Kieran Hebden aos poucos volta a produzir música nova e publica as primeiras faixas inéditas depois do álbum Morning/Evening, registro mais recente (de 2015) de seu codinome Four Tet. E agora ele ressurge com duas faixas, a primeira é a introspectiva “Two Thousand and Seventeen”:
A outra faixa recém-lançada, “Planet”, tem um groove mais pronunciado, embora ainda mantenha-se retraído.
Em ambas faixas as cordas metálicas dão um tom oriental ao clima, mas ninguém sabe se o disco – virá um disco? – vai por essa linha… Só ele.
Em entrevista à Rolling Stone, Beck anunciou que está prestes a lançar seu tão aguardado novo disco, que ele anunciou que se chamará Colors: “Acho que o disco podia ter saído há um ano ou dois, mas essas canções complexas tentam fazer duas ou três coisas ao mesmo tempo. Não é retrô nem moderno. Por isso reunir tudo de forma que não soasse uma enorme bagunça foi uma responsabilidade e tanto.” O disco foi gravado ao lado do produtor Greg Kurstin, que já produziu discos da Adele, Kelly Clarkson e Sia e tocava teclado na banda de Beck no início do século e o cantor disse que o disco será bem pra cima, “com as melhores canções para você se sentir feliz de estar vivo. Não importa se é Beethoven ou os Monkees, eu pensava bastante sobre isso”. Segundo Beck, o disco será lançado em outubro. Não vejo a hora.
Gravadora Dissenso realiza minifestival reunindo Baobá Stereo Club, Ordinária Hit e National neste domingo no Centro Cultural São Paulo, a partir das 18h (mais informações aqui),
O diretor indie Todd Haynes, que dirigiu Velvet Goldmine e Eu Não Estava Lá, contará a história do Velvet Underground, a banda mais influente do rock independente, usando apenas imagens de época – publiquei trechos da entrevista que ele deu sobre o assunto no meu blog no UOL.
No ano em que seu mítico primeiro disco completa meio século de vida, o grupo norte-americano Velvet Underground vai ter sua curta saga levada às telas de cinema. O diretor Todd Haynes irá contar a história do grupo criado por Lou Reed e John Cale e hypado por Andy Warhol usando apenas imagens de arquivo, como revelou em entrevista à revista Variety.
Diretor de filmes independentes de sucesso como Longe do Paraíso (2002) e Carol (2015), Haynes disse que seu novo filme irá “ser baseado em alguns filmes de Wahrol mas também na rica cultura do filme experimental, um vernáculo que perdemos e não mais o possuímos e que cada vez mais o vemos sendo removido de nós”, disse o diretor em entrevista dada durante sua participação no festival de cinema de Locarno, na Itália.
Um dos grupos mais influentes da história da música pop, o Velvet Underground foi fundado em Nova York pelo poeta e compositor de aluguel Lou Reed e pelo músico erudito John Cale, que fundaram uma banda de rock que tinha o compromisso de nunca fazer concessões. O grupo passou a compor sobre sexo, drogas e violência tocando músicas com poucos acordes e com um som muito alto em moquifos de Nova York até ser descoberto pelo artista plástico Andy Warhol, que apadrinhou a banda. Nos braços de Warhol, o grupo conseguiu lançar seu primeiro disco, The Velvet Underground and Nico, considerado o marco-zero do rock underground, influenciando artistas tão diferentes quanto David Bowie, Iggy Pop, Brian Eno, Television, Patti Smith, Sex Pistols, Joy Division, Gang of Four, Sonic Youth, Galaxie 500, Nirvana e Strokes.
O grupo gravou apenas quatro discos e teve uma carreira que durou pouco mais de cinco anos, antes da saída de Lou Reed em 1970, que sepultou a história da banda. Não chegou a fazer sucesso comercial e justamente por isso são raras as imagens de arquivo do grupo, o que torna o desafio de Todd Haynes ainda mais complexo, uma vez que ele usará apenas imagens da época. Haynes falou sobre a “emoção da pesquisa e da montagem visual” e de “mergulhar nas fontes e no material e em imagens de arquivo e no cinema de fato e no trabalho experimental”, uma vez que lidará com as cenas filmadas pelo próprio Andy Warhol, que fazia filmes com integrantes da banda, além de filmar apresentações do grupo para projetar sobre o próprio grupo em outras apresentações.
O diretor, que já fez filmes sobre ícones do rock, como Velvet Goldmine, de 1998, sobre o glam rock e Não Estou Lá, de 2007, sobre as múltiplas personas de Bob Dylan, considera o Velvet Underground a banda mais influente de todas. “Como disse Brian Eno, todo mundo que comprou seu primeiro disco montou uma banda”, disse o diretor na entrevista. “Sua influência não tinha nada a ver com vendas ou visibilidade ou com as formas que quantificamos a ideia de sucesso.”
