
Alguém anotou a placa do caminhão? O show que a nova banda de Jon Spencer fez nesta quinta-feira no Sesc Avenida Paulista não foi apenas uma aula de rock’n’roll, com o guitarrista que marcou a história do rock alternativo nos anos 90 à frente do trio Blues Explosion puxando referências que iam do country ao gospel, do punk ao blues, do doo-wop ao noise, enfileirando seus curtos blues elétricos em altíssima velocidade como amostras de capítulos importantes da história do rock protagonizados por figuras que não chegaram ao estrelato nem flertaram com o showbusiness, vivendo à margem da indústria da música como instrumentistas de estrada. Influenciado pela urgência de estar próximo ao público da cena punk americana dos anos 80, Jon Spencer se joga a cada microcanção, seja cuspindo palavras de ordem, rugindo grunhidos que esfacelam palavras ou disparando riffs como alvos a serem metralhados pelos dois músicos que o acompanham, o intenso e psicótico Macky “Spider” Bowman na bateria e a arma secreta da noite, a impressionante baixista Kendall Wind, ambos da banda Bobby Lees. “Os conheci há oito ou nove anos, quando sua antiga banda abriu para o Boss Hogg. Eles eram muito jovens naquela época, adolescentes, e Kendall e Mackie tocam juntos desde os 12 anos e eles me chamaram para produzir um disco deles – quando fiquei especialmente impressionado com Kendall e sua musicalidade e seu entusiasmo e abertura para tentar coisas novas”, ele me contou em entrevista por telefone antes do show. “Anos depois produzi um disco da dupla Jesse Dayton e Samanta Fish e eles me chamaram para fazer uma turnê, e minha banda na época, os Hitmakers, meio que havia parado em 2022. Foi quando lembrei de Kendall e que os Bobby Lees estavam em um hiato, meio que tinham terminado. Chamei Kendall e topou, além de ter sugerido Mackie para a bateria e eu só queria uma seção rítmica, sair como um trio, pra tocar músicas da minha carreira, do Blues Explosion, do Boss Hog, do Pussy Galore, dos Hitmakers e algumas versões.” A química invejável do trio traduz-se numa avalanche de rock em que o baixo de Kendall parece conduzir tudo a partir de riffs e solos, com muitas notas agudas, enquanto o baterista demole seu kit e Jon rege a multidão com gritos guturais, chamados da selva e urros vindo das vísceras, enquanto usa sua guitarra como batuta para mudar completamente de uma música para a outra, enquanto se joga no palco numa performance que nos faz esquecer que ele tem mais de 60 anos de idade, chegando inclusive a atacar a minha câmera, numa mise-en-scene que já tinha feito no show de quarta, com o celular de alguém da plateia. O grupo segue tocando nessa sexta em Jundiaí e ainda tem uma data em Buenos Aires e outra em Santiago, onde gravarão algumas músicas que compuseram com essa formação. “Kendall e Mackey são mais novos que meu filho e são ótimos músicos e cheios de energia, e não apenas física, mas positiva”, continuou na entrevista. “Eles estão muito interessados em trabalhar, são muito abertos à experimentação e a tentar coisas novas. E trabalham muito duro e funcionamos bem como uma banda. Somos capazes de nos comunicar. Estou muito feliz em trabalhar com eles.” Dá para notar.
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Outro dia uma amiga publicou lembranças ressuscitadas pela internet e perguntava-se sobre o paradeiro de Wander Wildner, bardo gaúcho que liderou os Replicantes na fase de ouro do rock gaúcho e cuja carreira solo foi um dos alicerces da formação da atual cena independente. Sem lançar nada de novo desde 2021, no entanto, o heroico punk brega volta à atividade em 2025 ao lançar um disco composto apenas por versões de músicas alheias. Diversões Iluminadas será lançado nesta quinta-feira e traz Wander cantando clássicos de artistas das mais diferentes vertentes, de Echo & The Bunnymen (“The Killing Moon”) a Caetano Veloso (“Um Índio”), passando por Daniel Johnston (“True Love Will Find You in the End”), Novos Baianos (“Dê um Rolê”), Iggy Pop (“Beside You”), Bob Dylan (“Simple Twist of Fate”), Foo Fighters (“Times Like These”), Buzzard Buzzard Buzzard (“Lennon Is My Jesus Christ”), Ednardo (a imortal “Terral”), Secos & Molhados (“Sangue Latino”) e Nei Lisboa (“Pra Viajar no Cosmos Não Precisa Gasolina”), além da faixa que abre o disco, sua versão para “Redemption Song”, que ele antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo. Ao ser perguntado sobre o processo de criação do novo trabalho, Wander responde sucintamente que “tudo que eu gostaria de dizer está no álbum e no livro”, este último batizado com o mesmo nome do disco e que conta a relação do artista com cada uma das canções – e está sendo lançado pela editora Yeah.
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Começamos a programação de música de abril no Centro da Terra com uma banda que já passou pelo palco do teatro (uma vez dividindo o palco com Tagore e outra com Guilherme Held), desta vez tocando material inédito e sem convidados. A clássica banda psicodélica paulista Bike está preparando seu novo álbum e transforma esta apresentação em um laboratória para experimentar músicas novas, trazendo um repertório inédito – e em formação – no show que batizaram de Noise Meditations, quando também apresentam sua nova formação. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados no site do Centro da Terra.
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E neste sábado, os queridos Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo debutaram no Lollapalooza com sangue nos olhos e três músicas novas — “Cinema Brasileiro” (que Sophia já toca em seus shows solo), “Ao Sul do Mundo” e “Eu Não Bebo Mais” —, além de terem usado sua aparição em rede nacional para deixar bem claras suas posições políticas. Mandaram muito bem!
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E essa dose dupla em setembro no Hollywood Bowl, em Los Angeles? Os ingressos começam a ser vendidos na semana que vem, mas podia virar uma turnê e passar por aqui, hein? Please come to Brasil, LCD Soundsystem e Pulp!

