Eis a matéria que fiz pra Ilustrada com o Cidadão Instigado sobre seu novo disco, Fortaleza, que sai em breve…

Cidadão Instigado aposta em rock pesado
‘Fortaleza’, novo disco da banda, bebe na fonte dos anos 70 e traz influências de grupos como Led Zeppelin e Pink Floyd
“Nossas raízes são essas”, explica Fernando Catatau sobre o acento setentista impregnado no quinto disco de sua banda, o Cidadão Instigado. “É o som que a gente sempre quis”. A espera pelo disco, que só para sair, é compensada na afirmação mais pesada do grupo: o épico Fortaleza, que chega à internet e aos palcos neste início de abril. A banda disponibiliza o disco para download gratuito ainda esta semana em sua página do Facebook (/bandacidadaoinstigado) e apresenta-se no palco do Sesc Pompeia na quinta (9/4) e sexta-feira (10/4) da semana que vem.
Fortaleza é o álbum mais ambicioso do Cidadão Instigado, cheio de riffs memoráveis, grooves de rock e coros de platéia. Saem os teclados do ensolarado Uhuuu! (2009) para a entrada de vocais e violões contemplativos. E, embora pesado em sua extensão, ele também traz momentos tranquilos e líricos.
O disco é o resultado final de um processo que começou em janeiro de 2012, quando a banda passou doze dias enfurnada em uma casa de praia de Icaraizinho de Amontada, próxima a Jericoacoara, no Ceará, arranjando as canções de Catatau.
Um ano depois se reencontraram no estúdio paulistano El Rocha onde gravaram as bases. “Continuamos laboratoreando”, emenda Catatau sobre as gravações que se seguiram entre os estúdios caseiros da banda até o início deste ano, quando foram gravados os vocais logo após o carnaval.
“Foi um processo parecido com a mudança entre o Ciclo da De:Cadência (de 2002) e o Método Túfo de Experiências (de 2005), de reinventar tudo”, conta o guitarrista, lembrado pelos outros integrantes sobre a época em que pensou até em mudar o nome da banda.
Mudanças
A mudança desta vez foi na formação: o guitarrista Régis Damasceno foi para o baixo, o baixista Rian Batista assumiu violões e teclados e o tecladista Dustan Gallas tomou conta da segunda guitarra.
Só Catatau, o técnico Kalil Alaia e o baterista Clayton Martin permaneceram nos mesmos lugares. A mudança traz novos e notáveis ares ao grupo.
Nesse processo surgiu o título do disco, que deu o rumo pesado da produção. A banda cita Led Zeppelin, Black Sabbath, Raul Seixas e Thin Lizzy como influências. Além, claro, do Pink Floyd, pois as gravações ocorreram ao mesmo tempo em que a banda fazia apresentações tocando a íntegra do clássico Dark Side of the Moon (1973).
“Começamos a reparar no desenho das músicas, como uma se encaixava na outra e como iam do estúdio para o palco”, explica Régis.
Clayton também fala sobre como mapa de palco do grupo inglês – que toca alinhado horizontalmente – ajudou o Cidadão a se reinventar ao vivo. O Pink Floyd também foi crucial para uma das assinaturas do novo disco, os arranjos vocais quase sempre naquele falsete de soft rock dos anos 70, que ficaram a cargo de Rian.
Declaração de amor
O nome da capital cearense inevitavelmente levou à composição da faixa-título, uma declaração de amor à cidade natal da banda, que ao mesmo tempo questiona os valores da sociedade atual (“Cidade marginal!”, canta dúbio Catatau).
“Não é uma música só sobre Fortaleza, fala do que aconteceu com o mundo todo, essa cara de banheiro de shopping de Miami. Eu sou o único paulistano da banda e vi isso acontecer no meu bairro, a Moóca”, reforça o baterista Clayton sobre a música que ainda conta com a participação do guitarrista Dado Villa-Lobos, do Legião Urbana, nos violões.
