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Loki


Management World

O mestre Sílvio Meira parte dessa simples pergunta para mostrar que a mudança de paradigma pela qual estamos passando não é só tecnológica – mas também biológica. E aproveita para citar Douglas Adams:

“Tudo o que já existia no mundo antes de nascermos é absolutamente natural; as novidades que aparecem enquanto somos jovens são uma grande oportunidade e, com alguma sorte, podem até ser uma carreira a seguir; mas tudo que aparece depois dos trinta é anormal, um fim do mundo que conhecemos, até que tenhamos convivido com a coisa por uns dez ou quinze anos, quando começa a parecer normal.”

Vale muito a leitura, porque esse sujeito é foda (os dois, aliás, tanto o Meira quanto o Adams).

Muita gente conhece o Tim Maia cantando em inglês graças ao These Are The Songs, lançado em 2001, mas poucos ouviram falar no formidável disco homônimo que o papa da black music brasileira lançou em 1978 – muito pelo fato do disco ter sido lançado pela gravadora do próprio Tim Maia, Seroma, por onde ele lançou seus discos da fase Racional. Mas sem a clientela à disposição para fazer o disco ser vendido na época e sem o aspecto místico-freak que fez a fase racional ser redescoberta décadas depois, Tim Maia 1978 é fácil um dos melhores discos do síndico – e talvez seja o disco em que ele mais se entrega a um de seus maiores amores, a soul music. Dá pra baixar o disco inteiro aqui e aí embaixo eu deixo um aperitivo.


Tim Maia – “With No One Else Around

O Rafa descolou essa ótima árvore genealógica da cena black brasileira dos anos 70 feita pela excelente revista Wax Poetics. Clica na imagem pra vê-la inteira.

The Big Picture

Outra imagem pra clicar e ver ampliada: é o mapa da Goon City, uma cidade desenhada na proporção isométrica num projeto do designer Ryan Allen e do povo do fórum Something Awful para salvar a essência da pixel art. Mas melhor do que ampliar a imagem acima é entrar no saite criado para hospedar a cidade virtual e navegar por seus milhões de detalhes. No meio dá pra encontrar a família Dinossauro, fases do Super Mario, um tabuleiro de xadrez humano, o comissário Gordon chamando o Batman, um boquete, o jipe dos Thundercats, Godzilla, a caixa forte do Tio Patinhas, a DeLorean de Marty McFly, Hunter Thompson, a torre Eiffel, um tabuleiro de Banco Imobiliário, o Campo Minado, um show do Rick Astley – e outro do Daft Punk -, King Kong, uma Apple Store, o tabuleiro de Tron, uma filial da Dundler Mifflin, um complexo militar, a mulher de 20 pés, naves do Guerra nas Estrelas, uma pirâmide, um concurso de sósias do Wally, uma casa sitiada pela Swat, um cubo mágico, o grupo vocal do Homer cantando em cima do bar do Moe, a nave do Wall-E, um parque temático Doom, o Tick, Wolverine, um disco voador, a fortaleza da solidão, a Estrela da Morte transformada em cassino, Space Invaders, o Castelo de Greyskull, Pac Man, Muppets, os Beatles, a casa da Família Adams, South Park e Planet Express. Para entrar na Goon City, clique aqui.

Hora da mitologia acontecer!


É uma navinha ali do lado dos pássaros? Ou é uma ilha decolando?

De novo aquele paragrafinho que só serve pra tanger o povo que não quer saber do que tá rolando em Lost porque não viu o último episódio da temporada atual. Deu tempo de se ligar que, se você não quer saber o que anda acontecendo na série zarpar desse post – porque a partir daqui, parto do pressuposto que você já assistiu ao capítulo da semana passada, This Place is Death.

Então, como eu já havia previsto, tudo indica que estamos chegando ao fim da primeira metade desta temporada. E não estou falando só da contagem numérica, não. Quem não está gostando do 2009 de Lost porque acha que o papo dos Oceanic Six voltarem para a ilha tá se tornando uma tremenda enrolação, pode comemorar – Jack e Sun terminaram o episódio passado sendo apresentados para a misteriosa Ms. Hawking, que disse que, mesmo os seis não estando lá, já dava pra dar um jeito – e voltar para onde não deviam ter saído.

