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Loki

4:20

10 anos cravados depois de ter fundado o Vitrola, meu irmão de Anos Vinte abandona seu velho Blogspot a caminho de novos horizontes na blogosfera – no caso, a do UOL. É que o Ronaldo estréia essa semana seu novo blog (batizado apenas com seu nome), aposentando assim o blog que todos conhecíamos (mas que segue vagando, à deriva, nos mares do Google) para cobrir especificamente música brasileira e jazz. Por isso, não repare na foto de webcam ou no banner com essas notas musicais bregas passando por trás do rosto – o conteúdo segue fino como sempre e, pelo fato de agora ele blogar como profissão, mais frequência nos posts. Essa semana ele começou num especial João Gilberto, mas isso já já passa. Olha o RSS novo, pra quem ainda usa esse recurso:

http://ronaldoevangelista.blogosfera.uol.com.br/feed

Boa sorte, compadre!


Vocês lembram o que aconteceu quando juntei-me ao trio Veneno pra comemorar os 15 anos do Trabalho Sujo, né… Muita energia em combustão e alto astral concentrado o suficiente para gerar força para noites e noites – por isso foi inevitável retomarmos a parceria e transformarmos em algo menos esporádico e mais presente. Foi assim que pensamos na nova festa Analógico/Digital, que toma o Alley todas as quintas-feiras a partir da próxima, dia 16. A idéia é reunir grooves e hits de naturezas diferentes numa mesma pista, que ainda funcione como palco para aparições inusitadas, happenings e tirações de onda em geral. É claro que o clima é diversão na jugular, não-carão como regra e a vontade de ter uma noite memorável, transferida do vulcão Trackers para o laboratório Alley. Mas a energia – pura ou sintetizada – é a mesma, acreditem.

Vai ser demais.

Por apenas 100 dólares!

O diretor Richard Philips juntou as duas enfants terribles para fazer dois curtas de arte que parecem comerciais (ou seria justo o contrário?) em sua obra Commercial Break, que ele mostrou no festival de Veneza.

Mini me passou o link do Meio e Mensagem mais cedo e o Merigo acaba de postar o novo clipe/comercial da Vivo. Achei bem feitinho, corre o risco de bombar e fazer a música voltar a ser tocada de novo no rádio (e talvez apresentar uma geração inteira à obra do Legião Urbana?). E fica a pergunta: quem vai ser o primeiro artista a regravar Legião depois dessa? Por que isso vai rolar, fato. E talvez isso também ajude a tirar aquela história do Legião Urbana Rock Band do papel – enquanto games de música ainda fazem algum sentido…

E a Trip desse mês traz o ex-presidente na capa com seu novo assunto favorito: a erva.

E o que o senhor descobriu quando começou a estudar o assunto?
Quanto mais eu e os outros líamos, mais chegávamos à conclusão de que a guerra às drogas era falida e que o objetivo de zero droga é inalcançável. E, por isso, era preciso buscar outra abordagem, outra estratégia para tratar do assunto. Nossa comissão latino-americana há uns três anos lançou um documento que teve muita repercussão no mundo. O que dizia era mais ou menos o seguinte: os recursos estão todos concentrados em destruir a produção e combater o tráfico. Mas nada é feito para lidar com os efeitos na sociedade e em quem usa. Nada era feito de fato para reduzir o consumo. Com o cigarro, por exemplo, houve um esforço grande e caiu o consumo. E depois descobri que é preciso reconhecer que as drogas são múltiplas, e os efeitos não são homogêneos. Desde cigarro, álcool, maconha, heroína, cocaína. Vários mitos desabavam diante das pesquisas.

Que mitos, por exemplo?
O de que o uso de uma droga leva, necessariamente, a outra. Não é verdade. Vocês podem ver no filme que a ex-presidente da Suíça dá um depoimento mostrando que o que leva de uma droga a outra não é o consumo, mas o mercado. É o traficante que induz. Outro mito que pude verificar pessoalmente em viagens é o de que existem drogas leves e pesadas. Sim, umas são mais pesadas do que outras, mas depende muito mais do tipo de uso que se faz. Se você acorda já fumando maconha é complicado. Se você acorda bebendo cachaça é ainda mais grave. Mas se você toma uma cachaça de vez em quando é bem mais tranquilo. O mesmo se aplica a maconha, heroína, cocaína… Então precisamos ter uma visão mais sofisticada sobre isso se quisermos, de fato, reduzir as consequências negativas. (…)

Mas sofisticar a informação não basta sem uma mudança legal na hora de diferenciar uma droga da outra. Como o senhor encara a questão da maconha, especificamente?
Isso não é simples. Primeiro temos que descriminalizar o usuário. Mas mesmo na hora de diagnosticar o que é usuário e traficante é complicado. Porque todo usuário, uma hora ou outra, acaba sendo um pequeno traficante. Como o acesso à boca de fumo é ilegal, alguém que se arrisca aproveita e também pega para os amigos. Então isso cria uma teia de ilegalidade que é melhor acabar. Pelo menos no caso da maconha. Minha opinião é a de que a maconha pode ser tratada de forma diferente. Isto é, regulada como é o álcool e o cigarro.

Isso vai bem além de descriminalizar o uso. Regular significa criar formas de produção e venda permitidas por lei, certo?
Uma coisa leva a outra. A opinião pública não aceita as ideias de uma vez. A gente precisa criar efeitos em cadeia. Quando você discute drogas, é fácil convencer uma pessoa de que o usuário não deve ir para a cadeia e que ele precisa de tratamento médico. Com isso quase todos concordam. Mas, no caso da maconha, a pessoa não requer tratamento. Em seguida, você tem que perguntar: e o que fazer agora? Ninguém pensa em liberar totalmente o uso. Mas, quando você vê os fatos, na verdade a maconha é menos danosa do que o álcool e o cigarro. Agora, vamos supor que ela seja colocada na mesma categoria desses dois. Ora, você não vai liberar álcool e tabaco para menores de idade. Em certos países existem restrições mais drásticas em relação às bebidas. Hoje, em São Paulo, se você fuma precisa ir para a rua acender um cigarro. Há 15 anos todo mundo respirava o mesmo ar infecto do cigarro. Antes fumar era sinônimo de glamour, agora não é mais. Isso vem de uma regulação maior. Mas alguém produz o álcool, o cigarro, alguém os vende.

Como poderíamos criar um mercado regulado de maconha?
Tem mil caminhos. Não há uma receita. Isso tem que ficar bem claro. Nada resolve. Nada acaba com o uso nem com os malefícios que ela possa causar. Mas precisamos criar maneiras de reduzir os problemas. E tem muitas experiências nas quais podemos nos espelhar. Em Portugal, a descriminalização e, na prática, a não perseguição ao usuário deram certo.

Mas Portugal não tem um modelo de produção e venda de maconha. O tráfico continua.
E isso é o que precisa ser discutido aqui. Uma coisa é o uso da droga e o que isso causa no usuário. Outro é o tráfico que gera violência. Em Portugal o tráfico não está atrelado à violência. Na Holanda eles podem vender, cobrar impostos nos coffee shops, mas a maconha entra no país ilegalmente. O Estado fecha os olhos à ilegalidade. Eles dão uma justificativa: “É melhor resolver metade do problema do que nem a metade”. É verdade. Mas vai para o México ou para uma favela carioca. A violência é o problema mais grave e vai continuar sendo. E não podemos realmente deixar o tráfico prosperar. Então não dá para aplicar a mesma receita igualzinha de um país para outro. No Brasil eu iria com cuidado. Faria alguns experimentos. Precisamos discutir e, na hora que descriminalizar o uso, poder perguntar: e quem produz?

E, na sua opinião, quem produziria?
Cooperativas, autorizações para produção em pequena escala, jardins particulares para uso pessoal. Alguma coisa assim deveria ser experimentada para ver se a coisa anda. As estatísticas mostram que 80% dos que usam droga usam maconha. E, como ela é a menos daninha, menos que o cigarro, é razoável que a gente a separe das demais, para tirar essa receita do tráfico e concentrar o combate nas outras drogas que são mais perigosas. Essa é a discussão. E há no Brasil certo cinismo quando se discute isso… Porque o acesso à maconha aqui é amplo. E isso é errado. Não tem critério nenhum. Qualquer um consegue.

É como se fosse liberado.
Exatamente. Ontem mesmo estava ouvindo no rádio que estavam vendendo livremente maconha em uma escola. E pior, o cara que vende não vende só maconha… Isso é um problema social grave para o qual não podemos mais fechar os olhos.

A entrevista (leia-a na íntegra aqui) foi conduzida pelo Torturra, que aos poucos está virando o porta-voz desse tema, quando comentou, na Twitcam abaixo, a matéria do Fantástico em que Fernando Henrique falou de seu novo affair com a planta proibida em cadeia nacional.

E pra quem ainda não viu a matéria do Fantárdigo…

Take That voltou, tá fazendo shows, foi fazer um em Manchester no sábado passado e aí, em um dado momento, eles subiram num robô gigante do cenário. Só que aí, na hora de ir de uma música pra outra…

Impossível não lembrar disso.