
E já que o assunto Bowie voltou à baila, já viram os outtakes da capa de Ziggy Stardust? O excelente site Retronaut publicou uma compilação delas e, aí embaixo, separei outras tantas. Vale também passar pelo ThingLink, que publicou uma série de referências em hyperlink na capa do disco. Aproveitei e separei outros dois posts antigos sobre o ídolo: outra série de outtakes, desta vez da capa de “Heroes“, e a obra-prima Dave, que a dupla belga Soulwax lançou no final do ano passado.


Se você não conhece a obra musical ou mesmo nunca tinha ouvido falar no nome de Tony Sheridan, que morreu neste sábado, na Alemanha, aos 72 anos, não se culpe. Ele é um dos inúmeros personagens das milhares notas de rodapé na carreira dos Beatles. Roqueiro inglês no final dos anos 50 – quando isso era um espécime raro, ainda mais na Inglaterra -, Tony foi conseguir consolidar uma carreira quando mudou-se para a Alemanha, tocando rock nos puteiros de Hamburgo com a banda que conseguia reunir. Conhecido pela falta de profissionalismo (chegava tarde, bêbado, sem a guitarra, faltava…), no entanto, ele conseguiu uma certa fama naquela vida noturna a ponto de uma gravadora investir em sua carreira num disco. E quando precisou de músicos para tocar como sua banda, chamou a banda de uns certos adolescentes de Liverpool que estavam também fazendo sucesso naquela zona alemã. Mas como o nome dos Beatles lembrava a palavra “pidels” (o plural para “pau”, em alemão), Sheridan os apresentou como Beat Brothers. Juntos, gravaram quatro músicas: “My Bonnie”, “The Saints”, “Ain’t She Sweet” (com vocal do John Lennon) e “Cry for a Shadow” (esta última instrumental e de autoria dos Beatles). Só as duas primeiras foram lançadas em um compacto que é o primeiro registro gravado da história dos Beatles. Eis o grande trunfo histórico do homem que morreu neste sábado: ele estava na primeira sessão dos Beatles em estúdio que foi lançada comercialmente. Não é o caso de sair acendendo vela, vestindo luto nem baixando torrent com discografia. Ouça as músicas abaixo:

É sério – e já está com ingressos à venda prum show no… Teatro Bradesco, dia 5 de março. Sim, aquele dentro do Shopping Bourbon, do lado do Sesc Pompéia. Nem sou fã da banda nem nada, mas aposto que vai ser um bom show – a começar por ser em um teatro, coisa rara quando o assunto é show de música pop estrangeira no Brasil. Tomara que a moda pegue.

Savage Chickens, sempre ótimo.
Beck talvez seja um dos artistas do século passado que melhor entendeu a internet. Em vez de discutir download x streaming, ele entendeu que a rede é um vínculo direto do artista com o público e que esse contato vai além do lançamento de discos, singles, turnês ou clipes. Assim, ele cria uma série de projetos que o fazem reimaginar o conceito de música popular à luz das novas tecnologias, como o Song Reader que lançou no fim do ano passado – uma compilação de canções não-gravadas publicadas no formato de partituras. Quem quiser ouvi-las, que as toque.

Agora ele se junta ao diretor Chris Milk para recriar a clássica “Sound and Vision” de David Bowie de forma que ela circule na cabeça do ouvinte. Por isso, ponha seus fones e aperte o play:
Numa arena circular, Beck gira sozinho com seu violão entre o público e uma orquestra de 160 músicos (que inclui uma seção de cordas, um coral gospel, os Dap-Kings, um tocador de serrote, outro de teremin, uma harpista, integrantes de uma banda marcial, um grupo de música peruana e outro de música da Indonésia – todos regidos pelo pai de Beck, David Campbell). As gravações foram feitas usando uma horrenda Binaural Head e o número de microfones e de câmeras espalhados por todos os ângulos conseguiu registrar cada detalhe da versão épica para o clássico de Bowie, que ressoa em diferentes cantos dos fones de ouvido. Tudo bem que tudo foi bancado por uma marca de carros, mas isso não tira o mérito artístico do baixote, que sintoniza-se até com as lens flare de J.J. Abrams, heheheh…

Quatro novos blogs já estrearam em 2013 nOEsquema (quem visita nossa home bem sabe), mas nem tivemos tempo de fazermos as respectivas apresentações, devido a como o ano novo está puxado (e isso não é uma reclamação). Por isso peço desculpas aos recém-embarcados passageiros do vôo OEsquema por não ter-lhes apresentado devidamente. Antes de mais nada, não custa realçar que é uma honra tê-los a bordo, Taís, Chris, Cristiano e Calbuque.
Taís Toti é jornalista como mais da metade de nossos condôminos e cobre cultura em veículos tradicionais há um bom tempo, desde antes de sair de Minas Gerais, onde nasceu. Mas é no Indieoteca (outro blog que eu tunguei da Fubap) que ela se solta e fica à vontade para linkar vídeos que gosta e comentar filmes e discos do jeito que tem vontade. Depois de uma passagem pelo Rio, ela veio parar em São Paulo e quando soube que havia uma vaga no Divirta-se do Estadão, dei o toque para ela, que, depois de muito tempo, veio sentar-se perto de mim na redação do jornal do Limão, quando eu ainda trabalhava no Link. Ela já estava na mira para vir para OEsquema há um tempinho, mas oficializei o convite no final do ano passado, quando ela ameaçou começar um papo que queria desistir do blog, que não tinha mais tempo e não sei o quê… Pois eis o Indieoteca nOEsquema, “ex-indie, atual hipster”, como se autodefine, que já estreou com o Indie Crush desse ano (já falo sobre isso).
Já o gaúcho Cristiano Bastos eu nunca vi mais gordo – nos conhecemos virtualmente e mais por páginas de papel do que digitais. Primeiro graças ao hercúleo Gauleses Irredutíveis (um livro sobre a história do rock do Rio Grande do Sul, escrito com o Alisson Avila e o Eduardo Müller) e depois pela série de matérias que ele tem feito para a revista Rolling Stone, quase sempre sobre política ou música brasileira. Uma delas resultou no documentário Nas Paredes da Pedra Encantada (que dirigiu com Leonardo Bonfim), sobre o clássico Paebiru de Zé Ramalho. Cristiano também mantinha seu Zuboski no Blogger, mas queria começar o blog do zero e perguntou se tinha alguma vaga em nosso condomínio. E assim nasceu o Nova Carne, em que ele se dispõe a tratar de seus assuntos favoritos, além de desenterrar matérias, entrevistas e posts do antigo blog, sempre em versão redux.
O Bruno fala mais sobre o Chris e o Calbuque lá no URBe, mas não custa registrar também a enorme satisfação de ter o mestre Calbuque em nosso elenco, um cara cujo principal trabalho autoral na imprensa brasileira é a página dupla Rio Fanzine (ao lado do compadre Tom Leão), que inspirou a criação do Trabalho Sujo ainda no papel e que cheguei a colaborar em sua encarnação nos anos 90 e início da década passada. Além de ser um dos pouquíssimos nomes no mundo a poder usar o termo “jornalismo dub” para se autodescrever.

Que versão! Que momento!
Isso me lembra do grande programa não realizado dos anos 00, a Armação Ilimitada do século 21, As Aventuras de Mocotó e Cabeção na Balada de São Paulo. Ia ser incrível.

Quer dizer, o motivo é conhecido, o que este vídeo nos mostra é como foi feito o anúncio…
Se você não sacou a referência…