A referência à capital cearense quase trouxe o arcano hotel Iracema Plaza, para a capa do disco. Mas, como explica Regis, “o título não é um nome próprio, é um substantivo” e a banda optou pela capa preta com o nome da banda escrito em letras pontiagudas para enfatizar sua raiz rock e exigir o trono do gênero no Brasil. As credenciais estão à mostra.
FORTALEZA
Artista | Cidadão Instigado
Gravadora | independente
Quanto | grátis (www.facebook.com/bandacidadaoinstigado)
Shows | 9 e 10/4, às 21h30, Sesc Pompeia, r. Clélia, 93; tel. (11) 3871-7700; de R$ 9 a R$ 30.
Fortaleza dissecada
“Até que Enfim”
Baixo e bateria recebem o ouvinte com um galope à Saucerful of Secrets que ganha ares de velho oeste à entrada da guitarra e ao violão.
“Dizem que Sou Louco por Você”
Uma canção de amor que abre com um riff mortal e fecha com outro pesadaço.
“Os Viajantes”
Uma balada psicodélica com um solo cortante e vocais de Doobie Brothers.
“Perto de Mim”
“Ah se fosse assim eternamente eu só chorava…” Uma triste canção ao violão, que ganha ares de space rock graças às entradas das guitarras, teclados e vocais.
“Ficção Científica”
A paranoia de Catatau com os avanços tecnológicos traduz-se em uma faixa com várias facetas – pesada, dançante, lírica e alucinógena.
“Fortaleza”
“Minha Fortaleza ‘réia’ o que fizeram com você?”, pergunta o épico repente elétrico, apontando dedos para “os governantes” e “a elite” que desfiguraram a capital cearense.
“Besouros e Borboletas”
O “lado B” do disco abre com uma avalanche de groove lisérgico, que torna-se uma pacata canção para tocar na rádio AM, com todos os “u-uhs” e “a-ahs” que tem direito.
“Dudu Vivi Dada”
A bela balada melancólica – que também tem suas doses de riffs e arranjos vocais – é um dos melhores momentos do disco.
“Land of Light”
Um reggaeinho aparentemente inofensivo, é uma das gratas surpresas do disco – e ainda puxa a levada do samba-reggae em seu último minuto.
“Green Card”
Refrão para ser cantado em uníssono, riff de metal que conversa com timbres eletrônicos e guitarras que solam à distância, a faixa ironiza a fila para conseguir cidadania norte-americana.
“Quando a Máscara Cai”
Outra faixa bem pesada, é a segunda parte da faixa “Zé Doidim” do disco O Ciclo da Dê:Cadência, de 2002.
“Lá Lá, Lá Lá Lá Lá…”
O disco termina como se os Beatles fizessem uma faixa vocal sem letras para cantar o por – ou o nascer – do sol.
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Quando Mike Judge anunciou que iria produzir uma série pra tirar sarro da cultura de startups do Vale do Silício, tudo indicava que ele iria usar a nova produção para destilar diferentes vertentes de seu humor: o nerdismo psicopata e antissocial de Beavis & Butthead, a crítica ao mundo dos escritórios do subestimado Como Enlouquecer seu Chefe, o dedo nos nossos olhos capitalistas de Idiocracy, a bundamolice white trash de King of the Hill. Tudo embalado numa espécie de Entourage dos investidores capitalistas e programadores que viram bilionários.
Mas a primeira temporada foi apenas um ensaio disso e ficou mais entre um Big Bang Theory menos família e mais ácido. Mas no último episódio da série tudo se inverteu e pode ser que tenhamos assistido apenas a um prequel – e um rascunho – do que pode ser esse seriado. Já conhecemos os personagens, seus talentos e defeitos, agora é só torcer pra que Judge estivesse só nos instigando…
A segunda temporada do seriado começa no meio de abril.