Ele também está bem interessado com o aspecto visual do filme. “Forma para mim é tudo. É a primeira pergunta sobre como abordar uma história e por que você está a contando e qual tipo de tradição que você está evocando”, continuou, explicando que o filme sobre o Velvet Underground “precisa ser uma experiência intensamente visual”.
O filme não tem data de lançamento e é um dos projetos de Haynes que contam histórias do passado. O outro, que está sendo desenvolvido junto à Amazon, é sobre “uma figura intensamente importante de imensa influência histórica e cultural”, revelou, sem entrar em detalhes sobre esta nova produção, que deverá ser um seriado.
Depois de “The Way You Used To Do”, o Queens of the Stone Age revela mais uma música do disco que lançarão no fim do mês e “The Evil Has Landed” é mais uma indicação que estamos às vésperas do lançamento de um dos melhores discos da banda de Josh Homme, por mais que os fãs lamentem que eles não sejam mais tão stoners quanto antes. Talvez seja isso ahahah
Letícia Novaes apresenta seu Em Noite de Climão nesta quinta-feira em São Paulo no CCSP (mais informações aqui) e aproveitei a deixa para pedir para que ela dissecasse seu disco faixa a faixa abaixo:
Mais uma música nova do grupo da Filadélfia War on Drugs, “Pain” segue aumentando a expectativa para o próximo disco do grupo, A Deeper Understanding, que chega no final do mês.
O grupo já havia mostrado a canção ao vivo no fim do mês passado:
E além de “Pain”, o grupo já havia mostrado as músicas “Thinking of a Place” e “Holding On”, além de “Strangest Thing” (abaixo).
Todas ótimas.
Mais um clipe novo da nossa querida musa teen Lorde, o vídeo do segundo single de seu Melodrama, “Perfect Places”, a retira da cidade grande e a transporta para o resto do mundo.
Esta é a capa de American Dream, quarto disco em estúdio do grupo de disco-punk LCD Soundsystem que chega ao mundo no primeiro dia do mês que vem. O disco já está em pré-venda e estes são os títulos das faixas novas na ordem em que aparecem no álbum.
“Oh Baby”
“Other Voices”
“I Used To”
“Change Yr Mind”
“How Do You Sleep?”
“Tonite”
“Call the Police”
“American Dream”
“Emotional Haircut”
“Black Screen”
O disco de estreia do Pink Floyd completa meio século de vida e eu escrevi sobre sua importância lá no meu blog no UOL.
Quando o Pink Floyd lançou seu disco de estreia, The Piper at the Gates of Dawn, há exatos cinquenta anos, no dia 5 de agosto de 1967, a cultura mundial estava em pleno processo de transformação. O amadurecimento da primeira geração das bandas de rock e a consolidação da indústria fonográfica e da cultura pop coincidiu com a afirmação de diversas tendências comportamentais que corriam mundialmente no underground – os beats norte-americanos, a nouvelle vague francesa, a ascensão do feminismo e dos movimentos pelos direitos civis em todo o mundo, o uso recreativo de drogas alucinógenas, a causa hippie, o orgulho negro, o free jazz e a pop art. O mágico ano de 1967 prenunciava uma era de renovação, uma revolução cultural que nos levaria a um novo estágio – um novo nível de consciência, a idade espacial ou a era de Aquário. E o Pink Floyd apontava os rumos a serem seguidos.
Em apenas dois anos, o grupo inglês formado por três ex-estudantes de arquitetura e um estudante de arte ultrapassou a fase de blues elétrico que dominava a Londres do meio dos anos 60 em busca de horizontes que nunca haviam sido explorados pela música pop. Liderados pelo único não-arquiteto da banda, o carismático Roger “Syd” Barrett, que pouco a pouco se transformava em guru de uma geração, o grupo formado pelo baixista Roger Waters, o tecladista Rick Wright e o baterista Nick Mason aos poucos abandonou a estrutura básica do rhythm’n’blues norte-americano para usar e abusar de novos formatos de composição.
Syd foi um dos primeiros entusiastas do LSD na Inglaterra, substância descoberta por acaso pelo cientista suíço Albert Hoffmann em uma tarde de 1943 que ficou restrita ao círculo farmacêutico até ser descoberta e utilizada pelo cientista norte-americano Timothy Leary no início dos anos 60. Os efeitos da dietilamida do ácido lisérgico, que ainda era uma droga legal, na mente criativa de Syd fez que ele levasse o rock para outra dimensão em todos os sentidos: não só a estrutura das canções mudava drasticamente (bebendo de fontes alternativas – e inglesas) bem como o tema e suas apresentações ao vivo. E embora os outros integrantes da banda não fosse usuários aficionados como Syd, todos eles deixavam-se levar pela onda alucinógena que o vocalista e guitarrista emanava. O próprio nome da banda era uma prova de como estes limites poderiam ser explorados. Syd sugeriu batizá-los de Pink Floyd a partir de uma explicação lisérgica, mas ele apenas reuniu o prenome de dois de seus bluesmen favoritos, Pink Anderson e Floyd Council.
