Lá se vai o mestre das teclas do P-Funk, um maestro do groove, que ensinou os Talking Heads a dançar.
O Six, do Suppaduppa, mergulhou em uma série de mixtapes de um subgênero chamado City Pop – uma espécie de versão japonesa do R&B dos anos 80 – e eu tive que republicá-los aqui porque são daqueles delírios retrô que dão gosto de se ouvir. Cada uma das cinco mixtapes te leva pra um lugar diferente, mas sempre com aquela aura néon pairando sobre cada beat, aquele sax sussurrado, aquele groove sintético cantado em inglês.
Suppaduppa – Suppacitypop Vol. I
Seaside Lovers — “Melting Blue”
菊池桃子 — “Blind Curve”
Sugar Babe — “Down Town”
松下誠 — “One Hot Love”
Mai Yamane — “In Love”
Haruomi Hosono, Shigeru Suzuki & Tatsuro Yamashita — “Nostalgia of Island”
秋元薫 — “Two Call”
Noriki — “You Can Make It”
Sandii — “Drip Dry Eyes”
Toshiki Kadomatsu — “52nd Street”
Momoko Kikuchi — “Adventure”
杏里 — “Windy Summer”
飯島真理 — “まりン”
Eiichi Ohtaki — “カナリア諸島にて”
Tatsuro Yamashita — “Love Talkin’ (Honey It’s You)”
大貫妙子 — “都会”
Toshiki Kadomatsu — “Midnight Girl”
Tatsuro Yamashita — “Daydream”
Miharu Koshi — “Scandal Night”
杏里 — “Last Summer Whisper”
Suppaduppa – Suppacitypop Vol. II
Hidefumi Toki & Naoya Matsuoka — “Epilogue”
Tatsuro Yamashita — “Love Space”
Eiichi Ohtaki — “Velvet Motel”
Miharu Koshi — “L’amour… Arui wa Kuro no Irony”
飯島真理 — “Blueberry Jam”
EPO — “身代わりのバディー”
Minako Yoshida — “Hoo Ni Yoru No Hi”
Mariya Takeuchi — “Plastic Love”
Tatsuro Yamashita — “Merry-Go-Round”
Taeko Ohnuki — “テルミネ”
Haruomi Hosono — “Last Paradise”
Seaside Lovers — “Lovers Paradise”
Piper — “Starlight Love”
Toshiki Kadomatsu — “Night Sight Of Port Island”
Hiroshi Sato — “ピクニック”
秋元薫 — “Dress Down”
杏里 — “Stay By Me”
Toshiki Kadomatsu — “Never Touch Again”
Miharu Koshi — “Parallelisme”
Hiroshi Sato (ft. Wendy Matthews) — “Say Goodbye”
Suppaduppa – Suppacitypop Vol. III
Himiko Kikuchi — “Calling Waves”
Toshiki Kadomatsu — “Summer Babe”
1986 Omega Tribe — “Blue Reef”
Noriki — “Black Duck”
Hiromi Iwasaki — “Street Dancer”
大貫妙子 — “じゃじゃ馬娘”
Akira Terao — “ルビーの指環”
Motoharu Sano — “Sugar Time”
Kazuhito Murata — “電話しても”
国分友里恵 — “恋の横顔”
EPO — “Pay Day”
Minako Yoshida — “Town”
Hitomi Tohyama — “Mystery Drive”
ラジ — “ラスト・チャンス”
Toshiki Kadomatsu — “Office Lady”
大橋純子 — “DANCIN’”
Takako Mamiya — “真夜中のジョーク”
鈴木茂 — “イメージ・チェンジ”
松岡直也 — “Free Voyage”
Haruomi Hosono — “Exotica Lullaby”
Suppaduppa – Suppacitypop Vol. IV
Masayoshi Takanaka — “Sail On Fire”
Junko Yagami — “COMMUNICATION”
Toshiki Kadomatsu — “TAKE ME FAR AWAY”
オメガトライブ — “アクアマリンのままでいて”
Tatsuro Yamashita — “PAPER DOLL”
Judy Anton — “The River Must Flow”
Miki Matsubara — “真夜中のドア/Stay With Me”
Toshiki Kadomatsu — “I Can’t Stop The Night”
Haruomi Hosono, Takahiko Ishikawa & Masataka Matsutohya — “Bride Of Mykonos”
S. Kiyotaka & Omega Tribe — “S. K. & The Omega Tribe – Light Morning”
Hitomi Tohyama — “Exotic Yokogao”
Anri — “MORNING HIGHWAY”
Akira Inoue — “バルトークの影”
安部恭弘 — “Double Imagination”
Miharu Koshi — “L’amour Toujours”
菊池桃子 — “OCEAN SIDE”
Rajie — “アパルトマン”
Hiroshi Sato — “You’re My Baby”
Akira Terao — “Shadow City”
Tatsuro Yamashita — “あまく危険な香り”
Suppaduppa – Suppacitypop Vol. V
村田和人 — “ニコニコ・ワイン”
