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Legião Urbana FAIL


Compare a largura das faixas nas duas versões (foto: Marcelo Costa)

O Marcelo flagrou uma cagada master em pelo menos um dos itens da reedição da discografia do Legião Urbana em vinil. Não sem antes dar uma espezinhada necessária com o preço do novo formato (pra lá dos 100 reais, um preço claramente chutado pra cima), Mac compara o lado B do primeiro disco do Legião, batizado apenas com seu nome. Embora o rótulo dos vinis apresente a ordem correta, o que se ouve nos sulcos é um shuffle analógico, que em nada lembra a ordem escolhida pela banda, inicialmente.

Para quem não liga para música é só um detalhe, mas este não é o público consumidor deste material. No novo primeiro disco do Legião, o lado B que abriria com “O Reggae” começa com “Teorema” e depois emenda em “Por Enquanto”, a faixa melancólica e inerte que o grupo escolheu para fechar o disco. Continuando, “O Reggae” frequenta meio o lado B seguido por “Baader-Meinhoff Blues” e concluindo o último lado com “Soldados”, uma música cujo significado é quase oposto ao da canção bolada para realmente fechar o disco. “Soldados” é esparsa, vacilante, desesperada – fechar o primeiro disco de uma banda com uma música dessas é quase uma assinatura niilista, tornando a estréia mais punk e desesperada do que o disco imaginado para fechar com “Por Enquanto”, faixa que é quase um por do sol musical e que é, escancarada, uma canção feita para encerrar o assunto.

Guardadas as devidas proporções, imagina começar o lado B do Dark Side of the Moon com “Any Colour You Like” em vez de “Money”, ou o lado B de Sgt. Pepper’s terminando com “When I’m 64” em vez de “A Day in the Life”. Ou, em exemplos brasileiros, o Ventura do Los Hermanos terminar com “Deixa o Verão” em vez de “De Onde Vem a Calma” ou se o lado B de Nós Vamos Invadir Sua Praia, do Ultraje, começasse com “Jesse Go” em vez de “Inútil”.

Em todo o caso, um desrespeito para quem está disposto a torrar uma grana para comprar possivelmente um disco que já tem em casa. E isso se estivermos falando só desta edição…

Vida Fodona #224: Deixar o calor entrar pelas orelhas

Se o frio vem aí de novo, deixa eu ser o seu antídoto.

Asiko Rock Group – “Lagos City”
Isley Brothers – “That Lady”
Jorge Ben – “Menina Mulher da Pele Preta”
Nina Becker – “Toc Toc”
Pomplamoose – “September”
Eli Paperboy Reed – “Name Calling”
Belle & Sebastian – “If You Find Yourself Caught In Love”
Legião Urbana – “Plantas Embaixo do Aquário”
White Panda – “Shooting Superman”
Two Door Cinema Club – “What You Know (Redlighr Remix)”
Phoenix – “Fences (Def Starr Remix)”
MGMT – “Of Moons, Birds and Monsters (Holy Ghost Remix)”
Black Keys – “Tighten Up”
Cidadão Instigado – “Luzes”
Pink Floyd – “One of These Days”
Jimi Hendrix Experience – “If 6 Was 9”

Deixa eu te levar.

Legião Urbana Rock Band?

Conversei com Dado e Bonfá sobre o futuro digital da Legião Urbana para esta edição do Link.

Legado digital
O grupo brasiliense foi o último grande nome da música brasileira a abraçar a web – e agora quer redescobrir sua história com a ajuda dos fãs

Quando entrevistei Renato Russo, dois anos antes de sua morte em 1996, em dado momento da conversa, o líder da Legião Urbana falou da vontade de lançar uma caixa com todo material do grupo que circulava entre os fãs via fitas cassete e de VHS em uma caixa chamada Material.

Completamente obcecado pela própria carreira, Renato já havia organizado os registros da banda brasiliense em dois momentos específicos: em 1987, no disco Que País É Este? – 1978-1987, quando resumiu a história da banda até ali como se fechasse um capítulo; e em 1992, no disco Música P/ Acampamentos, que reunia gravações ao vivo e faixas que nunca haviam entrado em disco.

A caixa chamada Material seria o terceiro momento. Mas o projeto foi abandonado e substituído pelo lançamento da caixa de CDs Por Enquanto em 1995, que compilava todos os discos da banda.

Sou da mesma cidade em que a banda foi formada e desde os anos 80 já eram conhecidos os registros não-oficiais da banda (leia nesta página). E, como qualquer fã do grupo, aguardava o momento em que essas gravações fossem lançadas oficialmente. Parece que agora, quase 15 anos após a morte de Renato, Material começa a dar sinais de que sairá do papel.

