Minha coluninha que saiu ontem no Caderno 2…
Os blues dos anos 10
O drama do LCD Soundsystem
Às vésperas de lançar seu terceiro disco em maio, o grupo nova-iorquino LCD Soundsystem fez um show surpresa no Webster Hall, em sua cidade-natal, na última segunda-feira. Em dado momento da apresentação, o líder e vocalista da banda, James Murphy, caiu de joelhos no palco e se dirigiu ao público com seriedade. “Se você receber uma cópia do disco e tiver vontade de compartilhá-la com mundo, por favor não faça isso”, disse. “Passamos dois anos fazendo este álbum e queremos lançá-lo quando acharmos que é a hora de lançá-lo. Não estou preocupado com o dinheiro – depois que o disco for lançado, você pode dá-lo de graça para quem você quiser, mas até lá, guarde-o consigo.”
O desabafo vem de um dos artistas que melhor souberam usar a internet para se estabelecer. Mais do que um simples astro lançado no MySpace, o LCD Soundsystem se lançou em singles que foram distribuídos primeiro via MP3 e depois foram remixados por DJs e produtores tanto do selo de Murphy (a DFA) quanto de fora – remixes que corriam a internet afora.
Oito anos depois de lançar sua primeira música (“Losing My Edge”), a banda cresceu o suficiente para se incomodar com aquilo que antes foi seu principal canal de divulgação.
Não é exclusividade deles. Grande parte da geração que se estabeleceu graças à internet agora se vê às voltas com os mesmos problemas dos artistas que já eram grandes quando a internet se popularizou. Em entrevista à revista Rolling Stone brasileira, o vocalista do Franz Ferdinand, Alex Kapranos, comentou que a cantora “Lily Allen foi destruída pela imprensa por dizer que as bandas mais novas sofrem mais com isso”.
Ouvindo This is Happening, o terceiro disco do LCD Soundsystem, percebe-se que a tensão inquieta dos anteriores segue presente, mas misturada com uma tristeza e desilusão que não havia antes. Talvez James Murphy esteja sentindo um novo tipo de blues, uma tensão digital típica dos novíssimos anos 10.
“Cortem a cabeça!”
Alice no iPad
A versão de Tim Burton para o clássico Alice no País das Maravilhas estreia na próxima quarta no Brasil, mas a menina entrou em outro ambiente fantástico na semana passada. Alice in the iPad é um aplicativo em que é possível ler o livro de Lewis Carroll com ilustrações em movimento, que invadem o texto e mudam conforme se mexe com o aparelho, deixando o leitor tão perdido quanto Alice. O aplicativo custa US$ 9.
Já disse hoje que o Arnaldo é um gênio?
Se não disse, não verbalizei, porque eu penso nisso o tempo todo. Eu sei, compadre, se juntassem todas as vezes que te chamaram de gênio e trocasse por um real dava um salário decente até o fim da vida. Mas é de coração, você sabe.
Desconectei no fim de semana, não vi nada, não soube de nenhum show, quem se deu bem, quem pagou mico. O que rolou? Alguém me dá uma luz aê.
Olha o que os caras da Formentera fizeram…
Vem discão aí!
7) Lulina – Cristalina
8) Grizzly Bear – Veckatimest
Dá pra imaginar que uma cena dessa aconteceu?
É mais ou menos como se a Rolling Stone do final dos anos 60 (quando a redação ainda era na Califórnia) botasse os Doors e Jimi Hendrix pra beber absinto enquanto jogam dardo. Mas não pense que o revival dos anos 90 vai ser toda essa glória não, isso são tempos idos. O que vai voltar vai ser a lambada,
Não duvide se o Scissor Sisters vierem com um discaço por aí – e as dicas aparecem nos detalhes. O novo single, chamado “Invisible Light”, mostra que a banda assumiu que pode sair do truque do falsete Bee Gees rumo a voos mais pretensiosos. Com seis minutos, a faixa que encerra Night Work – que será lançado no final de junho deste ano – é a prova de que o casamento com o produtor Stuart Price deu certo. Produtor de quase tudo da Madonna pós-“Hung Up”, o pé dos Killers na eletrônica e dono de projetos como Zoot Woman e Les Rhytmes Digitales, Price fez com que os Sisters deixassem o lado one-hit-wonder em segundo plano e deu-lhes maturidade e densidade cujo segredo pode ser desvendado com a participação do ator Ian McKellen no single. O ator que dá vida ao Magneto dos X-Men declama uma longa fala sobre “painted whores, sexual gladiators, fiercely old party children all wake from their slumber to debut the bacchanal” num tom que remete diretamente ao discurso de Vincent Price em “Thriller”. E se o single de Michael Jackson buscava um ator clássico de terror para dar o clima adequado a um clipe de zumbis, o dos Sisters parece se escorar em McKellen para fazer a ponte entre a decadência do Império Romano e a disco music. Parece besteira, mas se as condições de temperatura e pressão forem as certas, eles podem mudar de patamar.
Scissor Sisters – “Invisible Light“







