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Impressão digital #0046: Jornal para iPad

Minha coluna no Caderno 2 de ontem foi sobre o jornal do iPad…

Um jornal para o iPad
E o futuro (fechado) da Apple

Na quarta-feira da semana passada, depois de muita especulação, finalmente foi lançado o jornal sem papel imaginado pelo magnata das telecomunicações Rupert Murdoch. The Daily é um jornal que só pode ser lido no iPad. Funciona como uma revista eletrônica diária, cuja diagramação se adapta à forma como se segura o tablet, além de conter conteúdo multimídia, como vídeos, áudio e infográficos em movimento. Cada edição custa US$ 0,14 (a assinatura anual custa US$ 39,99), mas, nos dois primeiros meses, o aplicativo é gratuito para os clientes da operadora norte-americana Verizon.

Mas mais do que uma tentativa de ver como funciona um veículo feito para ser consumido em apenas um tipo de aparelho, a aparição do Daily acontece junto de uma mudança drástica na política comercial da Apple. A empresa agora só permite que se baixe aplicativos gratuitos para seu tablet se isso ocorrer em sua própria loja, a App Store. De graça, agora, só se for via Apple.

É um momento interessante e, talvez, crucial para a sobrevivência do modelo de negócios ao redor do hypado tablet. Não custa lembrar que o iPod, o MP3 player que fez a Apple voltar ao cenário digital no início do século, só foi um sucesso de vendas porque permitia a inclusão de músicas que pudessem ser adquiridas em outro lugar além da loja da Apple. Será que se o iPod só tocasse músicas compradas na iTunes ele seria o sucesso que foi? Acho que não.

Outra nuvem que paira sobre o novo negócio da Apple é a própria presença de Rupert Murdoch, cuja empresa, News Corp., comprou o MySpace por meio bilhão de dólares em 2005. Foi o suficiente para a rede social, então a maior do mundo, começar a desandar. O futuro do MySpace, hoje, é mais do que incerto. Mau agouro?

E quem pode desafiar o poder da Apple e de Murdoch são os próprios usuários, como o norte-americano Andy Bayo, que pegou o conteúdo do Daily e o transformou em um tumblr (http://thedailyindexed.tumblr.com), aberto para quem quiser ler. Sem pagar.

Cara Microsoft
“Queria continuar no Hotmail, mas…”

O rapper Dan Bull ficou conhecido no fim de 2009 quando fez uma carta aberta em forma de vídeo à cantora Lily Allen reclamando do fato de ela ter sido descoberta na internet e na época se voltar contra os downloads ilegais. O alvo da nova missiva musical do norte-americano agora é a Microsoft. Num longo e-mail cantado, ele reclama que a empresa só dá passos errados hoje em dia.

Steve Wozniak e eu

A entrevista que fiz com Steve Wozniak foi para o caderno de economia de hoje:

Conversaremos com os computadores como se fossem pessoas’
Steve Wozniak, cofundador da Apple, acredita que 0 computador se tornará o melhor amigo das pessoas

Ele hipnotizou centenas de participantes da Campus Party ao contar sua trajetória no sábado, numa palestra que teve mais olhares atentos que a do ex-vice-presidente americano Al Gore, na terça-feira. Não era para menos: não bastasse ser um dos maiores nomes da história da computação, a história de Steve Wozniak, cofundador da Apple, é muito parecida com a da maioria dos participantes do evento que terminou ontem. Um nerd por excelência, o ex-parceiro de Steve Jobs falou ao público sobre a importância do bom humor e da paixão quando se quer escolher qualquer tipo de carreira enquanto contava a todos como inventou o computador como o conhecemos hoje. Antes da apresentação, Wozniak falou ao Estado sobre outro assunto: o futuro da computação pessoal.

