“Pelota” é mais uma faixa do próximo disco do trio norte-americano Khruangbin, Mordechai, que sai no próximo dia 26 e esbanja suíngue latino num clipe pra lá de psicodélico…
O Radiohead sugere o que fazer na quarentena ao lançar um quebra-cabeças de mil peças! O “desperdiçador fragmentado de tempo” já está em pré-venda no site da banda – e eles avisam na caixa: “Não vai ser fácil. Não foi feito pra ser fácil. Vai ser fácil. Foi feito pra ser fácil”. Dá pra encomendar o seu no site deles.
O produtor carioca Cadu Tenório embarcou numa viagem introspectiva muito antes da quarentena, quando, na metade do ano passado, decidiu dissecar diferentes áreas de sua musicalidade num mesmo disco. “O estalo foi a minha peça ‘No Longer Human’, depois que ela ficou pronta comecei a imaginar a possibilidade de um trabalho, um disco, que fosse uma espécie de jornada, onde exploraria os limites de todo meu corpo de produção mantendo tudo costurado por um fio, numa narrativa, a meu ver, cinematográfica”, me explica em entrevista por email. Assim é Monument for Nothing, que o músico experimental lança nesta quinta-feira pelo selo QTV, que antecipa em primeira mão a segunda faixa, “Garden”, para o Trabalho Sujo. O músico também disseca o disco faixa-a-faixa ao final desta entrevista.
Outra característica de Monument for Nothing é o número de os convidados que Cadu chamou para o disco: Juçara Marçal, Carla Boregas, Maurício Takara, Sara Não Tem Nome, Emygdio, Lucindo, Rogério Skylab e Vitor Brauer. “A única participação que já tinha em mente desde o ano passado, era a da Juçara”, ele explica, citando a cantora com quem gravou o festejado Anganga, em 2015. “Todos os outros participantes foram surgindo agora no processo final do disco quando eu já estava com toda a direção meio que tomada e não resisti a convida-los já no início do período de quarentena”, ele explica, mencionando que só não havia colaborado com Sara e Lucindo, além de Daniel Semanas, responsável pela arte do disco. “Tivemos uma troca de emails gigantesca na produção da arte do disco trocando um sem fim de referências. Sou fã do cara, foi outra realização que achei que precisaria tentar, mandei um email descompromissado e acabou rolando”, festeja.
A chegada da quarentena foi crucial para a entrada destes novos integrantes, bem como a uma nova abordagem do que o disco estava se tornando. “Ele ganhou uma certa urgência”, explica. “É um trabalho gigante pra mim, meu ano todo seria baseado nele, fui percebendo que qualquer possibilidade de trilhar caminhos normais ao lançamento de um disco, shows, etc., estava inviabilizada. E inclusive a peça, ‘Monument for Nothing’, que eu queria que tivesse participação da Ju, ainda estava sem voz. Nesse contexto passei a ficar ouvindo tudo que tinha e a pensar a respeito. Por ironia do destino durante esse período, logo no iniciozinho, surgiu um freela de trilha sonora que Ju e eu fomos convidados a fazer. Dei maior força pra gente topar e com isso ela começou a desenvolver métodos de gravar em casa. Conforme vi que estava dando bastante certo resolvi finalmente enviar a ‘Monument for Nothing’ pra ela e no processo acabamos compondo ‘Breeze ASMR’ também, que foi a última peça do disco a surgir.”
“Daí, ouvindo tudo que tinha comecei a pensar que valeria muito a pena ter outras pessoas comigo nesse momento também, botei na cabeça que produziria esse disco como se fosse meu último, até porque, dado o contexto do que consigo imaginar que venha a ser um novo normal, me parece que será muito difícil produzir algo desse tamanho novamente”, prossegue. “E foi aí que vieram as outras participações, fui procurando saber se o que fiz com Ju não daria certo com outras pessoas que já tinha em mente, entre elas pessoas com quem já havia trabalhado e significaram muito na minha história e outras com quem já tinha o desejo de trabalhar há muito tempo – e essa poderia ser a última oportunidade. E isso foi o momento final e mais trabalhoso da produção mas acho que valeu muito a pena, consigo ver minha história toda nesse disco, tudo que já fui e sou. E acho que foi muito legal narrativamente ter as participações surgindo na metade final do disco.”
Mesmo com a variedade de temas musicais explorados no disco, da canção a experimentos com timbres, texturas, estruturas, trilhas, atmosferas e mixagens, Monument for Nothing tem um farol, que determina inclusive seu batismo. “Acho que a maior foi o Makoto Aida e seu TEKITO. A faixa-título já existia mas ela ainda não dava nome ao disco até eu adquirir em janeiro desse ano, depois de anos desejando, o catálogo ‘Monument for Nothing’ do artista. O livro que adquiri pertenceu ao Miranda, foi muito legal receber o livro em casa com um bilhetinho de um dos familiares dele dizendo que esse era um dos itens preferidos dele na coleção, isso me tocou profundamente e acho que no mesmo dia o nome do disco estava decidido e tudo passou a fazer muito sentido e influenciou todas as outras escolhas pra arte”.
Cético em relação ao período que está lançando o disco, ele prefere não exercer muita futurologia, quando o pergunto sobre a relação do disco com esta fase de quarentena. “Não sei, vamos descobrir. Mas pra mim faz muito sentido, não sabemos muito do que vem pela frente”, responde. Sobre desdobramentos a partir deste lançamento, Cadu também não faz ideia. “Ele vai estar no mundo, o que será feito disso eu ainda não descobri”, divaga. “Tem sido um período difícil pra gente, né… Pra todo mundo. O mundo todo tá discutindo isso agora e é seguro dizer que não temos muitas respostas que não sejam conjecturas e no Brasil a gente tem visto diariamente que o buraco é ainda mais embaixo… Eu ainda sei te dizer exatamente como eu vejo esse momento, ainda tô muito colado a coisa, no processo de adaptação. Talvez seja um momento pra nos juntarmos, mesmo, pra que possamos discutir e quem sabe já começar os preparativos pro tal do novo normal.”
Monument for Nothing faixa-a-faixa, por Cadu Tenório
“Garden”
“A ideia inicial pra essa peça nasceu da vontade que nutri por anos de criar uma trilha sonora pra acompanhar a leitura de ‘Garden’ do Yuichi Yokoyama. No decorrer fiquei convencido de que a trilha funcionaria também em outro trabalho do Yokoyama que me é muito caro, ‘Travel’, mas me mantive fiel ao nome inicial. No processo tive a de ter um ‘beat circular’ apesar de quebrado trouxesse vagamente a lembrança das rodas no trilho enquanto as texturas e o tema flutuassem e nos levassem às paisagens com formas impossíveis, distorcidas pela velocidade, vistas pela janela do trem. Nisso imaginei também as vozes dos personagens tão peculiares do Yokoyama preenchendo esse trajeto, mesmo que a gente não os veja falando nos livros, sempre foi interessante pra mim imagina-los lendo comigo as onomatopeias que preenchem as paisagens do Yuichi.”“No Longer Human”
“Essa peça começou a tomar forma quando descobri que seria traduzida e lançada no ocidente a versão em mangá do Junji Ito pro livro Ningen Shikkaku de Osamu Dazai. É um livro que marcou muito por diversos motivos e sou apaixonado pelo trabalho do Ito, fiquei bastante curioso sobre como ele adaptaria. Na euforia e ansiedade por ter o mangá que ainda demoraria meses pra ter em mãos, comecei a esboçar umas ideias enquanto ouvia as trilhas do Carpenter que ouço com frequência e enquanto rolavam minhas audições anuais de Hymnen do Stockhausen que é uma dos trabalhos favoritos da vida por aqui. Claro, sei que é muita pretensão tentar unir esses dois mundos, hahaha, e longe de mim querer acertar ou fazer literalmente isso. Mas eram parte significativa do que perambulava no ambiente enquanto compunha e acho que faz muito sentido citar. E claro, Ero-Guro, Suehiro Maruo… E eis a peça, com diversos momentos que desembocam como afluentes de rio em cada parte com a atmosfera sombria que sofre mutação gradual, mudanças microtonais em camadas de violino que te carregam até a nostalgia dos tempos que não voltam através de um arp e pesam no peito com os acordes no piano.”“Shinobu”
“Shinobu tem o fio de continuidade a partir do piano que dá um gosto na faixa anterior mas a mudança de paisagem aqui é rápida, existe uma tentativa de flerte com o city pop e o lo-fi jazz/hip hop do Nujabes MAS colocando mais em evidência algo de fusion com free jazz radical e texturas mais agressivas que desembocassem em um ápice que transformaria a peça em ambient gostoso de ouvir com várias e várias camadas e linhas de teclado sem sustain que se transformaria em uma textura meio de “taping”. Todos os meus discos nos últimos costumam ter pelo menos uma peça com um clima noir, um arranjo de sax penetrante, então podemos dizer que essa é como uma continuação natural ‘Marlowe & Spade ポリスノーツ’ e ‘Pelagea Noir Roleplay’ do Corrupted Data. Rola um lance meio AOR no tema que abre e fecha a faixa e nos meus vocais soterrados por reverb e pitch shifter nessas partes.”“Saffron Witch” e “Hazel Priestess”
“Essas duas faixas nasceram quase juntas. Digo que são um díptico. No meu trabalho sempre tive certa obsessão por camadas e detalhes, tantos detalhes que muitas vezes ninguém senão eu notam, haha. Nessas duas eu queria tornar as coisas muito mais intimistas, utilizando apenas uma linha de sintetizar e o preenchimento e acompanhamento ser apenas delay. Acho que fui bem sucedido a única coisa é que em “Hazel” eu não resisti e acabei adicionando gravações de campo que acho que engrandeceram bastante as texturas. São peças ambient que na minha cabeça tem muito Eno presente mas também Boards Of Canada, Autechre e Aphex Twin, influências minhas desde moleque. Claro ficar citando nome grande é fácil, a intenção não foi emular ninguém mas essas referências acabam vindo na cabeça quando ouço ambas.”“R’lyeh.exe”
“Essa peça nasce da puxada de textura das duas faixas anteriores começando no espectro agudo mas aqui certa ‘megalomania’ retorna, quis acrescentar nela ruídos de brinquedos de criança e objetos eletrônicos de baixo custo criando camadas de ruídinhos que se misturam a gravações de campo de cantos de passarinhos e gritos gravados por aqui e é tudo costurado por uma linha de synth meio blade runner. Já demarca uma transição pro universo lovecraftiano, Dagon já brotou no quarto no final do labirinto, que nem a mina do exorcista.”“@tekeli_li”
“Essa peça é de fato a entrada do disco em outro terreno, ela tem um arp rápido e um beat em 400 bpm algo que me ligaria direto ao digital hardcore do ATR texturizando que desemboca em uma bateria de verdade enquanto os berros parecem chamar algo que é colocado de forma literal quando as vozes digitais clamam ‘BLAAAAAACK METAARU'”“Monument for Nothing (Feat. Juçara Marçal)”
“E entra o black metal synth, blast beat, riffs, synth, a voz da Juçara costurando melodicamente quase como outra linha de synth se misturando e bifurcando, harmonizando e o arp chega pra tomar tudo de assalto e megalomania, detalhe, impacto. A bateria é tanto textura como todos os outros elementos. E é tudo ao mesmo tempo e agora mas com uma ordem muito própria, melodias estão lá dentro. catarse e tudo acaba na paz. Faixa que dá nome ao disco. extraída diretamente de Makoto Aida como a dedicatória não deixa dúvida.”“Breeze ASMR (Feat. Juçara Marçal)”
“Quase uma coda da faixa anterior, sua antítese, uma canção de ninar, pra acalmar os ânimos, relaxar. O diálogo da bocca chiusa com os synths, voz respondendo máquina, máquina respondendo voz, harmonia. A voz humana ainda com a ausência de palavras.”“Yog-Sothoth is the gate (Feat. Carla Boregas & Maurício Takara)”
“Peça que faz a transição pra última parte do disco, pegando o clima mínimo e sutil instaurado pela faixa anterior mas levando a frequência pro espectro mais grave. Minha voz totalmente processada balbuciando lentamente antevendo uma mudança de cena com a entrada de Boregas e Takara, mais uma faixa referencial à Carpenter. ”“Nublado (ft. Sara Não Tem Nome)”
“Aproveitando a deixa das frequências graves “Nublado” é a primeira peça da parte final do disco, a voz humana clara e com palavras aparece pela primeira vez aqui apesar de rapidamente com a participação da Sara no final.”“Conchas (ft. Sara Não Tem Nome)”
“Essa é uma canção que me puxa muito pras minhas influências primordiais, quis que ela entrasse aqui como um traço de humanidade forte, a letra que pedi pra Sara encaixar na melodia expõe sentimento e dialoga com Innsmouth. A voz humana clara, no meio do caos adocicado. O arranjo intimista, soturno e direto, distorção e melodia, muito do que gosto da música dos anos 80 ainda mantendo a identidade de timbres do disco, no fim a faixa mais pop talvez seja o lado de experimentalismo mais ousado do disco. ”“Astral Clocktower (ft. Lucindo)”
“Peça que leva diretamente pra DLC de Bloodborne, Cocteau Twins, maré cheia, canto de ‘sereias’ vindo do farol ou seria das pedras. Os agudos aqui rasgam a alma, é a viagem astral através das frequências.”“Entreportas (ft. Rogério Skylab)”
“Rogério está no limbo, acordou lá, existe redenção e muitas portas. Pós-punk. Silent Hill ou Innsmouth?”“Mãos (ft. Vitor Bauer)”
“Lampejo de memória, synth rock, urgência, sintetizadores com fuzz, Vitor Brauer acordou de um sonho ruim, sangue nos travesseiros. Quarentena, culpa.”“Gatos de Ulthar na Rua dos Quatro Ventos (Feat. Emygdio)”
“No fim só restarão os gatos, são eles que vão contar nossas histórias, são eles que vão trazer os outros seres até nós. São eles que mandam. Chambers os entendeu como ninguém. “
Na próxima sexta, dia 19, Neil Young revela ao mundo um disco que engavetou no início de 1975 por lhe lembrar do relacionamento com sua ex-mulher, a atriz Carrie Snodgress, de quem se separou na época. Ele já começou a revelar Homegrown ao mostrar a faixa “Try” há algumas semanas – e agora mostra “Vacancy”, que aponta para um lado mais elétrico do disco (que já está em pré-venda).
E o velho canadense está aproveitando a quarentena para abrir seu baú – ainda mais! Além de Homegrown, ele está planejando outros discos perdidos para este ano: o show que fez com o Crazy Horse em 2003 tocando sua ópera rock Greendale na íntegra (Return to Greendale deve sair no mês que vem); o segundo volume de sua caixa Archives (finalmente! A data ficou pra agosto), o disco ao vivo Rust Bucket gravado com o Crazy Horse em 1990 (para outubro) e o solo Young Shakespeare, que traz o show que Young fez no Shakespeare Theater, na cidade norte-americana de Stratford no dia 22 de janeiro de 1971 (esse agendado para novembro). Tá tudo lá na timeline de seu arquivo online.
O grupo inglês Radiohead libera mais um show na íntegra em seu canal do YouTube e desta vez volta à sua última aparição em São Paulo, quando tocaram no estádio do Palmeiras na épica noite de 22 de abril de 2018.
Foi demais – quem foi, sabe.
“Daydreaming”
“Ful Stop”
“15 Step”
“Myxomatosis”
“You And Whose Army”
“All I Need
“Pyramid Song”
“Everything In Its Right Place”
“Let Down”
“Bloom”
“The Numbers”
“My Iron Lung”
“The Gloaming”
“No Surprises”
“Weird Fishes/Arpeggi”
“2 + 2 = 5”
“Idioteque”
Primeiro bis
“Exit Music (For A Film)”
“Nude”
“Identikit”
“There There”
“Lotus Flower”
“Bodysnatchers”
Segundo bis
“Present Tense”
“Paranoid Android”
“Fake Plastic Trees”
Foi uma das primeiras piadas da quarentena, cogitada pelos próprios Flaming Lips, quando o grupo twittou um quadrinho feito pelo vocalista da banda, Wayne Coyne, cogitando que a bolha que ele usava nos shows do grupo poderia ser uma alternativa para realizar shows neste período de distanciamento social.
Eis que o programa apresentado pelo humorista norte-americano Stephen Colbert, o Late Show, materializa a ironia do grupo, colocando-o para tocar a eterna “Race for the Prize” frente a uma plateia envolta individualmente pelas bolhas de Coyne.
Que tempo doido…
O guitarrista Guilherme Held está preparando lentamente seu primeiro disco solo, chamado de Corpo Nós, projeto que vem acalentando há uma década. “O cara que mais me pôs pilha pra gravar esse disco foi o Rômulo Froes, que vem me falando sobre isso há uns dez anos. Quando o chamei para fazer a direção artística do disco, ele topou”, me conta o guitarrista, que está lançando o terceiro single deste seu disco de estreia, “Sorongo”, uma homenagem ao mítico percussionista autor do clássico Krishnanda, que conta com a participação de ninguém menos que o maestro baiano Letieres Leite, que não só fez o arranjo da banda como providenciou metais e percussão para este afrossamba à paulistana, que será lançado nesta sexta-feira nas plataformas digitais e que ele antecipa em primeira mão no Trabalho Sujo, num vídeo dirigido por Luan Cardoso.
“‘Sorongo’ é uma faixa instrumental que veio como um afrossamba e eu já tinha a ideia de fundir isso com elementos de música eletrônica e timbres que remetessem aos anos 80, apesar de ela soar bem setentista, porque eu uso um fuzz na parte do final que sugere aquela onda na psicodelia setentista nigeriana”, ele me explica, antecipando como convidou o maestro baiano para participar da faixa. “O Let é um amigo de longa data, a gente trabalhou pela primeira vez juntos no disco Cavaleiro Selvagem da Mariana Aydar e ficamos amicíssimos, ele é um ídolo e um cara que tenho uma consideração muito grande. E com isso a gente teve a ideia de chamar a Orquestra Rumpilezzinho, que é um projeto que ele tem em Salvador, que reúne jovens carentes com um talento musical inacreditável – as percussões e os metais são deles. A ideia desta fusão de Bahia com São Paulo, trazendo elementos do synthbass do Marcelo Cabral, da linguagem da bateria do Serginho Machado, para entender essa sacada da música africana com elementos de música eletrônica, foi o time perfeito.” A capa do single (abaixo) foi feita por Diego Max.
“Sorongo” é o terceiro single que o guitarrista já lançou do novo disco, depois de “Pólvora” (que contava com as participações de Tulipa e Gustavo Ruiz) e “Direito Humano” (com Ná Ozzetti e Juliana Perdigão) e as participações em cada single são só uma amostra do time que ele conseguiu reunir um time de artistas, músicos e intérpretes que resumia sua trajetória musical. “Desde o começo, a gente já sabia que era um disco do meu lado compositor mais que guitarrista”, ele continua. “Até porque eu já toquei tanto esse meu lado em tantos discos e shows, que faltava mostrar esse outro lado. Nisso, observando as músicas, percebi que cada música remetia a pessoas que eu já acompanhei, cantores e músicos que fazem parte da minha caminhada. Na empolgação disso tudo, a gente acabou cedendo pra ser um disco de confraternização de meus amigos da música, que tem uma ficha técnica extensa, tem cinco bateristas, cinco baixistas, dezessete cantores…”
Ele começa a enumerar: “Criolo, Maria Gadu, Lanny Gordin, Letieres Leite, Rodrigo Campos, André Lima, Simone Sou, Pedro Fontes, Cuca Ferreira, Daniel Gralha, Thalma de Freitas, Iara Rennó, Douglas Antunes, Thomas Harres, Tulipa Ruiz, Juçara Marçal, Rubel, Curumin, Mariana Aydar, Ná Ozzetti, Péricles Cavalcanti, Fernando Catatau, Ròmulo Froes, Felipe Catto, Juliana Perdigão, Beto Bruno, Marcelo Mitsu, Kika, Thiago França, Sérgio Machado, Décio 7, Felipe Roseno, Dustan Gallas, Fabio Sá, Bruno Buarque, Marcelo Cabral, Rômulo Nardes, Maurício Badé… Até eu canto!”, ri, falando sobre a faixa de abertura do disco.
O processo de produção foi um mergulho naquilo que Rômulo chamou de “o baú do Gui Held”, uma pasta no computador do guitarrista em que ele ia gravando várias ideias musicais. “São inúmeras músicas, completas, incompletas, fatias e pedaços de músicas, só harmonias, riffs, cacos sortidos, que a gente pra juntava um caco de um ano com um caco de outro. Somando tudo devem dar uns três mil arquivos de uns dez, doze anos que venho juntando, sempre guardando daquele jeito que músico compõe e guarda. A gente fez uma peneira, chegamos em 75 músicas, depois em 35 e fechamos em 17”, fechando o disco que é produzido pelo próprio guitarrista, que está começando a mexer com isso.
“É o primeiro disco que eu produzo e foi quase um ano de agendas”, ele explica. “Apesar de não ser um disco tão guitarrístico, ele tem um polimento e cuidado com timbres e escolhas de caminhos de linguagem a partir dos equipamentos que tenho, pedais antigos, guitarras de décadas e estilos diferentes, microfones… Ele tem todo um cuidado estético”.
Não bastasse lançar todas as gravações do clássico Fun House em uma caixa, vem aí mais uma raridade do baú dos Stooges: o único show do grupo gravado em uma mesa de som, o último com a formação original da banda, vai virar disco! Live at Goose Lake: August 8th, 1970 será lançado exatamente 50 anos depois desta apresentação e reúne Iggy Pop (claro) nos vocais, o guitarrista Ron Asheton, o baterista Scott Asheton e o baixista Dave Alexander, que foi expulso da banda após este mesmo show (como reza a lenda, por não ter conseguido tocar, o que o disco acaba desmentindo). Para antecipar o disco, eis uma versão turbo para “T.V. Eye”.
O grupo tocou a íntegra do recém-lançado Fun House e a gravadora de Jack Black Third Man, responsávek pelo lançamento e que já o colocou em pré-venda em vinil, brinca que algumas perguntas sobre aquela apresentação finalmente serão respondidas: Iggy Pop incitou o público a depredar o lugar? Por isso mesmo, a organização do evento cortou a energia do show da banda antes do fim? A ouvir – por enquanto, segue o repertório do show e do disco.
“Intro”
“Loose”
“Down On The Street”
“T.V. Eye”
“Dirt”
“1970 (I Feel Alright)”
“Fun House”
“L.A. Blue”
Nosso querido David Lynch segue alimentando seu canal no YouTube e acaba de desenterrar o primeiro episódio da série Rabbits, que produziu em 2002. Um sitcom nonsense de terror, a série tem nove episódios e é estrelada pelos mesmos atores que participam do imortal Cidade dos Sonhos, do ano 2000: Scott Coffey, Laura Elena Harring e Naomi Watts, que dividem uma sala de estar e diálogos que não fazem muito sentido, intermediado por uma claque pré-gravada. A trilha sonora do seriado é do compositor favorito dos filmes de Lynch, Angelo Badalamenti.
Em breve ele deve soltar os outros… Em breve…
Se no ano passado Maurício Tagliari lançou o primeiro disco com seu nome em mais de três décadas de carreira (Maô: Contraponto e Fuga da Realidade, que foi a base para sua temporada no Centro da Terra), agora o músico, compositor e produtor paulistano lança um disco essencialmente sozinho, um sem colaboradores, o extremo oposto do disco de 2019. “Maô: Falta de Estudo #1 foi um disco pensado até antes de lançar o Contraponto e Fuga da Realidade”, ele me explica por email. “A ideia era fazer um trabalho espelho/oposto. Sem colaborações e com sonoridades mais estranhas”.
A quarentena acelerou este processo e ele montou um estúdio caseiro, debruçou-se na estrutura musical dos pigmeus, que deram origem a várias faixas diferentes, como se cada uma delas fosse um exercício específico. “‘Auto sample’ é auto explicativa. Me sampleei e incluí faixas inéditas, “Feedback & Distortion” é um teste de pedais novos, “Pigmeu Bate estaca’ é o som de um bate-estaca de uma obra infernal perto de casa, sampleado e reprocessado mil vezes, “Passageiro” é teste de microfonação para percussão e guitarras e por aí vai.” A gravação, a mixagem e até a capa levam o nome de Taliari. “Esse é solo de verdade, no outro eu estava muito protegido pelos amigos…”
Mas foi só um processo de quarentena (enquanto já vem cogitando um segundo volume), outros ainda incluem novidades do Tanino (grupo de improvisação ao lado de Guizado, Thomas Harres e Pedro Dantas), parcerias com Rodrigo Campos e Saulo Duarte, além de ter feito a trilha sonora para o reality show de zumbis (!) Reality Z.












