
Mais uma banda que em 2014 dá um gostinho do disco que vai lançar em 2015 – desta vez são os queridos Of Montreal que com a música “Bassem Sabry” antecipam seu Aureate Gloom que aparece só em março, mas já está em pré-venda. E se você gosta da banda, pode apertar o play na cega:

Sem lançar discos desde 2007, o Modest Mouse abriu sua conta no Instagram esta semana, quando publicou a foto do single de uma faixa que já tocam em shows, “Lampshades on Fire”. É questão de tempo pra sabermos mais sobre o disco novo, vamos aguardar…

Thurston Moore montou um mini-Sonic Youth para gravar seu novo disco solo, The Best Day. Primeiro veio o próprio Steve Shelley na batera, velho escudeiro de discos anteriores. Para o baixo chamou uma mulher (ninguém menos que que Debbie Googe, ex-My Bloody Valentine) tão experimetalista em seu instrumento quanto sua ex-mulher, Kim Gordon. E para a outra guitarra chamou um clone inglês de Lee Ranaldo, o inglês James Sedwards, um instrumentista educado no rock clássico (o glam era evidente em certos trechos de seu instrumento), mas completamente inserido no contexto de noise e microfonia proposto pelo velho indie.
Mas em sua recente apresentação em São Paulo, esse formato foi quebrado devido a um problema de saúde – Steve Shelley descobriu, no Brasil, que havia descolado a retina e por isso tinha de se afastar das baquetas. E o quanto antes, tanto que nem pode subir no palco do Cine Jóia. Em vez dele a produção chamou o baterista que acompanha Jair Naves, Babalu, que foi pego de surpresa com o convite e recebeu aulas de bateria do próprio Steve Shelley durante o ensaio (que deveria ser apenas uma passagem de som). O Lucio, que organizou o show, conta como foi a saga sônica de um baterista desconhecido para o palco com um dos grandes nomes do underground mundial.
Babalu entrou completamente em sintonia com o trio e, apesar do (natural) ar de insegurança no início do show, não comprometeu em nenhum momento, seguindo a cartilha que havia aprendido na mesma tarde à risca. Profissa. À sua frente, três veteranos das cordas elétricas duelavam-se entre espasmos de ruído e delicados dedilhados. O fio condutor foi basicamente o Best Day que Thurston acaba de lançar – a única fuga deste script foram “Pretty Bad” e “Ono Soul”, de seu primeiro disco solo, Psychic Hearts, a última também a única música de outro disco que ele tocou quando trouxe seu Demolished Thoughts ao mesmo palco paulistano há dois anos e meio (além de “It’s Only Rock’n’roll (But I Like It)”, dos Rolling Stones).
Thurston e sua guitarra já são um só faz muito tempo, então ele nem sequer precisa pensar para levá-la de um extremo a outro – é sua assinatura de palco, ao lado de seu grave vocal quase balbuciado e seu ar de criança de dois metros de altura. Esticando músicas do disco desse ano para além dos 10 minutos, ele inevitavelmente caía em breaks instrumentais em que desafiava os outros músicos a sair do formato canção, por mais bruta que fosse sua versão, quebrando-se em tsunamis de microfonia e marolinhas ambient, regendo seus músicos com o braço de seu instrumento. Um show catártico, conciso, intenso e reconfortável, uma vez que sempre podemos reconhecer os mesmos traços que desenharam a discografia de um grupo tão importante para aquele meio quanto o Sonic Youth. Venha mais, Thurston!
Abaixo os vídeos que fiz do show:

Nosso amigo francês Vincent Belorgey, também conhecido como Kavinsky, é uma espécie de gêmeo mau do Chromeo – ambos buscam aquele glo-fi sintético típico dos anos 80, mas enquanto o Chromeo se esbalda na pista de dança, Kavinsky atravessa noites solitárias em alta velocidade por rodovias chuvosas. Não à toa sua “Nightcall” é a música mais memorável do manifesto estético que é o filme Drive. Quieto há dois anos, Kavinsky dá notícias com a instrumental “Sovereign”, mostrando que segue o mesmo percurso, entre as trilhas sonoras de John Carpenter e o electro mais cascudo e mal encarado deste século.

2014 acabando, você fazendo as contas dos melhores do ano e, de repente, chega o Twin Shadow anunciando disco novo pro ano que vem – chamado Eclipse, agendado para março de 2015 – com uma balada com fortes chances de entrar na lista de melhores de 2014. Se liga:

Em uma sexta-feira homérica, comemoramos os três primeiros anos das Noites Trabalho Sujo com a pista subindo pelas paredes de tanto delírio. Eu, Babee e Danilo jogamos para todos os lados e a vibe era uma só: alto astral – sente só as fotos da Natália. E vamos seguir nessa onda sexta que vem, quando chamei a Luanda Gazoni do Torrada Torrada pra esquentar a festa comigo. Vem!

Para acompanhar o lançamento da caixa comemorativa de 25 anos do Doolittle, dos Pixies, a gravadora 4AD reuniu o guitarrista Joey Santiago, o baterista David Lovering, o produtor Gil Norton e o designer Vaughan Oliver (que fez a capa) para contar a história de um dos melhores discos de nosso quarteto de Boston favorito (que quase chamou-se Whore). Ei-lo abaixo:


