
E cês viram que as três temporadas de Twin Peaks vão estrear dia 13 de junho no Mubi? ❤️ Junte ao Os Últimos Dias de Laura Palmer (que já está no catálogo deles) e tudo fica quase completo.
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Mais uma vez Paulo Beto ergueu um altar a uma de suas predileções musicais como nas outras noites de sua temporada no Centro da Terra, mas desta vez o ar sacro era palpável – não apenas pela postura dos músicos no palco (todos sérios, de preto, encarando seus instrumentos e vendo como soavam junto aos outros), mas pela natureza sonora da noite, quando o mineiro proporcionou uma ode ao seu instrumento-base, o sintetizador. Ao lado de Tatiana Meyer e Dino Vicente, PB subiu ao palco com um arsenal de synths de todas as épocas – inclusive um gigantesco construído pelo luthier eletrônico Arthur Joly, que deveria comparecer àquela noite, mas não pode participar, mandando seu instrumento exagerado como testemunha. A missa modular proposta por essa Church of Synth começou com um solo de Paulo Beto, seguido de três atos – com propostas bem distintas – com o trio PB, Tatiana e Dino e chegou ao fim apenas com o dono da noite e sua companheira no palco, ambos fazendo homenagem a um recorte específico do instrumento, a dance music dos anos 90, encarnada no ídolo dos dois Mark Bell, do grupo inglês LFO, que o senhor Anvil FX confessou ser a maior perda que já sentiu na história da música (quando este nos deixou em 2014). Mais uma noite espontânea proporcionada pelo mestre.
#anvilfxnocentrodaterra #anvilfx #paulobeto #churchofsynth #centrodaterra #centrodaterra2025 #trabalhosujo2025shows 066

Sempre que Negro Leo se propõe a levar um disco para o palco, seu desafio não é simplesmente soar parecido ou reproduzir os fonogramas com a força da música tocada ao vivo, mas transformar uma obra sonora em um espetáculo vivo em que a participação do público possa ser menos que passiva e a interação entre audiência e artista capture a essência conceitual da peça musical registrada em disco. E assim foi feito quando levou o ótimo Rela – seu primeiro disco pós-pandêmico – para o palco do Sesc Pompeia neste sábado. Disco eletrônico composto sobre bases rítmicas do boi maranhense (de sua terra-natal – apesar de carioquíssimo, Leo nasceu na pequena Pindaré-Mirim, no estado mais nortista do nordeste brasileiro), Rela trata das novas formas de lidar com o amor e o sexo a partir da interação humana feita pelas plataformas digitais. Se apenas transposto para o palco, essa faixa sonora bebe tanto no trap, no R&B e na música eletrônica experimental, mas não limita-se ao som, indo desde o figurino do artista (blazer de lantejoulas sobre o torso nu) às paisagens geradas por inteligência artificial nos telões. E por mais que a presença dos produtores musicais Vasconcelos Sentimento, Eduardo Manso, Lcuas Pires e do diretor do show e técnico de som da noite Renato Godoy tenham sido cruciais para mexer com o público, a chave da noite era o próprio corpo de Leo, entregue a uma performance em escala gigantesca. Logo na segunda música, ele já havia se jogado na plateia e aberto uma roda no meio do povo para puxar pessoas aleatórias (ou não) para dançar a dois no meio do público, trouxe sua companheira Ava Rocha para dominá-lo e chicoteá-lo no palco, puxou primeiro uma coreografia no fundo do palco (convidando todos para “o maior flash mob que o Sesc Pompeia já viu”), depois um trenzinho que fez todos circularem pela comemoria para terminar rastejando pelo chão até o backstage. Uma aparição intensa e um espetáculo pós-moderno que não bastasse transpor a sensação de bailão do disco de uma forma extrassonora, ainda terminou trazendo Twin Peaks para o norte do Brasil, transformando o tema da série de David Lynch em um pagodão eletrônico e colocando a própria Laura Palmer (mais uma vez uma criação de inteligência artificial) dançando como se fosse uma bailarina de música pop nordestina, num remix inacreditável para a mais inesquecível melodia de Angelo Badalamenti rebatizada como “Davi do Lins”. Um devaneio físico coletivo memorável.
#negroleo #sescpompeia #trabalhosujo2025shows 065

