O dono das segundas-feiras de setembro no Centro da Terra é o às independente Rafael Castro, essa usina de produção pop que não para de lançar discos, fazer shows e assumir diferentes possibilidades musicais. Pois são justamente elas que desfilam nas quatro noites do Segundamente neste mês: na primeira segunda, dia 4, ele visita seu disco Um Chope e um Sundae. No segundo dia, dia 11, é a vez de voltar à sua infância musical, resgatando sua primeira banda, Repentina, além de acompanhar Luna tecladista de sua banda, em seu trabalho solo. Na terceira segunda-feira, dia 18, ele mostra seu show de sertanejo universitário ao lado do Fabiano Boldo, com a dupla Fael e Fabiano, e na última segunda, dia 25, ele apresenta seu trabalho rural no espetáculo Raiz. Todos os shows acontecem nas segundas-feiras de setembro no Centro da Terra (mais informações aqui), sempre às 20h. Abaixo, Rafael escreveu um texto sobre esta temporada e depois conversei com ele sobre o que esperar destes shows.
Oi, gente.
Desde que produzi uns 10 discos lá no interior de São Paulo, em Lençóis Paulista, onde eu morava com os meus pais, não fazia muita coisa da vida além de compor e gravar um som atrás do outro compulsivamente. Em 2014 saiu meu álbum mais recente “Um Chopp E Um Sundae”, e desde então eu dei uma parada de lançar trabalhos. Achei que já tinha coisa demais, que era hora de dar um tempinho de tanto Rafael Castro. Mas aí essa coisa de criar é meio viciante e tinha que escapar por algum lugar. Entre produções de discos de amigos (Eristhal, MALLI, Primos Distantes, Cauê, Sauna, Meia Noite em Marte…) a gente, essa turma toda, acabou se trombando sempre aqui em casa pra tomar umas biritas, conversar e, claro, fazer mais música. Aqui em casa também tenho um bar secreto com shows todo fim de semana, então imagina o mundaréu de gente que aparece cheio de idéias, né.
Daí que eu tava com um monte de projeto, de rascunho, de banda, de coisa pra fazer com a turma, tudo na cabeça, mas sem aquele compromisso de realizar nada. Eis que não mais que de repente aparece o Alexandre Matias com essas temporadas/residências no Centro da Terra e me convida pra fazer o mês de setembro lá. Ele é maluco e falou que a idéia era fazer quatro shows diferentes, com coisa inédita pra caramba e tal. Eu gostei e aceitei. Era o que precisava, afinal, pra tocar avante essas idéias e mostrar finalmente pra vocês.
Um desses projetos maneiros é uma banda que eu formei com a Juliana Calderón o Gomgom e o Gá Setubal pra tocar as músicas que eu fiz com a Ju há um tempão atrás. Umas músicas legais, bicho, tinha que rolar porque a gente é bão de compor junto.
Aí retomamos, ensaiamos, fizemos arranjos e ficou maneiro demais. Minha primeira banda, cara. Ela se chama Repentina. Emocionante.
Aí tem a Luna França, que é a minha tecladista no show do Chopp E Um Sundae. Ela tava reclamando que o pessoal só chama ela pra tocar, mas que na verdade ela é cantora. E ela é mesmo e das boas. A gente se juntou, pegamos músicas dela e minhas, fizemos outras e vamos tocar nós dois, pro povo ver que ela canta mesmo.
Outro projeto doido é a minha dupla sertaneja, o Fael & Fabiano (sim, o Fabiano Boldo). Começamos lá atrás fazendo umas modas de sertanejo universitário e eu continuei compondo com toda a galera: meu produtor, o Juka, o Caio do Primos Distantes, o Tim do Terno, o Eristhal, o Belleza, a Malli e todo mundo que aparece. Festival de hits no sertanejo ostentação. Vamos ganhar milhões com essa. Certeza.