Em 2010, assistimos à entrada de dois novos aparelhos no mercado que causaram impacto na história da computação: o iPad, da Apple, e o Kinect, da Microsoft. Ambos são computadores pessoais, mas não são como o computador pessoal que o sr. concebeu.
Claro, apesar de que as maiores mudanças nos computadores normalmente acontecem em novas formas de interação entre o ser humano e eles. É a forma como nós usamos nossos corpos, nossa visão… E essas formas de interação estão ficando cada vez mais humanas do que eram anteriormente. Acho que essa tendência vai continuar para sempre. Os computadores do futuro vão permitir diálogos como se eles fossem pessoas de verdade. Eu não acho que o reconhecimento de voz já está nesse ponto, mas tenho tantos aplicativos nos meus telefones que funcionam tão bem só com a voz que eu não quero voltar a seguir determinados procedimentos ou digitar comandos…

…Nem sequer usar o mouse.
Eu não quero usar o mouse, não quero usar o teclado, eu não quero ter de dizer para o computador que ele deve rodar um determinado programa. Eu só quero dizer: “Faça uma reserva para seis pessoas hoje à noite numa determinada churrascaria nesta cidade aqui”. E quando você faz as coisas de forma humana, você não faz a mesma coisa sempre do mesmo jeito, você não diz a mesma frase exatamente do mesmo jeito todas as vezes que fala. Por isso, o reconhecimento de voz deve entender que você fala a mesma coisa de várias formas diferentes. E você não precisa mais se preocupar com erros de digitação se os comandos são pela voz. Então é realmente maravilhoso poder dizer… “Bom Deus” (suspira, como se estivesse aliviado). As partes complicadas dos computadores vão ficar para trás, até chegarmos a um ponto em que ele poderá olhar no meu rosto e dizer se estou cansado.

Então o sr. acha que tanto iPad e Kinect quanto os celulares atuais são estágios intermediários rumo a um outro tipo de computador ainda melhor?
Sim, são ótimos estágios, como o próprio computador pessoal também foi. O PC só foi possível porque um certo tipo de tecnologia tornou-se disponível a um certo preço. E o mesmo aconteceu com outros tipos de tecnologia para que o iPad se tornasse viável: a tecnologia flash NAND para armazenamento de dados, fazendo com que não fossem necessárias peças enormes que consumiriam muita energia; a tecnologia de telas sensíveis ao toque, telas de alta resolução, baterias leves… Muitas dessas tecnologias vêm ao mesmo tempo, a um preço acessível, e permitem que determinados produtos façam sentido.

Há uma frase que diz que a tecnologia funciona de verdade quando as pessoas nem sequer percebem que a estão utilizando. O sr. acha que chegaremos a um ponto em que a tecnologia não será nem vista pelas pessoas?
É difícil negar isso, mas também é difícil pensar em exemplos para hoje em dia. Será que eu vou ter pequenos implantes nos meus olhos que farão que eu veja o mundo da forma como determinada tecnologia quer que eu veja? Se for assim, quem está no controle? Estamos ficando cada vez mais dependentes da nossa tecnologia de forma que nem podemos desligá-la. Se nós pudermos desligá-la, estamos no controle; mas não podemos mais. E se tivermos carros que dirigem sozinhos? Uau, cara… Nós temos de ir, temos de confiar nisso, mas podemos chegar ao ponto em que a tecnologia talvez não precise mais da gente.

E aí, como vimos em filmes de ficção científica, pode ser que a tecnologia queira descartar o fator humano, pois atrapalha…
É o que eu estou sugerindo – e isso já está acontecendo, mais do que podemos admitir. Quando as coisas acontecem devagar, você não as percebe acontecendo, mas quando estamos numa curva exponencial, as coisas podem mudar de uma vez só. Você consegue desligar seu computador? Consegue se desconectar da internet, desligar seu celular? Por quanto tempo? Por um ano? E se conseguir, que tipo de vida terá? E se todos resolverem fazer isso? Seria uma vida bem diferente da que levamos agora.

