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Loki

Que beleza o show que Rubinho Jacobina fez no Centro da Terra nesta terça-feira, desfilando seu repertório balançado com dois compadres de longa data, cuja química musical vem de tempos imemoriais: quando Gustavo Benjão assumiu o baixo e Marcelo Callado a bateria, metade do quarteto Do Amor tornou-se base para o show do compositor carioca, que não teve dificuldade para se soltar. Seu suíngue irrefreável conduzia a apresentação sempre cima e para a frente, mesmos nos momentos mais delicados, quando, por exemplo, convidou Iara Rennó para sua participação a partir da música que compuseram juntos para seu disco mais recente, Amor Universal, a hipnótica e triste “É Demais”. Mas logo o show partiu literalmente para memórias de outros carnavais e os quatro dispararam marchinhas modernas de um carnaval do século 21 com tempero do século passado, numa noite muito astral.

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Parceiros de longa data, a Bike fecha sua parceria com o boogarin Benke Ferraz em mais um remix de seu Arte Bruta, lançado no início do ano. “Filha do Vento/Clara-Luz” será lançado nesta quarta-feira e conta com a participação de outro compadre da banda, o pernambucano Tagore, que canta na nova versão, que você pode ouvir em primeira mão aqui no Trabalho Sujo.

Desde o dia em que convidei Sandra Coutinho para fazer a temporada no Centro da Terra ela comentava, mesmo antes de confirmar se conseguiria conciliar sua agenda com a proposta, que uma das noites tinha de ser dedicada ao que ela chamava de “lado B das Mercenárias”: todo um repertório do clássico grupo de pós-punk que moldou parte da cena paulistana dos anos 80 que nunca tinha sido gravado de verdade, sendo tocado apenas em shows e circulando em gravações domésticas não-oficiais. Depois que confirmou sua temporada para este mês de agosto, ela deixou essa data como sua última participação e em vez de simplesmente trazer a atual formação da banda – com ela no baixo, Sílvia Tape na guitarra e Pitchu Ferraz na bateria – resolveu convidar reforços de peso para essa noite histórica. Além do único integrante do sexo masculino nas décadas de carreira da banda, Edgard Scandurra (que foi baterista da primeira formação da banda, mas que nesse show tocou guitarra), ela também reuniu um coro da pesada – Bibiana Graeff, Amanda Rocha e Mayla Goerisch – que assumiu vocais de canções que, mesmo com quase quarenta anos de idade, ainda soam atuais. Foi a coração de uma temporada que nasceu clássica – agora vamos ver se essas músicas inéditas finalmente podem ser registradas!

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(Foto: Fausto Chermont/Divulgação)

Nesta quinta-feira o grupo Garotas Suecas finalmente mostra seu recém-lançado quarto álbum, 1 2 3 4, ao vivo no palco do auditório do Sesc Vila Mariana. Acompanho o grupo desde antes de eles terem lançado seu primeiro disco – e lá vão quase vinte anos vendo a banda abrir caminhos pelo underground brasileiro ao mesmo tempo em que faziam pontes no exterior. Mas desde que venho trabalhando como curador me tornei mais próximo dos integrantes da banda, fizemos shows e uma temporada no Centro da Terra juntos ao mesmo tempo em que pude acompanhar diferentes estágios do processo criativo do grupo, especificamente o disco que compuseram durante a pandemia. E conversando sobre os rumos do disco, começamos a trabalhar juntos – e além de ter assinado o release do disco novo da banda também fui convidado para dirigir o novo show do grupo, que estreia nesta quinta. Foi um jeito de conhecer melhor Tomaz, Nico, Irina e Perdido, que mostram esse disco que reflete os anos de trevas que atravessamos recentemente. A apresentação começa às 20h e chegando em cima da hora sempre dá pra conseguir uns ingressos.

Universos colidem nesta quinta-feira em mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo no Picles. A banda da vez é o trio Xepa Sounds, liderado por Thiago França e ancorado pela percussão de Pimpa e Samba Sam em uma noite de delírio pop que vai da dance music à pagodeira, só no beat e sax – e como essa edição vai pegar fogo, melhor garantir seu ingresso antes da hora pra não correr o risco de ficar de fora. Depois assumo a discotecagem até o fim da madrugada e quem me acompanha é esta que você já deve ter sonhado com ela sem saber de seu nome: Bamboloki, que traz o puro suco dos anos 2000 para a pista de dança. O Picles fica no coração de Pinheiros – enquanto ele ainda tem um – no número 1838 da Cardeal Arcoverde e se deixar o Thiago começa a tocar na hora que abre, às oito da noite. Vem!

Maior prazer em realizar a reunião do grupo carioca Do Amor nesta terça-feira, no Centro da Terra. Sem se encontrar pessoalmente desde antes da pandemia, o clássico grupo independente formado por Gabriel “Bubu” Mayall (guitarra e voz), Gustavo Benjão (guitarra e voz), Ricardo Dias Gomes (baixo e voz) e Marcelo Callado (bateria e voz) sobem juntos no palco pela primeira vez desde 2019, quando mostram tanto músicas de seu recém-lançado disco quanto canções de seus mais de 15 anos de carreira. O espetáculo Problemão Do Amor começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link

Lenda-viva do underground carioca, Tantão já teria seu lugar na história da música brasileira ao fazer parte do clássico Black Future, com quem compôs a obra-prima Eu Sou o Rio. Autor inquieto, sempre esteve à frente de várias iniciativas dentro do campo da arte e atualmente toca sua carreira musical ao lado da dupla Os Fitas, composta por Abel Pinto Duarte e Cainã Bomílcar (a Mari, do selo QTV, explica melhor a importância do cara neste fio no Twitter). Este herói sofreu um AVC no meio do semestre passado e está precisando de ajuda, por isso a Jô criou uma vaquinha online para arrecadar fundos para o Tantão. Ela explica no site em que está organizando a arrecadação: “Tantão teve um AVC em maio, que só foi diagnosticado em junho, e ainda assim este diagnóstico não está totalmente fechado. Pra isso, precisamos de consultas, exames e o que vier pela frente: fisioterapia, fono e remédios. Começamos a fazer um orçamento desse B.O.zão, mas como realmente não temos esse número fechado, colocamos um valor considerável e vamos atualizando os gastos por aqui.” Quem puder ajudar, siga o link e mande suas boas energias para o mestre.

Entre extremos

Mais uma noite no Centro da Terra dentro da temperada Linha do Tempo Contínuo que Sandra Coutinho está conduzindo às segundas de agosto lá no teatro – e desta vez ela puxou dois extremos de sua carreira. Na primeira parte, juntou-se a Paula Rebellato (teclados, efeitos e voz) e Mari Crestani (guitarra e sax) para meia hora de improviso livre, uma de suas viagens atuais. Depois foi a vez de recriar o manifesto pós-punk new wave new age AKT, supergrupo liderado por Sandra no início dos anos 90, cujo repertório foi recriado por Bibiana Graeff (teclados, acordeão e vocais), Silvia Tape (guitarra e vocais) e Rodrigo Saldanha (bateria), num exercício pouco nostálgico cuja química da nova formação pede por novas composições. E na segunda que vem Sandra encerra a temporada puxando o lado B das Mercenárias! Imperdível!

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O grupo King Crimson acaba de anunciar uma edição de aniversário para um de seus maiores clássicos, Larks Tongues In Aspic, lançado no início de 1973, que virá a público no próximo dia 13 de outubro. O álbum marcou mais uma mutação na banda dirigida pelo guitarrista Robert Fripp, a terceira, quando recriou o grupo de dispensar Mel Collins, Boz Burrell e Ian Wallace (coautores do soberbo Islands) e convocar o baterista do Yes Bill Bruford, o ex-baixista da Family John Wetton, o violinista e tecladista David Cross e o percussionista Jamie Muir. Na nova formação, o grupo (louvado hoje por Fripp como “a versão mais King Crimson do King Crimson, uma banda mágica!”) começou a explorar novos limites de sua musicalidade, entre as fronteiras do jazz rock, música erudita do leste europeu e improviso livre (chegando a um horizonte de ruído que o metal só atingiria na década seguinte), consolidando-se como a banda mais ímpar do rock progressivo.

A nova edição do disco, já em pré-venda no site da banda, reúne em dois CDs e dois Blurays tudo que já foi reunido nas outras edições de aniversário do disco, além de novas mixes feitos neste ano em Dolby Atmos, DTS-HD MA 5.1 Surround Sound e Estéreo em Alta Resolução, todos feitos por Steven Wilson e outros feitos por David Singleton, que mixou todas as sessões de gravação do disco, além do áudio-documentário Keep That One, Nick, feito para a edição de 30 anos do disco. A nova edição também vem em vinil duplo, ambas versões em capa dupla, com encarte escrito pelo biógrafo da banda, Sid Smith. Coisa fina.

E não é só a capa: Ana Frango Elétrico começa a mostrar seu terceiro disco com a groovezeira “Electric Fish”, que lançou de surpresa no início desta quarta-feira. Primeira música de Me Chama de Gato Que Eu Sou Sua a vir a público aos poucos revela a nova personalidade musical de sua autora ao reunir cobras como Sérgio Machado, Alberto Continentino e Guilherme Lírio, entre outros, em sua banda-base, o que dá um outro patamar ao novo degrau na carreira da carioca.

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