
O cearense Mateus Fazeno Rock desde o início do ano vem preparando o terreno para seu novo momento, quando lança seu terceiro disco, Lá Na Zárea Todos Querem Viver Bem, no início do próximo mês, dia 1º de agosto. Produzido por Fernando Catatau (que também toca no álbum) e Rafael Ramos, o artista revela a capa do novo álbum em primeira mão para o Trabalho Sujo, depois de lançar os singles “Arte Mata” e “Melô do Sossego”.

“As ilustrações que compõem a capa foram criadas por Suellem Cosme, aqui do Ceará, que reside em Fortaleza e trabalha com gravura, cerâmica e tal”, me explica o próprio Mateus por email, ao reforçar que a ilustração saiu de uma estampa que a artista fez para a toalha de mesa do clipe de “Melô do Sossego”. “Ela tem uma pesquisa que coincidiu com o nossa nossa pesquisa de identidade visual, buscando imagens e referências de festividades negras em algum sentido, e o trabalho dela, atualmente, está muito baseado nesse lugar”, rerforçando a luz da imagem escolhida, como “dourada, solar, que traz nessas cores a subjetividade que o álbum representa”. Veja abaixo os dois clipes já lançados e a relação do nome das músicas do disco, que ele também antecipou pra cá: Continue

Ao anunciar que fariam uma noite mais voltada às canções nesta segunda-feira, dentro de sua temporada 4A no Centro da Terra, a dupla carioca Kartas – formada por Marcela Mara e Zozio e sempre acompanhada por Guilherme Paz e Karin Santa Rosa – apenas estabelecia pontos mais formais e fechados de trocas de andamento, às vezes até subitamente. Na apresentação com a qual abriram a cena, foram acompanhados pelos efeitos do Pacola e do Berna, cada um deles num canto do palco disparando efeitos e ruídos que serviam como texturas para as bordoadas rítmicas do quarteto central, que além de entregar-se ao ritmo robótico e repetitivo por várias vezes, seguiam trocando de instrumentos como nas outras segundas-feiras, acompanhados por timbres específicos quase sempre presentes – a rabeca de Bruno Trchmnn e o trompete piccoli de Marcos Campello, que apareceu em cima da hora sem ser anunciado. Única voz nesta apresentação, Mara ainda teve um momento solo de tirar o fôlego, acelerando átomos nas cabeças de todos os presentes. E eles anunciaram que, na próxima, terão algumas surpresas… Estejam avisados.
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Fui até fazer as contas pra checar, mas apesar deste ter sido o primeiro show do Delta Estácio Blues de Juçara Marçal que vi este ano, foi o décimo que vi desde que ela o lançou pela primeira vez ao vivo há mais de dois anos e meio, no teatro do Sesc Pinheiros. Acompanhei a gestação desse trabalho de perto, mesmo antes de transformar-se em show, quando Juçara e seu produtor e compadre Kiko Dinucci ergueram um contraponto transversal ao seu primeiro disco solo Encarnado ao reunir pedaços de sons como bases instrumentais para canções encomendadas para outros camaradas e cúmplices musicais. Uma vez lançado, o desafio foi transformar aquele conjunto de fonogramas numa apresentação ao vivo, atingido com louvor quando os dois reuniram-se ao velho chapa Marcelo Cabral e a então desconhecida Alana Ananias, erguendo o disco num espetáculo ao vivo. O resultado anda no fio da navalha entre o noise elétrico e o eletrônico industrial, transformando a coleção de sambas tortos compostos ao lado de Tulipa Ruiz, Maria Beraldo, Negro Leo, Jadsa, Rodrigo Ogi e Douglas Germano num atordoo físico e emocional que até hoje considero o melhor show do Brasil. E depois de acompanhar a evolução deste organismo vivo nestes últimos anos, cada vez mais desenfreado e arrebatador, foi uma felicidade reencontrá-lo em mais uma edição desse transe elétrico, desta vez no Sesc Consolação e intensificado pelas luzes de Olívia Munhoz, que começou a trabalhar com Juçara no ano passado, quando ela comemorou os dez anos do Encarnado, e entrou para o time DEB encontrando uma intensidade irmã das luzes que fez no show do ano passado. Sempre foda.
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Desbravamos mais um ano do Inferninho Trabalho Sujo mostrando uma nova geração de artistas que está vindo com tudo nesta década ao mesmo tempo em que espalhamos a festa por diferentes casas da cidade. Desta vez, chegamos pela primeira vez na Ocupação Fervo, que desde o começo do ano está agitando ali na Água Branca. Quem abre a noite é a banda paulistana psicodélica Tubo de Ensaio, estreando no Inferninho, que vem mostrar seu recém-lançado primeiro disco Endofloema, que conecta diferentes pontas, de diferentes épocas, da música lisérgica brasileira. Depois é a vez do noise açucarado do Tutu Naná, quarteto de Maringá residente em São Paulo que acaba de lançar mais um disco, o inspirado Itaboraí, batizado com o nome da rua em que moram – juntos, tocando quase todo dia – na cidade. A casa abre às 18h e o primeiro show começa às 21h – e enquanto as bandas não estiverem tocando eu discoteco. O Fervo fica na rua Carijós, 248, na Água Branca, e dá para vir tanto pela rua Guaicurus (perto do Sesc Pompeia), quanto pelo outro lado do trilho do trem – e o melhor é que não custa nada pra entrar, é só chegar! Vamos nessa!

A banda de Kevin Parker acaba de deixar um link pra quem quiser comprar antecipadamente um vinil 12 polegadas que traz apenas os números [7:14] no rótulo… O quinto disco do Tame Impala está chegando…
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O Daft Punk acabou mesmo? Porque vez por outra a dupla francesa aparece com algo pra que a gente não esqueça de sua existência – e desta vez, em parceria com a marca Pleasure, o grupo lança uma série de produtos, que vão de peças de vestuário a suportes de livros, bola de futebol, carteira e até um jogo de dardos. Uma boa ação de marketing, mas será que vai vir além disso?
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Um festival de jazz com Dom Salvador, Rosa Passos, João Bosco, Vanessa Moreno e Michael Pipoquinha, Banda Black Rio, Chico César e Fabiana Cozza, Egberto Gismonti, entre outros músicos. Melhor: de graça. Esse é o Cerrado Jazz Festival, que acontece em na Caixa Cultural de Brasília, entre os dias 7 e 10 de agosto desse ano, e mostra como é possível fazer festivais sem precisar apelar pra nomes gigantescos, hypes da vez e dezenas de artistas. Coisa fina.
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Lembra que o Kevin Parker tocou uma música inédita do Tame Impala quando discotecou em Barcelona na época do festival Primavera Sounds? Pois ele abriu a semana postando uma galeria de fotos em seu Instagram que, ao que tudo indica, acompanha o processo de produção do novo álbum – de cenas no estúdio a fotos de divulgação, passando por encontro com amigos e listas do que deveria ser feito, além do barrigão de sua companheira Sophie Lawrence, que espera o segundo filho do casal – escrevendo “estive ocupado” na legenda. Nesta terça ele atualizou seu site com uma paisagem estéril com um link para quem quiser deixar seus contatos para saber das novidades em cima da hora. Por isso prepare-se que o quinto disco do Tame Impala vai vir de uma hora pra outra.
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Outra segunda-feira com os Kartas no Centro da Terra e de novo entramos num território desconhecido, desta vez selvático e silvestre, com o grupo invocando características caóticas da natureza entre chocalhos, tambores, apitos e corpos em movimento, que começaram a noite com entrada de Herika Reis Kohl e Nova Buttler em tríade com a vocalista Marcela Mara. À medida em que adentrávamos no abismo percussivo, aos poucos revelava-se a voz e o berimbau de Paola Ribeiro, o pulso e timbres de Cacá Amaral e Paula Rebellato e o sopro de Eldra, acompanhando o quarteto central – Mara, Zozio, Guilherme Paz e Karin Santa Rosa (além da pequena Cora, sempre à espreita) – que dividiram-se entre batuques e guizos, baixo e rabeca, tambores e pratos, sempre abrindo clareiras mentais no breu cênico lindamente iluminado por Mau Schramm e interrompido uma única vez, com a entrada autoritária do drone ambient ativado pela instalação sonora de Gustavo Torres, num ótimo contraponto às fronteiras “indomesticáveis”, como repetia Mara na parte final, que tomaram conta da noite.
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Não é novidade que os gerentes do poder público paulista sempre se posicionam de forma agressiva quando artistas que se colocam politicamente contra o posicionamento ideológico do governador ou do prefeito da vez e desta vez a vítima foi a banda Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo, que fazia um show de graça na Praça do Patriarca dentro da programação do dia do rock promovida pela prefeitura de São Paulo, na sexta-feira, e foi vítima de censura. Primeiro desligaram o telão da banda que mostrava números sobre a situação dos moradores de rua na cidade e a bandeira do estado palestino, entre outras mensagens, e depois o próprio microfone da Sophia, que, como é de costume, não deixou barato e partiu pra cima, mesmo sem som.

Também não é novidade que a banda está apertando cada vez mais a questão política em seus shows, desde o uso constante que a vocalista faz de um keffiyeh enrolado no pescoço ao próprio uso do telão – como fizeram em sua apresentação no Lollapalooza deste ano, exigindo a prisão de Bolsonaro – como ferramenta de protesto, compondo inclusive músicas que tocam especificamente nesta questão, como as inéditas que apresentaram pela primeira vez neste primeiro grande festival, transmitido pela TV. E que bom que eles estão dando a cara – todo artista tem que se posicionar politicamente! Logo depois da censura, Sophia soltou um vídeo deixando bem clara sua posição política e botando o dedo na cara do prefeito Ricardo Nunes. “A gente não foi contratado pelo prefeito, a gente foi contratado pela prefeitura, a prefeitura é dinheiro de todos nós, povo de São Paulo”, reclamou em vídeo divulgado em contas de Instagram, antes de ameaçar de volta: “Eles acharam que iam calar a gente agora fazendo esse tipo de coisa, mas eles criaram um monstro que vai ser a nossa resposta”, continuou Sophia, que arrematou, que “não vão silenciar o rock, porque o rock é transgressor e propõe mudanças. Sejamos radicais”
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