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O disco perdido de Neil Young

Mesmo com disco clássico atrás de disco clássico em sua década de ouro, os anos 70, Neil Young produzia tanto que deixou vários registros pelo caminho, que vem desenterrando sem pressa. Agora é a vez de voltarmos ao Chrome Dreams que seria lançado em 1977 e reúne algumas das grandes canções do mestre canadense, lançadas posteriormente em diferentes versões em vários discos nos anos seguintes. São doze faixas compostas e gravadas entre 1974 e 1976 que finalmente verão a luz do dia em suas versões originais em agosto (o disco já está em pré-venda). “Powderfinger” vem em sua primeira versão, gravada por Young sozinho, “Pocahontas” é a mesma do disco Rust Never Sleeps só que sem alguns instrumentos gravados posteriormente, “Stringman” só havia aparecido em versões ao vivo, “Like a Hurricane” vem em sua primeira versão, como “Homegrown” (que batizaria outro disco perdido de Young, lançado em 2020, que também trouxe outra versão para “Star of Bethlehem”), “Too Far Gone” só apareceria no final dos anos 80 (no clássico Freedom) e “Hold Back the Tears” e “Sedan Delivery” (ouça a nova versão abaixo) que tem letras diferentes que nunca foram lançadas e por aí vai. E não custa lembrar que o velho voltou a fazer shows esse mês

Ouça a versão original de “Powderfinger”, veja a capa do disco e o nome das músicas abaixo:  

Neil Young lembra-se de David Crosby

“David se foi, mas sua música segue viva. A alma do CSNY, a voz e a energia de David estavam no coração da nossa banda”, escreveu Neil Young em seu site após a passagem de seu companheiro de aventuras na virada dos anos 60 para os 70. Crosby e Young estavam no cerne de uma cena hoje reverenciada como um dos grandes momentos da música do século passado – o encontro humano que aconteceu no bairro de Laurel Canyon à medida em que a Califórnia se transformava em um acontecimento pop tão importante quanto a Londres do meio daquela década. A meca de malucos que migrou para aquele bairro de Los Angeles reunia artistas tão diferentes quanto Frank Zappa, The Mamas & The Papas, os Doors e Joni Mitchell e as as bandas destes dois artistas – o Buffalo Springfield de Young e os Byrds de Crosby – estavam exatamente no meio das transformações culturais daquele período. O fim destas duas bandas os aproximou ainda mais quando montaram um dos primeiros supergrupos da história, o mitológico Crosby Stills Nash & Young, que reunia os dois a um outro ex-Buffalo Springfield, Stephen Stills, e outro ex-integrante do Hollies, Graham Nash, que se tornou uma força-motriz do cancioneiro californiano da época.

“Suas grandes canções falavam do que acreditávamos e era sempre divertido e emocionante quando tocávamos juntos”, continua Young no post em seu site. “‘Almost Cut My Hair’, ‘Dejavu’ e tantas outras grandes canções que ele escreveu eram maravilhosas para improvisar e eu e Stills nos divertíamos muito enquanto ele nos mantinha tocando. Seu canto com Graham era tão memorável que o duo deles era sempre um dos destaques de muitos de nossos shows.”

“Tivemos tantos momentos ótimos, especialmente nos primeiros anos. Crosby foi um amigo que me apoiou muito no início da minha vida, quando compartilhamos grandes pedaços de nossa experiência juntos. Ele foi o catalisador de muitas coisas.”

“Meu coração está com Jan e Django, sua esposa e filho. Muito amor para você. Obrigado David por seu espírito e canções. Te amo cara. Lembro-me dos melhores momentos!”

Bonito.

Clássicos internacionais de 1972 – Parte 2

Dando continuidade à série que inaugurei nesta sexta-feira no site da CNN Brasil, sigo falando de discos lançados há meio século que seguem importantes até hoje. 1972 foi o ano do disco mais bem-sucedido do Neil Young, do primeiro disco da dupla alemã Neu!, da sombria obra-prima de Nick Drake, do disco mais ousado de Miles Davis, do disco solo mais memorável de Lou Reed, da volta por cima de Ornette Coleman e do momento em que o Genesis torna-se uma brincadeira séria.  

Aparelho: O case Miro

Em mais uma reunião semanal do jornalismo-fumaça, chamo Vladimir Cunha e Emerson “Tomate” Gasperin para discutir a saída de Neil Young – o melhor ser humano vivo atualmente? – do Spotify e como isso se desdobra para o resto da cultura como um todo. Mas aproveitamos para falar sobre Starbucks no Brasil, produtos importados nos anos 80, os pintinhos pisados pelo KISS, aulas de baixo de reggae, a malhação do Judas no impeachment do Collor, Cansei de Ser Sexy no Glastonbury, tretas com o clube dos colecionadores de MSX, contratos assinados com sangue, um caixão pra ser destruído, a pronúncia original do latim, a música nova da Anitta, a escala Búzios, a quinta geração do rock, o arquivo da internet, o novo Fausto Silva, como só Rod Stewart, o disco soviético do Iron e, claro, NFT, além do Tomate ameaçar queimar pólvora no programa.

Assista aqui.  

Sete minutos de “Powderfinger” elétrica

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Neil Young começa a mostrar as joias do segundo volume de sua caixa Archives e acaba de revelar essa versão elétrica com sete minutos de “Powderfinger” gravada logo que Frank “Poncho” Sampedro assumiu o posto de segundo guitarrista do Crazy Horse, após a morte do dono original do cargo, o fiel escudeiro de Young Danny Whitten, de overdose de heroína. Uma canção sobre a chegada da maturidade junto com a morte tem um peso redobrado ao ser lançada em 2020, ano em que Young tornou ainda mais aguda sua verve política, numa versão registrada em 1975, portanto três anos antes de ser apresentada ao resto do mundo no imortal Rust Never Sleeps. Que paulada!

Antes disso, ele já havia mostrado a balada country “Homefires”, gravada em 1974 em seu rancho Broken Arrow…

…e “Wonderin'”, que ele gravou na época do After the Gold Rush em 1970 (que, por sua vez, ganhará uma edição especial em dezembro, em comemoração aos seus 50 anos), mas que só lançaria em 1983, no infame Everybody’s Rockin’, numa versão rockabilly gravada ao lado do grupo vocal Shocking Pinks:

E ainda tem o vídeo mostrando a caixa por dentro:

Mata o velho! A segunda Archives sairá no próximo dia 20 e já pode ser encomendada online.