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Loki

O Stereolab não está pra brincadeira e soltou mais uma de seu próximo disco, Instant Holograms on Metal Film, o primeiro disco de inéditas em 15 anos, que será lançado no próximo dia 23. E depois da ótima “Aerial Troubles”, que fugia de qualquer expectativa em relação aos próximos passos, eles soltam agora a magnífica “Melodie is a Wound”, que com seus quase oito minutos de groove repetitivo já pode ser considerada um novo clássico da banda anglofrancesa que já tem data marcada para vir ao Brasil.

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Em erupção

Paulo Beto encerrou sua temporada no Centro da Terra nesta segunda-feira em grande estilo, depois de reunir a atual formação de seu Anvil FX para três incursões distintas: o próprio show do Anvil, o projeto paralelo Pink Opake e a participação de Fausto Fawcett, ídolo de PB com quem ele tem trabalhado diretamente nos últimos anos. A apresentação começou com o líder da noite convidando Sílvia Tape, Tatiana Meyer, Apolônia Alexandrina, Mari Crestani e Biba Graeff (esta última voltando aos palcos) para assumirem suas posições, revezando-se entre synths, guitarras e baixos para uma catarse que inicialmente pendia mais para o industrial pós-punk, depois caminhou para o synthpop e culminou com a fusão dessa sonoridade eletrônico sobre o suíngue oitentista dos raps de Fausto, que fez a banda entrar em erupção no último ato: “Tu já te eclesiastes?”, encerrou o bardo.

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Se prepare para uma imersão a um dos maiores artistas do século 20. Pude visitar antes da abertura a exposição Andy Warhol: Pop Art!, que abrirá para a visitação pública a partir do próximo dia 1º, e a mostra, com mais de 600 itens do The Andy Warhol Museum, em Pittsburgh, o maior museu dos Estados Unidos dedicado a um só artista, ocupa 2 mil metros quadrados dois espaços expositivos do Museu de Arte Brasileira da FAAP, o Salão Cultural e a Sala Annie Alvares Penteado, e é de cair o queixo, reunindo itens de todas as fases do artista, desde os tempos em que começou a atuar como ilustrador de moda até seu auge nos anos 1960 e 1970, quando, além de referência estética para o resto do planeta ao criar a pop art, também exercitou os limites da arte ao atuar como cineasta, produtor musical, fotógrafo, editor e até mesmo celebridade, tornando-se uma obra de si mesmo. É a maior exposição sobre Warhol já realizada no Brasil e a maior realizada sobre o artista fora de seu país, reunindo suas polaroides, a reprodução de um painel de madeira que fez para a vitrine da loja Bonwit Teller, as recriações de embalagens de sopa e de sabão em pó transformadas em arte, sua gigantesca Última Ceia, ilustrações de celebridades tão diferentes quanto Elvis Presley, Marilyn Monroe, Mao Tsé-Tung, Michael Jackson, Elizabeth Taylor e Pelé, uma recriação de suas nuvens prateadas, seus longos filmes silenciosos (como Empire, Blow Job, Kiss e Chelsea Girls), seus testes de tela, vídeos com ensaios do Velvet Underground, capas de discos, exemplares de sua revista Interview, entre inúmeros outros itens. A exposição fica em cartaz do dia 1º de maio até o dia 30 de junho, o MAB FAAP fica na Rua Alagoas, 903 e os ingressos já estão à venda. Veja mais imagens abaixo: Continue

