“Quem gravou o disco foi eu e Benke, não há participações: eu gravei vozes, baixo e teclado, ele gravou guitarras e beats. A gente tinha liberdade pra gravar e parar a hora que quisesse. Então dormindo, comendo, curtindo junto, isso nos deu uma sensação muito grande de bem estar. Influenciou diretamente no mood do resultado final”, me explica o pernambucano Paes, que lança seu EP Wallace nesta sexta-feira, mas que o antecipa já em primeira mão para o Trabalho Sujo. Feito em parceria com o guitarrista dos Boogarins Benke Ferraz, que produziu e tocou no disco, o EP desconstrói a sonoridade que o cantor e compositor apresentou em seu disco de estreia, Mundo Moderno.
A colaboração com Benke surgiu quando Paes estava começando a cogitar um disco em parceria com o ex-Mombojó Marcelo Campello, que assina algumas das composições do EP. “Ana Garcia, quando tava fazendo a assessoria do Mundo Moderno, meu disco anterior, falava muito que a gente precisava se conhecer e trocar ideia, porque tinha interesses parecidos relacionados a áudio, música, fita cassete etc.”, explica o pernambucano, mencionando a participação ativa da fundadora do festival Coquetel Molotov como ponte crucial do encontro com o guitarrista. “Já havia encontrado ele algumas vezes em Recife mas nunca trocado uma ideia de fato. Mas no Coquetel Molotov do ano passado, a gente se encontrou e eu dei uma Cassete do Mundo Moderno e meses depois, em outra festa ele me deu uma do Boogarins, A Casa das Janelas Verdes, junto com uma revista que saiu pela Void. Eu adorei a fita e ficamos trocando ideia por internet.”
“Ele me pareceu ser a pessoa mais indicada no momento pra tentar tirar outro som, me ajudar a sair da zona de conforto em relação à sonoridade, instrumentação e vibe das músicas. As coisas aconteceram de uma forma bem natural”, continua. “Quando o convidei pra produzir, no outro dia já tava almoçando com eles e pensando como fazer a coisa toda. Levei as cifras, baixo e amp pra lá e já começamos a tirar as harmonias dessas três canções. Depois de dois encontros onde já se criou as bases no Ableton Live e harmonias fomos pro estúdio por dois dias e gravamos. Lá compusemos juntos outras duas faixas ‘8 bit Blues’ e ‘Espelhos’. Ele se envolveu no processo desde o início, desde os arranjos até a finalização do trabalho. Além de produzir ele tocou as guitarras, beats e mixou as nossas parcerias. O nome do álbum surgiu de uma brincadeira nossa com o título de ‘4 Paredes’: Four walls, for Wallace, por Wallace até enfim chegar no Wallace, que reflete muito o clima familiar que a gente construiu na pré, durante as gravações e na pós. Foi-se criando uma amizade bem massa e uma facilidade de decidir as coisas juntos talvez pela forma parecida de pensar música e de filosofia de vida.”
“A diferença é em relação à sonoridade, porque a instrumentação é bem diferente”, me explica. “Não tem bateria, apenas beats eletrônicos. O Mundo Moderno é mais diversificado de timbres e a formação em cada faixa. Tem músicas eletrônicas, outras com violão e piano, outra com banda. O Wallace é rock alternativo, eletrônico, pop e mais lisérgico. É experimental e mais maluco. Em uma faixa gravamos uma jam de baixo e guita encima do beat do Casiotone, depois ele processou no Live e deixou ela com cara de videogame, por isso dei o nome de ‘8 Bit Blues’. Outra surgiu de um áudio de WhatsApp que Benke ouviu, processou e picotou, criando um beat, synth e baixo. Eu criei a melodia e letra e já gravei rapidamente em cima.”