Daí como fã gosta das coisas que a gente já tem eu também vou fazer o show daquele disco de música caipira, o Raiz, que o pessoal gosta e sente nostalgia. Eu adoro relembrar esse período e vai ser maneiro tocar com uma banda diferente: o Eristhal, o Juliano dos Primos e o Guilherme do Terno.
E pra encerrar, mas na verdade, começando, vai ter um Chopp e Um Sundae com o Gui Amaral, o Bi e a Luna, porque a gente é farofa mesmo e não desencana desse negócio de se maquiar, rebolar e quebrar a guitarra de tanto fritar.
Espero todo mundo lá pra, junto comigo, meter o loko no Centro da Terra.
Beijo,
RC
A ideia de sua estada no Centro da Terra é apresentar suas diferentes facetas musicais. O que elas têm em comum?
Olha, acho que o lance das letras, dos temas e dos pontos de vista trabalharem a beleza do mundo-cão, da tragédia, da tristeza e do desamparo com humor deve ser a principal conexão entre os shows. Mas vai ser mais fácil ver o que as facetas tem de incomum entre si, por irem explorar lados completamente diversos que chegam até a ser antítese uns dos outros.
Fale sobre como será a primeira noite.
A noite de estréia vem com o show do disco Um Chopp E Um Sundae, um espetáculo festeiro, de música dançante e performance exagerada. Lançado há alguns anos e já executado em muitos cantos do Brasil esse show continua evoluindo e se reinventando. Me acompanham no palco o Fabiano Boldo no baixo, a Luna França no teclado e o Gui Amaral na bateria.
E a segunda?
Na segunda noite temos dois shows novíssimos. O primeiro é um duo com a Luna França, que toca teclado nos shows do Chopp, mas também é uma baita cantora e agora tá despontando como compositora. Vamos fritar bonito com as canções que estamos fazendo em parceria e emocionar o Brasil. O segundo show é com a banda Repentina, onde tocamos músicas que fiz em parceria com a minha amiga Juliana Calderón (Granata). Só canções de amor embriagadas com pegada punk/alternex pra agitar geral. Na Repentina, além de nós dois, tocam os fantásticos Gomgom (da Trupe Chá de Boldo) e Ga Setúbal (do Pitanga Em Pé De Amora).
Fale sobre a terceira.
Na terceira noite vamos de Sertanejo Universitário com a dupla Fael & Fabiano (eu e o Fabiano Boldo). No repertório só sertanejos inéditos compostos pela dupla e também parcerias com o pessoalzinho maroto da cena indie, entre eles o Caio Costa, dos Primos Distantes, a Malli, o Tim Bernardes, d’O Terno, o Eristhal e o Daniel Belleza. Acompanhando a dupla temos o Eristhal no baixo, o Ítalo Magno na sanfona e o Júlio Epifany na bateria.
E a última?
Na última noite a gente celebra um clássico perdido da minha discografia off-spotify, o disco Raiz, que é um tipo diferente de sertanejo, o caipira tradicional, com aquela pegada rancheira e o clima bucólico dos anos de adolescência vividos no interior. Me acompanham no palco Guilherme d’Almeida, d’O Terno, no baixo, Juliano Costa, dos Primos Distantes, na bateria e Eristhal no cavaquinho.
Os shows terão alguma diferença em relação aos shows que você já apresenta neste formato?
Exceto pelo primeiro, todos os shows são inéditos em formação, repertório e proposta.
Que outras facetas ficaram de fora desta temporada?
Existe um projeto ainda com poucas músicas chamado Leti Grou, uma persona ultra-positiva do RC que faz música eletrônica com letras de uma frase só.
O lugar em que você realiza shows com essas personalidades musicais são bens diferentes do Centro da Terra. Como o lugar influencia a apresentação?
