Trabalho Sujo - Home

Loki

keb-darge

O lendário DJ inglês Keb Darge apresenta-se na edição desta sexta-feira da clássica festa Talco Bells e eu pedi para que ele separasse cinco faixas – entre as inúmeras raridades – que deverão estar em seu set desta noite. Mas antes, pedi para o Filipe Luna, um dos capitães da Talco, apresentar o DJ e falar de sua importância para o universo do soul e do groove:

“Quando a gente começou a curtir mais discos de soul e funk mais obscuros, tinha um nome que sempre era mencionado: Keb Darge. Era ele que discotecava no Madame Jojo’s, clube do SoHo londrino, e tornou o clube, um antigo bordel, icônico por tocar as músicas mais maravilhosas e obscuras que você já ouviu. Todos nossos amigos que iam pra Londres voltavam maravilhados dizendo que era a melhor noite que havia (pelo menos pra quem curtia esse som).

Keb é o cara que descobre as pérolas e por isso ele é uma referência para nós. Começou no Northern Soul, depois praticamente criou o gênero Deep Funk (lá na noite do Madame Jojo’s), que eram compactos de 7 polegadas muito, mas muito obscuros, de artistas que, na maioria das vezes, só tinham lançado um ou dois discos. Muitas das músicas que nos influenciam estão lá nas coletâneas lançadas por Keb no selo BBE ou na Kay Dee Records (do DJ Kenny Dope).

Como todo DJ que é bom de faro para descobrir coisas novas, Keb já está com o pé em outros sons além do soul e funk. Já teve uma coleção de R&B e Rockabilly e agora está investindo 60’s garage – músicas que ele tem mostrado ao redor do mundo e que estão balançando muitas pistas de dança. Para nós, será uma honra e um sopro de originalidade trazer o Keb pra tocar na Talco.

Já são 8 anos tocando soul e funk nessa festa, “criamos” alguns hits na nossa pista e é sempre bom trazer alguém que pode tirar a nós e nosso público da zona de conforto com um repertório de altíssima qualidade. Vai ser sensacional ter essa experiência acontecendo na nossa festa e a gente não vê a hora de ceder os toca-discos para Keb Darge.”

E agora as cinco pérolas escolhidas pelo mestre:

Sands of Time – “Red Light”

“Em primeiro lugar no momento está ‘Red Light’, de The Sands of Time, lançado pelo selo Sterling. Comprei de um vendedor dos Estados Unidos há uns seis meses e depois descobri que só existem cinco cópias disponíveis no mundo todo. Não é tão pesado quanto as coisas que costumo tocar, mas adoro o sentimento leve, saltitante e feliz que esse disco tem.”

The Savoy’s – “Can It Be”

“Aqui fica mais pesado. Essa canção é conhecida por colecionadores há muitos anos, mas também só existem poucas cópias conhecidas. Está em algumas compilações, mas a qualidade é péssima em relação ao original. Uma faixa poderosa com uma batida que explode nas caixas de som.”

New Fugitives – “She’s My Baby”

“Essa é uma faixa sinistra que não estaria deslocada na cena do punk dos anos 70. Primitiva e assustadora com bastante atitude. Novamente, um compacto muito raro que vai soar novo a todos, menos aos colecionadores obcecados de garage dos anos 60.”

The Tigermen – “Tiger Girl”

“Essa é mais sutil que as outras que sempre agrada às garotas toda vez que toco. Suponho que elas se imaginam sendo as ‘Tiger Girls’ enquanto fazem sua dança provocante. A banda tem apenas dois compactos conhecidos: esse e ‘Close the Door’, ambos no selo Buff. Não é tão raro quanto os outros três, mas raro o bastante pra ficar longe das mãos de DJs muquiranas.”

The Spacemen – Modman * Big Sound

“Essa é uma faixa que obviamente foi feita para a cena Mod crescente dos anos 60, nos Estados Unidos que se apaixonavam pelo som britânico da época. Ouvi a música nesse link do YouTube há um ano e fiquei louco pela canção. Não consegui achá-la em lugar nenhum, então fui atrás do cara que havia postado o link e o convenci a me vender sua cópia.”

A festa acontece nesta sexta, no Cine Jóia, a partir das 23h – mais informações aqui.

rihanna-tame-impala

Ouça a surpreente versão que a cantora Rihanna fez para a faixa “New Person Same Old Mistakes” do último disco da banda australiana Tame Impala em seu recém-vazado Anti, rebatizada apenas de “Same Ol’ Mistakes”. A versão é quase idêntica à original, mas a voz de Rihanna soa tão melhor que a de Kevin Parker nessa música que é de ficar se pensando como todo o Currents soaria na voz de Riri.

Para que caminhos malucos esse 2016 pode nos levar?

baianasystem-

O grupo BaianaSystem está prestes a lançar seu segundo disco e provar que já faz parte do primeiro escalão do pop nacional. Conversei com o grupo, que está preparando-se para seu sexto carnaval em Salvador, em uma reportagem para o UOL – e o grupo mostrou a música nova “Lucro”, que pode ser ouvida abaixo.

chemical-brothers-wide-open

Os Chemical Brothers sempre souberam utilizar a tecnologia e os efeitos especiais para realçar sutilezas mais do que simplesmente impressionar – e o mesmo vale para seus clipes. É o caso deste belo “Wide Open”, parceria da dupla com Beck, em que vemos a coreografia dançada por Sonoya Mizuno revelar os sentimentos da canção de forma literal.

ziggy

Uma teoria malucaça mistura a capa de Ziggy Stardust, umas coincidências malucas e trechos de ★ – escrevi sobre ela lá no meu blog no UOL.

ivete-oasis-cure

Ivete Sangalo com Cure, Ivete Sangalo com Oasis: estas são as duas novas heresias mominas que o produtor Raphael Bertazi lança antes do carnaval, dando continuidade ao infame Axé Bahindie, que já cruzou Strokes e https://trabalhosujo.com.br/axe-bahindie”>Smiths com É o Tchan. Desta vez ele começou pesado, misturando “Poeira” com “Just Like Heaven”.