Pude assistir no cinema a nova versão para o show que o Pink Floyd gravou sem público nas ruínas da cidade italiana no início de outubro de 1971. Batizada de Pink Floyd at Pompeii – MCMLXXII a nova edição não traz um centímetro de novidades em relação à versão que conhecemos, à exceção de uma excelente restauração de imagem e de som – por isso assistir ao show no cinema foi praticamente obrigatório. Um dos registros de show mais clássicos da história, o filme de Adrian Maben flagra o Pink Floyd em um momento decisivo de sua carreira, quando, depois de anos experimentando possibilidades sônicas após a terem substituído seu fundador, o príncipe psicodélico Syd Barrett, pelo novato David Gilmour, o quarteto finalmente consegue chegar a um equilíbrio musical que vislumbra tanto a atmosfera viajandona dos primeiros anos da banda e os delírios de megalomania que experimentaram nos anos seguintes. A própria ideia de filmar um show em um anfiteatro secular sem a presença do público (e em, várias cenas, de dia), mostra como o Pink Floyd queria mostrar que não era uma banda qualquer e que queria ser reconhecida como clássica numa época em que o rock começava a ter esse tipo de aspiração (o baixista Roger Waters chega inclusive a falar sobre isso no filme). Além das apresentações ao vivo, o filme também traz cenas do grupo nas gravações e na cantina do estúdio de Abbey Road, gravando aquela que seria sua obra-prima, The Dark Side of the Moon, lançado no ano seguinte. Mas são as músicas tocadas ao vivo (em especial as duas partes de “Echoes”, “One of These Days”, “A Saucerful of Secrets” e “Careful with That Axe, Eugene”) o grande trunfo do filme, que ao ser projetado na telona com o som a todo vapor (no Imax então, nem se fala), ganha uma dimensão e uma importância ainda maior. Tanto que o grupo resolveu oficializar esse registro em sua discografia e lança ao mesmo tempo, pela primeira vez, este show como disco, tanto em vinil quanto em CD duplo, quanto como em Blu-ray e DVD (tudo já à venda online), além de disponibilizar seu áudio nas plataformas digitais.

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Arnaldo Antunes apresentou seu Novo Mundo em São Paulo neste fim de semana, quando esteve na choperia do Sesc Pompeia acompanhado de quase a mesma bandaça que o ajudou a erigir seu novo disco – além de Kiko Dinucci na guitarra, Vitor Araújo nos teclados e synths e Betão Aguiar no baixo, o novo grupo tinha Curumin na bateria (em vez do produtor do álbum, Pupillo) e Chico Salem ao violão e guitarras. Mas talvez por ter visto o primeiro dos três shows do fim de semana, na sexta-feira, tenha pego um momento em que eles ainda estavam tateando o novo show, o que fez a noite aquecer do meio pro fim. Com o foco no repertório do novo álbum (mas sem participações especiais – podiam ter chamado Ana Frango Elétrico ou Vandall para participar de uma das músicas), Arnaldo também passeou por outros momentos de sua carreira, visitando tanto Titãs (“O Pulso” e “Comida”, que apareceu no bis) quanto Tribalistas (quando engatou “Já Sei Namorar” logo no começo e “Passe em Casa” antes de terminar a primeira parte) quanto hits de sua carreira solo, mas o show engrenou bonito quando pinçou uma nova (“Tire Seu Passado da Frente”) e emendou com uma versão para o reggaeinho “Cultura”, que, ao deixar na mão dessa banda, virou uma dubzeira cabulosa e o primeiro grande momento desse grupo cinco estrelas soando como uma unidade em si, em vez de mera cama sonora para as canções de Arnaldo. Autor e banda ainda estão se reconhecendo no palco e é inevitável que aos poucos todos soarão como uma só força, mesmo com os holofotes voltados para o poeta.

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Depois de uma estreia de tirar o fòlego em 2023 (com nada menos que o show que João Gilberto fez na inauguração do Sesc Vila Mariana, em 1998), a coleção Relicário, que reúne gravações ao vivo realizados em apresentações musicais nas unidades paulistanas do Serviço Social do Comércio, vem reunindo uma coleção de joias de diferentes épocas e escolas musicais que além de fazer jus ao seu título, também são amostras da importância que o serviço tem na cultura brasileira da virada do século 20 para o século 21. E depois de números com Dona Ivone Lara (também no Vila Mariana, em 1999), João Bosco, Renato Teixeira (ambos em shows próprios no Consolação, em 1978), Adoniran Barbosa (também no Consolação, em 1980) e Zélia Duncan (no Sesc Pompeia, em 1997), o Selo Sesc traz não apenas um registro de um grande nome da música brasileira, mas um momento anterior ao nascimento fonográfico desse ícone, quando ouvimos Arrigo Barnabé reger sua banda com a ópera dodecafônica que lançou sua carreira meses antes de ela ser lançada em disco, provando que sua maturidade musical havia começado antes mesmo de sua discografia. Relicário: Arrigo Barnabé & Banda Sabor de Veneno (ao vivo no Sesc 1980) traz Clara Crocodilo tocada quase idêntica no dia 29 de junho de 1980 no Sesc Consolação, quase um semestre antes de seu lançamento em novembro daquele mesmo ano. A principal mudança é a faixa de abertura, a quase instrumental “Lástima”, que não entrou no disco, substituída por “Acapulco Drive-In”, algumas mudanças na letra de “Diversões Eletrônicas” e a ausência do trombonista Ronei Stella, o responsável pelo figurino da banda, que vestia-se de presidiários a partir de um bloco de carnaval que o músico conseguiu com amigos. O resto da obra é idêntica tanto ao disco lançado em seguida, quanto às apresentações que Arrigo faz até hoje, provando que a saga que assiste a desilusão de um office-boy na cidade grande transformar-se em um monstro mutante inventado num laboratório foi visionária ao antever um futuro alegórico muito parecido com o mundo em que vivemos hoje, sua narrativa picotada que mistura quadrinhos e rádio-jornal muito próxima ao excesso de informações que vivemos via redes sociais. A banda Sabor de Veneno reunida para este show era praticamente a mesma que gravou o disco. Além de Arrigo no vocal principal e no piano, a banda ainda tinha Bozo Barretti (sintetizador e teclados), Chico Guedes (sax tenor), Felix Wagner (clarinete), Gilson Gibson (guitarra), Mané Silveira (sax soprano), o irmão de Arrigo, Paulo Barnabé (bateria), Regina Porto (piano elétrico), Rogério Benatti (percussão), Suzana Salles e Vânia Bastos (vozes), Tavinho Fialho (baixo) e Ubaldo Versolato (sax alto). As únicas ausências que não estão neste show e só apenas no disco são os vocais convidados de Tetê Espíndola, Eliana Estevão, Passoca e Gilberto Mifune, o clarinete de Marcelo Galberti e o cello de Mario Manga. O disco é uma joia irrepreensível, que mostra tanto a importância do Sesc para a realização de apresentações deste tipo quanto a genialidade precoce do autor paranaense, com uma obra intacta como se tivesse sido composta 45 anos depois, em 2025. Muito foda.

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Apesar da chuva, do frio e da quinta-feira, tivemos uma edição quente do Inferninho Trabalho Sujo no Picles com duas catarses lideradas por um homem só. A priimeira aconteceu na volta ensandecida de Monch Monch para o Brasil. Depois de uma temporada em Portugal, o frontman endiabrado Lucas Monch reuniu seu bando mais uma vez para tirar a poeira de músicas antigas e mostrar algumas novas que estarão em seu próximo disco, programado para sair ainda este semestre. O furacão elétrico de noise, rock e loucura contou com participações espontâneas, incluindo sax free jazz e gaita (esta tocada por ninguém menos que o tangolo mango Felipe Vaqueiro), e hits instantâneos como “Merda” e “Jeff Bezos Me Paga Um Pão de Queijo”. Como ele mesmo diz: “AAAAAAAAAAAAAAAAAAH!”

Depois foi a vez de Jair Naves fazer sua estreia (!) no Picles e apesar do tom grave e sério que começou sua apresentação (tocando violão), logo logo o cantor e compositor entrou no clima da noite e se jogou pra cima do público, transformando seu show naquela missa catártica e elétrica que quem acompanha sua carreira bem conhece. O público cantava de cor suas letras densas e quilométricas enquanto ele aproveitou para comemorar a inusitada (atrasada e obviamente festejável) prisão de Fernando Collor, pedindo pra que ela abrisse caminho pra que seu xará também chegasse à cadeia. Uma noite e tanto!

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Ícone queer da música brasileira, Edy Star – que foi o primeiro artista do país a assumir-se publicamente como homossexual, em 1973 – morreu nesta quinta-feira, após complicações devidas a um acidente doméstico. Baiano de Juazeiro, Edivaldo Souza tornou-se Edy Souza quando começou a carreira artística, ao mudar-se para Salvador, primeiro para trabalhar como artista plástico e aos poucos envolvendo-se com a música. Frequentava núcleos distintos da cidade ainda nos anos 60, como a cena rock liderada por Raul Seixas – ainda chamado de Raulzito à época – e a cena do Teatro Vila Velha, influenciada pela bossa nova, que reunia os baianos mais conhecidos da música brasileira (Gil, Caetano, Gal, Bethânia, Tom Zé), mas não era próximo de nenhum destes grupos (embora seja coautor da primeira canção de Gil lançada em compacto, “Procissão”). Tornou-se apresentador de TV na capital baiana ainda naquela década, quando além de trazer todos estes para apresentações no estúdio, também trouxe futuras celebridades da década seguinte, como Pepeu Gomes e Moraes Moreira. Morou um tempo no Recife, quando conheceu e trabalhou com Geraldo Azevedo e Naná Vasconcellos, mas mudou-se para o Rio de Janeiro a convite de Raul, depois de ser demitido da emissora em que trabalhava. No Rio começou a trabalhar sua carreira musical, primeiro no disco conceitual imaginado por Raul Seixas que o reuniu a outros novatos como Sérgio Sampaio e Míriam Batucada. Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10 foi lançado em 1971 e consagrou sua mudança de nome, quando assumiu-se Edy Star e passou a brincar com sua androginia em público. O disco foi recolhido pela gravadora e sua carreira musical só começou de verdade anos depois, quando começou a fazer shows em cabarés na decadente Praça Mauá, no centro do Rio. Suas apresentações fizeram tanto sucesso que ele passou a ser chamado para festas da alta sociedade carioca, quando veio o convite para gravar seu primeiro disco, Sweet Edy (1974), com canções compostas apenas para ele por nomes como Roberto e Erasmo Carlos, Caetano, Gil, Moraes e Luiz Galvão, Jorge Mautner, Getúlio Côrtes, Leno e Raul. Este sucesso o fez ser convidado para a edição brasileira do musical Rocky Horror Picture Show no ano seguinte, quando interpretou o cientista não-binário Frank-N-Furter, abrasileirando o musical com referências ao teatro de revista e chanchadas. Seguiu sua carreira erraticamente até o início dos anos 90, quando mudou-se para a Espanha. Voltou para o Brasil há pouco mais de dez anos, quando foi redescoberto e adotado por uma nova geração, voltando a fazer shows e a gravar discos (como
Cabaré Star, produzido por Zeca Baleiro, em 2017, com participações de Ney Matogrosso, Caetano Veloso, Ângela Maria, Felipe Catto e Emílio Santiago). Seu trabalho mais recente é Meu Amigo Sérgio Sampaio, um tributo ao capixaba kavernista lançado em 2023, um ano antes do lançamento do documentário Antes Que Me Esqueçam, Meu Nome é Edy Star, de Fernando Moraes. Edy havia acabado de gravar um disco em homenagem a outro compadre kavernista, Raul Seixas, que conta com a participação de Edson Cordeiro. Embora não haja nenhuma notícia sobre este disco após seu falecimento, é provável que seu primeiro disco póstumo seja lançado em breve.

O lendário líder do Pere Ubu morreu nesta quarta-feira.

E cês viram que as três temporadas de Twin Peaks vão estrear dia 13 de junho no Mubi? ❤️ Junte ao Os Últimos Dias de Laura Palmer (que já está no catálogo deles) e tudo fica quase completo.

Assista ao trailer abaixo: Continue