Já está no ar o registro em vídeo do festival Cecília Viva, que aconteceu no Cine Joia em fevereiro deste ano, reunindo shows de artistas como Boogarins, Crizin da Z.O., Kiko Dinucci, Test, DJ Nuts e a primeira apresentação ao vivo das Rakta desde a pandemia para arrecadar grana para ressuscitar a Associação Cecília, clássico ninho de projetos experimentais musicais em São Paulo que sucumbiu à violência paulistana no começo do ano passado. O filme, feito pela dupla Azideia Filmes (formada por Carlos Motta e Priscilla Fernandes), reúne os melhores momentos dessa histórica noite e capta bem o espírito de agradecimento espalhado entre público e artistas (além de várias aparições minhas no canto, sempre filmando tudo). E não é o último evento: a Associação promete novos eventos de diferentes portes ainda esse ano, o próximo deles acontecendo no dia 15 de maio no Porta, com atrações que serão reveladas em breve.
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Se a grandeza dos Beatles tem um alicerce jornalístico por trás de sua ascensão a partir dos anos 80 (o biógrafo e pesquisador Mark Lewisohn), o escritor David Leaf é a mão que ajudou os Beach Boys – e especificamente Brian Wilson – a serem reconhecidos como um dos maiores nomes da história do rock. Em suas reportagens que logo tornaram-se textos de encarte de reedições e caixas de discos sobre o grupo californiano, Leaf foi instrumental ao transformar o disco Pet Sounds (1966) – que na época de seu lançamento foi rechaçado pela crítica e pelos fãs como uma tentativa pedante de fugir do histórico pueril dos primeiros hits do grupo – em um dos discos mais importantes da história do rock, especificamente por flagrar a rivalidade irmã mas separada por um oceano e dois dias de nascimento entre Brian Wilson (que nasceu dia 20 de junho de 1942) e Paul McCartney (nascido dois dias antes, no mesmo ano). Leaf não apenas entronizou Pet Sounds no panteão dos anos 60 como, a partir de suas pesquisas, transformou um disco tido como fracassado em um santo graal da história do rock. A competição saudável entre Paul e Brian fez o último inventar Pet Sounds a partir do Rubber Soul dos Beatles, que por sua vez foram influenciados pelo disco de 1966 a se reinventarem com o histórico Sgt. Pepper’s. Este último, por sua vez, foi a faísca para Wilson entrar em uma espiral criativa que, embalada por uma megalomania artística movida a LSD, seria a obra-prima dos Beach Boys. Mas o disco Smile não aconteceu porque Brian surtou no processo e o material que deu pra ser aproveitado transformou-se no ótimo Smiley Smile, que apesar da qualidade das músicas, era apenas uma sombra do que Wilson pretendia fazer. Graças aos textos de Leaf, o interesse pelo trabalho de Brian Wilson e pela obra dos Beach Boys ressuscitaram o disco perdido de 1967 e tornaram possível décadas depois, quando o disco foi finalmente finalizado e lançado em 2004. Essa história é recontada no recém-lançado SMiLE: The Rise, Fall, And Resurrection Of Brian Wilson (Omnibus Press), que, em formato de história oral, Leaf recria não apenas o período entre 1966 e 1967, quando entre 2003 e 2004, culminando com a primeira apresentação ao vivo do disco, que aconteceu no Royal Albert Hall londrino no dia 20 de fevereiro de 2004, mesmo ano que o beach boy veio ao Brasil pela primeira vez. Obrigatório para os fãs de Brian. Veja a capa do livro abaixo: Continue