Os lugares muitas vezes dão início ao projeto. O sertanejo universitário mesmo começou quando me convidaram pra fazer show da minha banda mas o espaço não suportava por não ter o equipamento necessário ou pelo cachê ser “simbólico” a ponto de não poder fazer um agrado pra banda. Aí eu fazia sozinho até dar vontade, agora, de fazer de dupla e com banda. Além disso, mesmo um show pronto varia completamente o mood sendo ele num teatro, numa casa de show ou num inferninho. A gente acaba escolhendo um caminho diferente pro sensível de acordo com o palco, com a platéia e com a qualidade do uísque do camarim.
Você é um artista que tem muitas personas musicais. Como elas ajudam ou atrapalham o desenvolvimento da sua carreira?
Ainda é difícil precisar o que ajudou e o que atrapalhou, mas certamente, com o tempo, as personas mais fortes vão acabar por matar as mais fracas num ciclo de renovação inevitável e delicioso.
Entrevistei, para meu blog no UOL, o ilustrador brasileiro Cris Vector, que está fazendo um pôster para cada novo episódio de Twin Peaks.
O ilustrador paulistano Cristiano Siqueira, de 37 anos, era pré-adolescente quando a série Twin Peaks passou pela primeira vez no Brasil. “Nessa época eu tinha 11 anos e não podia ficar acordado depois do Fantástico pra ver a série. Lembro das chamadas na programação e sempre tive muita curiosidade de assistir”, lembra o artista, que mesmo chegando atrasado na série, aderiu ao culto da série. Quando a série teve sua terceira temporada anunciada vinte e cinco anos depois da segunda, Cris propôs-se um desafio: ilustrar um pôster para cada novo episódio da série.
“Existia uma grande expectativa entre os fãs de Twin Peaks pela volta da série, algo totalmente inesperado, já que os próprios David Lynch e Mark Frost tinham descartado uma terceira temporada em diversas ocasiões”, lembra o ilustrador. “A ideia inicial era fazer apenas um pôster, mas após assistir o primeiro episódio e conversar com alguns amigos, eu pensei que seria interessante – e desafiador – criar um pôster pra cada episódio. Pensei que seria uma maneira de superar a expectativa de uma semana entre um episódio e outro e também uma maneira de viver esse momento que todos os fãs de Twin Peaks aguardavam tanto.”
O resultado é a série de pôsteres abaixo, que vi originalmente no site Ideafixa. A repercussão tem sido ótima: “Desde quando lancei o primeiro poster, a reação tem sido muito positiva. As pessoas elogiam, agradecem, pedem prints. Usam até como foto de perfil, foto de capa. Toda vez que eu lanço um poster, eu faço postagens nas minhas contas de rede social e em grupos de discussão de Twin Peaks, no Facebook. As pessoas até já se acostumaram com os pôsteres e assim que terminam de assistir a um episódio novo, elas já vem me perguntar sobre o novo pôster”, conta Cristiano.
E ela não apenas nacional. “A conta oficial do Twin Peaks no twitter, gerenciada pela Showtime (@SHO_TwinPeaks) frequentemente curte e retuíta os posteres. Até o próprio Mark Frost retuitou um dos posteres, o do episódio 8, que é um dos mais apreciados. Percebi que alguns dos atores da série também curtiram algumas postagens, a Mädchen Amick e Dana Ashbrook curtiram alguns posteres. Mas o que mais me deixou feliz e orgulhoso foi receber uma foto do Carel Struycken, que interpreta o personagem o Gigante, posando com um dos posteres. Uma vizinha dele viu o poster do Episódio 1 e me pediu o arquivo para fazer uma print e presenteá-lo. No começo não acreditei muito, mas mesmo assim cedi o arquivo. Depois pra minha surpresa, o próprio Carel me escreveu elogiando o trabalho e ainda me enviou uma foto! Só isso já valeu todo o esforço!”
Abaixo, toda a galeria de pôsteres de Twin Peaks até o episódio 15 feita por Cris (que também pode ser vista em seu perfil no Facebook). Dá para ver seu portfólio de ilustrações em seu site oficial:

Episódio 1: Meu Tronco Tem Uma Mensagem Para Você

Episódio 2: As Estrelas Se Voltam e o Tempo Se Apresenta

Episódio 4: …Isso Traz Lembranças

Episódio 7: É um Corpo, Com Certeza

Episódio 10: Laura é a Escolhida

Episódio 11: Brincando Com Fogo

Episódio 13: Que História é Essa, Charlie?

Episódio 14: Somos Como O Sonhador

Episódio 15: Não é fácil desapegar
Geoff Barrow, do Portishead, leva o grupo canadense Arcade Fire a uma viagem dubzeira em seu remix para “Creature Comfort”, que virou “Comfort My Sleng Teng (Geoff Barrow Mix)”.
Outras duas cenas da nova temporada de Twin Peaks sincronizadas: o discurso do Woodsman do episódio 8 e a bebedeira de Sarah Palmer no episódio 13. Repare que ela bebe toda vez que ele fala em “drink full”…
Não é a primeira vez que duas cenas distintas parecem feitas para espelharem uma à outra nesta temporada: a cena do choque em Cooper, as cenas do Dr. Jacoby e as cenas da caixa de vidro.
A clássica dupla dance Orbital, formada pelos irmãos Paul e Phil Hartnoll, pendurou as chuteiras em 2012, quando lançou seu último disco, Wonky, mas desde o início do ano vem ensaiando sua volta, fazendo apresentações ao vivo sob rumores que estariam trabalhando num novo álbum. A principal novidade é a faixa “Copenhagen”, a primeira inédita em cinco anos, lançada meses após o primeiro sinal de vida dado pela dupla, no início do ano, quando recriaram a faixa de 2008 “Kinect” ambientada para este ano. Ouça as duas abaixo:
A banda baiana Maglore está prestes a lançar seu quarto disco, o ótimo Todas as Bandeiras, e antecipou o single da sossegadíssima “Você Me Deixa Legal” em primeira mão para o Trabalho Sujo. Guitarras praianas, uma vibe entre George Harrison e Conan Mockassin e uma letra que pede calma nestes tempos belicosos – tema, aliás, que atravessa todo o álbum, que chega às plataformas digitais nesta sexta-feira. O vocalista, guitarrista e principal compositor da banda, Teago Oliveira, fala sobre a faixa escolhida: “É uma canção antiga que fiz ao observar essa coisa frenética de hoje: a quantidade de informação pra assimilar e a forma talvez plástica com que a gente lida com isso, com esse ambiente de embate. Ao mesmo tempo acho que ela tem uma vibe “cool” e popular, essa coisa de apesar disso tudo, dá pra ficar legal”, ri.
Sem alarde, Kurt Vile e Courtney Barnett lançam o primeiro single de sua colaboração mútua junto com o clipe de “Over Everything” – que música boa! Lotta Sea Lice vê a luz do dia no dia 13 de outubro – a capa é essa aí em cima e a ordem das faixas (que inclui Kurt regravando “Outta the Woodwork” de Courtney e Courtney regravando “Peeping Tomboy” de Kurt) vem abaixo do clipe.
“Over Everything”
“Let It Go”
“Fear Is Like a Forest”
“Outta the Woodwork”
“Continental Breakfast”
“On Script”
“Blue Cheese”
“Peepin’ Tom”
“Untogether”
O Péricles Martins – o bom e velho Boss in Drama – botou um sabor brasileiro em “LWYMMD”, o ótimo single novo da Taylor Swift e ficou daquele jeito!
Depois de muito enrolar, Beck anuncia finalmente o lançamento de seu novo álbum. Colors (que já está em pré-venda) será lançado no dia 13 de outubro, a capa é esta aí em cima e a ordem das faixas vem logo após o clipe que ele fez para mais uma música nova, a ensolarada “Dear Life”.
“Colors”
“Seventh Heaven”
“I’m So Free”
“Dear Life”
“No Distraction”
“Dreams (Color Mix)”
“Wow”
“Up All Night”
“Square One”
“Fix Me”
O multiinstrumentista paulistano Curumin lança seu excelente Boca em dose dupla: sexta e sábado, a partir das 19h (mais informações aqui).
















