
Adriano Cintra não pára e depois de lançar seu primeiro disco solo no ano passado e começar a rascunhar um novo disco do Ultrasom (falo mais disso depois), reativou o Caxabaxa, mesmo que momentaneamente: “O Caxa tá ativo agora porque o Carlinhos tá em SP por uns dias e temos que aproveitar, ele mora em Santa Catarina e é complicado essa história de fazer música interestadual”, me disse. Fizeram show nesse fim de semana e a primeira indireta do mal que lançaram esse ano é essa pérola.

O projeto solar de Andy Cabic volta a dar notícia depois de quase quatro anos sem novidades. O Vetiver já deu duas amostras do som do próximo disco, Complete Strangers, mais groovy (“Current Carry” tem um violãozinho chacundum bem brasileiro) e mas igualmente sussa como já sabemos… Coisa fina.
O disco sai no finzinho de abril, mas já está em pré-venda.

Atenção: comercial de carros com alto grau de nerdismo.
Ave, Nimoy.

A piada recorrente em qualquer show do Kraftwerk desde que eles passaram a usar tecnologia digital é que em vez de tocar instrumentos, sincronizar música com vídeo ou disparar samples, os quatro alemães ficam apenas em seus laptops checando emails, navegando a esmo na internet ou conversando com amigos online, fingindo fazer um show enquanto passam uma hora em pé na lan house mais restrita – e vigiada – do mundo. A revista alemã Faze descolou imagens da banda se apresentando em Amsterdã em janeiro, com imagens de cima do palco, que torna visível o equipamento dos integrantes do banda. Inclusive o de Falk Grieffenhagen, que visita um site que parece ser uma espécie de tutorial do iPhone ou coisa do tipo. Confira a partir de quatro minutos e meio:
Mas se você se der ao trabalho de assistir ao vídeo todo, vai ver que a banda está realmente tocando e mexendo em equalizadores digitais, teclados e outros instrumentos eletrônicos. São quatro caras trabalhando na sincronia de beats e imagens, então tudo bem se um deles quer entrar na internet mesmo que pra checar emails. Se tem gente que tira foto do Instagram no palco durante o show, não acho que isso seja tão diferente assim. E, porra, os caras são os Kraftwerk e inventaram tudo isso, afinal de contas…

Já falei que o Nile Rodgers está mexendo no baú do Chic e resgata pérolas esquecidas de seu passado disco music num disco que vai ser lançado este mês. E ele twittou que o disco tem a participação do Daft Punk… em vídeo!
Daft Punk made a touching film for my new record-Here's a still from it #SoulTrain #disco #funk @nilerodgers teaser pic.twitter.com/XHXNMijAuN
— Nile Rodgers (@nilerodgers) February 21, 2015
Segundo outro tweet do velho guitarrista, o filme (que deve ser um promo) deve ser lançado dentro de semanas. Vamos aguardar, mas que deve vir sonzeira, isso deve…

Jonny Greenwood aproveitou as férias do Radiohead – que voltam agora em março a gravar o próximo álbum – pra se enfurnar em um castelo na Índia com 12 músicos locais e o israelense Shye Ben Tzur e gravar um disco. Sobre a experiência, ele disse em entrevista ao Sunday Guardian “é difícil tocar com músicos indianos e não parecer que você está arruinando algo ao pendurar acordes ou deixar as coisas mais brutais ou menos ambíguas. Isso é o que é ótimo na música indiana, a forma fluida das melodias, como elas respiram e vivem. O rock é muito rígido.” Abaixo uma apresentação de Greenwood ao lado de Shye Ben no ano passado.
E não custa lembrar que, além do disco novo do Radiohead, Greenwood ainda encontra tempo pra trabalhar com a London Contemporary Orchestra e fazer trilhas pro amigo Paul Thomas Anderson.

Esqueci de comentar a sonzeira que o BaianaSystem lançou antes do carnaval começar. “Playsom” (que pode ser baixada de graça no site da banda) não só é a primeira amostra do som da banda sob a tutela do produtor Daniel Ganjaman (que começa a esmerilhar todo seu know how jamaicano no que pode ser o seu grande disco de dub brasileiro) como foi trilha sonora pra folia no carnaval de Salvador deste ano.
O BaianaSystem é uma importante ponta do iceberg das mutações que estão acontecendo no cenário pop em Salvador e não por isso escolhi conversar com seu líder e guitarrista Beto Barreto na matéria que fiz pro UOL sobre a crise da axé music.
O Baiana – como é conhecido pelos fãs – está puxando uma lenta transformação no carnaval de Salvador que tem a ver com o desgaste artístico e econômico do modelo de negócios criado com a axé music e no carnaval deste ano arrastou multidões ao tocar em trios sem cordas, fazendo a muvuca misturar públicos e estilos musicais na melhor concepção da convulsão cultural que deveria ser o carnaval. Olha só essa foto do iBahia da banda sobre o trio Nave Pirata:

E a massa cantando o refrão de “Terapia“, música sampleada na própria “Playsom”?
O sucesso do BaianaSystem está ligado não só à crise da axé music mas também da crise do modelo de camarotização/área VIP que tem se tornado tradicional no Brasil nos últimos 20 anos e que, não por acaso, teve uma forte popularização a partir da Bahia (não apenas no carnaval de Salvador mas também na transmutação de Trancoso numa “Cannes tropical”, como nos lembra a Marina Rossi neste texto pro El País). Tomara que se espalhe pelo país essa noção de que, no fundo, todos somos pipoca.