Porque essa historinha só não é a pior subtrama no seriado pois já tivemos a história de Nikki e Paulo e a loooonga estada de Jack, Sawyer e Kate presos em celas Dharma. Mas nestes dois casos, os produtores não sabiam quanto tempo duraria a série e nem que rumo ela levaria, por isso, dá-se um desconto. Mas essa história do Ben reunir os Oceanic Six de um jeito ou de outro, tem sido contada de uma forma muito meia-boca: alguém está querendo tirar Aaron de Kate – ah, esse alguém é o Ben; Sayid não está respirando – ah, não, ele está respirando sim; Hurley foi preso – ah, conseguiram um mandato para soltá-lo; alguém está querendo levar Sayid inconsciente – duvida que seja o Ben?; Sun vai matar Ben – ah, Ben tem como provar que Jin ainda está vivo. Pequenas histórias que poderiam injetar alguma adrenalina em Lost foram encurtadas de forma abrupta e infantil, com deixas que pareciam levar a crer que seriam esticadas por alguns episódios sendo resolvidas sem grandes problemas. O que parecia transformar Lost em uma série de ação tornou-se uma ação de mentira – por mais que carros sejam perseguidos e que correrias aconteçam por alguma pressa específica, toda a história dos Oceanic Six voltando para a ilha poderia ser resumido num mísero episódio sem tantas reviravoltas. Michael Emerson, o ator que faz Ben, talvez seja o melhor exemplo desta nova fase de Lost – elogiadíssimo por sua atuação dúbia em todas as outras temporadas, nessa ele só teve um único momento em que foi exigido, quando, no episódio passado, puxa o freio do carro para encerrar uma discussão entre Jack e Sun, como se fosse um pai que vira para o banco de trás do carro para dar um esporro nos filhos que, bagunçando tudo, atrapalham a direção.

Já na ilha, as coisas estão BEM diferentes. Não só pelo fato dos remanescentes estarem viajando no tempo como, principalmente, por estarmos sendo apresentado a lacunas da mitologia de Lost que só conhecíamos de segunda mão. Sem dúvida, a passagem mais reveladora do episódio passado foi a cena em que Danielle Rousseau e sua equipe decidem entrar na floresta em busca da antena que transmite os famigerados números (quem está os lendo? Hurley? Toomey?). Nem vamos entrar aqui na discussão que, sem Jin ter voltado no tempo, nem a equipe entraria na floresta, nem Danielle seria impedida de entrar na caverna. O que fez a participação da equipe de Rosseau emblemática foi o fato de vermos o grupo sendo atacado pelo nosso querido monstro de fumaça (numa cena em que – gore! – um braço é decepado) e o que aconteceu logo depois do ataque. Em uma passagem curtíssima, assistimos à própria mitologia de Lost acontecendo em frente aos nossos olhos: Rosseau mirando a arma no pai de sua filha que clama para não morrer explicando que o que os atacou era um “sistema de segurança do templo” – que foi justamente como a Rosseau de 2004 se referia ao fumacê.

Fumacê que, por sua vez, parece ser a origem da misteriosa doença que dizimou a equipe de Danielle. Aparentemente o bicho não apenas se movimenta por conta própria como pode manipular corpos de outras pessoas como se estivesse as possuindo. Basta lembrar que, depois do francês que teve seu braço arrancado cair na toca do monstro, ele voltou a falar normalmente, pedindo ajuda em inglês. O cara só falava francês, perdeu UM BRAÇO e não solta um gemido de dor? E logo depois vemos Robert, o pai do filho de Rousseau, agindo como se tivesse sofrido uma lavagem cerebral. Aí tem.

Mas além de 1988, a data dos acontecimentos que envolvem os franceses, Sawyer, Juliette, Charlotte, Miles, Faraday e Locke (seis pessoas também, reparou?) estão perdidos na ilha, sofrendo na pele os efeitos da viagem no tempo. A primeira a não agüentar é Charlotte, que, antes de morrer, viaja no tempo com sua consciência, falando quase sem sentido. Mas ela estava só viajando no tempo? Como ela sabia que “this place is death”? E como ela sabia do poço que Locke entraria mais tarde? Será que ela também estava sendo usada pelo smokey? (Pensando em voz alta, dá pra encaixar um dos grupos mais populares da Motown na mitologia de Lost, hein: Smokey é o fumacinha, Robinson é a família Robinson e os Miracles – ah, isso tu pergunta pro Locke).

A quinta temporada também vem transformando Sawyer, que, desde que pulou do helicóptero para salvar os Oceanic Six, completou sua redenção. Ele agora não é mais o picareta simpático e irônico das primeiras temporadas e cada vez mais assume o papel de herói – que Locke ou Jack sempre resistiram em aceitar. A cena em que ele vê o parto de Aaron em Little Prince conversa muito bem com a cena em que o poço desaparece sob os pés dos remanescentes, fazendo o golpista galã acreditar que Locke estivesse soterrado. Em ambos momentos, Sawyer parece ter atingido uma maturidade emocional que seu personagem não tinha antes.

E Locke desceu para o fundo do poço onde, depois de mais uma vez sofrer na pele a queda (ô coitado), ele pode colocar a maldita Frozen Donkey Wheel no lugar. Um detalhe que tem incomodado muita gente é o fato da série ter três tipos de viagens temporais – a ilha sumiu de 2004, os remanescentes estão pulando de ano em ano aleatoriamente e outros viajam só com a consciência, sem que seu corpo seja transportado para outras épocas. Como a roda que Locke girou estava emperrada – e como os flashes de viagens do tempo estavam mais freqüentes no último episódio – é bem provável que os clarões eram produto da forma como Ben deixou a roda depois de partir da ilha. Ou seja, uma vez que Locke a colocou no lugar, aposto que não veremos mais os clarões de viagem no tempo tão cedo. As questões que ficam no ar a partir disso (inúmeras) podem ser reduzidas a duas – para onde Locke foi depois de girar a roda e onde foi parar a ilha.