Mas até chegarmos a esse estágio, a tecnologia terá de evoluir bastante. Que estágios deveremos percorrer nos próximos dez anos?
Num futuro próximo, não muito próximo, mas também não muito distante, se tornará bem difícil saber se você está lidando com um computador ou com uma pessoa de verdade. E será tão bom: falar, entender, combinar palavras e deixar que o computador faça o reconhecimento das palavras e até crie um tipo de relacionamento com as pessoas…

Mas o sr. acha que no futuro teremos amigos digitais?
A ficção científica quase sempre fala em guerra entre homens e máquinas, quem será o vencedor, mas eu acho que criamos a tecnologia para melhorar nossas vidas. Estamos lidando com ela gradualmente, não há nenhuma batalha. Criamos a coisa mais próxima do cérebro humano que é a internet. Antes, perguntávamos para uma pessoa sábia quando precisávamos saber de alguma coisa, agora temos a busca do Google. Isso significa que parte de nosso cérebro já está fora de nossas cabeças, porque a internet cresceu tanto e nós não a criamos para ser um cérebro. Criamos a internet para colocar as pessoas em contato individualmente – e quando havia bilhões de pessoas em contato entre si, de repente, ela criou essa capacidade de funcionar como um cérebro.

E isso não assusta?
Não, porque você não se assusta com isso. Não passamos por uma fase de medo. Nós simplesmente aceitamos que o Google seja mais inteligente do que qualquer pessoa que conheçamos. Todos nós aceitamos.

Não é assustador pensar em um futuro em que as pessoas terão apenas amigos digitais?
Quando cresci eu era muito tímido, era um outsider. Eu ficava de fora de conversas normais, dos ritos sociais. E não tinha com quem falar. Tinha receio. Em todo lugar que eu ia, tentava ser o mais discreto, falar o mínimo possível, fazer o meu trabalho e cair fora. Agora esse mesmo tipo de pessoa passa o dia inteiro em seu quarto com um computador, com as portas fechadas, e tem relações sociais com pessoas de qualquer lugar do mundo, mesmo que sejam com pessoas tão restritas socialmente quanto ele.

Mas não existem pessoas digitais hoje em dia.
Imagine você se apaixonar por alguém que você não sabe se é uma pessoa ou um robô. Oh, cara (ri)… Mas eu não acho que isso vai acontecer. Mas há quem se apaixone por seus computadores, então tudo bem.

E como será o computador do futuro?
A questão é em quanto tempo no futuro… Eu acho que teremos um tipo de computador que, quando um aluno for para a escola, ele quer ficar com aquele computador como se fosse seu melhor amigo, que sabe tudo sobre ele, seus sentimentos, crenças e filosofias, mais do que um professor humano. Não consigo chutar em quantos anos isso acontecerá… Dez, vinte, trinta… Mas eu não estou falando em cem anos…

O que o sr. achou da Campus Party?
Eu fui a algumas outras Campus Party e percebi que esse tipo de evento seria onde eu estaria se eu estivesse crescendo hoje. Sendo eu o tipo de pessoa que sou, que acredita no que eu acredito, nos meus computadores, na interação com outras pessoas parecidas. Eu estaria aqui, eu seria um campuseiro. Eis a grande atração: jovens cheios de ideias que querem explorar o que eles querem estar fazendo neste mundo dos computadores, o que isso vai significar para eles, o quanto isso é importante para eles, que mudanças e diferenças eles podem fazer…

As pessoas aqui falam em “orgulho nerd”.
Fico tão feliz em ouvir isso! Foi a melhor coisa que eu ouvi durante todo o dia de hoje! Há um tipo de evento que acontece tanto nos EUA quanto em alguns outros países chamado First Robotics. São times de segundo grau que constroem robôs, que são meio caros, do tamanho de pessoas, e eu vou julgar esses concursos sempre que posso. É um dia em que eles são tão importantes quanto os astros do cinema, os jogadores de futebol ou qualquer tipo de celebridade. É quando os geeks têm seu dia!

Impressão digital #0044: Mudanças na Apple e no Google

Minha coluna de ontem no Caderno 2 foi sobre as mudanças de chefia no Google e na Apple.

Terreno movediço
Executivos no mercado digital

A semana passada foi agitada no mundo digital – e nem estou falando da Campus Party, maior evento relacionado à tecnologia do País, que começou segunda e termina hoje – e sim da súbita saída de dois nomes fortes da indústria eletrônica. Primeiro foi Steve Jobs, o pai da Apple, que pediu licença de saúde mais uma vez na segunda-feira, fazendo as ações de sua empresa caírem. E no fim da quinta-feira, o CEO do Google, Eric Schmidt, anunciou que deixaria o cargo que assumiu em 2001, deixando a vaga para um dos criadores do site, Larry Page.