Um dos meus artistas novos favoritos, a dupla argentino-californiana Magdalena Bay, dona do excelente Imaginal Disk do ano passado, passeou pelos estúdios do programa Like a Version, da rádio australiana Triple J, que sempre convida artistas para tocar suas músicas e interpretar uma música alheia. E que beleza ver que o grupo não apenas escolheu David Bowie – artista que é claramente patrono de sua personalidade musical -, como pinçou um hit de sua fase oitentista, o que torna ainda mais próximo do som da banda. Dá uma sacada nessa versão de “Ashes to Ashes”… Se você gostou e não conhece a banda, faça-se esse favor: Continue
Karen O, Michael Stipe, Angel Olsen, Sharon Van Etten, Bruce Springsteen: todos celebram Patti Smith

Patti Smith foi a estrela da vigésima edição de um evento de caridade para arrecadar fundos para a educação nos EUA realizado nesta quarta-feira no Carnegie Hall de Nova York, mas nossa senhora punk foi o assunto e não a única intérprete – e assim o palco foi invadido por estrelas do naipe de Bruce Springsteen, Michael Stipe, Sharon Van Etten, Angel Olsen, Johnny Depp, Sean Penn, Jim Jarmusch, Courtney Barnett, entre outros medalhões pupilos de nossa deusa. A banda que acompanhou a maioria do grupo era formmada por Tony Shanahan (que toca na banda de Patti) e Charlie Sexton (que tocava com Dylan) nas guitarras, Flea (ele mesmo, do Red Hot) no baixo, Benmont Tench (dos Heartbreakers de Tom Petty) no piano e Steve Jordan (que hoje toca nas turnês dos Stones) na bateria. Vou soltando alguns vídeos no decorrer do dia e juntando todos aí embaixo – começando por essa versão que a Karen O fez pra “Gloria” seguido de Bruce Springsteen mandando “Because the Night”, Michael Stipe cantando “My Blakean Year” e “People Are Strange” dos Doors (banda crucial na formação de Patti), Angel Olsen cantando “Easter”, Sharon Van Etten cantando “Pissing in a River” e todo mundo junto (Bruce, Karen, Michael, Angel Olsen, Sharon Van Etten, Johnny Depp, Courtney Barnett, Matt Berringer do National, Alison Mosshart dos Kills, Karen O do Yeah Yeah Yeahs, Paul Banks do Interpol e outros convidados) cantando “People Have the Power” com nossa senhora. . Benzadeusa…
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Madonna em Copacabana e Ainda Estou Aqui são dois investimentos do Itaú em cultura que mostraram que o banco não está pra brincadeira quando quer fazer bem feito, mas por melhor que fosse a intenção de fazer Jorge Ben regravar “Os Alquimistas Estão Chegando”, o resultado ficou aquém da expectativa (ouça abaixo). Mas será que isso é só um aperitivo de um projeto que fará o velho mago revisitar seu Tábua de Esmeralda? Tenso… Continue

O ritual aconteceu e o Monstro Amigo agora é Monstro Enigma. Grupo paulistano de rock progressivo liderado pelo tecladista Lukas de Vasconcellos Pessoa, passou por uma mudança de integrantes e hoje é formado pelo baterista Theo Amorim e pelo baixista Gabiroto – e a nova formação pedia a mudança de nome. Assim, Lukas transformou o Centro da Terra no palco deste ritual, quando não apenas abriu a noite trazendo o próprio Monstro Enigma ao palco (criado com lixo reciclado), como trouxe um espetáculo prog à moda antiga, com direito à apresentação de personagens, trocas de figurino e a criação de ambientes musicais completamente distintos, indo da música caipira (quando Lukas puxou um violão e misturou uma composição própria com uma música feita por seu pai, que estava na plateia) à tradição da canção brasileira (no momento em que a cantora carioca Daíra subiu ao palco), passando por delírios virtuoses ao piano, spoken word sobre virtudes e vícios, solos de baixo, incursões jazz funk com o prog brasileiro e acrobacias (com saltos ousados de Gabiroto e o tecladista solando com seu instrumento na nuca no final do show). Uma apresentação ousada e catártica, que marcou em grande estilo a nova fase dessa banda ímpar no cenário musical paulistano atual.
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E nesta última terça-feira de março, o Centro da Terra participa do ritual de transformação de uma banda, quando o trio psicodélico Monstro Amigo se metamorfoseia em Monstro Enigma, inaugurando uma nova fase. O evento de metamorfose contará ainda com a participação da artista Daíra, que abre uma nova dimensão na carreira do grupo. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados no site do Centro da Terra.
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