Aru Takamura — “恋は最高 (I’m In Love)”
Miho Nakayama — “Rising Love”
Hitomi Tohyama — “Love Is The Competition”
AB’s — “In The City Night”
山本達彦 — “夢より苦しく”
桑江知子 — “レイマグラス”
ラ・ムー — “水のシルクロード”
Momoko Kikuchi — “カレンダーにイニシャル”
EPO — “Goodies”
Tatsuro Yamashita — “Sparkle”
杏里 — “SHYNESS BOY”
Miho Nakayama — “生意気”
ラジ — “キャトル”
Junko Yagami — “カシミヤのほほえみ”
1986 Omega Tribe — “君は1000%”
Hitomi Tohyama — “Sexy Robot”
Mari IIjima — “Signal”
SANDII — “ZOOT KOOK”
EPO — “JOEPO〜DOWN TOWN”
Akira, Michael Jackson, Jean-Claude Van Damme, Atari, Stallone, artes marciais, Highlander, Hulk Hogan, Schwarzenegger, break… Esse supercut feito pelo Smash TV que eu linkei lá no meu blog no UOL é hipnotizante.
Os goianos Boogarins seguem o sonho indie nos EUA e tocam na clássica rádio de Seattle KEXP, antecipando que param no meio do ano para gravar o terceiro disco em Austin, no Texas. E a estrada tá fazendo um bem pra esses meninos…
Pude assistir ao show de PJ Harvey no Primavera deste ano e ela está numa fase inspiradaça: há uma linha marcial, medieval e europeia que atravessa seus atuais discos de protesto e que ela impregna à apresentação ao vivo sem precisar se impor. E mesmo cedendo à persona crua que a caracterizava desde o início apenas nas últimas músicas, ela segue enfeitiçando a todos (com um saxofone!) e transformando o show em um imenso ritual. Esse vídeo do show que ela fez em Lyon na França poucos dias (terça passada) após a apresentação que assisti em Barcelona estica ainda mais essa sensação, uma vez que não era um show dentro de um festival e ela pode explorar melhor seu repertório. O setlist vem a seguir:
“Chain of Keys”
“The Ministry of Defence”
“The Community of Hope”
“The Orange Monkey”
“A Line in the Sand”
“Let England Shake”
“The Words That Maketh Murder”
“The Glorious Land”
“Medicinals”
“When Under Ether”
“Dollar, Dollar”
“The Wheel”
“The Ministry of Social Affairs”
“50ft Queenie”
“Down by the Water”
“To Bring You My Love”
“River Anacostia”
Bis:
“Working for the Man”
“A Perfect Day, Elise”
A dupla paulistana FingerFingerrr está prestes a deixar o status de promessa com seu primeiro álbum, Mar, que será lançado no mês que vem. Produzido pelo Fernando Sanches do Estúdio El Rocha, o disco foi gravado em fita para que o barulho maximalista de Flavio Juliano (que se reveza entre o baixo e a guitarra) e Ricardo Cifas (tecladista e baterista) pudesse preencher todo o espectro sonoro: “O que queríamos desde o começo era gravar o álbum em rolo, que tem uma característica específica de som: é mais quente e tem uma captação de harmônico maior do que gravar de forma digital. Sendo um duo, a gente quer preencher o máximo de espaço auditivo possível”, me explica Flavio. “E também sabíamos que teríamos que gravar tudo ao vivo porque esta fita te dá apenas 30 minutos – exatamente nossa intenção de capturar o momento, o famoso ‘primeiro take’, o que e revela no estúdio um pouco da energia do nosso show. Então reservamos uma semana de estúdio em setembro de 2015 e gravamos. Foi um processo incrível trabalhar lá, nos isolar do mundo pra deixar a criatividade e técnica fluir e focar somente na gravação.”
