Vida Fodona #688: Não se decide

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Nesse compasso de espera…

Donna Summer – “On the Radio”
The Weeknd + Kenny G – “In Your Eyes (Remix)”
Chemical Brothers – “Star Guitar”
Guilherme Arantes – “Deixa Chover”
Letrux – “Abalos Sísmicos”
Erasmo Carlos – “Mané João”
Karina Buhr – “Amora”
Metronomy – “The Light”
Cut Copy – “Like Breaking Glass”
Arcade Fire – “Porno”
Jessie Ware – “Adore You”
Daryl Hall & John Oates – “I Can’t Go For That (No Can Do)”
Daft Punk – “Oh Yeah”
Kraftwerk – “Showroom Dummies”
Tyler the Creator – “What’s Good”
Céu – “Nada Irreal”
Pavement – “The Hexx”

Vida Fodona #638: Será que vai virar regra?

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Mais um programa gravado ao vivo.

Tagore + Boogarins – “Dramas”
Ava Rocha – “Caminando sobre Huesos”
Nightmares on Wax – “Les Nuits”
Darondo – “Didn’t I”
Unknown Mortal Orchestra – “So Good at Being in Trouble”
Céu – “Arrastar-te-ei”
David Bowie – “V-2 Schneider”
Velvet Underground – “There She Goes Again”
Serge Gainsbourg – “La Ballade De Melody Nelson”
Girls – “Alex”
Letuce – “Quero Trabalhar com Vidro”
Luiza Lian – “Geladeira”
Air – “Kelly Watch the Stars”
Kraftwerk – “The Hall of Mirrors”
Kali Uchis – “Venus as a Boy”
Angel Olsen – “More than This”
Weyes Blood – “A Lot’s Gonna Change”
Def – “Alarmes de Incêndio”
Legião Urbana – “Giz”

Florian Schneider (1947-2020)

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Com a morte de Florian Schneider, o que chamamos de música eletrônica fica órfã. Um dos fundadores do Kraftwerk, o músico alemão foi um dos pioneiros do gênero e começou a desconstruir sua musicalidade quando passou a submeter seu principal instrumento – a flauta transversal – a uma série de pedais de efeito, mudando inclusive o papel do instrumento nas formações em que tocava, até o final dos anos 60. A partir daí, conheceu o eterno parceiro Ralf Hütter, e aos poucos foi abraçando os sintetizadores e a pós-produção, criando o principal grupo alemão da história da música pop, que abriu fronteiras inimagináveis ao processar o rock progressivo dentro das rígidas regras do minimalismo eletrônico, influenciando até mesmo David Bowie, que compôs uma música em sua homenagem (“V-2 Schneider“, do disco “Heroes”). A causa da morte não foi anunciada.

Robôs na sala de aula

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Essa versão que crianças alemãs fizeram de “The Robots” é de chorar de foda.

Todo o show: O primeiro show do Kraftwerk

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Eis o primeiro show do Kraftwerk, em 1970, quando parte do antigo grupo Organisation se apresentou ao vivo pela primeira vez, em uma performance de quase uma hora transmitida por um canal de TV alemão. O coração do grupo – a dupla Ralf Hütter e Florian Schneider – está lá, mas estão longe da imersão eletrônica que causariam a partir de 1974 com uma discografia impecável iniciada em Autobahn, de 1974. Hütter já experimentava com sintetizadores, mas sua abordagem era muito mais rocker do que viria a ser depois – a começar pelo visual setentão avesso à imagem clean que o grupo assumiria depois. Schneider, mais contido, tocava flauta e violino, e a dupla ainda era acompanhada pelo metrônomo bate-estaca Klaus Dinger, que depois formaria o Neu, outra banda fundamental na música popular alemã e na história da eletrônica. O show foi presenciado por então adolescente Dimitri Hegemann, que anos depois seria o dono da casa noturna Tresor, em Berlim, uma das principais da cena techno alemã, e ele escreveu sobre o show que redescobriu quatro décadas depois no YouTube na revista Electronic Beats:

“A câmera não fica apenas fixa nos músicos, como fazem hoje em dia, ela balança pelo público e você tem uma sensação imediata do zeitgeist da época. Perto do palco, talvez a um metro de Ralf Hütter, que está tocando um teclado pendurado em seus ombros, estão três garotas hippies de cabelo comprido e um garoto com cabelo ainda mais comprido e franja, de costas para a banda. Naturalmente, todo mundo fuma, muitos homens usam ternos e golas rolê. Por oito minutos, Hütter comanda um som de drone através de pedais de delay, antes do primeiro ritmo começar, com Klaus Dinger na bateria. Florian Schneider toca uma flauta no estilo Jethro Tull e vibrafone, além de vários outros sons indefiníveis, mas quase tudo ainda era criado com instrumentos analógicos. O público está chacoalhando suas cabeças, alguns de olhos fechados. Parte do público senta-se no chão com as pernas cruzadas e alguns aplaudem freneticamente junto com o ritmo. Durante uma das canções, um cara com um visual mod fica soprando um apito.”