E a organização destes registros pode partir dos próprios fãs da Legião, que agora têm ponto de encontro garantido no site oficial da banda, aberto em fase beta no início do ano e que só agora foi lançado oficialmente. O motivo é o relançamento da discografia do grupo tanto em CD quanto em vinil, que finalmente foi agendado para o próximo mês de setembro.

“O Legiãourbana.com.br funciona como um site de relacionamentos”, diz o ex-baterista da banda, Marcelo Bonfá. “Não queríamos um site com biografia, discografia e fotos porque isso todo mundo tem. Então recorremos ao que ninguém tem: os fãs”. Assim, o site se tornou um grande repositório de material reunido pelos fãs – fotos, músicas e vídeos podem ser subidos no site por qualquer um que os tenha. Vale tudo: de ingressos de shows a matérias escaneadas e até fotos autografadas.

“E o site vai crescer muito ainda, pois é um ambiente de interação. A grande força da Legião são seus fãs”, explica o ex-guitarrista Dado Villa-Lobos. “O Renato sempre falava nos shows: ‘A Legião Urbana são vocês’”, lembra Bonfá, “e, do mesmo jeito que as letras da Legião são aberta à interpretação, o site é um estímulo à troca de informações entre os fãs. Afinal, a Legião acabou mesmo e a gente não tem mais nada para apresentar”.

Arqueologia
Mas e a caixa Material? “Era um sonho do Renato, uma caixa com outtakes, programas de TV, ensaios, músicas que não entraram… Mas isso depende de um trabalho quase arqueológico”. A banda até arriscou fazer isso, mas não teve paciência.

“A gente colocou um cara lá dentro da EMI para digitalizar o material e começaram a chegar coisas tipo 35 CDs de ‘Ainda é Cedo’, 40 e tantos CDs de ‘Faroeste Caboclo’… Porra, cara, eu não vou ficar ouvindo esse negócio. Isso é pra fã maluco, você não vai pedir para o cara que gravou isso ficar ouvindo tudo… Fora que eu acho que isso é material para internet, ninguém vai comprar tudo que gravamos”, lembra Bonfá. “Em algum momento eu tomava um vinhozinho, me empolgava, descobria algo legal e falava ‘porra, vamos lançar isso!’. Mas não pode ser assim, esse tipo de trabalho tem de ser feito de forma minuciosa, com carinho.”

“Mas as coisas no Brasil andam num ritmo muito lento, esse site está sendo cogitado há dois anos”, diz o baterista. “E aqui no Rio a gente ainda tem o fator 021, que parece que deixa as coisas ainda mais lentas”, completa o guitarrista.

E já que a ideia é abraçar o meio digital, por que não um Legião Urbana Rock Band? “Pois é, cara, toda hora eu falo disso”, conta Bonfá. “É inaceitável não ter um negócio desses com a obra que a Legião tem, ia ser uma brincadeira deliciosa pra todo mundo – e era o que ia salvar a editora e a gravadora”. “Seria lindo e simples”, conclui Dado.

‘Estou indo pra Brasília…’

Aborto Elétrico
A primeira encarnação da Legião Urbana era composta por Renato Russo e pelos irmãos Fê e Flávio Lemos (que depois fariam parte do Capital Inicial). Quase todas as faixas do Aborto Elétrico foram lançadas em discos da Legião ou do Capital, mas os registros da banda no início dos anos 80 seguem inéditos oficialmente.

Sala Villa-Lobos
A apresentação da banda no erudito Teatro Nacional, em dezembro de 1986, foi um passo importante na carreira do grupo. Também segue inédito.

Mané Garrincha
O fatídico show no estádio brasiliense em 1988 terminou em confusão – e depois disso a banda nunca mais tocou em Brasília.

Vida Fodona #212: Tava com saudades?

Duas semaninhas sem Vida Fodona… Deu pra sentir falta, né? Então vamos começar tudo como se fosse a primeira vez…

Jorge Ben Jor + Mano Brown – “Umbabarauma”
Notorious XX – “Islands is the Limit”
Wale – “Freaks (Bird Peterson Remix)”
Mia – “Haters”
Roffle Meow – “The Fame Nasty”
Rolling Stones – “Sympathy for the Devil (Neptunes Remix)”
Tulipa Ruiz – “Efêmera”
Starfucker – “German Love”
Jack Johnson – “To The Sea”
Kid Cudi – “All Talk”
Mark Ronson + MNDR + Q-Tip – “Bang Bang Bang”
Yolanda Be Cool + B Dcup – “We No Speak Americano”
Legião Urbana – “Soul Parsifal”

Shall we?