Ao vivo, a banda, vestidas com roupas coloridas, camisas bufantes, chapéus, franjas e botas, entregava-se ao improviso e às divagações musicais de Syd, que graças às inéditas fórmulas de iluminação no palco, quando projeções gelatinosas eram miradas sobre a banda, parecia tornar-se um sacerdote místico. Exímio guitarrista, ele também levava seu instrumento a paisagens distantes da primeira geração do rock ou do movimento mod que dominava a Londres do período. Em shows que duravam horas, o Pink Floyd aos poucos foi construindo sua reputação como um dos principais faróis de um novo movimento: a psicodelia.
Era uma transformação comportamental que inevitavelmente caía sobre o rock. Os ecos destas mudanças aconteciam em vários lugares do mundo, principalmente na Califórnia e na Inglaterra, e o Pink Floyd era o principal motor deste movimento, que contava com outros ícones bem próximos, como o guitarrista norte-americano Jimi Hendrix (que foi criar seu Experience em Londres) e, claro, os Beatles.
O grupo de Liverpool estava trancado no estúdio 2 de Abbey Road desde o início de 1967 e já haviam lançado o compacto com as faixas “Strawberry Fields Forever” e “Penny Lane” quando o Pink Floyd assinou com a EMI para gravar seu disco de estreia no estúdio 1, vizinho ao que os Beatles gravaram Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. O disco do Pink Floyd foi produzido pelo engenheiro Norman Smith., que já vinha trabalhando com os Beatles há tempos. A troca de informações entre os dois discos e as duas bandas ainda são um assunto intocado, bem como quem influenciou quem. O disco dos Beatles foi lançado dois meses antes da estreia do Pink Floyd, mas os dois discos ficaram prontos praticamente ao mesmo tempo.
E o disco do Pink Floyd era muito mais ousado que o dos Beatles. Embora Sgt. Pepper’s tenha causado ao reunir uma orquestra inteira para tocar o crescendo de “A Day in the Life”, costurado o carrossel de colagens de “Being for the Benefit of Mr. Kite!”, citado a sigla de LSD em “Lucy in the Sky with Diamonds” e posto oriente e ocidente para duelar em “Within You Without You”, The Piper at the Gates of Dawn (título tirado de um capítulo do clássico infantil Vento nos Salgueiros, de Kenneth Grahame, sobre o deus grego Pan) ia além.
Talvez não tivessem os recursos que os Beatles tinham, mas isso não tornava suas viagens mais tímidas. Ia do espaço sideral (com a faixa de abertura “Astronomy Domine” e o longo improviso instrumental de “Interstellar Overdrive”) ao I Ching (“Chapter 24”), da visita de seres míticos (“The Gnome”) à infância (“Bike”), sempre ao som de progressões de acordes incomuns, solos melancólicos, riffs destrambelhados, fractais em teclados elétricos, bateria desenfreada, baixo melódico e duro, efeitos eletrônicos e sonoplastia. The Piper at the Gates of Dawn é quase um OVNI que pousa no meio daquilo que hoje conhecemos como rock clássico, acendendo luzes que apontam para rumos que nunca haviam sido cogitados.
Parte de seu brilho talvez venha de sua velocidade. Do mesmo jeito que ascendeu, Syd Barrett pifou. O mesmo LSD que o fez visionário, o cegou de forma brutal, transformando-o em um Ícaro psicodélico, a primeira vítima séria da era hippie, que mesmo que não tivesse sido fatal, transformou-se em um peso morto que constrangia a banda ao vivo. Por diversas vezes ficava imóvel no palco, não dublava a própria voz em programas de TV e o grupo teve de chamar um quinto músico para que a banda pudesse funcionar – e em pouco tempo David Gilmour o substituiu, levando a banda para um limbo estético que durou vários discos – e que forjou uma das principais lendas da história do rock.
Mas a influência de Syd sempre esteve presente. O próprio clássico Dark Side of the Moon é uma ode à loucura e funciona como um questionamento em relação ao que aconteceu com o amigo do grupo – que batizou o álbum de forma que a palavra “Side” ecoasse o nome do fundador da banda. O disco seguinte, Wish You Were Here, foi mais direto – e além da descarada declaração de amizade da faixa-título (“Queria que você estivesse aqui”) dedicava a longa suíte “Shine On You Crazy Diamond” ao pai da psicodelia inglesa. Mas seu recado já estava dado em The Piper at the Gates of Dawn – e ecoa firme até hoje. Brilha muito.










