Dua Lipa pelos EUA? Ela segue homenageando cada cidade que passa, cantando músicas de artistas locais a cada novo show. E se no primeiro show que fez em Boston celebrou o Aerosmith, no segundo ela foi na veia da disco music puxando o clássico “Bad Girls”, da Donna Summer. Depois, passou por Atlanta e, em cada um dos dois shows que fez na cidade, saudou primeiro a dupla Outkast (cantando a inevitável “Hey Ya”) e depois o célebre trio TLC (com a imortal “No Scrubs”). E agora ela tem quatro datas em Nova York, vamos ver…

Assista abaixo:  

Satélite ao espaço

Munido apenas de sua guitarra e alguns synths, Fabio Golfetti nos conduziu às suas viagens sonoras – que expandem e retraem – nesta terça-feira no Centro da Terra, quando apresentou seu espetáculo solo Música Planante pela primeira vez – e sozinho no palco, diferente do que tem pensado para seguir em frente, quando tocará as mesmas músicas que mostrou com a banda que gravou seu único disco solo, lançado em 2022, chamado Songs and Visions. Além das canções deste disco, também passeou por composições solo que remontam aos anos 90 (quando ainda apresentava-se como Invisible Opera, mesmo tocando sozinho), sua onipresente versão para “Tomorrow Never Knows” dos Beatles e músicas dos grupos em que hoje toca, como o Gong e seu Violeta de Outono, de quem tocou “Declínio de Maio” somente com voz e guitarra, para emendar com a clássica instrumental “Telstar”, surf music britânica que o pioneiro eletrônico Joe Meek compôs para festejar o lançamento do primeiro satélite britânico ao espaço (que batizou a canção), no início dos anos 60. Uma viagem…

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Fabio Golfetti: Música Planante

Um prazer receber nesta terça-feira no palco do Centro da Terra, um dos principais nomes do rock progressivo brasileiro, o guitarrista Fabio Golfetti. Mais conhecido por seu trabalho no grupo psicodélico paulistano Violeta de Outono ou como atual guitarrista do grupo inglês Gong, ele há anos cria e toca obras sozinho com seu instrumento, indo para além do formato canção, explorando texturas atmosféricas num espetáculo intimista que apresenta pela primeira vez com o título de Música Planante. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.

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Robert Redford (1936-2025)

Um dos maiores nomes da história do cinema norte-americano, Robert Redford, que morreu nesta terça-feira, também é uma de suas maiores trajetórias – que começa como ídolo juvenil, torna-se um dos maiores nomes do cinema comercial, depois autor, alicerce do cinema independente (ele que criou o festival de Sundance) e ativista político. Isso sem contar uma filmografia invejável, tanto como ator quanto como diretor.

A literalidade bate

Terceira segunda-feira da temporada que João Barisbe está fazendo este mês no Centro da Terra e desta vez seu Turismo Inventado nos conduziu às mesmas canções que apresentou nas duas outras noites – quando foi acompanhado primeiro de sopros e depois por cordas – desta vez puxando o naipe de percussão. E assim, acompanhado de Charles Tixier na bateria, Beto Angerosa nas percussões, Pedro Abujamra no piano e Arthur Decloedt no contrabaixo acústico, João, com seu sax, guiou uma noite de ritmo e pé no chão que quase sempre partia do jazz funk para novos lugares musicais que explorava à entrada ou solo de cada músico no palco. Além destes, João pode contar com dois vocalistas – que também tocaram guitarra em suas participações -, que, mais que conduzir canções, soltaram palavras e textos que, musicados, tornavam-se canções, mas que habitavam mais a prosa poética do que letras de música. Primeiro veio Pedro Pastoriz, conjecturando sobre conexões feitas entre pessoas na terra e no céu (literalmente, a partir de aviões), seguido mais tarde por Sophia Chablau, cuja poesia cantada nos levava a cidades reinventadas em suas rotinas, até finalmente concluir a terceira noite destas apresentações com a épica “Cometa Javali”, que veio pela segunda vez com letra e, como as outras incursões vocais da apresentação, nos induzia à literalidade das descrições para mais uma vez nos soltar no abismo de imaginação e possibilidade, amarrando tudo para a próxima segunda-feira, última noite da temporada, quando o maestro reúne os naipes que trouxe nas primeiras noites em sua própria pequena orquestra. Vai ser imperdível.

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