Se o disco é tão diferente do anterior, o mesmo não pode se dizer em relação ao tema. “As questões que abordamos nas letras é uma continuidade do que tá presente no álbum anterior: reflexões sobre a contemporaneidade, das formas de relações que a gente tem nos tempos atuais, tecnologias, formas de comunicação e como isso influencia diretamente no jeito que a gente se socializa, como se relaciona com o outro através da internet e de toda facilidade que isso traz. Tem seu lado positivo de mil possibilidades mas também cria problemas desse nosso tempo que é a sensação de isolamento, muitas vezes estamos conectados com tanta gente mas nos sentimos muito solitários. É uma coisa muito comum isso que acomete quase todos que convivo, uns menos outros mais. Vejo muita gente tendo sofrendo com depressão, ansiedade, pânico e quase sempre relacionando esses pontos levantados como cruciais pra entender o que ta acontecendo no nosso mundo. E eu acho importante falar disso abertamente, nos ajudar, ouvir e tentar encontrar um equilíbrio sabe? Porque temos que estar juntos, se ajudar. É uma coisa muito comum pra nós que vivemos nesse modelo capitalista, de trabalho, cobrança pessoal, da sociedade, do sistema, essa correria louca do dia a dia onde as horas não são suficientes pra a demanda que criamos e aos mesmo tempo passa tudo tão rápido, A vida tá passando por a gente como um vagão de metrô. E nós estamos todos no mesmo carro.”
Agora o desafio é transpor essa sonoridade para o show: “Como virou eletrônico, tanto as novas como as do anterior que serão rearranjadas pra esse formato, a banda é bem reduzida, para um formato duo, em que canto, toco baixo e synth em alguma faixas e com o amigo João Bento, que toca guitarra, backing vocal e maschine, que é basicamente um equipamento com vários pads, onde podemos samplear todos os sons do álbum, não só rítmicos mas também hamônicos e melódicos e tocar ao vivo isso. Mas também temos a formação trio, com Benke completando o time tocando guitarra enquanto João fica nas bases eletrônicas, e eventualmente baixo e sintetizador. Nessa eu tenho mais liberdade pra só cantar em algumas músicas e ficar mais livre em relação a performance.”
A voz de Grace Slick isolada no maior hit do Jefferson Airplane, “White Rabbit”, dá ao hino psicodélico contornos ainda mais dramáticos, saca só:
Uma das grandes revelações de 2019, a produtora e MC gaúcha Saskia mostra seu primeiro disco Pq ao vivo nesta quinta-feira, no Centro Cultural São Paulo, a partir das 21h – e é de graça (mais informações aqui).
Tudo indica que o fenômeno pop adolescente Billie Eilish foi para um outro patamar e fará dois shows no Brasil em 2020 – um num estádio! É o que apurou o Lucio Ribeiro – Billie teria negado a ida ao Lollapalooza do ano que vem para realizar dois shows, um no Rio (dia 30 de maio, na Jeunesse Arena) e o outro em São Paulo (no dia seguinte, no estádio do Palmeiras!). Não é fraca não…
Thurston Moore volta a dar notícias lançando não apenas mais um disco solo, mas um disco triplo, reunindo três apresentações ao vivo livremente improvisadas. Spirit Counsel apresenta, portanto, três obras de microfonia elétrica suspensas a partir de três pontos de partida distintos. O primeiro disco, Alice Moki Jayne, contempla a influência sonora que três grandes primeiras damas do free jazz, Alice Coltrane, mulher de John Coltrane, Moki Cherry, mulher de Don Cherry, e Jayne Cortez, mulher de Ornette Coleman, tiveram no trabalho do guitarrista do Sonic Youth, numa sessão gravada na Bélgica, este ano. O segundo disco, 8 Spring Street, foi batizado a partir do endereço em Nova York em que Thruston conheceu um de seus maiores faróis sonoros, o guitarrista no wave Glenn Branca, e foi gravado na Inglaterra, também este ano. Spirit Counsel encerra com o disco Galaxies, em que rege uma orquestra de 12 guitarristas, inspirada em um poema do mestre do space jazz Sun Ra de mesmo nome, e foi gravado ao vivo em Londres, no ano passado. Os três discos vem acompanhado de um livro que registra, em textos e fotos, o processo de criação, composição e apresentação das três peças sonoras – que podem ser ouvidas abaixo.
O disco já está à venda.
O terceiro disco da banda potiguar Luísa e os Alquimistas, batizado de Jaguatirica Print, será lançado nesta sexta-feira, mas a banda antecipa o disco em primeira mão para o Trabalho Sujo. Reforçando a conexão da tradição musical jamaicana com o nordeste brasileiro, ela costura subgêneros das duas regiões em um disco pesado, sexy e esfumaçado, com participações de várias mulheres da região norte do país, como Jessica Caitano, Catarina Dee Jah, Doralyce, Sinta A Liga Crew, Luê, entre outras. Bati um papo com a vocalista Luísa Nascim sobre o próximo lançamento.