As duas saídas não seriam motivo de alarde caso a área de atuação das duas empresas não fosse um mercado tão novo. Executivos vêm e vão de empresas, essa é a natureza desse tipo de cargo. Mas quando se fala do mercado de computadores e da internet as coisas não são tão certas assim – e o terreno movediço da indústria digital ainda não conhece cabeças aptas a pular de empresa para empresa.

A saída de Jobs é um ótimo exemplo. É a segunda vez que ele deixa o cargo por motivos de saúde. Mas, no início dos anos 1990, ele não saiu da Apple – e sim “foi saído”, como dizem. O conselho da empresa que criou simplesmente o demitiu. Sem emprego, Jobs foi bater na porta da novata Pixar, um estúdio de animação digital que estava tentando fazer seu primeiro longa-metragem. Ajudou o estúdio de John Lasseter a lançar o primeiro Toy Story e a se firmar como a principal grife no cinema de animação. Enquanto isso, sem Jobs, a Apple patinou tanto a ponto de ter de chamá-lo de volta para o cargo, no fim do século passado. Em casa, começou a pôr sua cabeça para funcionar e criou, na sequência, o iPod, a loja iTunes, o iPhone e o iPad. Seus sócios agradecem.

Outro executivo que saiu e não voltou foi Bill Gates, que fundou a Microsoft e a transformou em uma das empresas mais sólidas no mundo digital do século 20. Em 2006, ele anunciou que sairia da empresa para cuidar de sua fundação de caridade. Desde então, a Microsoft – sinônimo de computadores há até dez anos – foi perdendo a importância cada vez mais.

Qual é o problema? Esse mercado é muito novo e os executivos não se guiam por modelos de negócio estabelecidos. Quando entrevistei o escritor e articulista Bruce Sterling no fim do ano passado, conversamos sobre esse assunto. E ele disse que as empresas digitais ainda são muito presas ao culto à personalidade de seus criadores. “Se Steve Jobs morrer, a Apple morre com ele”, alfinetou.

Essas mesmas empresas sofrem com o fato de que seu negócio pode, em anos, deixar de existir. Vide o MySpace, que era o gigante das redes sociais até outro dia e está às vésperas de fechar suas portas. Não duvide se o destino de Google e do Facebook também for parecido. Na economia digital, tudo que parece sólido apenas parece sólido.

Impressão digital #0043: O futuro da televisão

E na minha coluna do Caderno 2 ontem continuei falando sobre porque eu acho que o iPad é só uma fase.

O futuro da televisão
E o que o celular tem a ver com isso

Na coluna da semana passada, falei sobre como os tablets dominaram a Consumer Eletronics Show (CES), maior feira de tecnologia para o consumidor do mundo, que acontece sempre em janeiro, em Las Vegas, nos EUA. Dizia que, por mais que o sucesso do iPad abrisse uma nova linha de produtos tecnológicos (lançados às pencas em Las Vegas), não seria o substituto do computador – seja desktop ou notebook – como o conhecemos.

Houve quem discordasse com veemência. Fãs da Apple têm dessa mania: se foi feito por Steve Jobs é o certo, correto e não tem por que discutir. Discuto, pois acho o iPad muito grande para a geração digital que hoje já se comunica mais com o celular do que com o computador. Mas um dos motivos que me fazem crer que o iPad é só um aparelho intermediário e não o computador do futuro parte de outras duas novidades que também foram atrações na CES da primeira semana de 2011.

Além de quase todas as principais empresas de tecnologia lançarem seus tablets, as outras duas atrações da feira foram novos modelos de smartphone e as chamadas “smart TVs”. Os novos celulares foram apelidados de “super smartphones” devido a um novo tipo de processador interno, que permite que esses aparelhos tenham um desempenho que os deixa mais próximos dos computadores atuais do que dos smartphones que estão no mercado.

As TVs inteligentes levam esse adjetivo pois se conectam com a internet e permitem um tipo de interação própria da rede na programação, um recurso que não só é inédito como vai de encontro à natureza da TV.