Porque Locke entrou num poço que havia sido construído muito antes da Dharma ter criado a Estação Orquídea, mas depois de cair dentro dele, voltou num tempo em que sequer o poço existia – mas a roda estava lá. Quando Ben girou a ilha, ele pulou alguns meses no futuro – e atravessou o planeta para sair do outro lado. Se a ilha estava no Oceano Pacífico em 2004, ele “furou” a Terra e foi sair na Tunísia, em 2005 (o mesmo país em que Charlotte descobriu a ossada do urso polar com o distintivo Dharma, que fez com que ela tivesse a certeza de que, ao contrário do que dizia sua mãe, a ilha realmente existira). Se Locke girou a roda num tempo muito antes da Dharma, ele pode aparecer na época do navio Black Rock – estou torcendo tanto para que esse episódio aconteça…

E então voltamos para Los Angeles, quando entramos em uma igreja que, aparentemente, não é só uma igreja. Jack, Sun e Ben encontram-se com Desmond, que disse ter vindo procurar a mãe de Faraday, informação que Ben parecia não ter (repare na cara dele depois). Hawking é a mãe de Faraday? Ben sabe disso? Ben sabe quem é Daniel Faraday? Lost clássico: perguntas, perguntas…

Mas respostas também. O grande barato dessa temporada está sendo justamente ver coisas que supúnhamos ou éramos induzidos a acreditar sendo descortinadas ou confirmadas com pompa. Aos poucos, os pedaços começam a se juntar – não dá pra ver ainda a imagem inteira, mas dá pra ter uma idéia do que vem por aí.

E o que vem por aí? Acredito que um vôo de uma certa Ajira Airways. Qual é o número do vôo? Qual é o nome do episódio de hoje?

“Well I suppose it will have to do for now. Alright! Let’s get started”

 

***

Mais quinta temporada de Lost: 

Lost: The Little Prince
Lost: Jughead
Lost: Because You Left e The Lie

Ou é só maluco? O cara deu uma entrevista para a Details e, putz, melhor separar uns trechos:

“First beat I did,” he recalls, “was in seventh grade, on my computer. I got into doing beats for the video games I used to try to make. My game was very sexual. The main character was, like, a giant penis. It was like Mario Brothers, but the ghosts were, like, vaginas. Mind you, I’m 12 years old, and this is stuff 30-year-olds are programming. You’d have to draw in and program every little step—it literally took me all night to do a step, ‘cause the penis, y’know, had little feet and eyes.”

?!?!?!?!??!?!?!?!?!?!?!?!?!

For example, I ask about his infamous “I am the voice of this generation” quote: “If not me, then who?” he says. “Someone could be a better rapper, dance better. But culturally impacting? When you look back at these four and a half years, who’s the icon at the end of the day? Who broke down color barriers? What other black guy would a white person use as a fashion reference?

Ma-lu-co. Aí entra a parte em que ele escorrega fingindo não escorregar:

“I want some flower arrangements,” he tells a woman at the other end of the line. “One on top of the kitchen thing, one sitting in the living room, in the bedroom, and both the bathrooms. Flowers that match themselves, so that it’s just one idea in the pot. So either all white—I love cherry blossoms, I love roses—or just a shitload of peach roses so close to each other that you just see the buds. . . . And I want the pots to be very minimal, fit the vibe of the crib. . . . Frosted glass. Or a lacquer, or a matte lacquer, or stone.”

Once off the phone, West takes care to specify that the woman given the task of realizing his hyperspecific horticultural vision is not his interior designer and not his gofer—but rather his apartment manager. “Titles are very important. I like to embody titles, y’know, or words that have negative connotations, and explain why that’s good,” he says. “Take the word gay—like, in hip-hop, that’s a negative thing, right? But in the past two, three years, all the gay people I’ve encountered have been, like, really, really, extremely dope. Y’know, I haven’t, like, gone to a gay bar, nor do I ever plan to. But where I would talk to a gay person—the conversation would be mostly around, like, art or design—it’d be really dope. From a design standpoint, kids’ll say, ‘Dude, those pants are gay.’ But if it’s, like, good, good, good fashion-level, design-level stuff, where it’s on a higher level than the average commercial design stuff, it’s, like, gay people that do that. I think that should be said as a compliment. Like, ‘Dude, that’s so good it’s almost . . . gay.'”

Tudo bem, o homossexualismo ainda é um tabu – e grande – no hip hop, mas porque o cara não escancara? Ou por que ele fica tão cheio de dedos pra falar sobre isso? “Eu não fui a um bar gay”, que papo é esse… Só se encontra gay em bar gay?

Mas pra mim, ele não é nem gay nem maluco, o papo do Kanye é outro…

Nem gay, nem maluco…

Kanye West é só um almofadinha pagando de cool.

Vocês lembram do Carlton…

Ele também me lembra o Don Simmons, do Amazonas na Lua:

Pra você que não sabe do que vai sair no carnaval, Bruno Correa sugere uma dica brunística:

O original saiu daqui.

"Aspas"





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