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Loki

umo_phone

Mais um clipe tirado do disco novo do Unknown Mortal Orchestra. Desta vez a faixa escolhida é a excelente “Can’t Keep Checking My Phone”, que vira uma espécie de supertrunfo de esquitices na mão do diretor Dimitri Basl: “Sua letra é tão elusiva que eu decidi que uma só idéia não faria justiça à faixa, então minha abordagem foi apresentar várias ideias como se fosse um jogo de cards, como Marte Ataca, que tem uma descrição rápida acompanhada de ilustrações. Neste caso o jogo é sobre ocorrências, síndromes e fenômenos estranhos”, explica o diretor na descrição do vídeo no YouTube. É a tal psicodelia 2015…

florence

Mais uma música da Florence + the Machine que é salva por um remix – e desta vez é o Hot Chip quem consegue o feito (apesar de manter o refrão insuportável).

O outro remix você lembra né? Aquela esticada de mestre que o Nicolas Jaar deu em “What Kind of Man” no início do ano.

ianramil

Às vésperas de encerrar o crowdfunding de seu segundo disco, o gaúcho Ian Ramil disponibiliza o compacto virtual “Coquetel Molotov” / “Devagarinho” – dois extremos de um disco que, segundo seu autor, era o primeiro disco que queria fazer na vida. “Esse disco é o que eu venho querendo fazer há três anos”, ele explica na página da campanha, “compus as 10 músicas entre meio de 2012 e final de 2014, ou seja, antes mesmo de sair o meu primeiro álbum, quase todas essas músicas já existiam. Em janeiro passado eu e a minha banda – os da foto: Martin Estevez, bateria, Felipe Zancanaro, guitarra, Guilherme Ceron, baixo e Pedro Dom, piano e clarinete -, meus parceiros de estrada há tempos, fomos pra Pelotas e passamos 15 dias imersos na casa onde vivi minha infânciadolescência. Lá gravamos Derivacivilização. No meu ex-quarto montamos a técnica, de onde o nosso presidente Lauro Maia pilotava o equipamento do estúdio A Vapor, enquanto a gente baixava a lenha na sala e o Ternura documentava o processo.”

Além das duas novas faixas, Ian já havia postado a quadrada “Salvo-Conduto” no YouTube no fim do mês passado. E o conjunto das três canções apontam para um disco bem mais estranho e difícil do que o primeiro disco batizado apenas com seu prenome.

ALEIXO_RESTAURANTE

Nosso português favorito vai lançar o primeiro livro – e é de gastronomia! Faça 50 pratos (49 são iguarias…) existir e bancar mais uma áudio-temporada da série de Bruno Aleixo. Eis o conceito do livro:

Livro onde falo dos meus 49 pratos preferidos. Inclui textos apreciativo-descritivos, contextualização histórica, críticas e receitas.

Já muitas vezes me têm perguntado pelos 50 pratos do Jogo dos 50 Pratos. Só são conhecidos 3: carapaus à espanhola (calhou-me a mim), jardineira (calhou ao Manuel João Vieira) e cocó (calhou ao Nuno Markl). Sobram 47. Alguns bons, outros mais ou menos, metidos à força só para perfazer os 50.

Resolvi escrever um livro sobre eles. Como são, onde os comi a primeira vez, que recordações me trazem, porque é que gosto deles, como se fazem, etc. Tudo isto vai lá estar. E com ilustrações feitas por mim, em esferográfica, sobre guardanapo ou toalha de mesa.

Bónus: por cada 25 livros vendidos, faço um episódio de Aleixo FM para a internet

SOBRE O PROMOTOR
Sendo uma personalidade influente da vida portuguesa, já estava na altura de lançar um livro sobre mim. O povo assim o pediu. E nada diz mais sobre o carácter dum homem do que aquilo que ele põe no prato, sobretudo a nível de quantidade.

Vivo em Coimbra. Tenho 58 anos mas pareço mais novo. Estudei na Faculdade de Direito mas sei falar sobre assuntos relativos a todas as outras faculdades (mais que muita gente que la tenha tirado o curso).

Considero-me uma autoridade a nível de cozinha na óptica do utilizador. Sou a pessoa que Portugal precisa neste momento, uma vez que sou imune às pressões da Era da Gourmetização em que vivemos. Já ameacei e/ou insultei, à conta disso, diversos jornalistas.

Mais informações no site do crowdfunding. Abaixo, Bruno explica a aposta que originou o nome do livro:

katecara

Ainda enrolando o lançamento de seu aguardado Dear Tommy (que está pronto desde o início do ano e até agora não vazou), os Chromatics encontraram tempo pra regravar o imortal hit de Cyndi Lauper “Girls Just Wanna Have Fun” para um comercial da grife Mango, estrelado pelas modelos Kate Moss e Cara Delevingne. São só 30 segundos, segura:

Tomara que eles lancem a versão oficial completa.

JD Salinger

Nicholas Hoult fará o papel do escritor recluso e autor de uma das obras-primas do século passado – escrevi sobre isso lá no meu blog no UOL.

Fora da Casinha

Nem lembro há quanto tempo conheço o Mancha, mas lembro perfeitamente da minha felicidade quando ele aceitou dividir uma Noite Trabalho Sujo na Trackers na primeira vez que fizemos shows na festa (com Bonifrate e Soundscapes). A parceria seguiu logo depois quando o convidei para repetir a dose na festa de 18 anos do Trabalho Sujo (quando ele convocou o MZK e o Curumin) e saquei que havia uma preocupação: Mancha, que fez seu nome junto à cena independente brasileira ao transformar sua própria casa em um dos melhores (e menores) palcos da cidade, era refém de um local.

Havia uma preocupação de expandir os horizontes espaciais da Casa do Mancha para que seu trabalho não ficasse preso a uma coordenada geográfica e ele já tinha algumas ideias na manga. A primeira delas confirma-se hoje, quando ele chamou o Trabalho Sujo pra ser o veículo que anuncia o primeiro Fora da Casinha: um festival de música independente brasileira que acontece durante o primeiro domingo de outubro. São 10 bandas que já passaram pela Casinha se apresentando continuamente por honestos 60 reais (40 reais o primeiro lote, não dê mole) – talvez a melhor relação custo/benefício da noite paulistana. O festival acontece no Centro Cultural Rio Verde e reúne Holger, Gui Amabis, Mauricio Pereira, Twinpine(s), Stela Campos, O Terno, Carne Doce, Soundscapes, Supercordas e Boogarins. Eu, Danilo, Klaus, Luiz e Babee estaremos presentes recebendo o público com a tranquilésima volta das Tardes Trabalho Sujo – não, a Sussa não morreu.

“Faz uns anos que flerto com extrapolar o limite físico da casinha, não ficar refém de um modelo de trabalho singular”, me explica o Mancha. “Já temos essa preocupação de não estagnar numa situação confortável e nos últimos dois anos realizamos algumas produções fora com resultados muito bons. Conforme fomos amadurecendo ficou mais latente a relevância do que podemos apresentar, então fui moldando a idéia de um festival que mantivesse a narrativa que temos na Casa do Mancha só que numa proporção maior.”

Ele conta um pouco da história do lugar: “A Casa do Mancha surgiu de um estúdio caseiro na sala da casa onde eu morava. Basicamente minha intenção era gravar minhas idéias, músicas de amigos e eventualmente juntar todo mundo pra mostrar o que a gente tava fazendo. Aconteceu isso e muito mais. Aos poucos as gravações ganharam melhor qualidade, aprendemos a tirar um bom som da sala e as apresentações se tornaram mais frequentes, disputadas por um público que buscava conhecer novos artistas. Tive pessoas incríveis que passaram anos comigo ajudando a conduzir a casinha como o Tomaz Afs e o Rafael Crespo e isso me fez perceber que existia ali um potencial para ajudar a alicerçar uma fatia da produção musical independente.”

Ele reforça o acerto de opção: “Por estar numa posição privilegiada, em contato com muitos artistas constantemente, vejo coisas incríveis na produção atual. Não é a realidade do grande mercado pois esse ainda é pautado pela lógica do consumo fácil, sem muitas preocupações com referências ou evolução. Mas agora, passada a comoção do acesso à tecnologia que facilitou as gravações, voltamos ao ponto que o artista se destaca pelas apresentações. Isso necessariamente progride a música ao vivo, tanto pro lado dos artistas quanto dos locais de show.”

Pergunto se é uma só edição ou se teremos outros Fora da Casinha depois desse: “O festival nasce como comemoração dos 8 anos da casinha”, diz. “Minha maior preocupação foi costurar artistas que representam bem nosso trabalho durante esse tempo, todos tem um forte laço conosco, são parceiros de longa data e estão nesse festival muito mais pela relação que eles tem com a casa do que qualquer outro motivo. Então vai ser uma festa de aniversário com amigos. E aniversário a gente faz todo ano, se tivermos fôlego e amigos pra comemorar sempre… Por que não?”

Os ingressos começaram a ser vendidos hoje e o primeiro lote custa só R$ 40. Não dê mole.

O discurso de Kanye West no VMA deste ano seria um bom monólogo do Seinfeld?

Foi uma criação do Seinfeld Current Day, conta do Twitter que faz a série sobreviver em cenas ficticias com os personagens principais da série, só que ocorridas no século 21.

skylarspence

Quem está para lançar seu primeiro disco de fato é o produtor Ryan DeRobertis, que no começo do ano trocou de codinome para evitar problemas de direitos autorais, deixando de ser Saint Pepsi para assumir a persona de Skylar Spence. E ele acaba de lançar o terceiro single de seu disco Prom King, que está programado para sair este mês. A groovezenta “I Can’t Be Your Superman” sai direto dos anos 80 como a maior parte da sonoridade de suas faixas, mas há um pézinho no pós-punk e na new wave que não havia nos hits disco music que produziu até agora.

Antes desta ele também havia lançado “Can’t You See” e “Affairs”, quase uma balada, que você pode ouvir abaixo:

Vem discão aí!

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Não sei se é só uma questão de ponto de vista ou se o tempo e a experiência aproximaram ainda mais os cinco integrantes do Letuce como banda. A constatação não vem só do fato do casal central do grupo – e, para muitos, a essência da banda -, a vocalista Letícia Novaes e o multiinstrumentista Lucas Vasconcellos terem se divorciado e optado pela continuação deste trabalho, mas principalmente pelo corpo do disco Estilhaça, um álbum tão envolvente e mágico quanto outra obra-prima carioca deste ano, o disco de estreia de Ava Rocha. Mas ao contrário do disco que deu o tom do primeiro semestre, este novo – que pode dar o tom deste segundo – não gira ao redor de uma musa principal, como era o próprio casal no disco anterior, Manja Perene, de 2009. Estilhaça é um disco de banda e, uma surpresa improvável, um disco de banda de rock. Um senhor disco de rock – e um dos melhores discos do ano. O disco vai ser lançado nesta terça, dia 1°, em São Paulo, na Serralheria.

O instrumental que acompanha as viagens em forma de canções de Lucas e Letícia deixa de ser apenas cúmplice e se embrenha nas composições com riffs, solos, linhas de ritmo e peso como nunca havia acontecido ao menos nos discos da banda. “Somos amigos fora da banda, Arthur (Braganti), o tecladista, é um dos meus melhores amigos, escrevemos juntos peças, temos outro projeto, Thomas (Harres, baterista) foi aluno do Lucas quando era criança, Fabinho (Fabio Lima, baixo) e Lucas eram do Binário – uma banda maravilhosa dos anos 2000 do Rio, que dali saíram vários músicos fodas”, me explica Letícia. “E Lucas e eu éramos casados, ou seja: é uma banda com muita intimidade. A gente briga, discute, põe os demônios pra fora, mas também rimos muito, gargalhamos, falamos bobagens pra dedéu e ainda temos muito tesão em tocar um com o outro. É incrível nossa química no palco, nós cinco.”

Estilhaça abre soltando raios de sol na ecumênica e expansiva “Quero Trabalhar com Vidro”, que começa o disco numa explosão de psicodelia hippie que vai sendo arrefecida à medida em que o álbum caminha. Dali ele nos leva por uma montanha russa de emoções em que a unidade da banda soa mais coesa, igualmente bruta e refinada, passando por vales iluminados (a funky “Todos os Lugares do Mundo”, suntuosa “Lugar para Dois”, um Raul Seixas crowlleyiano “Love is Magick”, a deliciosa “Animadinha” e a nua e delicada “Mergulhei de Máscara”) e regiões sombrias (o lúgubre reggae “Muita Cara”, o pântano de Screamin’ Jay Hawkins em “Aristoleles Laugh”, o dedo na cara de “Arca de Noé” e o ponto final “Todos Querem Amar”, desesperada e esperançosa ao mesmo tempo). Letícia não é mais a estrela à frente e sim uma band leader de banda de rock clássico, como se o Letuce pudesse existir nos anos 70.

“É porque pararam de dizer o duo Letuce, a dupla”, ela ri”. Claro que na real, a gente sempre foi a cabeça da banda, a gente que fazia as músicas, arranjos, letra, tudo, mas aos poucos fomos abrindo espaço para os meninos que já nos acompanhavam e tal. A gente é da escola rock, não tem como negar, talvez pela vida ter rasgado um pouco, naturalmente as canções vieram mais rasgadas também.”