Essa segunda noite da temporada de Paulo Beto no Centro da Terra foi absurda. Reunindo um time sem ressalvas, ele simplesmente deixou o som rolar e a química entre os músicos transformou o palco do teatro num laboratório de improvisos repentinos e composições espontâneas que iam tomando corpo a partir de pequenas doses de ritmo cogitadas por algum dos integrantes da banda Zeroum, sendo seguido ao mesmo tempo pelos outros três numa sintonia finíssima. Na bateria, Edgard Scandurra dava toda a quadratura pós-punk e por vezes kraut que pairava sobre os quatro, temperada pelos synths dessa vez discretos conduzidos por PB, mais presente na guitarra – punk-funk como deveria ser – do que em seu instrumento eletrônico nativo, o baixo de groove cavalar conduzido por Luiz Thunderbird e o vocal caótico e frito de Tatá Aeroplano, tocando seus brinquedos com pedais criando efeitos intuitivamente. Num dado momento, Thunder pegou o microfone e reforçou o caráter instantâneo das composições, reforçando que parte da energia vinha da plateia: “A gente sentiu esse lance Devo vindo de vocês”, reforçou. Uma noite memorável.
#anvilfxnocentrodaterra #anvilfx #paulobeto #centrodaterra #centrodaterra2025 #trabalhosujo2025shows 059

Lana Del Rey mal lançou o primeiro single de seu novo álbum (a lindíssma “Henry, Come On”) como aproveitou o auê pra postar um longo vídeo no Instagram em que ela, depois de agradecer a todos envolvidos nessa nova fase, menciona que talvez o disco atrase e que talvez ele mude de nome de novo (além de ter avisado que semana que vem tem música nova, chamada “Bluebird”). Não bastasse isso, descobriram que a capa do novo single é um print de tela do celular, com direito inclusive à barra de rolagem relativamente visível no canto direito. Ai ai essa mulher… ❤️
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A lenda do reggae nos deixou nessa sexta-feira.

Nossa senhora Patti Smith, que teve um começo de ano tenso aqui no Brasil mas felizmente passa bem, acaba de anunciar o lançamento de mais um livro, outro volume com suas memórias desta vez batizado de Bread of Angels. “Uma clara e escura dança da vida”, como descreveu em um post no Instagram em que mostrou uma foto sua ao lado dos pais, que, segundo ela, inspiraram boa parte do livro. “Deus sussurra por um vinco no papel de parede”, ela escreve na apresentação do livro, descrito pela editora Random House como “uma a infância pós-Segunda Guerra Mundial que se desenrola em um complexo habitacional falido descrito com detalhes dickensianos: crianças tuberculosas, vizinhos desaparecidos, uma casa infestada de ratos e um livro sedutor de contos de fadas irlandeses”, que ainda reforça ser “a memória mais intima de Smith”, misturando seus primeiros encontros com as obras de Arthur Rimbaud e Bob Dylan, a gravação de seus primeiros discos, o relacionamento com o marido guitarrista Fred “Sonic” Smith, num livro que mistura perdas, luto e gratidão. Bread of Angels já está em pré-venda e será lançado nos EUA em novembro deste ano.

Para celebrar o cinquentenário de um dos marcos da psicodelia mundial, o clássico Paebirú, a Rede Lula Côrtes, responsável por cuidar do legado deste artista fundamental da cultura pernambucana, está organizando o primeiro Festival Lula Côrtes, que acontece no próximo dia 8 de maio, véspera do aniversário do mestre, em que seu disco será tocado na íntegra ela banda Anjo Gabriel – além de convidados – numa sessão audiovisual que estão chamando de cineconcerto mágico, que deverá ser gravado e transformado em vinil. A noite ainda contará com apresentação dos lendários Ave Sangria, além de trazer uma mostra com filmes inéditos que Katia Mesel, lendária agitadora cultural daquele período, registrou em super 8 nos anos 70. O festival acontecerá no Teatro do Parque, no Recife, e os ingressos já estão à venda.