
Atenção todos: a formação original do Black Sabbath voltará a reunir-se para uma última apresentação ao vivo, que acontecerá no dia 5 de julho na cidade-natal do grupo, Birmingham, na Inglaterra. E a reunião de Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward depois de mais de 20 anos sem tocar juntos não será a única atração da noite. O evento, que tem a direção do guitarrista do Rage Against the Machine Tom Morello, contará com um elenco que ainda incluirá filhotes do Sabbath de diferentes gerações, incluindo Metallica, Slayer, Anthrax, Pantera, Lamb Of God, Mastodon, Alice in Chains, Halestorm e Gojira, além da apresentação de um supergrupo formado por Billy Corgan (Smashing Pumpkins), David Draiman (Disturbed), Duff McKagan (Guns N’ Roses), Frank Bello e Scott Ian (Anthrax), Fred Durst (Limp Bizkit), Sammy Hagar (Van Halen), Papa V Perpetua (Ghost), Wolfgang Van Halen, Zakk Wylde, Jonathan Davis (Korn) e Slash. Morello não mede palavras para referir-se ao show como “o maior show de heavy metal de todos os tempos”. A notícia do show surpreende principalmente em vista da recém-anunciada aposentadoria de Ozzy, que também fará uma última apresentação solo na mesma noite. A renda arrecadada pelo evento irá para instituições de caridade e os ingressos começam a ser vendidos no próximo dia 14, pela Ticketmaster. Mas o peso dessa apresentação é tão forte que não duvido que abra uma segunda noite…


Boogarins e DJ Nuts são as duas últimas atrações anunciadas para o festival Cecília Viva 2025, que acontecerá no dia 23 deste mês no Cine Joia. Os dois juntam-se a um elenco que já tinha nomes pesados como Kiko Dinucci visitando seu Cortes Curtos, Crizin da ZO, Test e um show único do Rakta e transformam esta noite de domingo num dos grandes eventos da música independente brasileira no começo deste ano. O festival tem a intenção de arrecadar fundos para a reabertura da Associação Cultural Cecília, um dos principais pontos de encontro da música ao vivo independente da cidade, que depois de um roubo no ano passado está tentando se reerguer. E o detalhe é que o quarteto goiano não fará show de seu recém-lançado Bacuri e sim uma de suas sensacionais sessões de libertação e cura, quando deixam o espírito do improviso psicodélico tomar conta. Os ingressos já estão à venda através deste link.
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Tirei o domingo cedo pra prestigiar o Sonoriza do Belas Artes, sessão do cinema de rua mais tradicional de São Paulo que convida artistas para fazer a trilha sonora ao vivo de um filme que é exibido na telona, que recebeu mais uma vez a improvável mas já clássica junção do filme O Mágico de Oz (de 1939) com o disco Dark Side of the Moon do Pink Floyd (de 1973), desta vez conduzida pela ótima banda cover Pink Floyd Dream. O mashup inusitado teria sido um experimento feito pelo Pink Floyd original quando estava produzindo seu disco mais emblemático, sincronizando as passagens das músicas, interligadas umas às outras no álbum conceitual, com as mudanças de cenas de um dos filmes mais tradicionais da era de ouro de Hollywood, mas a banda já desmentiu sem sucesso tantas vezes esse rumor que acabou aceitando – e incluindo os personagens do filme na montagem da capa de seu disco ao vivo de 1995 (Pulse) – e o que era uma lenda urbana tornou-se um ritual feito pelos fãs ao longo das décadas seguintes. Lembro de ter escrito para o Estadão, ainda nos anos 90, uma matéria sobre o feito que exigia que o espectador colocasse o disco para tocar quando o leão da Metro Goldwyn Meyer rugisse pela terceira vez para que a sincronização acontecesse, e de ter conduzido esse experimento de maneira analógica (com vinil e VHS) inúmeras vezes para visitas em casa. Por isso foi muito legal voltar para Oz ao som de Roger, David, Ricky e Nick mais uma vez numa tela de cinema de fato e com músicos tocando o disco ao vivo – duas vezes e meia! Claro que a primeira sincronia é a que soa melhor (especificamente quando “The Great Gig in the Sky” torna-se a trilha sonora para o furacão ainda em preto e branco e “Money” sonoriza a chegada de Dorothy a uma colorida Oz), mas a sessão – lotada! – encantou todos os presentes, elevando a sensação de viver uma nota de rodapé de um dos grupos mais importantes da história do rock a um experimento multimídia. Parabéns ao Belas e especialmente ao Pink Floyd Dream, que aceitou o desafio e o cumpriu à risca.
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É muito acertada a decisão dos Boogarins de tocar seu novo álbum Bacuri na íntegra nas apresentações que vêm fazendo do disco. Na verdade, fizeram isso apenas duas vezes, quando lançaram o disco no ano passado no Cine Joia e neste sábado, quando apresentaram-se pela primeira vez no ano na primeira de duas datas no Sesc Vila Mariana (quando repetem a dose neste domingo). Mas ao apresentar o novo trabalho como uma peça única, aproveitando inclusive para falar menos entre as músicas, eles reforçam a importância do disco na carreira da banda. Não é apenas o quinto disco ou o primeiro álbum depois do período pandêmico, mas um que eles puderam se reencontrar com a canção depois de passear pela estrada tortuosa da tentativa e erro, tanto em Lá Vem a Morte e Sombrou Dúvida (discos posteriores ao seu ápice fonográfico até então, o segundo disco, Manual), em que abusaram do estúdio como instrumento musical, quanto dos dois volumes que reuniam sobras da banda, batizados de Manchaca. Bacuri chega num momento em que os quatro filhos do cerrado entendem o equilíbrio entre a coesão pop de canções lapidadas com esmero e os espaços que estas deixam para os improvisos e viagens instrumentais do grupo, fruto tanto de terem revisitado seu disco de estreia que completou dez anos há pouco quanto a ter passeado pelo repertório clássico da MPB jazz rock mineira, ao criar um show-tributo à geração Clube da Esquina (sem apenas visitar o disco 1 ou 2). E assim Dinho, Benke, Fefel e Ynaiã esbanjam entrosamento e fritação sem perder o foco estrutural de canções que, ao vivo, só reforçam a qualidade única que torna esta coleção de canções em um único trabalho, este sim sua obra-prima. Depois do disco do ano passado, o grupo passeou por versões gigantes para “Te Quero Longe”, “Água” e “Tempo” (esta última com longos silêncios preenchidos por assobios imitando passarinhos), não sem antes de avisar que o vinil de Bacuri está aparecendo no horizonte…
#boogarins #sescvilamariana #trabalhosujo2025shows 011

Quem desembarca em breve no Brasil é o clássico grupo de garage rock dos anos 80 Fuzztones, que toca pela primeira vez no país no dia 17 de abril, no Cine Joia. Heróis do rock cru e garageiro que saiu de moda depois que o punk redesenhou o underground no final dos anos 70, a banda nova-iorquina liderada pelo mitológico Rudi Protrudi mudou-se para Los Angeles no meio daquela década, onde estabeleceu-se até hoje, tornando-se o único integrante fundador a tocar o grupo em frente. Os Fuzztones vêm à América do Sul com a formação iniciada no meio da década passada e passam por São Paulo depois de tocar na Argentina e no Uruguai. A noite brasileira ainda conta com a abertura de duas bandas igualmente históricas no que diz respeito ao rock de garagem no Brasil: os Autoramas e os Gasolines. Os ingressos já estão à venda neste link.

Parece que Questlove conseguiu mais uma vez: lançou o trailer final de seu documentário sobre Sly Stone – o mitológico líder de um dos grupos mais importantes dos anos 60, Sly & The Family Stone – pouco antes da primeira exibição pública do filme, que aconteceu na semana passada no festival Sundance, arrancando excelentes elogios. Sly Lives! (aka The Burden of Black Genius) é o segundo documentário dirigido pelo baterista dos Roots, depois do deslumbrante Summer of Soul, que lhe garantiu seu primeiro Oscar. O novo filme, que estreia nos EUA No canal de streaming Hulu no próximo dia 13 e não tem previsão de lançamento no Brasil, conta com depoimentos de integrantes de sua banda e de discípulos do homem, como Andre 3000, D’Angelo, Chaka Khan, Q-Tip, Nile Rogers e George Clinton, que se aprofundam no legado e no mistério ao redor deste monstro sagrado e, como seu subtítulo em inglês detalha, o fardo de ser um gênio negro nos EUA.
Assista ao trailer abaixo: Continue

Apresentando-se pela primeira vez no Centro da Terra, o quinteto paulistano Naimaculada mostrou que está mais do que pronto para começar sua nova fase, que começa oficialmente no dia 28 de março deste ano, quando oficializaram o lançamento de seu disco de estreia A Cor Mais Próxima do Cinza. O jazz rock com toques de rock progressivo e heavy metal do grupo subiu o próprio patamar ao fazer um show com som surround, projeções, iluminação e participações especiais tocando pela primeira vez todos de branco – ao contrário do que vinham fazendo até então, quando tocavam todos de preto. A apresentação começou com gravações do som ambiente de São Paulo (especialmente do trânsito, ônibus e metrô) e depoimentos de pessoas aleatórias falando sobre a influência da cidade grande em suas vidas, temática subliminar da banda e central neste primeiro disco. Aquele registro, aliado à cenografia toda em preto e branco do palco, criou o clima perfeito para conduzir o público ao seu inferno urbano, cantando com dor e paixão no encontro musical do vocal soul de Ricardo Paes, a guitarra de rock clássico de Samuel Xavier, o baixo funky e pós-punk de Luiz Viegas, o sax de Gabriel Gadelha, entre o jazz e o pop, e a bateria de Pietro Benedan, que equilibra o peso do metal e do hardcore com as dinâmicas do funk e do jazz. O encontro desta noite foi enriquecido com participações, especificamente a presença de Lukas Pessoa, tecladista prog do grupo Monstro Amigo, que deu um novo molho ao ser incluído integralmente à formação, do MC CGA e da vocalista Sol Dias, que ajudaram a criar novas camadas na apresentação ao vivo da banda, bem como as projeções de Olívia Albergaria e a luz monocromática de Dara Duarte. Provocaram o público tocando o disco na íntegra e terminando com uma inédita, conduzindo noite entre luz e sombras, entre o silêncio e o ruído, entre a paz e a paranoia e impetuosamente abrindo terreno para um novo momento vivido pela jovem nova música de São Paulo, que começa a se consolidar neste meio de década.
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O quinteto Naimaculada é a segunda atração de 2025 no Centro da Terra e antecipa seu disco de estreia, que será lançado ainda este semestre, no espetáculo Acromatopsia, em que amplia no palco o conceito do álbum Cor Mais Próxima do Cinza. O título a apresentação refere-se a uma condição ocular em que o indivíduo não consegue perceber cores vê tudo em tons de cinza, o que conversa com a perspectiva da banda de jazz rock sobre a vida urbana e a complexidade e monotonia que coexistem nas grandes cidades. O show contará com intervenções sonoras entre as canções e outras visuais e sonoras para deixar o espetáculo ainda mais intenso. A apresentação, como sempre, começa às 20h e os ingressos estão à venda pelo site do Centro da Terra.
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Eram dois solos, mas eles fundiram-se em uma só apresentação. Assim foi a primeira apresentação de 2025 no Centro da Terra, quando Maurício Takara e Carla Boregas juntaram dois projetos em que tocam todos os instrumentos em um único espetáculo, causando uma transição estranha mas familiar entre seus dois trabalhos. Cada um montou seu set em um lado do palco e Takara começou desconstruindo a bateria a partir do free jazz, mas logo foi entrando em territórios ainda mais densos e delicados, primeiro ao acrescentar pitadas de eletrônica invertendo os beats acústicos para depois passar por instrumentos de sopro (como flautas e apitos) e instrumentos de percussão tocados à parte da bateria, devidamente sampleados com gritos e aos poucos transformando a ambiência jazzística em uma imersão à natureza, rasgando pelo coração selvagem de uma floresta impenetrável. Quando Carla começou a tocar seus sintetizadores ainda com a presença de Maurício em sua bateria, o som começa a ganhar uma aura de ruído branco que vai se destacando devagar até o baterista sair o palco, deixando Boregas em sua paisagem etérea que por vezes soa oceânica, polar ou boreal, dependendo das frequências que vai acionando, colorindo a noite com cores frias e timbres implacáveis, mas esparsos, como se estivéssemos sendo observados por entidades multidimensionais. O ritmo e os loops eletrônicos vão surgindo quase discretamente, enquanto ela hipnotizava os presentes como se cantasse um mantra astral sem precisar mexer as cordas vocais. A forma como as duas apresentações – que funcionam sozinhas – se misturaram e se complementaram é só uma prova da sinergia dos dois, que conseguem interferir no trabalho do outro sem necessariamente descaracterizá-los. Um começo de ano inacreditável.
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Que tal um Inferninho num domingo? É isso que vai acontecer nesta semana, quando mais uma vez invado o Redoma para mostrar as novas bandas que estão surgindo nesta década, reunindo dois reincidentes da festa que vagam entre o rock clássico e o indie rock com boas doses de referências brasileiras. Quem abre a noite é o quarteto Os Fadas, banda formada por Anna Bogaciovas (vocal e guitarra), Augusto Coaracy (bateria e voz), Gabriel Magazza (vocal e guitarra) e Rafael Xuoz (vocal e baixo), que tocam entre a melodia e o ruído, trazendo canções de seu EP Sono Ruim, lançado em 2023, e outras inéditas. Em seguida entra o Schlop, projeto musical da multiartista Isabella Pontes, que leva suas antigas gravações caseiras ao lado de Lúcia Esteves (guitarra), Alexandre Lopes (baixo) e Antonio Valoto (bateria), mostrando as composições irônicas e afiadas dos discos Canções de Amor para o Fim do Mundo (2023) e Senhoras e Senhores, Cachorros e Madames (2024). Discoteco antes, durante e depois dos shows, que tem ingressos mais baratos para quem comprar com antecedência neste link. O Redoma fica na Rua Treze de Maio, 825A, no Bixiga. Vamos?