
Quarta-feira, 3 de agosto de 1983, no hoje histórico clube First Avenue, em Minneapolis, nos EUA, Prince topava fazer uma apresentação beneficente em sua cidade-natal. Sua carreira começara cinco anos antes e, lançando um disco por ano, tinha plena consciência que vivia sua ascendência criativa. Por isso escolheu aquele show específico para estrear uma música que pouco tinha a ver com o funk pós-disco politicamente incorreto e minimalista de hits que grudavam à primeira audição, que caracterizavam sua discografia até ali. Prince era o anti-Michael Jackson, o doutor Hyde do pop perfeito, mas naquele momento ele baixou sua guarda e entregou-se a uma hipnotizante power ballad, conduzida por um riff ecoada pela guitarra de uma nova guitarrista em sua banda Revolution, Wendy Melvoin. Aos 19 anos, ela começa a tocar a sequência de acordes consagrada em “Purple Rain” e aquele show, gravado para a posteridade, daria origem a grande parte da música que hoje é um clássico.
O vídeo abaixo mostra exatamente quais trechos foram utilizados na gravação final, muitos deles improvisados (incluindo o solo de guitarra) na primeira vez que a canção era apresentada ao público. Um momento espetacular em que assistimos à gravação de uma obra-prima ao vivo.
E corra pra assistir, porque o Prince é famoso por deletar material sobre ele da internet. Dica do Mumu.

O trato que o Poolside na obscura “Chilling Out”, do quase desconhecido Regional Garland, é um dos grandes momentos de sua última mixtape, Stir It Up. Tão bom que eles colocaram pra download em seu Soundcloud. Suingaê!

O alemão Munk deu uma calibrada groovy no primeiro single do disco novo da Lana Del Rey – e deixou tudo mais macio para a pista (aprovado na sexta passada, inclusive).
Aliás, esse disco novo da Lana Del Rey, viu…



Sábado passado Alex Turner e sua tropa participaram do mítico “maior festival do mundo” de Roskilde, na Dinamarca, e o estrago pode ser descrito no setlist abaixo.
“Do I Wanna Know?”
“Snap Out of It”
“Arabella”
“Brianstorm”
“Don’t Sit Down ‘Cause I’ve Moved Your Chair”
“Dancing Shoes”
“Crying Lightning”
“Knee Socks”
“My Propeller”
“I Bet You Look Good on the Dancefloor”
“Library Pictures”
“Fireside”
“No. 1 Party Anthem”
“She’s Thunderstorms”
“Why’d You Call Me When You’re High?”
“Fluorescent Adolescent”
“505”
Bis
“One for the Road”
“I Wanna Be Yours”
“R U Mine?”
E não custa lembrar que os Monkeys tocam no Brasil em novembro.
Os Mutantes anunciaram em sua página no Facebook que no final deste mês veremos o lançamento de uma caixa que reúne toda a discografia dos Mutantes, desde Os Mutantes, de 1968, até Mutantes e Seus Cometas no País do Baurets, de 1972, incluindo o disco Tecnicolor, gravado na França e inédito até 1999. As informações ainda são escassas: não há explicação sobre a exclusão dos discos O A e o Z (o primeiro sem Rita Lee, gravado em 1973 e só lançado em 1992), Tudo Foi Feito pelo Sol (o primeiro sem Arnaldo Baptista), de 1974 ou o Ao Vivo, de 1976. Pelo preço anunciado (R$ 180), a caixa só deve ser lançada em CD, mas o lado bom é que ela deve desenterrar faixas conhecidas do grupo que nunca chegaram a ser relançadas (mas foram lançadas em compactos ou compilações) no disco de inéditas Mande um Abraço pra Velha. Também não há mais informações sobre o que será lançado neste CD, mas há várias possibilidades, que reuni abaixo:

E no mesmo festival de Roskilde, no dia anterior, dia 4, Damon Albarn subia no palco na turnê de seu primeiro disco solo, num show que incluiu várias músicas de seus outros projetos, incluindo duas do The Good, the Bad & the Queen (“Three Changes” e “Kingdom of Doom”), uma do Rocket Juice & the Moon (a belíssima “Poison”), duas do Blur (“Out of Time” e “All Your Life”, ambas pouco canônicas de seu grupo original) e nada menos do que SETE músicas do Gorillaz (contra oito do disco novo, é bom dizer): “Tomorrow Comes Today”, “Slow Country”, “Kids With Guns”, “Clint Eastwood”, “Don’t Get Lost In Heaven”, “El Mañana” e, claro, “Feel Good Inc.”, que contou com a presença de ninguém menos do que o próprio trio De La Soul no palco.
Ao final, o Maseo ainda o saudou como “um dos maiores entertainers do mundo”. Tira onda esse Damon Albarn… E o De La Soul toca aqui no final do mês – você sabe, né?

Durante o festival de Glastonbury, na Inglaterra, no mês passado, foi feita uma pesquisa para saber qual banda o público queria ver ao vivo no ano seguinte – e o líder da pesquisa foi o Led Zeppelin, que só voltou do mundo dos mortos em raríssimas oportunidades, a última delas em 2007. Na ocasião, achava-se que o show que Jimmy Page, Robert Plant e John Paul Jones deram na Arena O2, em Londres (com o filho de John Bonham, Jason, na bateria) fosse o início de uma grande turnê de volta do grupo, que culminaria com o relançamento dos discos da clássica banda remasterizados pelo próprio Page. Mas o vocalista Robert Plant não gostou do resultado do show e decidiu abortar a turnê de volta, que ainda paira sobre Jimmy Page até hoje – no mesmo ano em que ele finalmente começa a relançar os discos de sua banda em edições caprichadas. Aí na sexta-feira comentaram com o velho produtor e guitarrista sobre o resultado da pesquisa de Glastonbury e ele não disfarçou a vontade de voltar aos palcos. “Eu concordo com eles, é música boa, né”, riu, antes de emendar que “talvez eu mesmo faça shows sozinhos e use o nome de Led Zeppelin.”
Pode ser a provocação que o Robert Plant precisava pra voltar atrás.