Mas a melhor (!) mesmo foi a fusão de “Wonderwall” com gritos aleatórios da Ivete.

É carnaval, tá liberado!

VioletadeOutono

Em tempos psicodélicos, nada como voltar às raízes do gênero – e foi isso que o Museu da Imagem e do Som de São Paulo fez ao convidar o clássico grupo paulistano Violeta de Outono para seu projeto Cinematographo, em que bandas fazem a trilha sonora ao vivo para filmes exibidos na sessão. A edição que acontece neste domingo superpõe as camadas de lisergia elétrica do grupo liderado pelo guitarrista Fabio Golfetti, que completa 30 anos do lançamento de seu primeiro EP em 2016, sobre os média metragens Un Chien Andalou, o mítico filme que colocou Luis Buñuel para colaborar com Salvador Dalí, de 1928, e o Entr’acte, dirigido em 1924, por René Clair, que conta com aparições de Francis Picabia, Erik Satie, Man Ray, Marcel Duchamp, entre outros representantes do surrealismo europeu. Conversei com o Fábio por email sobre o show, que acontece neste domingo, às 16h (mais informações na página do evento no Facebook), e sobre as novidades de sua banda, que hoje é formada por ele nas guitarras e vocais, Gabriel Costa no baixo, Fernando Cardoso no órgão e piano e José Luiz Dinola na bateria (a mesma formação desde 2010).

Como surgiu a ideia de tocar sobre estes dois filmes?
Quando recebemos a proposta do MIS em participar do Cinematographo, a primeira idéia que veio na mente foi de fazer música improvisada para algum filme surrealista/fantástico. Mergulhando no nosso repertório de cinema, lembramos do Luis Buñuel e Salvador Dalí e também do Rene Clair/ Erik Satie, autores de filmes do cinema mudo.

Qual sua relação com esses dois filmes?
O Violeta de Outono é uma banda que foi formada por arquitetos e fotógrafos, duas áreas diretamente ligadas a linguagem cinematográfica. Desde o início da carreira, a banda utiliza projeções nos shows ao vivo, para complementar a temática visual e traduzir um pouco da música e letra, em imagens. Ambos os filmes da década de 1920 com elementos surrealistas/dadaístas, além de referências na nossa formação, permitem uma trilha sonora que pode explorar o abstrato e imprevisível, áreas que sempre interessaram no meu/nosso processo criativo.

Você já havia feito isso – sonorizar filmes ao vivo – com o Violeta de Outono ou em outra situação em sua carreira?
Há alguns anos atrás participamos de um festival na Cinemateca Brasileira chamado Jornada Brasileira de Cinema Silencioso, onde fizemos a trilha ao vivo para dois filmes, Garras de Oro, do colombiano P.P. Jambrina e A Conquista do Polo, do francês Méliès.

E a quantas anda o Violeta de Outono?
O Violeta de Outono está completando 30 anos desde o lançamento da primeira gravação oficial (Violeta de Outono, EP, 1986) e se prepara para a gravação de um novo álbum, que completa uma trilogia iniciada com o álbum Volume 7 de 2007.

Planejam levar em frente este formato em outras apresentações ou esta é uma oportunidade única?
A música do Violeta de Outono sempre se manteve como uma referência de música psicodélica, sensorial, e por diversas ocasiões “emprestamos” nossa música para trilhas sonoras, na TV e cinema. Não temos um plano no momento para desenvolver trilhas, mas nosso trabalho é sempre aberto para essa possibilidade, já que nossa música é descritiva.

Tem Radiohead, LCD Soundsystem, PJ Harvey, Brian Wilson (tocando o Pet Sounds na íntegra), Last Shadow Puppets, Tame Impala, Sigur Rós, Beach House, Mudhoney, Tortoise, Suede, Alex G, Last Shadow Puppets, John Carpenter, Neon Indian, Ty Segall, Julia Holter, Savages, Air, Explosions in the Sky, Dinosaur Jr., Deerhunter, Chairlift, Battles, Animal Collective, Thee Oh Sees, Shellac, Floating Points, Titus Andronicus, Black Lips, Wild Nothing… Que festival! É no começo de junho, não dê mole!

primavera2016

grimes

Tank Girl, cyberpunk, super sentai, vintage 80s, videogame, Law & Order e J-pop se encontram no clipe de “Kill V. Maim” da nossa querida Grimes, que junta ícones de sua infância para atualizar seu conceito de psicodelia dance. Seu Art Angels, um dos melhores discos do ano passado, é todo assim – vamos ver onde ela nos leva a partir disso…

Mas que é uma viagem boa isso é.

10-Cloverfield-Lane

Depois de esmerilhar o mundo pop com o Episódio VII, o nerd-mor J.J. Abrams surpreende a todos com um “parente cossaguíneo” de Cloverfield. Esmiucei o trailer no meu blog no UOL.