O Cidadão Instigado prepara-se para lançar seu quinto disco e, olha, vem uma pedrada aí…
A banda cearense lança seu disco no começo de abril nos dias 9 e 10 de abril, na Choperia do Sesc Pompéia. Os ingressos começam a ser vendidos na terça (online) e quarta (nas unidades do Sesc). Não perca.

É preciso tirar o chapéu pro senso de oportunidade desse ícone do pop brasileiro.

Uma sensação de paz intensa tomou conta do pequeno teatro do Sesc Belenzinho, quando poucos puderam submeter-se ao volume sonoro do sexteto instrumental Ruído/mm, em mais uma apresentação de lançamento de seu ótimo Rasura, um dos grandes discos brasileiros do ano passado. Impassíveis no palco, os seis músicos curitibanos conduzem o público a um transe coletivo a partir de camadas de microfonia que vão superpondo-se e retraindo-se à medida em que oscilam entre o silêncio e o volume ensurdecedor, transitando entre estes em solos dedilhados, acordes expansivos, melodias ao teclado, gritos, galopes de baixo e bateria.
É o jardim elétrico cultivado pelo My Bloody Valentine e pelo Sonic Youth nos anos 80 que ergueu-se sem voz com o codinome de pós-rock na década seguinte, aglomerando influências vindas do free jazz, da música eletrônica, de trilhas sonoras de filmes, do pós-punk e da música erudita contemporânea. A massa viva de som habitada pelo Ruído/mm é uma densa floresta de improvisos musicais em que o grupo extrai recortes específicos de uma musicalidade que quase sempre recaem naquele universo instrumental de ruído branco do que preguiçosamente convencionamos chamar de indie rock: a psicodelia estática branca que une os devaneios instrumentais do Cure, o lado contemplativo do Low de David Bowie, as extensas incursões instrumentais do Yo La Tengo, os espasmos de guitarra do Radiohead e do Built to Spill, os longos caminhos percorridos pelo Spiritualized e pelo Galaxie 500.
No palco, o grupo encarna essas diferentes personalidades. Os três guitarristas quase que de forma didática dividem suas influências no vestuário casual, cada um levemente pendendo para um lado. À esquerda, André Ramiro de camisa xadrez e boné equilibra-se entre espasmos de eletricidade e solos cortantes que entregam influências do shoegaze, hardcore e do noise; ao centro, Ricardo Oliveira, de camisa e cabelos compridos, burila seu instrumento conduzindo-o para planetas musicais tão diferentes quanto National, Radiohead e Sigur Rós; à direita, o recém-regresso Felipe Aires, vestindo uma camiseta do Lost, vai da psicodelia tradicional dos solos de David Gilmour no Pink Floyd a climas de filmes de velho oeste. Os três na linha de frente quase sempre sentam-se no palco entre as canções para ajustar pedais e brincar com a microfonia. Na linha de trás, o tecladista Alexandre Liblik conversa com o baixista Rafael Panke e o baterista Giva Farina criando camas de timbres ou ritmos intensos propícios para cada diferente incursão. A formação mudou poucas vezes, apenas com Felipe assumindo um theremin digital para contrapor ao canto em falsete de Ricardo em “Penhascos, Desfiladeiros e Outros Sonhos de Fuga”, ou André e Alexandre tocando chocalhos ao final de “Bandon”.
Arquitetos conscientes de pequenas catedrais de som, eles poderiam esticar cada uma de suas músicas por mais de dez minutos, mas quando muito elas ultrapassavam os cinco (uma ou outra quase chegou nos dez). O grupo explora bem silêncios e estica temas instrumentais o suficiente para serem memorizados pelo público sem repeti-los à exaustão, como se enfatizassem a eficácia matemática explícita no “por mílimetro” de seu nome. Tocando a íntegra do novo disco e apenas uma canção de seus discos anteriores, o sexteto de Curitiba fez uma apresentação impecável que apenas reforça sua reputação, que já tem mais de uma década.
Filmei o show inteiro abaixo – ponha os fones e aperte o play.