O resultado é um disco bilíngue pesado e pulsante (com alguns momentos de leveza) e um ar quase alienígena, principalmente por conta dos timbres e da dinâmica entre os riffs e o ritmo. “Mar tem desde músicas que tocamos há algum tempo, como ‘Quem te Convidou?’ até ‘Embora Agora’ que compusemos no estúdio durante a gravação”, explica Cifas. “Trabalhamos muito na pré-produção e mexemos em todo o nosso material. Todos os ensaios e jams que tínhamos registrado foram ouvidos para fechar as músicas e os arranjos. Mas também queríamos uma música do disco totalmente espontânea e feita na hora.” A música “X”, que a dupla antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo (bem como a capa acima, de Daniela Ometto, que também fez a foto da dupla), é uma boa amostra do que esperar do disco. Ela conta com a participação da cantora Luiza Lian.
O disco foi mixado por Mario Caldato (“quando recebemos a resposta no e-mail elogiando o som e perguntando ‘qual seu orçamento e prazo?’, a gente sabia que a porta tinha sido aberta para trabalhar com um ídolo”, lembra Flavio, sobre o contato com o produtor brasileiro dos Beastie Boys) e sai tanto em CD quanto em todas as plataformas digitais no mês que vem. “Em algum momento sai a fita K7 em edição especial, com tiragem limitada e temos planos de lançar também em vinil”, conta Flavio. “Estamos também fechando a ideia e local do show de lançamento – vai ser em um lugar inédito para esse tipo de coisa. Vai ser um show totalmente novo do que temos feito. Estamos repensando todos os detalhes.”
O canal de YouTube Escola do Pop encontrou um jeito simples de discutir Foucault: através das Spice Girls!
A edição catalã do festival Primavera foi a primeira parada internacional do grupo pós-rock potiguar Mahmed, que aproveitou a ida ao Velho Continente para fazer mais shows pela Espanha. Além das duas apresentações em Barcelona, o grupo ainda tocou duas vezes em Madri e volta para o Brasil para um lançamento duplo nesta quinta-feira no Sesc Pompeia (mais informações aqui), quando apresentam tanto o EP Ciao, Inércia, gravado na turnê de lançamento de seu primeiro disco, quanto a versão física em CD para seu álbum de estreia, o ótimo Sobre a Vida em Comunidade, do ano passado. A gravadora do grupo me ofereceu um par de ingressos para sortear aqui no Trabalho Sujo. Para concorrer é só dizer aí nos comentários com qual banda o grupo do Rio Grande do Norte deveria fazer uma turnê pelo Brasil e explicar o porque da escolha. Aviso o resultado até a quarta de noite. Abaixo vem uma conversa que tive por email com Walter Nazário e Dimetrius Ferreira, guitarristas da banda, completa com a presença do baixista Leandro Menezes e do baterista Ian Medeiros.
É a primeira excursão de vocês para o exterior. Como tem sido a recepção até agora?
Walter: Tem sido ótima. Em todas as apresentações, tivemos um bom público e a recepção vem sendo muito positiva, é importante para nós levarmos o som a outros públicos e novos lugares. A Espanha é encantadora.
O que acharam do Primavera, como artistas e como fãs de música? Foi a primeira vez que vocês foram ao evento?
Walter: Um evento com uma superestrutura e um line-up absurdo, com certeza esse festival ficará marcado na nossa história como banda. Foram experiências incríveis nos dois palcos que tocamos no Primavera Sound, com boa receptividade e curiosidade do público. Detalhes como receber elogios de alguém que viu o show na fila do banheiro vão marcar essa viagem. Melhor ainda saber que tinha gente de vários países na plateia. Como fãs de músicas, ter a oportunidade de ver uma sequencia de shows como Ty Segall, Andy Shauf, Air, Radiohead, Tame Impala, Alex G, PJ Harvey com os amigos é pura diversão. Foi nossa primeira vez no festival.
Falem sobre esse novo EP, o quanto ele é fruto dessa nova fase?
Dimetrius: Gravamos esses três sons pensando no formato do 7” que vamos distribuir com os colaboradores da campanha que fizemos no Catarse. São pequenos temas seguindo um caminho mais slow da banda, com propostas de afinações diferentes e outras formas de captação. Foi composto entre turnês inéditas que fizemos pelo sul, sudeste e festivais e transmite essa sensação de levitação e movimento constante que marcou os últimos 12 meses da banda.
E como foram os shows fora do festival? Já foram todos?
Dimetrius: Além dos dois shows no festival, já tínhamos nos apresentado na loja de discos Cuervo em Madrid, com todo mundo sentado no chão, numa sala bem intimista, que criou uma atmosfera ótima para o show. Voltamos para Madrid com os parceiros de selo Quarto Negro e Nuven para o último show juntos, na casa Fun House. Foi um prazer tocar com essas pessoas. O Mahmed segue para Girona dia 11, antes de voltar ao Brasil. Estamos ansiosos pra esse ultimo show. Parece um lugar muito bonito e o evento é uma parceria da Balaclava Records, a Idea Géstion Cultural e o Consulado do Brasil em Barcelona.
Alguma novidade para o show desta quinta?
Dimetrius: Teremos a honra de receber no palco o artista paulista Flávio Grão para pintar uma tela junto a banda no palco da Comedoria. Ele fez as capas de todos os nossos trabalhos e de várias bandas do underground brasileiro. Teremos as participações especiais de dois grandes amigos, um dos nossos heróis na guitarra, Fernando Cappi (Chankas, Hurtmold) e de Thiago Klein do Quarto Negro.
Músico e compositor de múltiplas facetas, Tatá Aeroplano chega a um consenso artístico com as próprias personalidades em seu melhor disco, o delicioso Step Psicodélico, que ele decidiu lançar no Trabalho Sujo. Seu terceiro disco solo repete a colaboração com a banda formada por Junior Boca, Dustan Gallas e Bruno Buarque com quem colaborou nos dois primeiros álbuns, mas chacoalha-se manhoso erguendo ecos de suas personas em projetos do passado e do presente, como o Jumbo Eletro, o Cérebro Eletrônico e o Frito Sampler.
Ter incluído o termo “psicodélico” no título do disco ajudou na definição deste conceito. “Entramos pra gravar o disco e ele não tinha nome ainda”, me explica por email. “Foi assim com o Na Loucura & Na Lucidez (seu disco anterior), eu vou sentindo tudo na hora, o inconsciente e o acaso estão agindo o tempo todo. Quando a gente já estava com o disco todo gravado, saquei que a canção ‘Step Psicodélico’ daria nome ao disco. Foi natural, e eu me senti à vontade com nome.” O disco também teve forte influência de Júpiter Maçã, um dos gurus de Tatá, quemorreu no ano passado quando ele gravava os vocais com uma nova convidada de sua banda, a vocalista Julia Valiengo, que também participa da banda Frito Sampler.
Além de Julia, outros amigos de Tatá participam desse Step, como Peri Pane (que abre o disco com sua “Todos os Homens da Terra” e seu timbre grave), Ciça Gois e Bárbara Eugenia, com quem divide vocais na faixa título. Esta, inclusive, é sua parceira em um de seus próximos trabalhos, já que Tatá não para: “Nós vamos lançar no ano que vem”, planeja. “Não vejo a hora da gente entrar em estúdio pra gravar com a Bárbara esse disco vai ser massa demais”, comemora.
O disco também pode ser baixado no site oficial de Tatá e ouvido no Bandcamp e no YouTube (e, em breve, em todas as plataformas de streaming).
Quando você começou a pensar nesse disco? Quando você viu que Na Loucura & Na Lucidez havia terminado seu ciclo e era hora de começar um novo?
A gravação do primeiro disco em 2012 no Estúdio Minduca com Dustan Gallas, Junior Boca e Bruno Buarque, foi marcante e um baita aprendizado pra mim, tive uma verdadeira aula de produção musical com os rapazes. Em dezembro de 2013 já engatamos no disco Na Loucura & Na Lucidez. Foi muito boa a experiência de lançar o primeiro disco em 2012 e o segundo em 2014. No ano passado eu já tinha organizado da gente gravar um novo álbum. Eu componho numa velocidade insana, é música o tempo inteiro, a gente vai atropelando um disco no outro.
Como aconteceu o processo de criação e gravação do disco? O quanto os músicos estiveram envolvidos no processo de criação?
A nossa dinâmica musical dentro de estúdio é ótima. Tudo muito visceral. Quando entro pra gravar eu me entrego de corpo e espírito e vivemos totalmente dentro do clima do disco. Acho que nós vamos emendando os ciclos entre um disco e outro. São os tempos que vivemos, onde tudo é intenso. Tem a vida real e tem a vida virtual. Viver esse novo momento tem sido incrível.
No ano passado eu fiz uma mini tour incrível em Portugal. Tomei contato com alguns nomes da música popular de lá, como Serginho Godinho e Fausto, com a geração atual, Samuel Úria …Capitão Fausto. Voltei pro Brasil e eu fui participar do álbum Frou Frou da Bárbara. O Peri Pane estava lá também e me mostrou a letra de “Todos Os Homens da Terra”, eu li uma vez e criei a melodia na hora. No dia seguinte, o Peri me enviou a música, e nesse mesmo dia eu musiquei uma letra do Gustavo Galo … passei a tarde inteira compondo … nasceu no mesmo dia “Step Psicodélico”, “Dois Lamentos” e “Passando o Chapéu Na Noite Purpurina”, num só dia nasceu a espinha dorsal do disco.
Ontem, nos reunimos pra festejar. E lá pelas tantas, todos dançando e curtindo as canções que nos embalaram na adolescência. Todos estiveram totalmente envolvidos durante as gravações. O disco tem a participação preciosa e fundamental da Julia Valiengo, que também faz parte do banda do Frito, a gente tem uma conexão musical cósmica e ela canta comigo em boa parte desse novo trabalho. Foi o terceiro álbum com as mesmos parceiros, Dustan Gallas, Junior Boca e Bruno Buarque no mesmo estúdio. Então fica fácil porque a gente tá muito entrosado. Levantávamos todos os arranjos coletivamente e já gravávamos tudo. Foi um disco muito ao vivo. Eu ficava com a Julia, num compartimento cantando juntos de frente pro outro. Rendeu super essa dinâmica e muita coisa de voz feita nos primeiros takes ficaram.
Step Psicodélico faz uma espécie de genealogia da psicodelia ecoando Mutantes, o pós-tropicalismo, Júpiter Maçã, Of Montreal, Tame Impala, Boogarins. Você acha que o cânone da música psicodélica está cada vez mais sólido?
Acho sim, aliás, a música psicodelica sempre alterou meus sentidos naturalmente, me causa uma embriaguez canábica que eu adoro. E nos dias de hoje, que não existe mais a industria da música, a gente segue livre gravando os discos buscando a sonoridade que a gente mais gosta. Por isso a música psicodélica atual vive seu apogeu. É um dos momentos mais incríveis para essa psicodelia. Aliás, a geração dos 20 anos agora está deliciosamente psicodélica. Tá lindo demais e na música essas bandas que você citou são sempre fonte de inspiração pra mim.
O que você tem achado desse revival psicodélico, tanto no exterior quanto no Brasil? Quem são seus novos artistas favoritos nesta seara?
