Num transe circular contínuo
A cada nova pedalada a Bike adentra numa espiral de groove hipnótico e repetição que transforma cada novo disco em uma imersão em mantras psicodélicos sempre mais herméticos e crípticos, segredos musicais revelados a partir das chaves melódicas que alicerçam suas músicas, sejam elas riffs, grooves, linhas de baixo, refrães, sempre trabalhando no território estruturado da canção. Mas o salto dado pelo grupo no que deverá ser seu sexto álbum extrapola justamente este limite e foi isso que o quarteto paulista apresentou nesta terça-feira, no Centro da Terra, num espetáculo batizado de Noise Meditations que, como revelou o grupo ao final do show, será também o nome do próximo disco. E a característica deste novo conjunto de músicas é que a Bike deixa para trás o circuito fechado das canções, preferindo reforçar a natureza circular de seus temas em faixas extensas e etéreas, que misturam tanto os timbres do noise e dreampop com um niilismo drone e uma placidez ambient, que transmuta sua psicodelia, erguendo icebergs de som. A nova formação do grupo inclui o guitarrista do Applegate, Gil Mosolino, assumindo o baixo da banda, enquanto as guitarras e vocais de Julito Cavalcante e Diego Xavier se entrelaçam cantando letras em loop, enquanto o baterista Daniel Fumega expande sua área de atuação para além do ritmo do rock psicodélico, acrescentando elementos com o motorik kraut e um groove latino que transmuta a sonoridade da banda para uma estratosfera sonora nunca experimentada pelo grupo, sempre conectando os temas uns aos outros, sem espaço para intervalos ou conversa com o público. Uma ousadia recompensada no palco.
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