Pattoli e Nathalie Folco debulharam a pistinha do Alberta na sexta passada com doses cavalares de groove pop – as fotos da Natália não me deixam mentir. Sexta que vem é a minha vez de voltar ao comando da noite e eu chamei a Camila e a Giovana do Batom Vermelho pra não ter tempo ruim. Mas antes tem a quinta-feira, que é véspera de feriado e vai ter Analógicodigital na Trackers… 😉

David Duchovny e Chris Carter começaram a esboçar como vai ser a curta décima temporada de Arquivo X, que começa a ser filmada no meio do ano. Comentei sobre entrevistas dadas pelos dois lá no meu blog do UOL: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/03/29/o-que-podemos-esperar-do-novo-arquivo-x/
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David Duchovny e Gillian Anderson na encarnação mais recente da dupla Mulder e Scully, no filme de 2008
Nem bem foi confirmada pela emissora norte-americana Fox na semana passada e a nova temporada de Arquivo X já começa a ser desenhada em nossa frente. Duas entrevistas recentes, com o criador da série Chris Carter e seu protagonista David Duchovny anteciparam algumas expectativas em relação ao que podemos esperar desta décima safra de episódios – seis, numa curta temporada, que começa a ser produzida no meio do ano.
E em Vancouver, no Canadá, onde foram filmadas – por questões de orçamento – as cinco primeiras temporadas da série. Foi uma das revelações que David Duchovny fez a Jeremy Egner, do blog ArtsBeat do jornal New York Times. Ele ainda contou que os seis episódios terão tanto histórias que serão iniciadas e terminadas num mesmo programa quanto terão relação com o extenso imaginário da série. “Vamos fazer ambos, mas eu tenho certeza que começará e terminará com a mitologia”, contou o ator, que atualmente está envolvido na produção do seriado Aquarius.
Duchovny também está ansioso para voltar ao personagem depois de evoluir como ator: “Se eu voltasse ao primeiro ou segundo ano do programa, eu não atuaria como aquele cara. Eu sou capaz de fazer melhor. Ela (Gillian Anderson, sua parceira de investigação na série no papel de Dana Scully) é capaz de fazer melhor. Será interessante ver os mesmos personagens com atores melhorados.” Duchovny também riu sobre a possibilidade da volta do clássico personagem Fumante (também conhecido por Canceroso), vivido por William B. Davis. “Ele será o Mascador de Chiclete”, disse brincando.
A outra entrevista da semana passada, que Chris Carter deu ao site X Files News, revelou ainda mais detalhes da produção. O criador da série contou que a nova versão se passará nos dias de hoje e explicará, entre outras coisas, porque a colonização alienígena, agendada para acontecer no final de 2012 segundo a série original, não foi realizada. Ele só não sabe o quanto esta explicação tomará conta dos novos episódios: “Não sei como irei abordar: se de uma forma grande, discreta ou moderna, se menciono ou se é um ponto no roteiro”, explicou.
Carter também conta que tem ideias para todos os personagens e que estão conversando com Mitch Pileggi (o diretor Walter Skinner), Annabeth Gish (a agente Monica Reyes) e Robert Patrick (o agente John Doggett) para que eles possam voltar aos velhos papéis, além da participação de Davis como o próprio Canceroso. A situação atrás das câmeras é semelhante e Carter já está falando com velhos produtores e roteiristas, como Glen Morgan (já confirmado), Darin Morgan, Jim Wong (quase confirmados) e Frank Spotnitz (em negociação).
A nova temporada também costurará os acontecimentos do filme de 2008 (Arquivo X: Eu Quero Acreditar) com a mitologia original da série e o novo material deste ano. “Estamos fazendo de tudo para que a espera tenha valido a pena”, comemorou Carter.

Muito delírio esse clipe que o Sinkane pra sua chapada “Young Trouble”…

Mais um degrau na espera do novo Built to Spill – e dessa vez em vídeo. A faixa “Living Zoo” ganha um clipe que narra o encontro de duas espécies de lókis:

