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Loki

donkb

Vi num post do Magrão compartilhado pelo Nuts e não botei fé – mas era verdade: Alex Cecci, o Don KB, havia sofrido um infarto fulminante na praia de Maresias neste sábado e não resistiu. Morreu antes de completar seus 50 anos – um produtor, promotor e DJ que ajudou a moldar a São Paulo (e o Brasil) musical que vivemos hoje.

Nos tempos em que as poucas casas noturnas decentes que existiam em São Paulo tinham maior foco em um só gênero musical, o Jive, que fundou com seu irmão Marcio, surgiu como uma alternativa que mostrava que a cultura DJ ia para muito além de um único estilo musical. Depois de começar na Rua Caio Prado, estabeleceu-se em seu endereço mais tradicional – no número 376 da Alameda Barros -, ao lado do tradicional Clube Piratininga, em Santa Cecília. Decorado com as pinturas com motivos tiki do MZK, o clube era gerido por Don KB, que, ao lado do próprio ZK, era seu principal DJ e cuidava da programação da casa. Além de discotecagens de monstros das picapes brasileiras de todas as vertentes (de Nuts ao DJ Hum, do Tony Hits ao DJ Primo, do DJ Patife ao KL Jay), a casa também recebeu shows de artistas que o próprio KB agenciava, como o Mamelo Sound System, Black Alien, Max BO e Speedy e até um dos pais fundadores do hip hop, Afrika Bambaataa, que ele trouxe três vezes ao Brasil – duas em aniversários de sua casa.

Era uma época em que quem curtia rock só ouvia rock, o povo do samba não se misturava com o pessoal do reggae e muitas festas black não tocavam hip hop. Era uma época também que a internet começou a demolir barreiras entre gêneros, quando novos colecionadores de música juntaram-se aos escavadores de sebos de disco fuçando em HDs alheios discografias inteiras e raridades lendárias surgiam gravadas em CD-Rs. Isso ajudou a popularização do samba-rock, gênero até então considerado “menor” no cânone da música brasileira, educou uma nova geração de rappers, DJs e MCs, ajudou a proliferação do dub e pérolas desconhecidas de gêneros diferentes começavam a se popularizar nas pistas. Outros lugares tiveram seu papel nesta transição musical – como o AfroSpot, o KVA, o Susi, o Sarajevo, o Grazie a Dio, o Green Express, o Avenida Club e o Hole -, mas o Jive com certeza era o mais ousado, abrindo espaço até para rock e para uma noite de música da Polinésia.

Se hoje a cultura de São Paulo respira a música dos vinis, vive a conexão direta entre a África e o Brasil, transita bem entre gêneros de diferentes naturezas e seu hip hop vai muito além do gangsta dos anos 90, não há dúvida que isso aconteceu por causa de uma série de transições musicais que tiveram no Jive seu ponto de encontro, seu trampolim, sua inspiração. Claro que Don KB não foi o único responsável por isso – a abertura do Jive foi consequência de uma transformação que ele havia detectado -, mas não dá para dissociar seu nome da raiz desta fase atual.

Pedi pro Nuts escrever sobre a importância dele pra cena:

“Os seus sets ajudaram a revelar o samba rock para um público jovem e até então norte-americanizado, Uma opção fora do circuito tradicional de bailes de nostalgia, eu aprendi aplicar muitas dessas musicas na pista com ele, comecei a visualizar que seria possivel utilizar esses discos que até então estavam só na prateleira. Alguns desses temas marcaram a época do Jive, vejo assim, depois junto com o Zé e DJ Primo tive a oportunidade de fazer uma festa de rap semanal sempre fui bem recebido pelos dois irmãos e equipe todos firmeza, descanse em paz Cabeçada”

Valeu, KB! Seguimos por aqui, inspirados pelo que você conseguiu mostrar e fazer por todos nós.

Segue uma amostra de seu som num set gravado ao vivo há três anos, no DJ Club:

Frito-Sampler-

Acontece nesta segunda, dia 6 de março, minha estreia como curador de música do Espaço Cultural Centro da Terra e a primeira atividade que bolei foi uma temporada de quatro shows diferentes de um mesmo artista experimentar novos formatos de show. E para a grande estreia, sinto-me honrado de contar com a presença deste que é um dos artistas mais inquietos da cena paulista atual, o grande Tatá Aeroplano, que desdobra-se em quatro facetas para fazer uma retrospectiva dos primeiros quinze anos de sua carreira. O show desta segunda é o lançamento do novo disco de seu projeto Frito Sampler em que, ao lado de Júlia Valiengo, cantam músicas pop em inglês onomatopaico. Conversei com ele sobre como esta temporada tem mexido com seu processo de criação, como ele vê as mudanças na música neste tempo de carreira e as expectativas para o primeiro show. O Centro da Terra fica na rua Piracuama, 19, atrás da Alfonso Bovero, numa travessa da Apinajés, entre o Sumaré, Perdizes e Pompeia. O show começa às 20h e só cabem 100 pessoas no lugar, por isso garanta logo seu ingresso – mais informações aqui.

15 anos de Tatá Aeroplano: Quatro shows em um mês
https://soundcloud.com/trabalhosujo/15-anos-de-tata-aeroplano-quatro-shows-em-um-mes

15 anos de Tatá Aeroplano: Como a temporada mexeu com o processo de criação
https://soundcloud.com/trabalhosujo/15-anos-de-tata-aeroplano-como-a-temporada-mexeu-com-o-processo-de-criacao

15 anos de Tatá Aeroplano: O que mudou na música brasileira nestes últimos quinze anos
https://soundcloud.com/trabalhosujo/15-anos-de-tata-aeroplano-o-que-mudou-na-musica-brasileira-nestes-ultimos-quinze-anos

15 anos de Tatá Aeroplano: O que é o Frito Sampler
https://soundcloud.com/trabalhosujo/15-anos-de-tata-aeroplano-o-que-e-o-frito-sampler

15 anos de Tatá Aeroplano: O que esperar deste primeiro show
https://soundcloud.com/trabalhosujo/15-anos-de-tata-aeroplano-o-que-esperar-deste-primeiro-show

Matrix… 4?

reeves-moss-fishburne

Keanu Reeves tirou o gênio da lâmpada ao cogitar voltar a viver Neo – com algumas condições… Escrevi sobre isso no meu blog no UOL.

John Wick é fácil fácil um dos melhores filmes de ação da década e sua continuação – que ainda está em cartaz nos cinemas – consegue manter bem o ritmo do original. Parte do mérito vem do fato de seu diretor, Chad Stahelski, haver sido dublê e saber tanto coreografar cenas de luta como filmá-las. A outra parte é culpa de Keanu Reeves, que não tem o physique du role apropriado para um matador de aluguel temido pela simples menção de seu nome, mas que funciona bem e não compromete o filme em nenhum momento, saindo-se melhor do que o previsto nos dois filmes feitos até agora.

Stahelski e Reeves já haviam trabalhado juntos anos atrás, quando o primeiro foi o dublê do segundo no papel do mítico Neo da trilogia Matrix – aquela que começa com o filme brilhante de 1999 e termina com o vergonhoso filme de 2003. Mas a parceria da dupla, além de um ótimo e inesperado easter egg no decorrer do segundo filme e a sanha atual de indústria de entretenimento norte-americana por continuações, remakes e revivals, tornava inevitável a possibilidade da série original ser ressuscitada e o primeiro passo foi dado por Keanu Reeves, em entrevista à sucursal inglesa do site Yahoo Movies.

“As Wachowskis teriam de estar envolvidas”, cravou o ator sem pestanejar logo que o repórter lhe cogita a possibilidade de um Matrix 4, mencionando as autoras da saga, os antigos irmãos Larry e Paul Wachowski, que mudaram de gênero e agora atendem por Lana e Lilly Wachowski. “Elas teriam que escrever e dirigir. E aí veríamos qual seria a história, mas, sei lá, seria estranho, mas, por que não? As pessoas morrem, as histórias não. As pessoas nas histórias não”, empolgou-se o ator.

Não custa lembrar que o terceiro filme termina em aberto, com a possibilidade de um novo capítulo, que poderia materializar-se mais rápido que imaginamos. Afinal os três atores que protagonizaram a trilogia, Reeves, Carrie Anne Moss e Laurence Fishburne, se reencontraram em público em uma das sessões de lançamento do novo filme de Stahelski, no início do ano.

