Depois de jogar o Dark Side of the Moon e o OK Computer na terra dos baixos pesados, ecos de percussão e névoa branca do dub, é a vez do Easy Star All-Stars se dedicarem a verter o disco clássico dos Beatles para estas paragens. À primeira audição, Easy Star All-Stars – Easy Stars Lonely Hearts Dub Band é OK, mas piora bem quando lembramos que isso é uma fórmula. Vários outros hits online também são, mas compare o trabalho que o Inri Christo tem pra fazer paródias cantadas por suas discípulas ou o de internautas anônimos ao regravar uma música transformando sua letra de forma a fazer paródia do clipe com o de produzir um disco inteiro… Tá na hora dos caras repensarem sua idéia, senão, em vez de soarem repetitivos, vão simplesmente ser esquecidos. Fora que, aqui pensando, que outro álbum merece esse tipo de homenagem?
Easy Star All-Stars – “A Day In The Life (com Michael Rose e Menny More)“
The new record’s very different from Modern Times which was a number one hit. It seems like every time you have a big hit, the next time out you change things around. Why don’t you try to milk it a little bit?
I think we milked it all we could on that last record and then some. We squeezed the cow dry. All the Modern Times songs were written and performed in the widest range possible so they had a little bit of everything. These new songs have more of a romantic edge.How so?
These songs don’t need to cover the same ground. The songs on Modern Times songs brought my repertoire up to date, and the light was directed in a certain way. You have to have somebody in mind as an audience otherwise there’s no point.What do you mean by that?
There didn’t seem to be any general consensus among my listeners. Some people preferred my first period songs. Some, the second. Some, the Christian period. Some, the post Colombian. Some, the Pre-Raphaelite. Some people prefer my songs from the nineties. I see that my audience now doesn’t particular care what period the songs are from. They feel style and substance in a more visceral way and let it go at that. Images don’t hang anybody up. Like if there’s an astrologer with a criminal record in one of my songs it’s not going to make anybody wonder if the human race is doomed. Images are taken at face value and it kind of freed me up.
O mestre Dylan prepara-se para o lançamento de mais um disco de inéditas e antecipa o lançamento com uma entrevista reveladora em seu saite oficial – longe das declarações enigmáticas tradicionais em suas conversas, ele chega a comentar que os próprios parentes lhe pedem canções em encontros de família. Together Through Life sai no final de abril e ele também dá uma palhinha do disco com o MP3 de “Beyond Here Lies Nothin'”, boogie pesado que antecipa o clima de blues velho do novo álbum.
Bob Dylan – “Beyond Here Lies Nothin‘”
Seguimos tirando o atraso da faixa de comentários – e essa semana teremos dois programas. O de hoje é com o episódio anterior ao da semana passada, que conta como Jack, Hurley, Kate e Sayid voltaram para a ilha depois de partir. E amanhã comentamos o último episódio, He’s Our You. Lembra do esquema, né: baixa o MP3 pro mesmo computador onde você vai assistir o episódio e, quando no áudio a gente falar “play”, você aperta o play do programa em que você vai ver a série.
Ronaldo Evangelista e Alexandre Matias – Comentando Lost: Namasté
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Segue uma cena do episódio de amanhã. Nem pense em clicar se não quiser ser spoilado MASTER.
Sigo na torcida, postando toda segunda um vídeo do Of Montreal, na esperança que eles venham pra cá esse ano.
E por falar em Watchmen, Assisti aos tais extras do filme que acabaram de sair em DVD lá fora. Um é uma bomba gigantesca, já o outro…
Primeiro, a bomba. Contos do Cargueiro Negro, como eu já disse, é uma história em quadrinhos dentro da história em quadrinhos. No Watchmen original, ela é lida por um personagem mais do que secundário, mas sua narrativa aos poucos vai sendo superposta à história original, contrapondo aspectos do gibi de piratas com a saga de Watchmen. Toda a discussão sobre como ela poderia ser encaixada na versão para o cinema (será que, em vez de ler uma HQ, o tal personagem teria um DVD player portátil) ficou para trás depois que Zack Snyder anunciou que a transformaria em uma história à parte, num desenho animado. Aí a dúvida mudou: em vez de perguntarmos como ela coexistiria no filme, agora é a vez de saber se ela se sustenta sozinha.
Eu achava que não, mas a animação consegue ser ainda pior do que eu supunha. Pra começar, não existe relação nenhuma da história com Watchmen (a única sugerida, quando o sobrevivente do naufrágio ergue a vela de sua jangada mórbida, é de uma tosquice descomunal). Depois, principalmente, pelo fato da história ter sido completamente modificada. Se no quadrinho ela era um monólogo tétrico e sem esperança, no desenho surge personagens que dialogam com o protagonista. Qual o sentido dessas alterações? Não bastasse a falta de lógica, a mudança não melhora a narrativa – pelo contrário, piora e muito. E mesmo com trechos inteiros citados diretamente da obra de Alan Moore, ela agora é piegas e chinfrim, sem o peso depressivo que tinha originalmente. Para finalizar, a animação é um anime bem meia-boca e a voz do protagonista, cortesia do ator Gerard Butler, não passa sentimento algum.
