
Sim! O senhor P-Funk dá as caras na Virada Cultural 2013, do dia 18 pro dia 19 de maio, e ainda traz na bagagem o Black Star de Mos Def e Talib Kweli na bagagem. Que boa notícia!


Calma que ainda não é turnê – é só um clipe feito por um fã do novo single do Daft Punk, reunindo imagens da dupla e da Pharrell como se “Get Lucky” fosse uma música pra se ouvir na estrada.
Vi na Prefix.

Eis mais uma inédita de Lana Del Rey em 2013, desta vez sua faixa na trilha do remake que Baz Luhrman fez para o Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald. Apenas correta.


Não há nada de novo no som do Astrolábio – projeto que começou pelas mãos dos arquitetos e instrumentistas Arthur Mei e Pedro Cornetta, ambos obviamente apaixonados por Pink Floyd. O som no EP Coma (que pode ser baixado no site de sua gravadora, a Sinewave) é uma peça musical dividida em quatro partes e conduzida pelo andamento hipnótico de sequências de acordes ao piano acompanhadas de solos épicos com a mesma queda para o blues elétrico que David Gilmour. Baixo e bateria, neste caso, ficam em segundo plano e funcionam mais como coadjuvantes para definir intensidade do que protagonistas, como no Pink Floyd. Ocupando o espaço entre a guitarra e os teclados, texturas sonoras analógicas e efeitos vintage ajudam o grupo a entrar em uma viagem que descrevem, em inglês, disposta a guiar “the visitor through strange landscapes created by surrealistic collages, in a mystical and scientific journey to the center of yourself”. Maior blá-blá-blá. Mas dê uma chance ao som:
A descrição – que ganha forma de narração na faixa “Imagens En Mouvement”, dita por Nathália Rodrigues – é melhor compreendida quando descobrimos que Coma é a trilha sonora para um filme de mesmo nome, dirigido pelo próprio Pedro Cornetta, metade da banda. veja abaixo:
Mesmo assim, falta alguma coisa. Talvez seja o primeiro passo rumo a um amadurecimento mais autoral e menos formulaico. Mas é um bom começo.

O estúdio belga Coming Soon aceitou o desafio da revista inglesa Modus para fazer a capa de sua edição sobre educação em um quadro negro. Ficou demais, veja abaixo:

Guto Barra e Gisela Matta (esta última recentemente morta ao andar de bicicleta no Rio de Janeiro) assinam a direção do documentário Restless: Keith Haring in Brazil sobre as vindas de um dos pais do grafitti moderno ao Brasil nos anos 80, especificamente para a cidadezinha de Serra Grande, perto de Ilhéus, na Bahia. N’O Globo, o Calbuque conversou com Barra, Julia Gruen (da Keith Haring Foundation, que banca o filme) e Kenny Scharf, artista plástico norte-americano, amigo pessoal de Keith, que morreu em 1990, e dono de um dos últimos resquícios da vinda de Haring ao Brasil, um mural pintado no chão. Veja o trailer de Restless abaixo:

O canadense Jairus Khan fez essa versão de “Bigmouth Strikes Again” de brincadeira, mas não é que ficou legal?

Tudo bem que, fora Jimmy Rip – o segundo guitarrista que assumiu o posto depois que Richard Lloyd deixou a banda em 2007 -, o Television que se apresentou na quarta passada no Beco era o mesmo que havia gravado Marquee Moon. Era o mesmo Billy Ficca de cabelo descolorido e comprido firme na bateria e o mesmo Fred Smith, que a idade transformou num tiozão do churrasco, com o mesmo baixo forte e preciso. Mas o show era – como sempre foi – de Tom Verlaine. É ele quem ergue a banda a um nível extraterreno, que disse o célebre Ahmet Ertegün, da Atlantic, ao se recusar contratá-los por considerá-los música de outro planeta. Seus épicos urbanos são cantados com uma voz ao mesmo tempo doce e resmungona e ele floreia estas composições que remetem a um Bob Dylan indie com uma guitarra magistral, de ângulos improváveis, tocada com o polegar, sem palheta.
No show desta semana, a terceira passagem da banda por São Paulo, não foi diferente. Embora a harmonia entre os quatro seja incandescente e do substituto Jimmy Rip faça jus às frases originais de Richard Lloyd, o holofote naturalmente cai sobre Verlaine. Isso acontece justamente pelo instrumental de sua banda orbitar ao redor da força gravitacional gerada pela alternância dos versos de suas canções mundanas e de seu timbre elétrico ímpar. É a mistura improvável de canções mundanas e solos transcendentais que formam o coração e o cérebro do grupo. E o fato do homem Television ter o dobro da idade da média da platéia do Beco não o torna tão distante daquela realidade – a fauna da rua Augusta em 2013 não é muito diferente da Nova York do final dos anos 70, talvez mais populosa. Mas descer a rua paulistana antes de assistir aos nova-iorquinos foi uma experiência complementar ao show. Grisalho e de cabelo curto, Verlaine parecia mais um velho punk disposto a cantar as glórias de seu tempo, mas bastou a banda começar a tocar e suas duas vozes – a da garganta e a da guitarra – pareciam estar falando sobre a rotina daquele lugar, em São Paulo.
Entre clássicos e músicas menos conhecidas, a banda começou o show pontualmente às 11 da noite e segurou quase duas horas de apresentação, com poucas músicas durando menos que cinco minutos. O grupo até arriscou uma música nova e uma versão de “Persia” com vocal e letra, fazendo jus à sua lenta tradição de moldar canções com o passar das décadas. Afinal, lá vão quase quarenta anos desde o primeiro disco e a discografia oficial do Television, sem contar os discos ao vivo, tem apenas três discos de inéditas. O público, mais velho e mais intenso que o que assistiu ao Toro y Moi duas semanas antes naquele mesmo lugar, pedia músicas da clássica estréia da banda no grito e fechava os olhos em transe durante os longos solos de guitarra. E depois dos doze minutos de “Marquee Moon” ao vivo, a banda ainda voltou para um bis com “Psychotic Reaction” do Count Five, um clássico do protopunk psicodélico, fechando a experiência como se o Television fosse uma banda adolescente.
Fiz uns vídeos, confira abaixo.