Mas será que Matrix 4 é uma boa ideia? Isso também é uma questão deixada em aberto – vamos ver como isso se desenrola…

invisiveis

Muito bom esse artigo do Jailton Andrade que o Luciano Matos publicou em seu site, o El Cabong, sobre como o BaianaSystem segue sendo ignorado pela grande mídia baiana justamente por estar cantando sobre o lado da população ignorado por esta mesma mídia:

O que tentam fazer com a BaianaSystem é o que fazem com nosso povo: esquecem, ignoram, sabotam, quando não esculacham com os cassetetes e tapas na cara, e quando convidam para cima do trio é para puxar aplausos, abraçar e se debruçar na virtude alheia por falta de uma, nada mais.

Mesmo que as mídias (ainda) hegemônicas finjam ignorar a existência do Invisível e que seus jornalistas se abaixem para o coito da concupiscência mercadológica das “máquinas de lucro”, a BaianaSystem não se submeterá aos caprichos e dengos da indústria baiana da exploração musical porque “cada palavra que tu guarda na boca vira baba”

Vale a pena ler a íntegra do texto lá no El Cabong.

O lado político do BaianaSystem está diretamente ligado ao seu lado musical e o lento – ê Baêa… – trabalho de formiguinha que o grupo vem fazendo torna sua importância social tão grande quanto seu peso artístico. E uma hora isso vai transbordar. Ah vai.

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Conforme previsto, o single novo de Lorde, “Green Light”, será lançado nesta quinta-feira, segundo tweets da própria cantora neozelandesa, que disse: “Estou muito orgulhosa dessa música. É muito diferente e meio inesperada. É complexa e engraçada e triste e alegre e vai fazer você DANÇAR. É o primeiro capítulo de uma história que vou contar, a história dos últimos dois anos selvagens e fluroescentes da minha vida. É aqui que começamos”.

Ela terminou avisando que a música chega com clipe dirigido por Grant Singer (que já dirigiu clipes para Ariel Pink, Melody’s Echo Chamber, Weeknd e Skrillex) às oito da manhã em sua terra-natal e às duas da tarde em Nova York – quatro da tarde no horário de Brasília.

Dá pra ter uma ideia do que vem por aí com um trechinho da música que apareceu online.

É pouco, mas parece bom. Já já tem mais.

Atualização: Eis “Green Light”, que música boa!

E ela ainda anunciou o nome de seu segundo disco – Mellodrama – e sua capa, abaixo, lindaça:

mellodrama

thurston-2017

Thurston Moore deve estar perto de lançar disco novo, pois acaba de lançar single novo (que pode ser baixado gratuitamente aqui) ao mesmo tempo em que anuncia, em seu site, uma turnê pelos Estados Unidos e Europa neste primeiro semestre. O single, “Cease Fire”, é mais uma música de teor político como seu lançamento mais recente “Chelsea’s Kiss”, que ele escreveu em apoio à delatora que vazou as informações sobre atividades ilegais do Pentágono, a ex-militar Chelsea Manning, que ainda encontra-se presa. A nova canção é um libelo a favor do desarmamento mundial e descamba numa ruidosa como as que ele conduzia em sua banda original, o Sonic Youth. “Armas são feitas para matar e nós, como seres humanos não-violentos, somos contra matar quaisquer pessoas ou animais. A música também é sobre o poder do amor, em toda sua liberdade de escolhas. Um poder que nenhuma arma pode extinguir, já que o amor sempre vencerá. Derretam suas armas e beijem seus vizinhos”, escreveu.

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O grupo goiano Boogarins foi convidado pela revista inglesa Mojo para participar do disco-tributo ao clássico Something Else, dos Kinks, organizado pela clássica publicação em sua edição de fevereiro. No disco, além dos Boogarins, estão nomes como Gaz Coombes, Ty Segall (que regravou “Waterloo Sunset“), Nada Surf, Wreckless Eric, entre outros.