Semana passada vi o show da banda Luneta Mágica em Sampa, adoro eles, são de Manaus estavam em turnê por Sampa. Piro com o Supercordas, O Terno, Rafael Castro, tem meu amigo Juliano Gauche que também é adepto da psicodélia em seus álbuns, Cidadão Instigado, o Junior Boca tem uma banda incrível chamada Submarinos, curti muito o som Phill Zr, que eu conheci recentemente, ele é do interior e muito talentoso, conheci no ano passado o Gago Gnomo, outro cara que bebe na fonte da psicodelia e inclusive me acompanhou em alguns shows que eu fiz em Sampa. Mutantes e Júpiter Maçã vivem comigo o tempo inteiro. É tanta coisa que eu já me perdi aqui … Das bandas gringas … Of Montreal, Connan Mockassin, Tame Impala, Grizzly Bear, são artistas atuais que me fizeram a cabeça e os psicodélicos mili anos nunca saem do meu toca discos, Love, Jefferson Airplane, Tyranossauro Rex, The Doors.
Júpiter Maçã morreu antes do lançamento desse disco. Sua morte influenciou o disco de alguma forma? Quais suas principais lembranças do saudoso Flavio Basso?
Eu estava com a Julia quando soube do Flavio. A gente tinha acabado de gravar naquele dia as canções em voz e violão pra enviar pro Bruno, Dustan e Boca. Em janeiro eu fui fazer um show com a Julia no Teatro Rural, que fica ao lado do Galpão Busca Vida, e um amigo nosso, o Davi Daidone, nos contou uma história que ele tinha vivido em Joanópolis, a cidade ficou sem luz por conta de uma tempestade e sempre que acontece isso algumas pessoas saem pelas ruas incorporando o lobisomen … No dia seguinte eu estava com a Julia e fizemos a canção “Copo de Pedra”, eu sinto uma influência roqueira do Jupiter nessa canção.
Eu convivi bastante tempo com o Flavio, entre 1999 e 2003. Ajudei ele a fazer o média metragem “Apartment Jazz” e pude acompanhar ele criando, em ação, foi minha maior escola até hoje. Aprendi muito com ele. O Flavio vivia criando o tempo todo e tudo que ele fazia tinha a assinatura dele.
Fale um pouco do tributo que vocês fizeram a Júpiter na Virada Cultural. Quem teve a ideia e como você foi envolvido? Alguém ficou de fora por algum motivo incontornável?
Eu participei do tributo ao convite do Clayton Martin e do Astronauta Pinguim. Eles me convidaram pra eu entrar pra banda e cantar uma parte do repertório do man. Eu não acompanhei a escolha dos convidados e tals, mas muita gente que tocou com Jupiter estava lá: Julio Cascaes, Ray Z, Pinguim, Clayton, Dustan Gallas, Glauco Caruso, Marcelo Gross. Eu sonhei essa noite que tinha outro show onde estavam o Thunderbird e o Scandurra, os dois estavam fazendo shows na Virada do estado que bateu com a Virada de são paulo.
Como serão os shows desse disco? Quando acontece o lançamento e qual a formação da banda?
A gente faz sempre da mesma maneira, gravamos o disco e depois caimos na estrada com o DJ Marco, que solta todos os arranjos que o Dustan Gallas escreve para as canções. Agora teremos a Julia Valiengo conosco, então os shows terão as presenças de Bruno Buarque na bateria, Junior Boca na guitarra, Dustan Gallas no baixo, DJ Marco nos samplers e eu e a Julia nos vocais! Vamos lançar o disco na rede hoje e o show de lançamento em breve será anunciado.
A música brasileira vive sua fase mais rica?
É um dos momentos mais ricos com certeza, acho que hoje, pela facilidade em gravar discos com qualidade técnica e com as mudanças do mercado fonográfico, todo mundo que tiver afim de fazer um álbum colocando toda a verdade e amor lá dentro … sai com um belo disco pra lançar e divulgar. Nós vivemos o melhor momento pra fazer esse tipo de coisa nos dias de hoje.
Eis o clipe NSFW e cabeçudo de “Auto das Bacantes”, a música mais dedo na cara de Ava Patrya Yndia Yracema que Ava lançou no ano passado.











