
(Foto: Sebastina Scauvet/Divulgação)
“‘Canhoto de pé’, diz a mística do futebol, que são os jogadores mais habilidosos, de dribles desconcertantes, enigmáticos”, explica Thiago França sobre o título de seu quinto disco solo, que lança nessa próxima sexta-feira. Quase todo instrumental, o disco foi iniciado em plena pandemia e conta com participações de Juçara Marçal (que canta a única letra do disco, numa versão tocante para “Dor Elegante”, de Itamar Assumpção), dos comparsas que fecham seu trio (Marcelo Cabral e Welington “Pimpa” Moreira) e de dois integrantes do grupo Aguidavi do Jêje. Ele segue explicando o título do disco a partir das escalas que usou na gravação. “Daí a viagem: essa música usa uma escala próxima ao blues, que tem a terça maior e a menor e fica variando entre elas, driblando e enganado o ouvido. Acho que nesse disco eu tô tocando dum jeito mais ‘habilidoso’, diferente do Sambanzo e até do MetaL MetaL, onde tudo soa bem forte, explosivo. O fato de eu ser canhoto de pé não influencia nem ajuda em absolutamente nada meu jeito de tocar, e no meu caso, também não me ajudou nada com a bola”, brinca.
O disco, cujo show de lançamento acontece no dia 4 de setembro, no Sesc Pinheiros, surgiu durante o período pandêmico e, segundo o saxofonista mineiro “foi o disco menos planejado que já fiz”. “Ele foi acontecendo lentamente, ao contrário do que eu sempre faço, que é pegar uma idéia e desenvolvê-la ao redor de uma banda fechada que vai tocar tudo”, continua, fazendo referência aos processos tanto a seus projetos coletivos, como o Metá Metá, a Charanga do França, a Space Charanga, os Marginals e o Sambanzo, como a seus outros discos solo. “Eu tava fazendo backup dos arquivos do Logic ouvindo coisas que ficaram de fora do Bodiado (de 2021) e achei que tinha assunto ali pra continuar trabalhando”, contando que começou pelas faixas “Download de Paranóia” (cujo título surgiu num papo com André Abujamra), “Cabecinha no Ombro” (o clássico acalanto de Paulo Borges, gravada com quatro saxes, gravada no aniversário de seu avô) e “Ajuntó de Xangô”, que caíram fora de Bodiado por diferentes motivos e ressurgiram neste disco novo. “Eu não queria repetir a fórmula do disco anterior e elas ficaram guardadas, a vida foi seguindo, pandemia acabando, eleição de 22 que foi aquele caos…”
Leia mais abaixo: Continue

Vamos ouvir umas bandas brasileiras novas?
Ouça abaixo: Continue

Outro monstro sagrado que acaba de gravar um Tiny Desk Concert foi o grupo norte-americano de new wave Devo. Paladinos da de-evolução, o grupo norte-americano dos irmãos Mark e Bob Mothersbaugh e de Gerald Casale divertiu-se no estúdio de gravação da emissora NPR e escolheu um repertório não apenas alheio aos hits de sempre, como focado em músicas menos lembradas de seus discos clássicos, em versões fidelíssimas. Abriram a apresentação com uma tradicional música folk do início do século 20 que o grupo havia gravado no filme Human Highway, que Neil Young dirigiu em 1982 e depois passaram por “Blockhead”, do disco de 1979 Duty Now for the Future, e por “Praying Hands” “Come Back Jonee”, ambas do disco de estreia do grupo Q: Are We Not Men? A: We Are Devo! de 1978. A banda está afiadíssima e os vocais de Mark estão perfeitos!
Assista abaixo: Continue

E o quinteto baiano Tangolo Mangos começou nessa sexta-feira, no MIS de São Paulo, uma longa turnê que passa pelo sul, sudeste e centro-oeste do Brasil em quatorze shows em menos de um mês, azeitando ainda mais o showzaço que vêm apresentando desde o começo do ano. E é impressionante como crescem no palco – as canções de seu disco de estreia, Garatujas, lançado no fim do ano passado, ganha uma energia e vitalidade que não estão no disco, elevando a mescla de rock psicodélico e música nordestina (que se cruzam naquele lugar quaaaase prog, mas sem perder o pique pop) a um patamar que mistura solos e riffs precisos, mudanças de tempo ousadas, performance corporal, muita microfonia (inclusive inusitada, quando o pedal wah-wah do vocalista Felipe Vaqueiro resolveu não desligar mais, do meio do show em diante) e uma química cada vez mais intensa entre seus integrantes, que sequer precisam se olhar para passar de uma música pra outra ou trocar o clima no meio das canções. E além das músicas do primeiro disco eles já trabalham várias músicas novas, que o público já conhece de outros shows e gravações não-oficiais. O show no MIS ainda teve a cereja de ter o som feito pela Alejandra Luciani, deixando todos os instrumentos cristalinos sem perder o volume do barulho que fazem no palco. Voa, Tangolos!
Assista abaixo: Continue

Quinta foi dia de visitar a Porta pra ver show de duas bandas em diferentes estágios, mas na mesma frequência. Tanto a nova versão do Retrato quanto os primeiros passos do banda nova do Otto Dardenne passeiam por caminhos distintos do casamento entre melodia e microfonia, mas a jornada dupla fez sentido para quem pode passar na casa da Vila Madelena. A noite começou com a ex-dupla Retrato (que agora é um quinteto) preparando-se para sua primeira turnê na região sul do país. O grupo formado pela dupla Ana Zumpano (bateria e vocais) e Beeau Gomez (guitarra e vocais) juntou-se em definitivo com a dupla Antiprisma (o casal Elisa Moreira na guitarra e Victor José no baixo) e a John Di Lallo (sintetizadores e efeitos) deixando seu som mais volumoso e, justamente por isso, hipnótico, misturando levadas kraut, ruídos com melodias velvetundergroundianas, um gostinho sessentista e uma pitada de eletrônica vintage, deixando as canções assumir seu lado mais onírico. Só pecou por ser curto: como disse pros dois no final, tinham músicas ali poderiam ser esticadas por mais de dez minutos, só no groove analógico. Mas funcionou bem.
E depois do Retrato foi a vez de Otto Dardenne mostrar seu primeiro projeto solo batizado com o trocadilho que fez com o disco mais recente da Rosalía e seu username nas redes sociais, Ottopapi. E ele montou um supergrupo indie para acompanhá-lo em seu segundo show: Gael Sonkin do Mundo Vídeo na batera, Thales Castanheira (que toca com a Manu Julian) na guitarra solo, Bianca Godoi no baixo e Danilo “Várias Fitas” Sansão nos synths e efeitos fazem as canções do guitarrista ganhar corpo e sintonizar numa frequência parecida com a da banda anterior, embora puxando mais pras melodias indie (um astral “Sonic Youth de rua” como disse um compadre presente no local) e prum ar de power pop que naturalmente habitam suas composições. Showzão.
Assista abaixo: Continue

E não bastasse a festinha de aniversário da Charli XCX ter reunido a Lorde, a Billie Eilish e a Rosalía (trazendo um buquê de cigarros), ainda teve as fotos feitas pelo Cobrasnake, lendário fotógrafo de baladas dos tempos do Fotolog e da Cybershot, reforçando que a estética dance do início do século está voltando com tudo — dá pra conferir mais abaixo: Continue

O aniversário é dela mas quem ganha o presente somos nós. Charli XCX completa 27 anos neste dia 2 de agosto e aproveitou a data para tirar mais uma surpresa dessa caixa de Pandora chamada Brat, disco que aos poucos consolida-se como um dos principais lançamentos deste 2024. Depois de lançar duas versões do álbum, ela vem aos poucos revisitando as músicas do mesmo disco com convidadas especiais. A primeira delas foi Lorde, que ela chamou para dividir uma nova versão de “Girl, So Confusing”, que muitos diziam ser sobre a cantora neozelandesa, com a própria, rebatizada didaticamente como “The Girl, So Confusing Version with Lorde”. Agora é a vez de ela chamar ninguém menos que Billie Eilish como convidada para “Guess”, música que apareceu na segunda versão de Brat – também didaticamente batizada de Brat and It’s the Same but There’s Three More Songs So It’s Not – e que ganha nova versão com outra dona do ano (embora seu Hit Me Hard and Soft, lançado há pouco, não tenha batido direito por aqui, apesar da expectativa.
Assista abaixo: Continue

E a produtora O2, que anunciou levar o clássico Stop Making Sense para várias salas de cinema no Brasil, não apenas acaba de confirmar em sua conta no Instagram que a estreia do filme acontece mesmo no dia 29 de agosto, como deixou escapar que teremos inclusive uma versão para Imax! Ainda não sabemos em quais cidades o filme vai passar, mas imagina isso!
Assista abaixo à versão brasileira do trailer: Continue

O tradicional festival folk norte-americano de Newport começou nessa sexta-feira e Beck fez uma aparição surpresa quando fez questão de reverenciar o cânone musical que construiu a reputação do evento, em especial a importância do mestre Bob Dylan, de quem ele cantou a clássica “Maggie’s Farm” logo na abertura. No resto da apresentação, ele ainda saudou Fred Neil (cantando “The Other Side of This Life”), Jimmie Rodgers (com “Waiting for a Train”) e Blind Willie Johnson (com “God Moves on the Water”), além de canções de seu próprio repertório que passeiam por esta seara – como “John Hardy”, “Stagger Lee”, “The Golden Age”, “Lost Cause” e “One Foot in the Grave”, para encerrar a noite com uma versão country de sua clássica “Loser”. Mandou bem!
Assista abaixo: Continue

Só quem foi sabe. Os Boogarins levaram o público que lotou o Picles no aniversário de primeiro ano do Inferninho Trabalho Sujo para lugares distantes dentro de si mesmo ao improvisar por quase duas horas em mais uma Sessão de Cura e Libertação – estava lembrando com eles, após a sessão, que a última que eles fizeram com público presente foi quando os chamei para tocar no Centro Cultural São Paulo quando fazia curadoria de lá. De alguma forma, portanto, o quarteto goiano estancou o pesadelo que atravessamos nos últimos anos, com Dinho soltando na voz os demônios em nome de todos os presentes, Benke derretendo-se nas paredes enquanto sua guitarra rasgava o ambiente, Fefel entre o baixo e o synth criando linhas melódicas que funcionavam como bases para o metrônomo preciso – e free – do baterista Ynaiã Benthroldo. Uma noite épica que continuou comigo e a Fran naquela pistinha que todos conhecemos bem. E em breve teremos grandes novidades sobre o Inferninho…
Assista abaixo: Continue