Eis o setlist do show histórico:

“Vom Himmel Hoch”
“Ruckzuck”
“Stratovarius”
“Megaherz”

Kraftwerk multitasking

Kraftwerk-email

A piada recorrente em qualquer show do Kraftwerk desde que eles passaram a usar tecnologia digital é que em vez de tocar instrumentos, sincronizar música com vídeo ou disparar samples, os quatro alemães ficam apenas em seus laptops checando emails, navegando a esmo na internet ou conversando com amigos online, fingindo fazer um show enquanto passam uma hora em pé na lan house mais restrita – e vigiada – do mundo. A revista alemã Faze descolou imagens da banda se apresentando em Amsterdã em janeiro, com imagens de cima do palco, que torna visível o equipamento dos integrantes do banda. Inclusive o de Falk Grieffenhagen, que visita um site que parece ser uma espécie de tutorial do iPhone ou coisa do tipo. Confira a partir de quatro minutos e meio:

Mas se você se der ao trabalho de assistir ao vídeo todo, vai ver que a banda está realmente tocando e mexendo em equalizadores digitais, teclados e outros instrumentos eletrônicos. São quatro caras trabalhando na sincronia de beats e imagens, então tudo bem se um deles quer entrar na internet mesmo que pra checar emails. Se tem gente que tira foto do Instagram no palco durante o show, não acho que isso seja tão diferente assim. E, porra, os caras são os Kraftwerk e inventaram tudo isso, afinal de contas…

Do outro lado das capas de disco

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O designer Harvezt resolveu ver o que tinha do lado de cá das capas de discos e fez essa galeria com várias versões de álbuns clássicos vistos do ponto de vista da própria capa. Saca outras aí embaixo:

 

8-Bit Kraftwerk

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E por falar em Kraftwerk, não custa lembrar que o 8-Bit Operators, coletivo que reúne diferentes nomes da chamada chiptune music – ou, em português claro, música de videogame -, lançou seu tributo à banda alemã há poucos meses, dá uma sacada:

O nono disco do Kraftwerk

Esqueci de comentar a entrevista que Ralf Hütter deu ao Guardian há menos de um mês, quando revelou que um novo disco do Kraftwerk pode estar às vésperas de ser lançado. O grupo alemão termina em 2013 a série autocelebratória Retrospective 1-2-3-4-5-6-7-8, que começou no início do ano passado em Nova York, e já foi apresentada em várias capitais pelo planeta, em que visitam todos seus oitos discos por oito dias de shows consecutivos, num monumento épico à própria importância.

O oitavo disco desta série é o Tour de France Soundtracks, de 2003, que na verdade é apenas uma revisitação em formato álbum do EP lançado em 1983 e batizado apenas de Tour de France. Se não contarmos este disco como novo material e levarmos em consideração que o disco anterior, The Mix, de 1991, reúne remixes feitos pelo próprio grupo sobre suas próprias faixas, o nono disco do Kraftwerk seria seu primeiro álbum com material inédito desde Electric Cafe, de 1986.

No entanto, o conceito de “véspera”, no que diz respeito ao tempo do Kraftwerk é algo bem elástico – e o próprio Hütter já havia declarado que o novo disco estava pronto há um ano. O problema em relação ao lançamento de novas músicas do grupo é que, à medida em que sua profecia de um futuro eletrônico, feita nos anos 70, foi se concretizando no final do século 20, a sonoridade do grupo alemão foi datando com uma velocidade impressionante. Algumas músicas novas já foram apresentadas ao vivo – inclusive nos shows no Brasil -, mas o resultado era mais próximo de um trance genérico misturado com uma sombra pálida do que o grupo um dia já foi, quase uma caricatura triste. Resta saber se o novo material é este que está sendo tocado ao vivo…

Uma entrevista robótica com o Kraftwerk

roboto

Enquanto isso, em 1998…