Vida Fodona #208: Alma brasiliense`

Atrasado de novo, mas sempre na sincera e na humilda – desta vez peço a benção à minha Nossa Senhora pessoal, a cidade em forma de avião que me viu nascer e virar gente, a capital do terceiro milênio e palco maior das principais ficções que por enquanto só existem em minha cabeça. Brasília completou 50 anos na quarta passada e eu sampleio nosso maior trovador para sublinhar um tipo de comportamento, uma complexidade social, um elemento à distância, que torna o ser brasiliense tão particular e específico – além de único.

Há muito de goiano, de nordestino, de carioca e de mineiro na formação da personalidade candanga. Mas existe um choque de realidade que começa com a presença de embaixadores e deputados e senadores de todos os estados do Brasil e países do mundo em uma cidade em que o horizonte em 360 graus é regra e o verde onipresente contorna mármores brancos, concreto, vidraças e uma arquitetura dos anos 70. Hoje Brasília vem sendo comida pelo vírus estético que faz shopping centers e condomínios fechados de arquitetura neo-clássica brotarem pelo chão feito erva-daninha (perigoso resquício da cafonice dos anos Fernando), mas ainda há uma mentalidade completamente diferente sob as manchetes sobre parlamentares (eleitos pelos outros estados, não custa lembrar) e os clichês dos desinformados (tipo o papo das esquinas ou do índio).

E ninguém cantou melhor este lado da cidade do que Renato Russo – daí a seleção de faixas do programa desta semana ser toda de músicas do Legião Urbana. Fugi dos hits para dar ênfase a este outro lado da discografia do grupo, mas não tem como falar em catar Brasília e não citar “Eduardo e Mônica” ou “Faroeste Caboclo”. Mas “Dezesseis”, “Música Urbana 2” e “Baader-Meinhoff Blues”, entre outras, traduzem bem este espírito. Para ornar esta homenagem, uma foto do Érico Vieira da quadra em que ele mora – a mesma que eu ainda chamo de “casa”.

Legião Urbana – “Central do Brasil”
Legião Urbana – “Andrea Doria”
Legião Urbana – “Teatro dos Vampiros”
Legião Urbana – “On the Way Home” / “Rise”
Legião Urbana – “A Via Láctea”
Legião Urbana – “Eduardo e Mônica”
Legião Urbana – “Marcianos Invadem a Terra”
Legião Urbana – “Petróleo do Futuro”
Legião Urbana – “Tédio (Com Um T Bem Grande Pra Você)”
Legião Urbana – “L’Age d’Or”
Legião Urbana – “Metrópole”
Legião Urbana – “Baader-Meinhoff Blues”
Legião Urbana – “Mais do Mesmo”
Legião Urbana – “Dezesseis”
Legião Urbana – “Metal Contra as Nuvens”
Legião Urbana – “O Passeio da Boa Vista”
Legião Urbana – “Faroeste Caboclo”
Legião Urbana – “Perdidos no Espaço”
Legião Urbana – “Teorema”
Legião Urbana – “Conexão Amazônica”
Legião Urbana – “Eu Era um Lobisomem Juvenil”
Legião Urbana – “A Montanha Mágica”
Legião Urbana – “Vento no Litoral”
Legião Urbana – “Música Urbana 2”
Legião Urbana – “A Dança”
Legião Urbana – “Travessia do Eixão”
Legião Urbana – “Por Enquanto”

Vem.

Faroeste Caboclo via Google Maps

Os dois melhores resumos da epicidade brasiliense dada por Renato Russo em suas letras estão em suas narrativas trovadoras, “Eduardo e Mônica” e “Faroeste Caboclo”. Mas enquanto o Romeu e Julieta do cerrado traduz o dia-a-dia de uma sociedade que ainda se descobria, em auto-formação, “Faroeste” delimitava o contorno geográfico, os limites em que aquela nova cidade se reconhecia. A partir desta constatação, o Edmundo fez um Google Maps localizando os pontos citados no épico do terceiro disco do Legião. Bem foda.

Raridades do Legião Urbana

E o site do Legião Urbana está conseguindo desenterrar umas boas pérolas do passado da banda – umas manjadas outras nem tanto. Acima, a resenha dum show que Tom Leão escreveu para a falecida Bizz em 86. Abaixo, o cassete do terceiro disco da banda, seguido de um disco split com o 14 Bis (sugestão do próprio Renato Russo), a dobradinha com Paulo Ricardo em outra Bizz, a participação do grupo no especial em homenagem à passagem do Cometa Halley (com a faixa “O Senhor da Guerra”, que só seria oficializada quase cinco anos depois), o single de “Tempo Perdido” (que capa é essa), a primeira capa na Bizz e o primeiro release da banda, escrito à mão.

Tem muito mais coisa lá no site.