Conhecido pelo bordão de seu arquetípico antiprograma de TV Comando da Madrugada (“Vem comigo!”), Goulart de Andrade ensinou a mais de uma geração o que era comunicação experimental, como é que dava pra tirar leite de pedra dos assuntos mais improváveis, que jornalismo pode ser entretenimento sem deixar de ser jornalismo (e vice-versa), que nenhum assunto é tabu e que o submundo é muito maior do que a vida que aparece na TV. Um mestre que viveu a vida intensamente e soube aproveitar das brechas para passar lições e revelar talentos – e que nos deixa mais cedo que esperávamos. Pude participar de um longo papo com o velho Goulart no Resfest de 2007 (valeu Clarice e Farinha!), quando o entrevistei ao lado do Tas. Felizmente há registros da conversa, feita pela querida Alê Marder. São apenas poucos minutos do papo, mas servem para mostrar sua importância, que ainda não foi medida.
Que tal mais um show da incrível turnê que o Radiohead tem feito esse ano? Esse aconteceu no festival Outside Lands, que rolou no Golden Gate Park, em São Francisco, nos EUA, no dia 6 deste mês.
Bem que podiam trazer os caras pro Brasil… Olha o setlist:
“Burn the Witch”
“Daydreaming”
“Ful Stop”
“2 + 2 = 5”
“Bodysnatchers”
“Climbing Up the Walls”
“Exit Music (for a Film)”
“Bloom”
“Lotus Flower”
“Pyramid Song”
“Identikit”
“The Numbers”
“The Gloaming”
“Weird Fishes/Arpeggi”
“Everything in Its Right Place”
“Idioteque”
“There There”
Bis
“Let Down”
“Present Tense”
“Nude”
“Paranoid Android”
“Karma Police”
E o papa do rock gaúcho Frank Jorge lança seu quarto disco solo esta semana – e já disponibilizou online a faixa “Não é Tão Real”, que abre o disco, batizado de Escorrega Mil Vai Três Sobra Sete.
Essa é a capa do disco:
Ele explica o título ao mesmo tempo em que fala do conceito do novo álbum: “Tinha uma expressão meio anos 70, meio hippie no Rio Grande do Sul, que era ‘escorrega mil pra eu comprar um pastel e uma pepsi’… Meus irmãos mais velhos iam a Uruguaiana e diziam que o pessoal falava isto por lá, tipo, ‘consegue uma grana pra um lanche’. O Didi Mocó por vezes fazia uns cálculos malucos nos sketches dos Trapalhões e soava algo como este título, uma frase como uma equação matemática nonsense”, explica. “Nas voltas dos shows, na van, desde tempos da Graforreia, íamos fazer borderô com o cache e eu também usava esta frase e como o disco é mais focado no rock e tem um tom um pouco mais serio de um modo geral, trouxe esta frase que tem certa jocosidade, galhofa, pra fazer um contraponto e gerar possibilidades de interpretação, acionamentos… Curto uns bordões, neologismos… Os outros títulos dos meus discos e da Graforreia têm um pouco deste modus criandi” O disco será lançado nessa sexta, pelo Selo 180.
Sensacional esse mashup das cenas dos trailers do Rogue One que fizeram ao som de “Sabotage”, dos Beastie Boys – vê lá no meu blog no UOL.
Depois de lançar a caixa contendo todos os discos com a formação original dos Mutantes e da primeira versão em vinil para o clássico perdido O A e o Z, a Polysom fecha a discografia da primeira encarnação da clássica banda brasileira ao relançar os dois discos que a banda lançou depois da saída de Arnaldo Baptista, quando seu irmão Sergio Dias assumiu a liderança do grupo, tornando-o inevitavelmente progressivo, mas com fortes camadas de psicodelia. Tudo Foi Feito pelo Sol, lançado em 1974, tinha uma formação que, além de Sergio nas guitarras, violão, cítara e voz, ainda tinha Túlio Mourão (que vinha da banda Veludo Elétrico, nos teclados e vocais), Antonio Pedro de Medeiro (baixo e vocais) e Rui Mota (bateria, percussão e vocais) na formação. Foi o disco mais vendido da história da banda, chegando a 30 mil discos vendidos na época.