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A música tocada pelos Boogarins foi “No Return”, cujo ar bossa novista parece ter sido o guia para a revista sugeri-la para um grupo brasileiro. Interessante perceber a aura Jupiter Apple que paira sobre a versão, fechando um ciclo virtuoso entre a banda goiana, o grupo inglês e a obra do maior psicodélico gaúcho:

E, abaixo, o comentário da revista inglesa sobre a versão da banda brasileira:

“A sophisticated songwriter from the very start of The Kinks’ career, Ray Davies drew on bossa nova for inspiration for this tune. In a bid to return the track to its roots, MOJO asked Brazilian psychedelic outfit Boogarins – named after a popular flower grown in their homeland – to try their hand at this number. The result is a fantastically woozy cover, with a seductive, hypnotic ebb and flow.”

Pra quem não conhece a versão original, olha ela aí:

E se você não conhece o Something Else – ou o legado dos Kinks, uma das bandas inglesas mais subestimadas da história – faça-se esse favor.

Lorde vem aí!

lorde2017

A Fact descobriu que um comercial de 15 segundos foi ao ar nas emissoras de TV da Nova Zelândia, indicando que o próximo single de Lorde será lançado nesta quinta-feira.

Quem se animou com o andamento dance à la New Order da música? Lorde pode ser uma boa porta-voz contra a nuvem pesada que paira sobre o mundo com a ascensão de Trump, por isso a expectativa sobre seu próximo disco aumenta ainda mais…

lanadelrey2017

Com um tweet aparentemente inocente, Lana Del Rey tornou público um ato global de bruxaria contra Donald Trump:

“Quando der meia-noite: 24 de fevereiro, 26 de março, 24 de abril, 23 de maio”, ela twittou uma maldição que deve ser repetida nestas quatro datas, “os ingredientes podem ser encontrados online”. Segundo o site AV Club, o feitiço está sendo invocado globalmente nas datas de lua crescente, para impedir que Trump continue presidente dos EUA. Os ingredientes mencionados são uma foto ruim de Donald Trump, a carta Torre do tarô, uma vela laranja pequena, um alfinete ou prego pequeno, pequenas bacias contendo tanto água quanto sal, uma pena, fósforos e um cinzeiro. O site avisa que se você não tem uma vela laranja pode usar uma cenoura baby.

Enquanto isso, Lana falou à radialista Jo Whiley da BBC sobre seu próximo disco, que ela “começou pensando que todo o álbum teria uma vibe anos 50, anos 60, com algum tipo de influência das Shangri-Las e de Joan Baez no início da carreira. Mas à medida em que o clima se tornou mais quente em termos políticos, eu percebi que todas as letras estavam se referindo diretamente a isso e, por causa disso, o som deu uma atualizada e eu vi que tinha que falar com o lado mais jovem do meu público. Acho que ele tem um lado um pouco mais consciente em termos sociais. Acho que é um sentimento global.”

Lana acaba de lançar o primeiro single de seu novo disco, “Love“, que tem exatamente essa abordagem que ela se refere a seu público mais novo…

baiana2017

Não é nenhuma novidade o cunho político das músicas e das apresentações do BaianaSystem – na verdade, a fusão entre festa e protesto está na gênese do grupo baiano e toda sua obra reflete essa dicotomia. Por isso era mais que natural que seu trio Navio Pirata cutucasse velhas feridas abertas recentemente a partir do tenso clima político no Brasil principalmente por ser um pleno carnaval. Russo Passapusso começou o protesto no meio da instrumental “Forasteiro”, enfileirando “golpistas, machistas e fascistas” para ouvir um “não passarão” em uníssono do público. E nem precisou mencionar o nome do presidente postiço para que a multidão emendasse o grito de guerra “fora Temer”. Veja só:

A manifestação pode ter valido a ausência da banda do próximo carnaval, segundo o Conselho Municipal do Carnaval de Salvador, cujo presidente disse que “o código de ética é claro, é terminantemente proibido que o artista use o carnaval para denegrir alguém, como foi feito pelo BaianaSystem. Há um risco concreto de punição grave, que seria a exclusão deles”, explicou ao Correio da Bahia (de onde também saiu a foto que ilustra este post).

Mas tem que ver pra quem essa regra vai valer, porque manifestação a favor também é manifestação política? Sem contar que Caetano Veloso puxou um “fora Temer” no Pelourinho e o prefeito ACM Neto foi vaiado em plena concentração do Ylê Ayê:

E isso que é só domingo de carnaval… Abaixo, mais Baiana em Salvador em 2017. Que delírio: