
Não se deixe levar pela foto ou pelo histórico: a faixa-título do EP solo de Daniel Johns, é, aquele do Silverchair, não tem nada a ver com seu passado grunge e joga prum lado soul moderno, na linha Chet Faker e Frank Ocean – e ele segura bem a bola, olha só:

“Ain’t No Mountain High Enough” é daqueles momentos em que a música pop desafia a racionalidade e alcança o sublime. O animador Jack Stratton realça uma das armas secretas do hit de Marvin Gaye e Tammi Terrell, o sutil e versátil baixo de James Jamerson, uma verdadeira montanha russa de emoções, que conduz toda a tensão apoteótica da canção:

Já sabemos que o irmão do vocalista do Arcade Fire está às vésperas de lançar seu primeiro disco solo. A novidade é que ele gravou o primeiro clipe do disco que será lançado em março, com a irresistível “Anna”, que vem até com coreografia pronta:

Tudo indica que quase quarenta anos depois da profecia de Peter Tosh, o país mais associado ao consumo de maconha irá legalizar a ganja em seu território. Diz o Guardian:
“Debate could start this month in the country where the drug, known popularly as “ganja”, has long been culturally entrenched but illegal.
The bill would establish a cannabis licensing authority to deal with the regulations needed to cultivate, sell and distribute the herb for medical, scientific and therapeutic purposes. “We need to position ourselves to take advantage of the significant economic opportunities offered by this emerging industry,” he said.
It would make possession of 2 ounces (56g) or less an offence that would not result in a criminal record. Cultivation of five or fewer plants on any premises would be permitted. Rastafarians, who use marijuana as a sacrament, could also legally use it for religious purposes for the first time in Jamaica, where the spiritual movement was founded in the 1930s.
E lá vão quase 40 anos que Peter Tosh cantava:

Hora de dar jogar o holofote no lado trilheiro do diretor John Carpenter.

Parei de me interessar pelos Foo Fighters entre o segundo e o terceiro disco deles. Não é que sejam uma banda ruim, só acho que se tornaram uma versão açucarada (demais) do power pop promissor de seus dois primeiros discos, caindo em uma lacuna entre o rock de arena e o emo que inevitavelmente carregariam milhões de pessoas dispostas a berrar seus refrões. Mas não tenho como não achar inspiradora a figura de David Grohl, didaticamente ensinando aos seus fãs o prazer de se ouvir rock. O triste dessa história é o cara ter que explicar isso, mas dá pra entender perfeitamente sua cruzada pessoal nesses tempos coxinha que vivemos. E ela inclui o bom e velho minisset de covers no meio do show – e no show do Rio na semana passada eles tocaram sua versão xerox (solos idênticos e tudo) para “Tom Sawyer”, do Rush, aquela banda que eternamente será o antônimo de cool:
É muita moral tocar Rush em qualquer época, dizaê.

Logo que Syro, o primeiro disco de Aphex Twin em treze anos, foi lançado no ano passado que comentava-se que Richard D. James demorou tanto para lançá-lo pois havia tirado os últimos anos para organizar sua coleção de gravações próprias, lançadas ou não. E logo após o lançamento de seu primeiro disco de 2015 surge uma conta no Soundcloud (que foi mudando de id com o tempo, sempre acrescentando um zero a mais ao perfil anônimo) que começou a despejar músicas que poderiam ser as produções que James vem organizando desde a virada do século. Ou pelo menos as faixas que ele não tem a intenção de lançar comercialmente. Ou um enorme teste em relação à fidelidade dos fãs. A quantidade de faixas upadas ultrapassa as dezenas (e continuam subindo…) e é quase consenso no fórum oficial de discussão sobre a obra de Aphex Twin que é o próprio Richard quem está subindo os arquivos. Ainda não há uma compilação (oficial ou não) de tudo que foi subido, mas com certeza vamos ouvir (e ouvir falar) muito dele esse 2015…

O empresário Alan McGee já cantava essa bola no ano passado (“só vai dar Psychocandy nos festivais”) e os irmãos Reid acabaram de anunciar nove datas em maio nos Estados Unidos tocando um dos discos mais importantes do indie rock na íntegra. Psychocandy completa 30 anos em 1985 e é um show que com certeza passa pelo Brasil esse ano (resta saber quem traz). Eis as datas que já foram anunciadas (e se liga que ainda tem Europa e outro naco dos EUA pra serem cobertos):
1º – Toronto
3 – Detroit
5 – Chicago
7 – Dallas
9 – Austin (detalhe: no Austin Psych Fest)
11 – Denver
13 – Vancouver
14 – Seattle
16 – San Francisco
Vai que alguém tá na área ou programando férias…