Já Sob o Capuz é outra história. A princípio, o média metragem parecia ser mais um dos trocentos vídeos virais feitos para divulgar o filme, só que com a extensão prolongada. E é isso – mas não apenas isso. Os três capítulos da autobiografia do primeiro Coruja, Under the Hood, originalmente vinha no final das três primeiras edições de Watchmen, como se fosse um livro. Servia para contextualizar a história do time de super-heróis que precedeu Watchmen, os Minutemen.
Quando torna-se um filme, no entanto, a mudança de linguagem valoriza o novo formato. Assim, assistimos a um programa de TV nos anos 70 que, devido à recente lei que proibira heróis mascarados, resolve reprisar trechos de uma reportagem feita pelo próprio programa dez anos antes, quando Hollis Mason – o Coruja original – foi entrevistado devido ao lançamento de sua autobiografia – que, por sua vez, tem boa parte dos acontecimentos ocorridos nos anos 50.
Então temos um filme que superpõe três décadas – tanto em termos de comportamento quanto estética – com maestria televisiva (afinal, não é um filme, e sim um programa de TV), ao mesmo tempo em que se aprofunda na história dos Minutemen, que foi apenas aludida no primeiro filme. De fato, é um um vídeo da mesma natureza das dezenas de virais que apareceram antes do filme vir à tona. Mas também é parte crucial da história de Watchmen – se conseguimos entender a idéia geral de realidade levemente paralela cogitada no universo criado por Alan Moore no filme, em Sob o Capuz conseguimos ir além sem necessariamente tornar a história (ainda) mais densa. O extra é um filme leve e divertido, com algumas cenas e passagens que aludem à violência e depressão do filme de Snyder, mas que olha para os lados para tentar explicar o que aconteceria se super-heróis – com superpoderes ou não – realmente existissem em nossa realidade.
Sob o Capuz poderia ser, muito mais do que o Cargueiro Negro, tranqüilamente diluído na edição do filme original, tornando-o ainda maior do que as três horas e dez minutos proposta pela versão definitiva de Zack (que, se tudo der certo, chega aos cinemas no meio do ano ou, se tudo der errado, vai direto pro DVD). Intercalando cenas de um programa de TV com as diferentes histórias paralelas poderia dar um certo ar Frank Miller para o filme (vocês lembram do papel da mídia como narrador em O Cavaleiro das Trevas, que foi surrupiada por Paul Verhoeven no primeiro Robocop, né?), mas certamente funcionaria – incluindo seus comerciais setentões (meu favorito é o da Seiko, lançando o relógio digital).
Mas talvez seja melhor deixá-lo à parte. Assim o filme não torna-se ainda mais demorado e podemos entrar num hiperlink da história. E eis um salto narrativo considerável, primo do própria forma artesanal com que a história original foi concebida – escrita por uma pessoa, desenhada por outra, colorizada por mais uma para, só então, ir para o processo industrial. Sem querer, Watchmen abre uma possibilidade de ampliar ainda mais um único produto. Se a produção se esmerasse nisso, talvez teríamos ainda mais desdobramentos num leque de produtos e formatos ainda mais amplo do que o que está sendo usado.
Falando só em Watchmen: se o filme fosse um sucesso, poderia ver outros subprodutos ainda mais complexos da franquia, com a publicação da própria autobiografia de Hollis Manson, uma série de programas de TV sobre super-heróis nos anos 60 e 70 (e não apenas um extra), a transformação do New Frontiersman num blog com notícias de verdade, gibis pornô estrelando Sally Jupiter (referido no filme e sublinhado em Sob o Capuz) até a materialização de uma franquia do restaurante Gunga Din (ou, se sua megalomania não pode conceber isso, a transformação mensal de uma franquia de fast food em um Gunga Din).
O mesmo poderia ser feito em relação a Lost – todos os personagens poderiam ter subprodutos com suas vidas anteriores ao acidente com o vôo 815. Na verdade, a própria ABC já ganha um bom dinheiro vendendo vários produtos com a marca Dharma (uma grife fictícia). Battlestar Galactica vai além – após o uso de determinadas roupas, cenários e apetrechos, eles vão simplesmente à leilão através do site Sci-Fi Channel.
O pop do futuro será consumido em camadas cada vez mais profundas e interconectadas, seja ficção ou não-ficção. Fora do material ficcional é fácil desdobrá-las: afinal os personagens de reality shows todos têm suas próprias vidas e as receitas e hotéis em programas de gastronomia e turismo existem de verdade. Mas é na ficção que reside o maior desafio: se antes Tolkien ou Roddenberry eram considerados excêntricos e nerds por inventarem as linguagens élfica e klingon, no Senhor dos Anéis e em Jornada nas Estrelas, respectivamente, hoje essa é a regra para quem quiser começar a conceber ficção. O começo, meio e fim têm de estar arquitetados de tal forma que explorar o universo fictício não seja apenas possível, mas inspire o leitor/espectador/ouvinte a mergulhar cada vez mais e, claro, participar. Lost, Watchmen e Battlestar Galactica (entre muitos outros) são apenas alguns degraus no rumo disso – a década seguinte, aposto, será dedicada a este tipo de descobrimento.
Ele grava seu show para virar DVD dia 3 de abril, em Salvador – com a participação, claro, de Mallu Magalhães. E como a próxima Gente Bonita vai acontecer na capital baiana no dia seguinte ao show, fica aqui o convite aberto ao casal para sair e dançar as melhores músicas do mundo na primeira capital do Brasil. Afinal, dançar de verdade é melhor do que dançar dentro de si mesmo.