A banda começa a lançar o disco com uma turnê que começa no mês que vem, com shows em João Pessoa (dia 4), Recife (dia 5, com Boogarins), São Paulo (dia 11, no MIS), São Carlos (dia 19, no Festival Sonora), Manaus (dia 26) e segue por novembro em Porto Alegre (dia 1°), no Rio de Janeiro (dia 2) e Natal (dia 23, no Festival DoSol).
A gravadora inglesa Warp, uma das principais referências musicais das últimas décadas, anuncia a comemoração de seu trigésimo aniversário lançado uma caixa com dez vinis cheia de raridades, com mixes, documentários, apresentações ao vivo e outras pérolas de um elenco que inclui nomes como Aphex Twin, Flying Lotus, Oneohtrix Point Never, LFO, Bibio, Mount Kimbie, Seefeel, entre outros. E o anúncio vem com uma das raridades mais esperadas pelos fãs: a versão na íntegra da Peel Sessions que o grupo Boards of Canada gravou em 1998 – que virou um EP em vinil lançado no ano seguinte, mas que teve de ser recolhido pois uma das faixas, “XYZ”, teve problemas com a utilização de direitos autorais alheios. A sessão ao vivo na BBC contou com quatro faixas ao vivo – “Aquarius”, “Happy Cycling”, “Olson” e a referida faixa problemática, que agora ressurge inclusive como teaser da caixa, direto no YouTube:
A caixa já está em pré-venda (e custa 150 dólares) e, além dos 10 vinis com raridades dos principais nomes do selo (veja abaixo), ainda traz peças impressas (oito cartazes feitos pela dupla ucraniana de fotógrafos experimentais Synchrodogs, quatro offsets, entre outros) e dez adesivos.
Aphex Twin
Peel Session 2
10 de abril de 1994
“Slo Bird Whistle”
“Radiator (Original Mix)”
“p-string”
“Pancake Lizard”
Bibio
WXAXRXP Session
21 de junho de 2019
“Haikuesque”
“Petals”
“All the Flowers”
“Lovers Carvings”
Boards Of Canada
Peel Session
21 de julho de 1998
“Aquarius (Version 3)”
“Happy Cycling”
“Olson (Version 3)”
“XYZ”
Flying Lotus
Presents INFINITY “Infinitum” – Maida Vale Session
19 de agosto de 2010
“MmmHmm”
“Golden Axe”
“Tea Leaf Dancers”
“Drips”
Kelly Moran
WXAXRXP Session
“In Parallel (acoustic)”
“Helix 2 (TransAcoustic)”
“Interlude 1”
“Love Birds (acoustic)”
“Radian (TransAcoustic)”
LFO
Peel Session
20 de outubro de 1990
“Take Control”
“To The Limit”
“Rob’s Nightmare”
“Lost World”
Mount Kimbie
WXAXRXP Session
21 de junho de 2019
“You Look Certain (I’m Not So Sure) (feat. Andrea Balency)”
“Delta”
“Marilyn (feat. Micachu)”
“Made To Stray”
Oneohtrix Point Never
KCRW Session
23 de outubro de 2018
“Love In The Time Of Lexapro”
“RayCats”
“Toys 2”
“Chrome Country”
Plaid
Peel Session 2
8 de maio de 1999
“Housework”
“Kiterider”
“Elide”
“Lazybeams”
Seefeel
Peel Session
27 de maio de 1994
“Rough For Radio”
“Starethrough”
“Vex”
“Phazemaze”
Em mais uma colaboração para a UBC, conversei com Dinho dos Boogarins, Bonifrate, Fábio Golfetti e Bento Araújo sobre a tradição psicodélica brasileira e como ela se manifesta na atual fase do gênero.
Uma nova onda
Bandas como Boogarins e O Terno bebem na fonte da Tropicália, de Novos Baianos e Mutantes; artistas e especialista comentam
Uma discreta renascença vem acontecendo no underground brasileiro. Puxada por bandas de rock tão diferentes – e, de alguma forma, parecidas – como os cariocas Supercordas (que, no fim de 2016, encerraram seu trabalho como grupo mas seguem em carreiras solos), os paulistanos d’O Terno e os goianos Boogarins, uma nova onda psicodélica vem se formando durante esta década que chega ao fim. Dialoga, assim, com uma tradição que remonta a mais de meio século de produção musical.
A definição deste gênero é um tanto ampla, uma vez que psicodelia não resume um certo tipo de instrumentação, um estilo musical ou uma natureza sonora específica. É claro que nasce do rock e de seu trio de instrumentos básicos – baixo, guitarra e bateria -, mas espalha-se por teclados, inclui música eletrônica, efeitos de pós-produção, noise e microfonia, diferentes formas de se cantar e até metais, madeiras e cordas.
Seu rótulo vem de um termo que nem à música está propriamente associado: o nome “psicodelia” foi cunhado pelo psicólogo inglês Humphry Osmond, que estudava drogas alucinógenas nos anos 50 e precisava de um nomenclatura para designar os efeitos de elementos químicos que alteravam a noção da percepção da realidade dos indivíduos que os utilizavam. Osmond recorreu à Grécia antiga e recuperou um termo que resumia a expressão oculta do cérebro humano, tornada pública através de tais substâncias – “psicodelia”, dizia o estudioso, “é o que a mente revela”.
O termo tornou-se popular à medida em que o uso daquelas drogas, ainda legalizadas, se expandia. Uma delas, a dietilamida do ácido lisérgico (mais conhecida pelo nome em alemão Lysergsäurediethylamid, depois reduzido à sigla LSD), tornou-se carro-chefe daquele novo movimento farmacêutico e psicólogo, liderado pelo acadêmico Timothy Leary, que aos poucos espalhava-se pela sociedade na década seguinte aos seus primeiros estudos.
À medida que experiências alucinógenas eram descritas por poetas, escritores e estudiosos, outros artistas começaram a fazer uso daquelas drogas e a expressar-se à luz daquela descoberta. Aquela nova onda de experimentações teria eco principalmente na música, quando bandas de rock em diferentes continentes começaram a explorar as fronteiras musicais do gênero. Grupos como os Beatles, Pink Floyd, Rolling Stones, Grateful Dead, Jimi Hendrix Experience, Jefferson Airplane, The Doors, Byrds e Love mudaram a paisagem musical dos anos 60.
No Brasil, o principal nome daquele período foi o grupo paulistano Mutantes, que aos poucos abriu as portas para uma nova safra de artistas que começaram a experimentar aquela nova forma de se fazer música – e não necessariamente através da utilização daquelas drogas, que começavam a ser proibidas pelos governos. A própria Tropicália tem influência psicodélica (especificamente do clássico dos Beatles neste gênero, “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, de 1967), que espalhou-se pelos discos posteriores de artistas como Gal Costa, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé.
Mas, além destes nomes de maior destaque, outros artistas ultra-alternativos – como Módulo 1000, A Bolha, Casa das Máquinas, Paulo Bagunça e a Tropa Maldita, Damião Experiença, Sidney Miller, Flaviola e o Bando do Sol, Os Baobás, Moto Perpétuo, A Barca do Sol, Veludo, O Bando, O Som Nosso de Cada Dia, Som Imaginário, Spectrum, Suely e Os Kantikus, Marconi Notaro, Guilherme Lamounier, Ave Sangria – ajudaram a reforçar a transformação nos anos 70.
No mesmo período, nomes como Egberto Gismonti, Luiz Carlos Vinhas, Arthur Verocai, Zé Ramalho, Pedro Santos, Marcos Valle, João Donato e até Jorge Ben Jor experimentaram aquela sonoridade, que também atingiu o grande público graças a artistas como Novos Baianos e Secos e Molhados.
Mas, a partir dos anos 70, a psicodelia brasileira tornou-se uma espécie de clube secreto, recebendo novos sócios à medida que eles lançavam discos que iam ao encontro das tendências musicais da época, como o grupo paulistano Violeta de Outono, nos anos 80, o porto-alegrense Júpiter Maçã, nos 90, e o maceioense Mopho, já nos 2000.
Líder do Violeta, o guitarrista e compositor Fabio Golfetti associa a psicodelia a uma fase de descobertas musicais na transição da adolescência à fase adulta. “A arte psicodélica está muito ligada a um lado místico e subjetivo, que sempre está em evidência”, afirma, lembrando que há também um desdobramento com a música tribal e eletrônica, que se mistura em grandes eventos por todo o mundo.
O século 21, principalmente por conta da volta dos discos de vinil e da cornucópia de MP3 que vinha pela internet, fez esta história ser redescoberta através de discos raros e esquecidos. “Creio que a conexão é total dessa garotada com o que tivemos de produção tropicalista, dos pernambucanos malucões e tal”, conta o jornalista Bento Araújo, autor de dois volumes sobre a discografia psicodélica brasileira, “Lindo Sonho Delirante: 100 discos psicodélicos do Brasil (1968-1975)” e “Lindo Sonho Delirante vol.2: 100 discos audaciosos do Brasil (1976-1985)”. “Hoje, qualquer moleque dessas bandas sabe quem foi Lula Côrtes. As referências são fortes.”
Assim, surge esta segunda onda psicodélica, quase meio século após a primeira, que reúne artistas tão diferentes – e de diversos lugares do Brasil – como os brasilienses Joe Silhueta, Almirante Shiva e Rios Voadores, os paulistas da Bike, Trupe Chá de Boldo, Rafael Castro, Garotas Suecas, Cérebro Eletrônico e Applegate, a capixaba My Magical Glowing Lens, os cariocas Tono, Castello Branco e Do Amor, os gaúchos Catavento, o pernambucano Tagore, os goianos Orquestra Abstrata e Luziluzia, além dos já citados Supercordas, Boogarins e O Terno. É uma cena musical dispersa e sem cidade de origem, mas que torna-se cada vez mais forte – além de reforçar a influência de cinquenta anos de experimentações sonoras no Brasil.
“Acho que há ondas de psicodelia na música brasileira, e algumas contribuições aparecem como que entre essas ondas, carregando uma chama daquilo numa fase não tão favorável”, descreve Pedro Bonifrate, líder do Supercordas. “A nova onda na certa é a mais rica, a meu ver. Meio que um portal que os Boogarins abriram e que encheu o ar de novos sons, novas bandas, e renovou a esperança de jovens artistas em fazer sua música ser ouvida por mais que um punhado de gente.”
Bonifrate mesmo acaba de anunciar seu próximo projeto ao lado do vocalista dos Boogarins, Dinho Almeida, uma dupla chamada Guaxe. Inevitavelmente psicodélica.
“A gente vem da onda do pessoal que teve mais facilidade pra se gravar e, a partir disso, começou a experimentar”, explica Dinho, que é guitarrista do Boogarins. “Eu já tinha banda, mas nunca tinha gravado minha banda antiga, aí eu conheci o Benke (Ferraz, outro guitarrista dos Boogarins), que já estava se gravando, de um jeito muito maluco, cheio de efeitos, que me lembrava de umas coisas que eu gostava, que faziam experimentações, como Júpiter Maçã e Mutantes. Acho que essa possibilidade de produções mais malucas dentro da música brasileira está acontecendo. Vários discos que não são psicodélicos têm sons bacanas e gente tentando experimentar. Essa é a maior força disso que chamam de nova psicodelia, o ponto mais positivo é essa onda de inovação e experimentação, independente de ser psicodélico ou não.”
Nessa sexta-feira acontece mais uma sessão Trabalho Sujo Apresenta na Unibes Cultural e é com imensa satisfação que anuncio o encontro de dois grandes nomes da geração sub-20 da cena musical de São Paulo: a inquieta Sophia Chablau, acompanhada de sua banda niilista Uma Enorme Perda de Tempo, recebe o doce Chico Bernardes em um encontro que pretende expandir as fronteiras da musicalidade dos dois artistas e explorar seus repertórios em outros formatos. O show começa às 20h, os ingressos estão sendo vendidos neste link e há mais informações sobre o evento aqui.
O quinteto iconoclasta candango Satanique Samba Trio começou mais uma turnê europeia na sexta passada, quando lançou seu nono disco, Mais Bad, com show em Bruxelas, na Bélgica, passando por cidades da Dinamarca, Suécia, Alemanha e Holanda (tem todas as datas lá no site deles). Mais Bad é a continuação de Mó Bad, que o grupo lançou em 2015 (e que, como o novo disco, também se transformou em um vinil de dez polegadas, lançado pelo selo belga Rebel Up). “Tentei usar o mesmo celular que tinha usado no primeiro – e mais tarde no Instant Karma – aquele álbum líquido do começo do ano (que o grupo lançou em stories do Instagram durante um mês) -, mas estava simplesmente impraticável. Nem ligar ligava mais”, lembra Munha da 7, cabeça do grupo. “Aí acabei gravando em um zenfone velho que tinha encostado na loja de um amigo lá da Ceí. Estava todo lascado também, mas a textura natural do microfone estava linda, desbotadíssima, crocante. Mas foi só terminar de gravar que o perdi. Não faço ideia de onde foi parar.” Como o grupo diz, são cinco variações descompensadas do baião em um lado do vinil e cinco variações descompensadas do samba no outro. “O difícil é saber qual é qual”, ri.