Ela detalha mais o processo humano que culminou em Estilhaça: “Esse disco foi uma saga, ele já estava sendo formulado desde 2013, aí Lucas e eu nos separamos e inevitavelmente fomos fazer outras coisas, ter outras pirações, mas sempre com a ideia de retomar. Daí fomos pra Portugal, fizemos mais músicas e a vontade foi aumentando, até que apenas em fevereiro de 2015, conseguimos tempo em comum para gravar. E foi lindo, importante demais. O Manja (Perene) foi mais calculado, talvez, o Estilhaça tem três músicas de improviso, tem uma – a última – que até a voz é a voz guia, eu improvisando. E os meninos, idem.”

A coesão instrumental dos cinco foi um processo natural: “Eu amo ter banda, amo coletivo, amo a troca. Pra gente, a gente sempre foi uma banda, mas entendo que só agora talvez as pessoas estejam atentas a isso, normal. Lucas lançou dois discos solos, e cada vez mais se confirma como um grande produtor, além de excelente músico. Eu adentrei mais ainda o universo da literatura, que sempre me permeou. A audácia em cantar só surgiu porque eu sempre escrevi muito e um dia inventei melodias para os meus escritos. Lancei um livro, Zaralha, e escrevo uma vez por mês para o Segundo Caderno, do Globo. Talvez um dia faça um disco solo, mas por enquanto tô animada em lançar o Estilhaça.”

Mas ela realça o casal da frente como ponto de partida da banda: “As músicas eram sempre feitas por Lucas e eu, eu chegava com o espermatozóide e Lucas fecundava, sempre foi assim. Aí no Manja Perene, já entraram músicas de outras pessoas, como do Thomas Harres, nosso batera, Fabio Lima, nosso baixista e até uma canção do André Dahmer, ‘Ninguém muda Ninguém’. Esse disco ainda tem claro muito da minha poesia, minhas letras, minhas melodias, mas a participação de todos foi bem maior. E uma alegria!”

Comento que achei o disco catártico e Letícia concorda. “Sim, chega uma hora na vida que você vai se comprometendo com o não comprometimento”, gargalha e pergunta se faz sentido. “Tomara. Eu gravei meu primeiro disco muito nova, uma audácia, tadinha. Mas agora, com 33, eu poderia até estar mais sisuda e séria, mas não. Continuo compenetrada no tesão e no amor em cantar. Me profissionalizei mais, claro, ok. Mas na hora de gravar ou do show, é pura entrega. Lembrei de um poema da Ana Cristina César até:

‘Mocidade independente
Pela primeira vez infringi a regra de ouro e voei pra cima sem medir as conseqüências. Por que recusamos ser proféticas? E que dialeto é esse para a pequena audiência de serão? Voei pra cima: é agora, coração, no carro em fogo pelos ares, sem uma graça atravessando o estado de São Paulo, de madrugada, por você, e furiosa: é agora, nesta contramão.'”

E tento provocar uma relação entre essa catarse emocional e o clima de tensão que paira sobre o Brasil hoje. “Que curioso, não tinha pensado nisso, mas agora acho que sim”, divaga. “Na última música do disco, que foi feita totalmente de improviso, eu falo sobre estar no ônibus de madrugada, uns indo e outros voltando, mas que todos querem amar. E o quanto isso dá vergonha, até peço pra alguém me assaltar, coisa e tal. Sinto uma vergonha das pessoas quererem assumir que amam. Óbvio que não generalizo e também há cada mais gente fora do armário, do amor e das drogas, gente escancarando de vez. Mas também vejo uma galera denunciando foto de amiga com peito de fora no instagram, sabe? Que vergonha. Coisa de louco. E no fundo é amor, na real é amor. Ficou confusa minha resposta, sei, perdão. Mas queria que as pessoas chutassem mais o balde. Eu chutei nesse disco. ‘Muita cara’, é uma música que chutei muitos baldes.”

Peço pra ela comentar a atual cena carioca, que vem sendo renovada nos últimos anos, e ela concorda. “Acabei de ouvir uma banda Biltre, que Arthur me indicou, curti, me fez rir. Gosto de rir ouvindo música, acho raro e bom. O próprio Arthur toca no Séculos Apaixonados, que também é demais, adoro o Guerrinha. O Rio é solar mas tem uma tristeza, né? A tristeza dos solares, é outro tipo, mas rola. Eu sou um pouco assim até. Fico feliz com toda a movimentação, não consigo acompanhar tudo, mas volta e meia algum amigo me faz um filtro e me aponta uma ou outra voz, ou eu mesma percebo um movimento. Mas de lugar pra tocar, o Rio é trash. Ou é algo gigante ou é um buraco, falta casa de médio porte.”

Estilhaça pode ser baixado de graça no site da OneRPM.