Explico: por décadas, a televisão se firmou como um dos principais aparelhos na casa das pessoas. Começou a ser desafiada a partir dos anos 80, com a chegada do computador, mas só na década seguinte passou a disputar as atenções familiares. Com a internet, o computador deixou de ser uma estação isolada de entretenimento e trabalho para assumir o papel de meio de comunicação.

E aí a TV começou a ser vilanizada. Enquanto o computador era festejado por permitir a interação, o diálogo, a colaboração e a participação, o televisor era tido como um aparelho que estimulava a passividade, o tédio e a apatia. Até a postura das pessoas frente às duas máquinas foi usada como metáfora para o que ambos faziam com seus usuários: o computador fazia o sujeito se inclinar para frente, como se o puxasse para dentro do monitor; a TV o largava para trás, deitado no sofá.

Isso começa a mudar com essas TVs que se conectam à internet, que ainda estão em sua infância. Online, a televisão corre o risco de recuperar sua posição central na casa – ou pelo menos de tirar esse trunfo do computador. É difícil apostar que ela volte a se tornar o principal aparelho do lar justamente por causa da evolução dos smartphones. São eles que vão fazer a ponte entre o lar e a rua, a TV gigante na sala e o conteúdo que você quer levar no bolso – o celular funcionando como uma espécie de versão em miniatura e acessório inteligente do aparelho principal. E é aí que o tablet – seja da Apple ou não – fica sobrando.

Link – 10 de janeiro de 2011

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Impressão digital #0042: Tablets – só uma fase?

Minha coluna de ontem no Caderno 2 foi sobre a febre dos tablets na CES da semana passada – e você.

Pranchetas digitais
Você precisa mesmo de um tablet?

O iPad foi praticamente uma bomba-relógio – armada para estourar um ano depois. Os rumores sobre um possível tablet da Apple começaram logo após o Natal de 2009 e só eles foram suficiente para fazer as ações da empresa subirem de valor – e botar o mercado para correr. E na Consumer Electronics Show (CES) de 2010, realizada em janeiro do ano passado algumas semanas antes do anúncio oficial do iPad, havia quem anunciasse seu próprio tablet antes mesmo de saber se o da Apple era de verdade ou não. Quem tentou lançar o seu – a Microsoft foi uma das empresas que, a toque de caixa, quis sair na frente com seu Slate – ficou só com a fama de querer correr atrás da novidade alheia.

Corta para 2011 e voltamos a Las Vegas, para a mesma CES que tentou antecipar o que poderia ser o mundo dos tablets antes da Apple, e que surpresa… Todos têm seu tablet pronto para o mercado. Samsung, LG, RIM, Asus, Lenovo, Motorola e até a Microsoft apresentaram novas versões de dispositivos portáteis de acesso à internet que mais se parecem com uma prancheta do que um celular ou um laptop. Até o Google entrou na briga – não com um aparelho –, mas apresentou a nova versão de seu sistema operacional para celulares (o Android) que funciona também em tablets desse tipo. Por isso, não há dúvidas de que o tablet foi uma das principais estrelas da CES 2011, que começou na quinta passada e termina hoje.

Mas isso quer dizer que 2011 será o ano em que você comprará um tablet? É o que o mercado quer, mas será que você precisa de mais um aparelho digital portátil – além do computador?

Como disse na coluna da semana passada, é questão de tempo para que o desktop – o bom e velho computador de mesa – perca seu espaço como principal aparelho digital da casa. O celular já assume algumas dessas funções, o laptop já ultrapassou o número de computadores tradicionais vendidos no Brasil e a TV aos poucos começa a lançar seus tentáculos rumo à internet.

O tablet surge, em 2011, como um meio-termo entre o televisor, o celular e o PC. Mas ainda não é – nem acredito que vá ser – o principal aparelho eletrônico de uso individual. Seu reinado parece ter prazo limitado, até que alguém finalmente conecte esses três aparelhos (TV, celular e PC) sem precisar colocar uma prancheta eletrônica entre um e outro como ponte digital.

Por isso, por mais que o mercado pareça dizer que você precisa ter um tablet em 2011, resista à tentação consumista de um aparelho que deve se tornar obsoleto em pouco tempo. Mas se o seu negócio é ter as novidades quando elas saem, bem, isso é outra história…