Já o posterior Ao Vivo registra um show que o grupo fez no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, com produção de Pena Schmidt. A formação da banda à época contava com Sergio e Túlio do disco anterior, além de Luciano Alves, nos teclados e vocais, e Paulo de Castro:, no baixo, violino e vocais. Os dois discos nunca haviam sido relançados em vinil desde os anos 70 e, assim, toda discografia da primeira versão do grupo está de volta às lojas como foram lançados originalmente.
No meio do show de despedida que o Pin Ups armou no final do ano passado, a banda paulistana percebeu que aquele não poderia ser sua última apresentação. “Último show… em São Paulo”, corrigiu a baixista Alê, já pensando nas outras cidades em que aquele show poderia se repetir. Com anos a mais de estrada, todos estavam tocando melhor do que no auge da banda, matar a saudade no palco traduziu-se como entrosamento quase cossanguíneo e eles estavam tocando emum equipamento (o do Sesc Pompeia) muito superior do que a grande maioria dos que tiveram que usar em sua carreira. Mas o principal motivo da indecisão sobre aquele ser o último show foi emocional: além da entrega da banda, o público – mais jovem do que eles esperavam – recebeu o ícone ancestral do indie brasileiro de braços abertos.
Aí o que seria o ponto final da banda evoluiu para alguns shows em cidades que o grupo já havia tocado, incorporando Adriano Cintra como quarto pin up no lugar da integrante original Eliane (que hoje mora na Inglaterra), mas logo eles estavam falando em compor músicas novas, em relançar os discos antigos digitalmente e em vinil e resolveram assumir que estavam de volta. Prevendo disco novo no início do ano que vem, o grupo está armando a volta em grande estilo ainda para esse semestre. Conversei com o guitarrista Zé Antônio sobre os próximos passos da banda renascida.
O fim e a volta
A entrada de Adriano
Indie Brasil: ontem e hoje
O relançamento da discografia
E a Eliane?
Shows?
O cineasta norte-americano Rishi Kaneria debruçou-se sobre teorias psicológicas, referências biográficas, citações discográficas e num subdiretório específico do Reddit para montar esse esplendoroso vídeo-ensaio sobre o significado do clipe e da música de “Daydreaming”, do disco mais recente do Radiohead, tanto num nível emocional e pessoal quanto crítico e artístico. Excelente, pena não ter legendas em português (mas se alguém quiser traduzir, é só publicar nos comentários):
Dica da Ana, ela mesma outra obcecada por teorias de conspiração e Radiohead a ponto de criar uma sua específica sobre o penúltimo disco da banda.
Depois de um tempo afastada da música, quando decidiu voltar-se para a televisão (faturando inclusive um Globo de Ouro por sua atuação na série American Horror Story), Lady Gaga anunciou seu retorno em setembro, soltando peças para um quebra-cabeças em seu Instagram que revelava que seu próximo single, “Perfect Illusion”, sairia agora em setembro.
O detalhe é que há três meses o líder do Tame Impala, Kevin Parker, postou essa foto em seu Instagram, legendando-a apenas como “Illusion”.
O que será que vem daí?
Mais uma música do disco novo d’O Terno vem à tona – e a faixa-título de seu Melhor do que Parece mantém a convicção não-rock sobre a qual o Tim comentou comigo na semana passada. Além de voltar a alguns dos temas favoritos do grupo: o conceito de novidade, o pessimismo dos dias de hoje, como nossa noção de individualidade acaba nos cegando pra todo o resto e o tédio numa época tão intensa.
Mais um clipe do ótimo Vega Intl. Night School, que virou o som do Neon Indian do avesso no ano passado, trazendo-o para os mesmos anos 80 do Chromeo e do Chromatics. O clipe de “Annie” foi dirigido pelo próprio Alan Palomo, o homem-banda.












